Despoina Damale

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29.3.06

 




O núcleo do cristianismo


O cristianismo é, sem qualquer sombra de dúvida, uma realidade histórica.Até aqui há uma pacífica concordância entre gregos e troianos. Os problemas começam a surgir quando uma pessoa se interroga: “qual é a minha posição pessoal diante dessa realidade?”

Posso, por exemplo, ser um franco admirador de todas as realizações culturais inspiradas pelo cristianismo ao longo de seus vinte séculos de existência. Posso ter uma pletora de informações gerais ou até mesmo possuir firmes conhecimentos sobre a doutrina cristã. Posso ser capaz de citar de memória os grandes teólogos que, durante estes dois milênios, produziram uma imensa obra intelectual, usada em apoio à inteligência humana quando ela se interroga sobre os grandes mistérios da fé.Posso assumir corajosas atitudes públicas em defesa dos cristãos quando eles sejam perseguidos em qualquer país do mundo. Posso ser e fazer tudo isso e mais ainda, mas, apesar dessa minha posição abertamente favorável ao cristianismo, ela não é suficiente para que eu seja mesmo um cristão.

O que podemos chamar de o núcleo do cristianismo , aquilo que torna de fato alguém legítimo usuário desse adjetivo, usado pela primeira vez na distante Antioquia, é uma adesão consciente e livre a esta verdade de fé: Jesus Cristo, o Verbo de Deus Encarnado, deixou-se crucificar por amor de nós homens, morreu na cruz, foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou glorioso.

Essa adesão não torna o neo-batizado moralmente melhor que os demais homens, isto é, os não-cristãos. Torna-o, sim, investido de uma dramática responsabilidade por suas ações, incluindo aquelas só conhecidos pelo seu autor, no interior da consciência moral.Isso é muito bem explicado por C.S.Lewis em seu livro CRISTIANISMO PURO E SIMPLES (tradução do MERE CHRISTIANITY , editada no ano passado pela Martins Fontes).

O papa Bento XVI, em uma de suas audiências recentes, alertou-nos – a nós cristãos católicos – sobre esta verdade:

Existe a necessidade de uma relação pessoal com Jesus para a evangelização, que não consiste em anunciar uma idéia, mas em dar testemunho de uma pessoa. [ 22 Mar. 06 (ACI) ]

Pois é, amigo Ruy, ponha as barbas de molho e reflita seriamente sobre estas palavras do bispo de Roma. Depois responda : "Quem é Jesus Cristo para mim?"


posted by ruy at 2:37 da tarde

28.3.06

 


Complemento ao “post” de ontem


Atendendo a uma gentil sugestão do meu amigo A ..., o serrano, dou algumas informações sobre os três livros citados no “post” de ontem.

O livro O SAL DA TERRA foi editado pela IMAGO.Pode ser encontrado em boas livrarias mesmo não confessionais (não religiosas), como, por exemplo, a Saraiva ou a Sodiler.A livraria do mosteiro de São Bento no Rio com toda a certeza deve possuir essa excelente obra.

O livro ECOS ETERNOS (do padre irlandês John O’Donohue) foi editado pela ROCCO. Aquelas duas livrarias comerciais acima citadas provavelmente terão o livro.Caso não disponham sequer de um exemplar, creio que elas possam encomendar da editora.

Finalmente, o livro DOIS AMORES, DUAS CIDADES infelizmente é uma edição antiga, editado pela AGIR creio que no final da década de sessenta.Por isso, o jeito é ir atrás de uma boa loja de livros usados ou procurar uma biblioteca pública ou universitária bem suprida. O ideal seria que a própria AGIR ou outra editora séria fizesse uma reedição do livro.

Faço votos que o leitor encontre pelo menos a longa entrevista concedida pelo então cardeal Joseph Ratzinger (O SAL DA TERRA). O padre O’Donohue tem um livro mais recente (BEAUTY) que ainda (que eu saiba) não foi traduzido para o português, infelizmente.




posted by ruy at 3:39 da tarde

27.3.06

 


Três excelentes livros


Um dos piores efeitos da presente situação política do nosso país é o fato de que muitos de nós, incluindo os que temos escolaridade universitária, deixamos de alimentar o habitus da leitura de livros. Atordoados pelo ruído da mídia, acabamos nos esquecendo desses silenciosos e fiéis amigos que são os livros. Estou me referindo, é claro, aos bons livros, aqueles que nos convidam a pensar

Nessa hora, vale a pena recordarmos os nomes de três grandes livros, cada um deles com um feitio bem característico, obras que podem trazer de volta ao nosso espírito a paz tão necessária a uma vida realmente humana. São eles:

- DOIS AMORES, DUAS CIDADES (de Gustavo Corção);

- O SAL DA TERRA (uma longa entrevista concedida pelo então cardeal Ratzinger);

- ECOS ETERNOS (do padre irlandês John O’Donohue).


O primeiro deles é um belíssimo ensaio histórico que nos apresenta o mistério do cristianismo e seu nuclear significado para a civilização.
O segundo é uma exposição bem pessoal sobre a Igreja e seu mistério, um mistério que vai além, muito além dos convencionais moralismos (entre eles, até mesmo o de nós católicos).
O terceiro é uma seqüência de reflexões sobre o mistério da vida em geral e em particular sobre o mistério da vida de cada um de nós.

O leitor atento certamente terá notado que aí em cima por várias vezes usei a palavra mistério . Foi de propósito. Acredito que essa palavra deveria ser sempre lembrada por todos nós cristãos, mormente por nós católicos. Neste momento convinha lembrar a bela aproximação feita por Chesterton entre o mistério e o sol do meio-dia, esse forte brilho que não podemos olhar de frente, mas que torna bem visíveis todas as coisas.


posted by ruy at 3:59 da tarde

 

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