Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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25.11.05

 




Falando português bem claro!


Já levei à pia batismal três pessoas, das quais uma delas, com certeza, de acordo com o que nos ensina a doutrina da Santa Mãe Igreja, há muitos anos vive no Céu.Chamava-se Heloísa e daqui partiu ainda pequenina. E aqui neste ponto cabe logo um parêntese

O papa João XXIII deixou-nos uma imagem muito simpática, a de alguém bonachão, descontraído e pacificado, uma imagem diferente das que ficaram de seus antecessores, entre eles o grande Pio XII, este homem de perfil sério, em cujo rosto era visível a grande tensão psicológica.Pois bem, logo que assumiu seu pontificado, João XXIII publicou sua carta encíclica Mater et Magistra, Mãe e Mestra, obviamente referindo-se à Igreja.

Os distraídos, ao lerem o nome daquele importante documento, poderão dizer que aquele título teria sido uma confirmação do estilo manso, benevolente com que o então novo papa se apresentava diante do mundo.Porém, se refletirmos melhor, poderemos lembrar-nos de certa característica essencial das boas mães e das boas mestras: o zelo. E também poderemos recordar esta sábia afirmativa: quem ama tem zelo.A mão que acaricia é a mesma mão que eventualmente dá o justo castigo. A boca que ensina carinhosamente é a mesma que diz incômodas verdades.Fechemos o parêntese.

Pois bem, dizia eu que uma das pessoas por quem fiz a profissão de fé há muitos anos vive no Céu; dizia - e digo ainda - que isso foi o que aprendi com minha Mãe e Mestra.Com essa mesma Mãe e Mestra aprendi a ler e respeitar – sobretudo, respeitar – os Evangelhos.O bom senso nos ensina que, se não houvesse, ao longo de mais de dois mil anos, um cuidado verdadeiramente maternal com tais livros, há muito tempo eles já teriam sofrido alterações espantosas, tornando-se desmerecedores de credibilidade por parte de crentes e descrentes (o sucesso comercial do livro da Dan Brown é um bom exemplo desse permanente perigo).

Ora, uma das capitais verdades que nos são expostas naqueles quatro livros da Bíblia é justamente a divindade de Jesus Cristo, pública e solenemente reconhecida por São Tomé (bendito São Tomé, que propiciou, com sua inicial descrença, a nossa felicidade de crer no que não vimos!).Bem, o próprio DEUS encarnado é quem diz enfaticamente a Pedro que este seria a pedra fundamental da Igreja.Diz que aquele pescador rude, cheio de rompantes, cheio de defeitos, vai receber as Chaves do Reino! Meu DEUS, como pode alguém suposto inteligente e de bom nível de cultura não refletir com seriedade sobre estes pontos de nossa fé?

Vamos em frente. Se aquele Jesus era mesmo o próprio DEUS encarnado, sabia de tudo o que ainda iria acontecer neste mundo, mundo que a Ele pertence. Sabia que o próprio Pedro iria negá-lo diante dos poderosos; sabia dos papas, de triste memória, do Renascimento, que se deixariam corromper pelo luxo e pelo poder; sabia das demoníacas maquinações que iriam ocorrer nestes últimos cem anos (conforme nos lembra o insuspeito escritor Olavo de Carvalho) com a finalidade de desacreditar sistematicamente a figura do padre, desse homem que, mesmo imperfeito, é quem pode repetir diante dos fiéis o milagre da transubstanciação.

E tem mais, é duro ver tantos que se julgam inteligentes e bem informados nunca pararem para refletir sobre este fato:

- ao longo destes vinte e um séculos, vem existindo uma gigantesca multidão de homens e mulheres, dotados de enorme cultura e não menor sensibilidade, que nunca se envergonharam de crer na essencial santidade da Igreja e nunca se envergonharam de serem seus filhos.Homens e mulheres que livremente abriram mão de seus legítimos direitos de constituir uma família e de serem bem sucedidos em uma digna e útil profissão, para se dedicarem unicamente ao serviço do Cristo e da Igreja por Ele fundada.

Desculpem o mau jeito.


posted by ruy at 1:53 da tarde

22.11.05

 




O porquê da palavra problema no “post” anterior



Considerando que o desejo de alegria em nossa vida é visivelmente espontâneo, um eventual leitor poderia achar inadequado chamar de problema essa natural procura.Acresce lembrar que, em nossa moderna civilização ocidental, existe uma indiscutível pletora de diversões, jogos esportivos e variados espetáculos, tudo propiciando uma fácil continuidade de risos sonoros ou sorrisos discretos.

Um parêntese.Ali em cima, bem de propósito citei a “nossa moderna civilização ocidental”. Se o leitor reler o “post” do dia 20, nele verá a referência ao ataque suicida - e homicida - às torres do WTC em 11 de setembro de 2001.Note isto, amigo leitor: os homens que planejaram e realizaram aquele ato insano muito provavelmente estavam alegres, talvez até estivessem rindo ou sorrindo segundos antes do pavoroso impacto.Eram homens formados em outro tipo de civilização Fechemos o parêntese.

Não é apenas a pletora de diversões e distrações disponíveis em nossa sociedade ocidental que incentiva o surgimento de incontáveis reações alegres.Bem mais eficaz, pelo menos na minha opinião, é a envoltória cultural , usando esses termos tão bem explicados no livro DOIS AMORES, DUAS CIDADES.Abro a seguir outro parêntese, não muito cômodo, mas, como todo exemplo, talvez esclareça a minha perspectiva neste excurso.

Recordo-me de um amigo que tive, faz muitos anos, e que tinha por hábito ler as encíclicas da Igreja.Certa vez, conversando comigo, ele me dizia que ficara muito impressionado com uma desses documentos, escrito pelo papa Pio XI, em que o referido pontífice citava a epístola de São Paulo aos Efésios, especificamente o trecho em que o Apóstolo, escrevendo aos seus discípulos existentes naquela cidade da Ásia Menor (hoje Turquia), chama-os de concidadãos dos santos e membros da família de DEUS .Ora, esse meu amigo, com uma exuberância típica da mocidade, repetia entusiasmado aquelas palavras Paulinas.Para ele, elas significavam um autêntico programa de vida.

Pois bem, descontando um compreensível, um juvenil exagero daquele leitor das encíclicas, acho que de fato nós, os batizados que fazemos parte do Ocidente, não temos um programa de vida coerente com o que, por nós mesmos ou pela boca de nossos padrinhos, professamos no dia do batismo.Por isso, nossas alegrias – na maior parte das vezes – são feitas de um somatório de distrações e diversões, um somatório suficientemente grande para não sobrar tempo bastante para refletirmos sobre o silencioso mistério da vida.

“Péra aí, Ruy”, dirá um leitor impaciente e aborrecido comigo, “você quer dizer que é errado gostar de assistir a um bom filme ou a uma bem jogada partida de futebol?”
Não, meu amigo, absolutamente não! Eu também gosto – e gosto muito - de assistir a bons filmes e a bons jogos de futebol. O que estou tentando dizer, com minha habitual inabilidade, é que não costumamos inserir tais legítimas alegrias em um contexto, em um autêntico programa de vida, no qual – por exemplo – a assistência à missa dominical não seja apenas mero hábito mecânico, um hábito desprovido daquela desejável, daquela profunda reverência devida ao mistério eucarístico. Isso para não falar sobre tantos de nós que nem pensamos mais na missa...

Contam que Machado de Assis tinha o costume de ler o Eclesiastes, o livro onde está escrito que existe tempo para tudo; tempo para nascer e tempo para morrer; tempo para chorar e tempo para rir; tempo para calar e tempo para falar; tempo para a guerra e tempo para a paz. Talvez o problema na procura da alegria esteja em nosso esquecimento das sábias advertências do Eclesiastes.



posted by ruy at 1:43 da tarde

 

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