Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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10.12.05

 


Algumas reflexões esparsas

[guardadas no fundo da memória, de vez em quando um fato do cotidiano as coloca de novo na superfície]

Três irreverentes, mas verdadeiros, provérbios cariocas
:
- a economia é a base da porcaria;

- sempre espera-se pela pior figura;

- o ruim da burrice é que ela dói nos outros.


O primeiro explica, por exemplo, por que há tantos objetos de mau gosto; o segundo faz lembrar o que ocorre freqüentemente nas excursões em grupo; o terceiro pode ser facilmente exemplificado pela atual situação política em que estamos vivendo neste país; é só prestar atenção nas frases que “ele” diz em suas costumeiras falas em público.


Antigos e teimosos equívocos - Quem tem o costume de ver noticiário de TV e/ou ler jornais ou revistas noticiosas – mesmo as de melhor qualidade – já ouviu e leu inúmeras vezes dois velhos equívocos que consistem em: a) confundir escolaridade com educação , b) admitir a existência de escolas públicas e escolas particulares.

Ora, é sempre oportuno lembrar que a escolaridade tem sempre um limite, enquanto a minha educação, que é meu problema, eminentemente pessoal, da minha inteira responsabilidade, só termina no meu último segundo de vida neste mundo.E lembrar também que todas as escolas são públicas, com exceção da que venha a ser construída, por algum excêntrico milionário, no interior de seu palacete residencial.


Um curioso paradoxo existencial - Progredir, mais que um direito, é um dever do homem. O ser humano tem a obrigação de usar, firme e corretamente, os dons que lhe foram entregues pela Graça divina para desenvolver-se na vocação a que foi destinado, não importa qual ela seja. A busca dessa perfeição é perfeitamente natural.

Ora, tudo isso que aí escrevi merece palmas do Conselheiro Acácio. Entretanto, nesse legítimo processo de crescimento pode estar oculto o que, na minha opinião, constituiria um irônico paradoxo.Refiro-me à silenciosa, à traiçoeira armadilha do ser um bem sucedido na vida.

O engenheiro que chegou a Presidente da empresa, o professor universitário que alcançou as funções de Reitor, o advogado que chegou a Juiz do STF, o médico que foi nomeado Diretor do Hospital, o escritor que foi eleito para a Academia de Letras, o padre que foi designado para receber a ordenação de Bispo etc.– todas essas pessoas (sem exceção) ficam sujeitas ao risco de acharem que todos os seus critérios de julgamento sejam perfeitos, todas as suas análises dos inúmeros problemas da sociedade humana sejam corretos.

Note bem, leitor amigo, não estou questionando a honestidade desses homens.Ela pode ser sincera e inatacável. O problema está mais no campo da inteligência que no da moral.Tudo se passa como se a pessoa perguntasse a si própria: como posso estar errado se, com as minhas pessoais matrizes de julgamento, cheguei até aqui onde estou?


posted by ruy at 1:24 da tarde

5.12.05

 



O erro essencial do comunismo


Faz uns dois dias, conversando com um de meus genros sobre o rumoroso caso do ex-deputado José Dirceu, após ouvir sensatos comentários do marido de minha filha, de repente fiquei refletindo sobre aquilo que, para mim pelo menos, constitui o erro fundamental dos comunistas ou daqueles que, mesmo se dizendo não-comunistas, apóiam os adeptos da referida doutrina.

Um parêntese.Ao escrever aí em cima a expressão “para mim pelo menos”, eu estava de fato externando o ponto de vista de um católico, de um homem batizado que, embora de modo canhestro, medíocre (que DEUS me perdoe), procura ser coerente com a fé de seu batismo.

Existe uma pletora de escritos sobre todas as perversidades cometidas pelos regimes comunistas.Vários livros históricos nos contam milhares de fatos que incluem, por exemplo, o bárbaro assassinato, à sangue frio, da família imperial russa, em 1917, horrendo crime esse ordenado pelo próprio Lenine; o covarde assassinato, cometido pelos soviéticos, de trezentos oficiais e sub-oficiais poloneses na floresta de Katyn, durante a segunda Guerra Mundial; a construção do absurdo Muro de Berlim, muito justamente apelidado “muro da vergonha”; os milhares de cubanos que morreram afogados ou comidos por tubarões quando tentavam fugir, com suas famílias, do regime imposto àquela infeliz ilha do Caribe; os professores que no sudeste da Ásia tiveram seus tímpanos furados com lápis quando ali os vermelhos assumiram o controle das cidades.Não convém aumentarmos a lista das dolorosas citações.O ínfimo resumo chega para o que precisamos.

Qualquer pessoa normal, ao tomar conhecimento desses fatos, sente uma justa revolta e uma correlata repulsa à doutrina política que inspirou os responsáveis por tudo isso.Entretanto, na minha opinião de católico, nesse instante corremos o risco de cometer um perigoso equívoco, o de achar que a maldade intrínseca do comunismo esteja mesmo nesse tenebroso conjunto de fatos que agridem as sensibilidades normais.Para melhor expor meu ponto de vista, sugiro ao amigo o leitor o seguinte.Imagine por um instante que nenhuma dessas perversidades tenha alguma vez ocorrido e que, na pior hipótese, nos regimes comunistas aconteçam apenas eventuais prisões para interrogatórios razoavelmente severos, isto é, sem a prática de infames torturas.

Pois bem, ainda que a vida nesses regimes fosse pautada por um controle, digamos assim, brando dos cidadãos, o comunismo continuaria alimentando um erro essencial, que é o de tentar construir neste mundo uma existência sistematicamente - note bem isto, leitor: sistematicamente – despojada da Esperança, com E maiúsculo.

Por isso, um comunista convicto de sua ideologia e, ao mesmo tempo, muito bem informado sobre a proposta do Cristianismo e, mais especificamente, sobre a doutrina pregada pela Igreja por meio de seus papas, e ensinada por teólogos fiéis à Igreja, deve bater palmas, feliz da vida, quando ele, o comunista, observa isto:
- os milhares de missas que vêm sendo celebradas neste país, com o Pai Nosso rezado por todos os fiéis mãos dadas e/ou batendo palmas ruidosas e pessoas saracoteando enquanto cantam certos hinos religiosos ou pretensamente religiosos (como um em que há um tipo de velada ameaça: “o mundo dá muitas voltas, a gente vai se encontrar”...);
- a multidão de pessoas ditas católicas que nunca param para refletir, por exemplo, em família sobre o mistério do Natal;
- os milhares de padres cujas homilias, cheias de bela retórica, deixam transparecer muita sinceridade – o que é bom – porém pouco sentido de santidade;
- os milhões de católicos para os quais a simples honestidade é a maior virtude e que, levados apenas pelo desejo de serem homens bem sucedidos na sociedade, esquecem-se da forte recomendação Paulina: Nolite conformari huic saeculo, e instalam-se na vida.

Tudo isto vem cooperando, há muito tempo, com o obsessivo plano dos Dirceus & Cia.


posted by ruy at 12:36 da tarde

 

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