Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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24.9.05

 


Bate-papo pela Internet


[Faz poucos dias um velho e geograficamente distante amigo enviou-me certo artigo em que o autor criticava - com razão - a intolerância de um juiz que está propondo a retirada do crucifixo das salas dos tribunais brasileiros. Li o artigo e troquei algumas mensagens com meu amigo em torno do assunto. Transcrevo abaixo três das mensagens por mim enviadas. Peço ao leitor que releve, por favor, o modo apressado e deselegante com que elas foram escritas]

( I )- Prezado R...
Enviei aquela entrevista a vários amigos, nem todos - segundo penso - católicos convictos.Por essa razão omiti o dado que agora passo a você.
Em 22 de novembro de 1951, o então papa Pio XII, de saudosa memória, em discurso à Academia Pontifícia de Ciências, lembrava aos cientistas ali presentes a realidade da entropia crescente, fenômeno físico descoberto por Rodolph Clausius no século XIX.Por que o papa faria aquele lembrete?

Você falou em "ciclos". Perdoe-me a ressalva, mas essa idéia de ciclos pode levar à concepção do "eterno retorno".Ora, no Evangelho, Nosso Senhor diz claramente: "passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão". Lembra-se disso? O mundo a rigor já terminou.Fomos criados para DEUS.O próprio DEUS encarnou-se para nos chamar de volta. O cristianismo não é uma doutrina de bom comportamento, para fazer com que tenhamos uma vidinha boa neste mundo. É, sim, um essencial convite para o Reino.

A lentidão com que se processa a entropia crescente é uma grande moratória que DEUS concede à humanidade, mormente aos cristãos, a nós que fomos batizados.Para que reflitamos em coisas essenciais.

Dói-me assistir às missas rezadas atualmente. Ali existe agora um clima de mera reunião festiva. Entretanto, não se vive a Esperança, com E maiúsculo. Palmas, abraços, beijinhos, cantos ruidosos, homilias "sociais"- tudo para agradar as sensibilidades. E onde fica a inteligência? Onde fica o sentido do mistério?

Não sei se vc. entendeu o meu modo de ver. Para mim, a percepção do mistério deve preceder - não eliminar - as preocupações morais.
Aliás, mesmo um homem sem religião pode perceber que existe uma Lei Natural, que nos diz que há atos certos e outros errados.O Cristianismo conhece tudo isso, mas conhece muito mais.A Encarnação do Verbo é algo muitíssimo sério. Vc. se lembra do e-mail em que comentei o fato de Nosso Senhor não ter aparecido a Pilatos, aos fariseus? Vc já pensou nisso?
Por favor, gostaria que vc refletisse sobre tudo isso!
Um grande abraço.
Ruy.

(II) -Amigo R...-
Enviei a vc a mensagem abaixo transcrita. Ela foi redigida em um mau momento, num instante em que este escriba estava meio ou bastante nervoso. Acho que eu não soube dar à minha msg uma forma mais tranqüila e, por isso mesmo, posso ter aborrecido seriamente o meu amigo R... Se isso de fato ocorreu, peço que vc. me perdoe. Nenhuma exposição de idéias, mesmo que sejam certas, vale uma amizade.
Um fraterno abraço.

[A mensagem a que me refiro acima é a de número (I) no início deste “post”].


(III)- Prezado R...
Faz muitos anos, um velho professor de português dava à minha turma no curso colegial este conselho:"meu caro amigo, cuidado com o primeiro jato!Ele nunca é bom!" (primeiro jato é o texto do jeito que sai da nossa cabeça, sem revisão, no impulso inicial).
Pois é, preciso lembrar-me do conselho dado pelo bom professor de português, de saudosa memória.

Revendo a minha msg, percebo que ela foi excessivamente concisa.A rigor, eu deveria ter explicado melhor o meu ponto de vista.
Faz uns trinta anos li um livro que me fez descobrir o mistério do Cristianismo ao longo dos séculos ("Dois Amores. Duas Cidades") .É mesmo maravilhoso como DEUS respeita a nossa liberdade.Como ele tolera tantas barbaridades que nós cometemos.Mais tarde li um outro livro que também me influenciou bastante ("O Negócio é Ser Pequeno").Um dos maiores problemas que a civilização moderna enfrenta é aquele que E.F.Schumacher (um economista que foi chefe do Plano Nacional do Carvão da Inglaterra) chamava de "a louca disparada prá frente".Só pensamos em progresso tecnológico, só nos preocupamos com o desenvolvimento.

Ora, o homem da Idade Média construía - sem pressa - belíssimas catedrais de pedra. Tenho duas revistas (uma delas a National Geographic Magazine, a outra uma antiga revista em português) que mostram,uma delas, a abadia do Monte Saint Michel e, a outra, a catedral de Amiens, ambas na França.
Essas maravilhas arquitetônicas foram erguidas por comunidades de artesãos, todos irmanados pela mesma crença.O primeiro traço marcante dessas construções é a linha vertical, apontando para o céu, apontando para cima.É isso o que - na minha opinião - está fazendo falta hoje em dia: olhar para cima.Procurar a Eternidade. Lembrar que este mundo é mesmo transitório.
Não sei se agora me fiz entender melhor...
Um grande abraço.
Ruy


posted by ruy at 12:41 da tarde

20.9.05

 


Algumas considerações à margem de um artigo publicado na VEJA


Meu colega amigo B..., pessoa de grande inteligência, e não menores sensibilidade e discrição, deu-me de presente um exemplar da revista VEJA no qual ele notara, com muita perspicácia, um ótimo artigo publicado por Stephen Kanitz : “O segredo do casamento”.(VEJA, 14/set/05, pg 24). Gostei tanto do texto que enviei cópia a vários amigos

Kanitz adota uma perspectiva não convencional para abordar o “problema” do casamento.Estou informado por outro amigo, o A ...(o serrano) que o articulista é batizado, é um cristão que valoriza o ritual, a cerimônia religiosa do matrimônio. Entretanto, Kanitz, em seu excurso, não faz nenhuma consideração filosófica ou teológica.Façamos um parêntese.Escrevi ali em cima a palavra “problema”. Neste instante, talvez seja oportuno lembrar uma citação de Chesterton:
- Marriage is an adventure, like going to war.
Ora, Kanitz adota um jeito chestertoniano para desenvolver seu excurso. Vejamos alguns exemplos.

Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.

Obviamente, ao falar sobre a inevitabilidade do divórcio, o autor usa de uma ironia. Caso contrário, ele não escreveria o seu artigo.

O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher. O segredo no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.

Note nem, leitor amigo, o sutil apelo ao bom uso da inteligência .Ela é convidada a orientar a nossa sensibilidade.

Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? Há quanto tempo não fazem uma lua de mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção?

Qual de nós casados teria coragem para dizer que Kanitz está errado? Ou que está dando um mau conselho? Continuemos.

Sem falar nos inúmeros quilos que se acrescentaram a você, depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 quilos num único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo? Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo e a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.

Pois é, como diria Rondon, o bravo sertanista brasileiro: “é só querer!”

Portanto, descubra o novo homem ou a nova mulher que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par. Tenho certeza de que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso, de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.

Tenho certeza que o velho Chesterton aprovaria essas idéias de Kanitz.E, se o saudoso ensaísta inglês, na frase por mim citada, usou a palavra “war”, “guerra”, creio que ele ao dizer aquilo, estava mesmo pensando em um constante e necessário combate contra o nosso egoísta amor-próprio.


posted by ruy at 5:12 da tarde

 

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