Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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27.8.05

 


Lembrando, mais uma vez, a “função de rezar por”


Hoje, dia de Santa Mônica.De certo modo, essa admirável mulher foi duplamente mãe.Depois de haver gerado biologicamente seu filho Agostinho, gerou mediante lágrimas e preces a conversão do futuro bispo de Hipona, o grande Doutor da Igreja, o homem que, durante milênios, serviria como referência para o pensamento teológico e para a piedade cristã de milhões de homens e mulheres.

Ontem escrevi a um amigo, A ..., o serrano, contando que devo meu retorno à Igreja às orações de uma velha tia, que também deve ter chorado muito pelo sobrinho inquieto.

Em seu livro, mais de uma vez recomendado por mim neste “blog” , ECOS ETERNOS, John O’Donohue dedica uma das várias partes da obra à prece.Em certo trecho o irlandês escreve:
- Nunca compreenderemos o poder da nossa prece para realizar mudanças e resultar em abrigo para os outros.
Devemos igualmente orar igualmente por aqueles que sofrem todos os dias: os que se acham em prisões, hospitais e instituições para doentes mentais; pelos refugiados, prostitutas, poderosos, destruidores.Há tantos pontos fragmentados onde a nossa prece é necessária a cada dia. Devemos ser generosos com a nossa prece.



Voltando ao, também necessário, tema da beleza


O mesmo John O’Donohue tem um livro, infelizmente ainda não editado no Brasil, dedicado à Beleza.Ele a vê como uma nuclear necessidade do homem, e não um acessório, como talvez muitos, infelizmente, a considerem.Vejamos as palavras do próprio O’Donohue.

Divina Beleza

John O'Donohue
[tradução de Ronaldo Sérgio de Biasi]

Vivemos entre o ato de acordar e o ato de nos entregarmos. Toda manhã acordamos para a luz e para o convite de um novo dia no mundo do tempo; toda noite nos entregamos à escuridão para ser levados a brincar no mundo dos sonhos, onde não existe tempo.
Ao nascer, somos acordados e emergimos para nos tornar visíveis no mundo.
Ao morrer, nos entregamos novamente à escuridão para nos tornarmos invisíveis.
Despertar e entrega: eles emolduram cada dia e cada vida; entre eles a jornada na qual qualquer coisa pode acontecer, a beleza e a fragilidade.

Quando a imaginação dos celtas procurou abrigo e significado, levantou os olhos para as montanhas e os céus e depositou sua confiança nos padrões repetitivos do sol, das estrelas, da luz e das estações.
Muito antes deles, os gregos também haviam levantado os olhos para além do horizonte e reconhecido os padrões celestiais do cosmo. Eles entreviram a ordem que se tornaria o cerne de sua compreensão da beleza. Toda a fragilidade e incerteza deveriam ser vencidas no final pela eterna beleza que preside todas as jornadas entre o despertar e a entrega, entre o visível e o invisível, entre a luz e a escuridão.

A alma humana tem fome de beleza; nós a procuramos em toda parte: nas paisagens, na música, na arte, no vestuário, no mobiliário, na jardinagem, no companheirismo, no amor, na religião e em nós mesmos. Ninguém deseja não ser belo. Quando experimentamos o Belo, existe uma sensação de volta ao lar. Algumas de nossas memórias mais maravilhosas são de lugares lindos nos quais nos sentimos imediatamente à vontade.

Nós nos sentimos mais vivos na presença da Beleza porque ela atende às necessidades de nossa alma. Durante algum tempo as tensões da luta e do sofrimento são aliviadas e nossa fragilidade é iluminada por uma luz diferente na qual podemos entrever, por trás das aparências, a forma verdadeira das coisas.
Na experiência da beleza, acordamos e nos rendemos ao mesmo tempo. A beleza traz uma sensação de completude e certeza. Sem o egoísmo habitual, podemos mergulhar na Beleza com a mesma facilidade com a qual mergulhamos no abraço envolvente da água; algo primordial dentro de nós acredita que este abraço irá nos sustentar.

O clamor dos nossos tempos: acordar para a beleza. Estes tempos estão repletos de ansiedade e incerteza, dada a atual crise global. No coração das pessoas, parte da naturalidade foi perdida. É surpreendente a forma como isto penetrou fundo. Nossa confiança no futuro perdeu sua inocência. Hoje sabemos que qualquer coisa pode acontecer, a qualquer momento. As estruturas tradicionais de proteção estão abaladas; suas fundações não são mais de pedra e sim de areia. De repente, estamos entregues a nós mesmos. A política, a religião, a economia e as instituições da família e da comunidade se tornaram subitamente incertas. A princípio, parece uma ingenuidade sugerir que está na hora de invocar e despertar a beleza. Entretanto, esta é justamente a idéia que eu gostaria de propor. Por quê? Por que não há mais nada a que recorrer e estamos desesperados; além disso, é porque esquecemos tão desastrosamente o Belo que agora nos encontramos em uma crise tão terrível.


[Trecho de Divine Beauty, copyright 2003 de John O'Donohue, publicado pela Transworld]


posted by ruy at 5:17 da manhã

26.8.05

 


Sobre o problema da criminalidade


Não sou jurista, nem psicólogo nem sociólogo.O que vou escrever a seguir é meramente a opinião de alguém que há muito tempo vem observando - às vezes com angústia, outras vezes com raiva – o crescimento de um dramático problema social.O uso deste adjetivo (social) logo no início deste “post” vai servir para mostrar, daqui a pouco, ao leitor que não desconheço certos essenciais aspectos do tema ora abordado.

Vamos logo ao ponto.Começo dizendo algo bastante acaciano, a saber, que o crime é uma realidade muito antiga. Bastaria, por exemplo, lembrar que o Cristo, Nosso Senhor, foi crucificado juntamente com dois criminosos. Um deles, São Dimas, como nos lembrava o saudoso professor Gladstone Chaves de Melo, hoje pode ser apontado como a mais rápida canonização da história.

Restringindo a análise ao caso brasileiro, especialmente – mas não unicamente – ao setor das grandes cidades, atrevo-me a afirmar que, sem esquecer as chamadas causas sociais do crime, duas particulares circunstâncias vêm nas últimas décadas contribuindo fortemente para o crescimento do crime em nosso país.O mais curioso é que essa contribuição é indireta, quase despercebida, porém, nem por isso deveria ser menos preocupante.

A primeira das circunstâncias consiste no fato de termos hoje, nos mais altos postos do governo, políticos adeptos do que se poderia, talvez, chamar uma concepção marxista do crime, segundo a qual esse terrível mal poderá ser praticamente eliminado quando for implantada a justa distribuição da riqueza.Os adeptos dessa teoria provavelmente consideram como um bom exemplo de sua veracidade o fato de ser relativamente muito pequena a taxa da ocorrência de crimes violentos em Cuba e na China, países que, para os referidos políticos são modelos inspiradores.Esquecem-se do que aconteceu na Rússia logo após o desmoronar do regime soviético.

Ora, acontece que os bandidos de nossas grandes cidades, de um modo geral, são pessoas de baixa cultura, de pouca instrução, porém isso não impede que eles percebam, com muita perspicácia, e não menor alegria, que não existe no Poder Público uma filosofia anti-crime , um estado de espírito que favoreça o combate aos malfeitores.Seria bom lembrar, a propósito, um fato da segunda Guerra Mundial.O comando aliado na campanha da Itália, no início da ofensiva da primavera contra as tropas alemãs, transmitiu pelo rádio em texto claro, isto é, sem criptografar, a seguinte mensagem: The order is: to kill the enemy! (“A ordem é: matar o inimigo!”).Era mesmo para que o inimigo conhecesse o estado de espírito dos que iriam atacá-lo.

A segunda circunstância que atualmente vem estimulando a criminalidade corre por conta da maior parte dos programas de televisão, neles incluídos os aparentemente mais ingênuos.
Por quê? Seria implicância minha atribuir a esse maravilhoso colorido recurso informativo culpa pelo terror em que vive hoje a maioria das famílias em nossas grandes capitais? Sou obrigado a justificar minha opinião.

Acontece – e isso não mais segredo para ninguém – que a maior parte dos crimes violentos, marcados pela agressividade brutal dos bandidos tem sua origem no tenebroso mundo do tráfico de drogas.E agora vem a perguntinha que deveria ser feita e muitos não a fazem, por ignorância ou malícia:

- por que as pessoas usam drogas?

Os mais sábios, os mais sensatos (e aí penso em um Dom Lourenço de Almeida Prado OSB) há muitos anos já responderam a essa pergunta. O uso das drogas surge do tédio, surge da generalizada desesperança de uma sociedade que já não mais crê nos valores que criaram a vida civilizada.Ora, é justamente a onipresente televisão que vem, há dezenas de anos, corroendo essa crença, mediante suas novelas no mínimo medíocres; por meio de suas escabrosas entrevistas envolvendo crianças (como ocorreu há poucos dias no programa Fantástico) ; através de seus abjetos programas de auditório e outros que o leitor conhece; por meio de seus noticiários tendenciosos, e vai por aí.A mesma televisão que, depois, sai pelas ruas promovendo ridículas passeatas a favor da paz ...

Pobres policiais, que podem eles fazer contra essas duas poderosas circunstâncias?


posted by ruy at 4:32 da manhã

 

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