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11.1.06

 


Voltando ao tema Nacionalismo versus Patriotismo


O papa João Paulo II, a quem meu amigo A ...(o serrano) costuma, com muita razão, aplicar o cognome “o Grande”, foi de fato uma personalidade multifacetada.Ora, creio que a maioria das pessoas que o conheceram guarda particularmente na memória a faceta da indiscutível simpatia irradiada por Carol Woytila e, por isso, ainda hoje mantêm um relacionamento afetivo com a figura do antecessor de Bento XVI.

Entretanto, ainda que seja louvável recordarmos essa atraente característica de João Paulo II, convém lembrarmos também a face intelectual do grande papa.Essa pode ser encontrada particularmente nas várias encíclicas e nos vários livros que ele nos deixou.Neste “post” gostaria de me referir particularmente ao livro cuja tradução foi editada pela OBJETIVA no ano passado: MEMÓRIA E IDENTIDADE.

Essa obra, cujo subtítulo é “Colóquio na Transição do Milênio”, tem seis partes.Uma delas aborda o tema do Patriotismo e se intitula: PENSANDO PÁTRIA, assunto analisado por João Paulo II em cinco capítulos: Sobre o conceito de Pátria, O Patriotismo, O Conceito de Nação, A História e, finalmente, Nação e Cultura.

Ao discorrer sobre esse tema, o então pontífice faz considerações muito oportunas sobre o Nacionalismo.Fiquei muito feliz ao ler esses comentários de João Paulo II porque eles confirmavam tudo o que me haviam ensinado nos anos de minha mocidade, época em que conheci o que de mais autêntico existe no pensamento católico. Mas, deixemos o próprio autor de MEMÓRIA E IDENTIDADE expor suas idéias.

Os caminhos fundamentais para a formação de toda sociedade passam através da família, sobre isso não pode haver dúvidas; mas, parece que uma observação análoga corresponde também à nação. A identidade cultural e histórica das sociedades é salvaguardada e alimentada por aquilo que integra o conceito de nação.Obviamente, há que evitar, de maneira absoluta, o risco que esta insubstituível função da nação degenere em nacionalismo; sob este aspecto, o século XX forneceu-nos experiências muito eloqüentes, sobretudo pelas suas dramáticas conseqüências.

Como é possível libertar-se de tal perigo? Penso que o modo justo seja o patriotismo; de fato, a característica do nacionalismo é reconhecer e buscar o bem apenas da própria nação, sem ter em conta os direitos das outras; pelo contrário, o patriotismo, enquanto amor pela pátria, reconhece, para todas as outras nações, direitos iguais aos que reivindica para si próprio, sendo por conseguinte o caminho para um amor social ordenado.

Conforme o leitor pode ter observado, falta ao nacionalista o desejável senso da reciprocidade . Um fato ocorrido em 1962, envolvendo o então presidente João Goulart, adepto do nacionalismo, ilustra bem essa grave miopia.Estava ele em visita oficial aos Estados Unidos, quando teve que comparecer a uma reunião com o presidente Kennedy na Casa Branca.Jango tinha bom nível de escolaridade e falava razoavelmente o inglês.Estava sentado de um lado da grande mesa retangular, enquanto JFK estava do outro lado.Em certo instante, Goulart fez questão de frisar sua política externa independente.Vejamos, como o embaixador Vasco Mariz descreve o que aconteceu naquele momento.

Kennedy levantou-se subitamente, deu a volta à mesa e aproximou-se de Goulart que, embaraçado, levantou-se também. Sorrindo, Kennedy apertou-lhe a mão jovialmente, felicitando-o por afinal haver encontrado um presidente independente. Lamentou que ele mesmo fosse dependente do Congresso, da imprensa, de seu partido, de Krushev, De Gaulle etc. Foi um vexame para a comitiva brasileira. Houve um longo silêncio enquanto Kennedy voltava ao seu lugar na mesa.

O leitor sagaz poderá perceber vexames análogos em nossa atual Política Exterior.



posted by ruy at 4:13 da tarde

 

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