Despoina Damale

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5.8.05

 


A Teoria e a Prática


Um dos primeiros lugares-comuns de que tomei conhecimento em minha vida é aquele que afirma em tom sentencioso: “na prática a teoria é outra”. O simplismo desta frase impressiona de fato, e podemos levar anos e mais anos sem darmos conta de sua enganosa pseudo-sabedoria.

Ora, lembrei-me desse lugar-comum ao ler o lúcido e oportuno artigo “É a política, estúpido!”, de Gilberto de Mello Kujawski, publicado no Estadão de ontem (4/ago). Digo que me lembrei não porque o brilhante escritor, ao expor seu ponto de vista a respeito da atual crise brasileira, mais especificamente sobre o que está ocorrendo no congresso nacional, tivesse pretendido menosprezar a milenar e boa doutrina do Bem Comum, a teoria política proposta pelos pensadores tomistas a partir dos ensinamentos do velho Aristóteles.

Kujawski com certeza conhece e aceita como verdadeira essa doutrina. Mas, ele também sabe que, como teria escrito um sábio e saudoso mestre, “la politique est um affaire des hommes” e, por isso mesmo, por ser um assunto humano, nele convivem o trigo e o joio.Somente as sociedades submetidas a regimes totalitários vivem na farisaica ilusão de que possa existir um partido constituído apenas por homens perfeitos ( honny soit qui mal y pense...).
Parabéns ao Professor Gilberto por seu excelente artigo!

Uma proposta talvez quixotesca


Nestes últimos dias, à semelhança de milhões de brasileiros que vêem acompanhando diariamente o desenrolar da crise política, tenho passado por incômodas frustrações.Uma delas é a de perceber que, ao fazermos a análise dos fatos, muitos de nós, observadores, não vamos às raízes que acredito serem as mais profundas do problema, as raízes culturais. E por que não vamos até elas?

Na minha opinião, uma das causas que respondem à pergunta anterior está em uma crônica deficiência do nosso ensino básico, uma lamentável falha que há pelo menos quatro décadas vem ocorrendo no ensino do português no Primeiro e no Segundo Grau.

Não estou pensando na transmissão de conhecimentos da gramática do idioma pátrio.Acredito que a maior parte dos dedicados mestres que atuam naqueles níveis de escolaridade cumpre zelosamente sua tarefa de explicar a morfologia e a sintaxe vernáculas.Entretanto, a par dessa necessária transmissão de regras do uso da língua, creio que há uma urgentíssima necessidade de aprimorarmos as redações feitas pelos alunos, um aprimoramento não apenas no grau de acerto no uso das regras, mas, sobretudo, no que se liga à clara e precisa transmissão de idéias, um jeito de escrever em que esteja presente até mesmo uma certa elegância.

Se eu fosse resumir minha opinião sobre esse tema, citaria uma única frase que está no excelente livro de Othon M. Garcia “Comunicação em Prosa Moderna”:
- Aprender a escrever é aprender a pensar .

Que tal fazermos todos um conjugado esforço em prol da melhoria da qualidade, da inteligibilidade das redações dos nossos filhos e netos?


posted by ruy at 1:10 da tarde

 

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