Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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4.9.05

 


Um silêncio diferente


O dicionário define de modo claro: Silêncio, s.m. Estado de quem se abstém de falar; privação de falar. E mais à frente o livro acrescenta: interrupção de ruído, sossego. Pois bem, essas notas do volumoso depósito das definições e dos significados me deixam à vontade para falar em defesa de um necessário silêncio diferente, um silêncio em que falam várias pessoas reunidas no mesmo lugar.

Hoje, ao assistir à missa aqui perto de casa, na capela de um colégio de freiras, de repente veio-me a idéia que agora estou tentando apresentar aos poucos, bem poucos, leitores deste “blog”.Na missa dominical há pelo menos quatro orações que os fiéis rezam juntos com o sacerdote: o Ato Penitencial, o Glória, o Credo e o Pai Nosso.Foi justamente no momento do Glória que me ocorreu a idéia.

A pessoa que estava ao meu lado rezava alto, do mesmo modo como também faziam os demais assistentes à missa.Perguntei aos meus botões: até que ponto todas estas pessoas estão refletindo, estão meditando, enquanto rezam aquela seqüência de fundamentais verdades, sobre os mistérios da fé cristã? Até que ponto estas pessoas sabem contemplar esses tremendos mistérios? Até que ponto, ao sairmos da capela ou de uma igreja paroquial, estamos carregando, dentro de nós, a consciência do significado deles, daqueles mistérios?

E pensei mais. Talvez tivesse sido excelente iniciativa se o celebrante, uns dois minutos antes de começar a missa, houvesse recomendado aos assistentes que rezassem à meia voz , quase em sussurro, quase em silêncio , as orações litúrgicas, um silêncio em que pudéssemos escutar a nós mesmos enquanto estávamos rezando.

A melancólica interrogação que me incomoda durante a comum celebração das missas em nossas igrejas é a de desejar saber o quanto o padre está mesmo vivendo , em profundidade, aquele mistério e se, ao dirigir-se aos fiéis, ele o faz dirigindo-se basicamente a suas vontades, preocupado com o comportamento moral deles, ou se fala de inteligência para inteligências, para lhes externar uma silenciosa vida interior pessoal – a dele mesmo - uma vida muito mais centrada na veneração ao mistério que fixada em um disciplinado cumprimento de necessárias e justas regras morais.

Ao terminar a missa, o padre lamentou o modo de atuar dos nossos dirigentes políticos, os quais – segundo disse o sacerdote - vivem cometendo graves erros por não se preocuparem em viver conforme as verdades cristãs. Mas, e nós, nós que elegemos tais políticos, qual é a profundidade de nossa crença? Ela é do tipo ruidoso ou silencioso? Ela termina quando saímos do recinto da igreja ou nos acompanha durante o dia inteiro, em silêncio, em profundo silêncio?


P S – Caro H...- recebi seu e-mail com o oportuníssimo artigo de Olavo de Carvalho (“A mãe dos Trambiqueiros”). Muito obrigado, amigo H... Valeu!


posted by ruy at 11:31 da manhã

30.8.05

 


Aniversário


É bom começar o dia ganhando de presente o abraço da mulher amada.
Mais tarde, de repente, folheando um livro há tanto tempo guardado, reler esta reflexão, tão oportuna, de Adélia Prado:

DEUS é justo, um entendimento súbito intrometendo-se no que ia escrever, obrigando-me a anunciá-lo: DEUS é justo.É íntimo, escapando até hoje a catecismo, doutrina, silogismos, me cai assim de graça, alheio a mérito meu.Apenas sei e tenho que dizê-lo, DEUS é justo.Quem come e quem passa fome agradeça e dê glórias.Sou criatura. Ganhei tudo até hoje e não entendo como não sou Deus, se lhe sou a sombra perfeita em falta absoluta e carência.Descubro então meu poder, o de não ser nada e nem ter. Contudo, sim, contudo, aqui tresmalho do próprio entendimento e me ponho como Nossa Senhora a visitar meus parentes ocultando a pérola no seio.

[in “Manuscritos de Felipa”, cap. XXXII]


Fome zero


“Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres e ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!”
[ I Cor., cap 13, vs. 3]
O mesmo São Paulo, em sua segunda epístola aos Tessalonicenses, já dissera claramente: “quem não quiser trabalhar, então não coma”. [cap.3, vs.10]

Pois é, os Fidéis, os Lulas, os Dirceus, os Bettos, os Boffs e outros teimosos “companheiros” julgam-se mais sábios e mais santos que São Paulo...


posted by ruy at 2:21 da tarde

 

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