Despoina Damale

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19.1.06

 


Voltando ao tema Logos versus Ethos


Certa mensagem enviada por um velho amigo fez-me pensar sobre esse antigo binômio que reflete duas possíveis atitudes de nós católicos diante dos fatos e dos problemas que, ao longo dos tempos, nos desafiam.Antes de prosseguir, convinha lembrar o que há tempos escrevi neste “blog”. Na milenar tradição católica prevalece o Logos , enquanto entre os protestantes o Ethos tem maior presença.O Logos fala-nos do mistério, o Ethos lembra-nos a Moral.

Faz uns três dias, amigos de Portugal enviaram-me pequeno trecho de um sermão da Quaresma de 1981, proferido pelo então Cardeal Ratzinger.Vou transcrevê-lo em seguida porque, em certo ponto, o pregador adota um ponto de vista que sintoniza muito bem com a longa tradição católica, acima citada.

Cardeal Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI] Sermões de Quaresma 1981

“O sábado foi feito para o homem"
Na narrativa da criação, o sábado é descrito como o dia em que, na liberdade da adoração, o homem participa na liberdade, no repouso e na paz de Deus. Celebrar o sábado é celebrar a Aliança. Isso significa o retorno às origens, a eliminação das manchas que as nossas múltiplas atividades arrastaram consigo. Isso quer dizer pôr-se a caminho do mundo novo em que não haverá escravos nem senhores, mas apenas filhos de Deus livres, um mundo em que os homens, os animais e a terra participarão juntos e fraternalmente na paz de Deus e na sua liberdade...
[Mas] o homem recusou o repouso, o abandono que vêm de Deus, a adoração com a sua paz e a sua liberdade, e acabou assim por se submeter à ação. Tornou o mundo escravo da sua atividade e, dessa forma, tornou-se ele mesmo escravo. Por essa razão, tinha Deus que dar ao homem o sábado que este não queria. Pela sua recusa do ciclo da liberdade e do abandono que vêm de Deus, o homem tinha-se afastado da sua condição de imagem de Deus e pisado o mundo com seus pés. Eis porque era preciso arrancá-lo à sua escravatura em relação ao seu próprio trabalho. Para tal, Deus tinha de o fazer reencontrar a sua autenticidade, libertá-lo do domínio da ação. "Nada deve ser preferido ao serviço de Deus", escreve S. Bento - em primeiro lugar a adoração, a liberdade e o repouso que vem de Deus. Assim, e só assim, o homem poderá verdadeiramente viver.


O leitor neste instante deve notar o que precisa vir em primeiro lugar: a adoração, a liberdade e o repouso que vem de DEUS.O ativismo, mesmo aquele mais bem intencionado, não deve ter a nossa preferência.Note também a menção que Ratzinger faz ao conhecido preceito da Regra de São Bento, preceito esse que, “mutatis mutandis”, vale para nós que não somos religiosos “stricto sensu”. Não é por acaso que o agora papa tomou o nome do Patriarca dos monges do Ocidente.Ele, Bento XVI, sabe que o mundo moderno precisa urgentemente parar e, parando, reencontrar a sábia hierarquia que dá a prevalência ao Logos .


posted by ruy at 10:34 da manhã

 

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