Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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3.1.06

 


Não tem jeito!


Não tem jeito, sou obrigado a voltar a um velho, um teimoso tema que me é bem caro, mas que, muito provavelmente, vai aborrecer os poucos leitores deste “blog”...

Comecemos pela bem recente comemoração da entrada do Ano Novo.Mais uma vez, graças à generosa acolhida de um genro, pude assistir bem de perto à colorida, à brilhante queima de fogos junto a uma das belas praias da baía de Guanabara.O estratégico ponto onde estávamos ainda permitia que víssemos de longe, porém sem perda da beleza do espetáculo, cenas análogas em duas outras praias dessa região.Como de costume, houve o tradicional champanhe e as iguarias, os abraços e beijos, os votos amigos, em tudo um bom, um saudável clima de festa.

Acredito que em uma imensa quantidade de lugares, espalhados por várias regiões deste planeta, ocorreram cenas semelhantes àquela que tive a alegria de ver.Poderiam ter variado certos detalhes, mas a essência foi a mesma, qual seja, o entusiasmo pelo avanço do Tempo, esse permanente companheiro da condição humana.

Neste momento, arrisco-me a dizer que, de toda essa gigantesca multidão festiva, teriam sido muito poucas as pessoas que se lembraram, durante aqueles jubilosos minutos, que a contagem cronológica se faz tendo como referência o ano zero da Cristandade.

Acabei de escrever “Cristandade”. Apresso-me a explicá-la.No contexto deste “post”, o referido termo não deve de modo algum ser entendido da mesma forma como era na época que os ignaros de hoje chamam de Idade das Trevas. Aquela antiga Cristandade não mais existe. Aí, um leitor malicioso me pergunta: então, Ruy, se ela não mais existe, por que você fez uso desse empoeirado e amarelecido vocábulo?

Pois é, leitor amigo, você tem um pouco de razão. Veja bem: um pouco.Entretanto, se você for cristão, e cristão consciente das promessas feitas por você mesmo ou pelos seus padrinhos de batismo, sabe que a nossa permanência no tempo é de fato uma longa espera do retorno do Cristo.No ano zero, Ele veio pequeno e pobre, discretamente colocado em um presépio. No último ano, Ele virá glorioso, como Rei de todas as coisas.

Para mim pelo menos, um dos maiores mistérios da existência é o profundo, o abismal respeito que DEUS tem pela liberdade do homem, seja esse homem quem for.Pode ser o desajeitado e cheio de falhas editor deste “blog”, pode ser qualquer um desses políticos obcecados pelo Poder e apaixonados pela utópica idéia de criar neste mundo um Paraíso impossível.

Os medievais tinham muitos defeitos.Um velho amigo já me disse que eles, os medievais, não eram muito caridosos.Entretanto, apesar dos pecados que a eles possamos atribuir, não podemos negar que eles, os homens do Medievo, tinham sobre suas cabeças uma envoltória cultural que lhes permitia dar o nome aos bois. Roubar era errado, cometer adultério era errado, fazer sexo contra a Lei Natural era errado, atentar contra a própria vida era errado.Ao mesmo tempo, levar um século para completar a elaborada, a maravilhosa catedral de pedra era certo, porque isso era render a mais lídima homenagem ao Rei do Universo.

Ora, hoje em dia, numa cultura decadente como a nossa, neste nosso pobre Brasil, até mesmo pessoas com razoável nível de escolaridade são incapazes de perceber a magnífica beleza de uma milenar catedral de pedra.

Por tudo isso, desejo que, neste ano recém começado, possam surgir em nossa pátria muito mais pessoas realmente atentas ao silencioso, ao profundo mistério do Cristianismo.


posted by ruy at 12:58 da tarde

2.1.06

 





Viagem virtual à Rue de Bac


Agora a contemplo:
- Nítida,
Estática,
E sem brilho –
Uma simples cadeira.

Ali, há mais de um século,
Sentou-se, maternal e ensinante,
Aquela que é a causa da nossa alegria,
A Rainha falando com a freirinha
(mais que uma rima, um fato verdadeiro).

Muitos sóis, muitas chuvas,
Muitos anos passariam
Até que, finalmente,
Tais conversas se tornassem conhecidas.

(Os maiores milagres são discretos, como a silenciosa presença divina).




posted by ruy at 4:09 da tarde

 

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