Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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10.5.06

 



Sobre a Esperança , com É maiúsculo


Nestes últimos meses tenho lido, e relido, quatro excelentes livros, a saber: ECOS ETERNOS , de John O`Donohue, CRISTIANISMO PURO E SIMPLES, de C.S.Lewis, O SAL DA TERRA e REFLEXÕES SOBRE A FÉ E O MUNDO , estes dois contendo várias entrevistas dadas pelo então cardeal Ratzinger, hoje Bento XVI. No “post” de hoje transcrevo um trecho do livro de C.S.Lewis, uma tradução editada em 2005 pela Martins Fontes.O referido texto faz parte do capítulo em que o grande pensador inglês escreve sobre a virtude cristã da Esperança (op.cit, pg.178).Publicado durante a segunda Guerra Mundial, CRISTIANISMO PURO E SIMPLES continua bem oportuno, conforme nosso leitor amigo poderá verificar.


A esperança é uma das virtudes teologais.Isso quer dizer que (ao contrário do que o homem moderno pensa) o anseio contínuo pelo mundo eterno não é uma forma de escapismo ou de auto-ilusão, mas uma das coisas que se espera do cristão.Não significa que se deva deixar o mundo presente tal como está.Se você estudar a história, verá que os cristãos que mais trabalharam por este mundo eram exatamente os que mais pensavam no outro mundo. Os apóstolos que desencadearam a conversão do Império Romano, os grandes homens que erigiram a Idade Média, os protestantes ingleses que aboliram o tráfico de escravos – todos deixaram sua marca sobre a Terra precisamente porque suas mentes estavam ocupadas com o Paraíso.

Foi quando os cristãos deixaram de pensar no outro mundo que se tornaram tão incompetentes neste aqui.Se você aspirar ao Céu, ganhará a Terra “de lambuja”; se aspirar a Terra, perderá ambos.Essa regra parece esquisita, mas pode-se observar algo semelhante em outros assuntos. A saúde é uma grande bênção, mas, no momento em que fazemos dela um dos nossos principais objetivos, nos tornamos hipocondríacos e passamos a imaginar que há algo de errado conosco. Só nos mantemos saudáveis na medida em que queremos outras coisas além da saúde: comida, jogos, trabalho, lazer, a vida ao ar livre.

Do mesmo modo, nunca conseguiremos salvar a civilização enquanto for esse o nosso principal objetivo.Temos de aprende a querer outra coisa ainda mais do que queremos isso.



[Estas palavras - cheias de sabedoria cristã - deveriam ser lidas, sem pressa, principalmente pelo sacerdote católico que, faz poucos dias, deu a palavra, dentro de uma igreja(...), a um notório político brasileiro, sabidamente comprometido com certos senhores apaixonados pelo quimérico “mundo melhor”, prometido pelo socialismo]


posted by ruy at 2:37 da tarde

8.5.06

 




Uma oportuna lição dada pelo então cardeal Joseph Ratzinger


O texto que vou abaixo transcrever consta do livro “Reflexões sobre a fé e o mundo”, tradução editada pela QUADRANTE. Quando li pela primeira vez o referido texto tive uma enorme alegria porquanto há vários anos sonhava com o dia em que ouviria de um pastor palavras semelhantes dirigidas a nós, simples ovelhas.Peço que o amigo leitor leia essa transcrição atentamente.


A única apologética A única e verdadeira apologia do cristianismo pode reduzir-se a dois argumentos: os santos que a Igreja produziu e a arte que germinou em seu seio. O Senhor torna-se crível pela magnificência da santidade e da arte, que explodem dentro da comunidade crente, mais que pelas astutas escapatórias que a apologética elaborou para justificar os lados obscuros que abundam, infelizmente, nos acontecimentos humanos da Igreja.

Se a Igreja, portanto, deve continuar a converter, a humanizar o mundo, como pode, na sua liturgia, renunciar à beleza, que está unida de modo inseparável ao amor e, ao mesmo tempo, ao esplendor da Ressurreição? Não, os cristãos não devem contentar-se facilmente, devem continuar a fazer da sua Igreja o lar do belo, portanto, do verdadeiro, sem o que o mundo se torna o primeiro círculo do inferno[...]

Um teólogo que não ame a arte, a poesia, a música, a natureza, pode ser perigoso.Essa cegueira e surdez para o belo não é secundária, reflete-se necessariamente também na sua teologia.



[ Op. cit. , pg.214 ]


posted by ruy at 1:44 da tarde

 

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