Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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24.7.05

 


O papel da beleza na vida da Igreja


A Igreja é constituída por homens, mais precisamente, constituída por pessoas. Ora, pessoas vivem em estado de cultura e, quanto mais rica essa cultura, mais cresce, em cada pessoa, o sentido do valor próprio. Selvagens numa ilha distante e sem contato com a civilização têm, sem dúvida, uma dignidade essencial.Entretanto, vivendo de modo primitivo, levando uma vida repetitiva, em que ingênuas manifestações artísticas são o máximo que conseguem fazer para elevar-se acima da existência telúrica, tais homens não chegam a perceber claramente aquilo de que Santo Tomás afirmava ser a máxima perfeição em toda a natureza , a pessoa humana.

A arte intelectualizada, consciente e seriamente praticada, tem esse papel de puxar para cima . E é por isso mesmo que a beleza na liturgia não é nenhum snobismo . É, sim, uma necessidade vital do autêntico espírito religioso. Por essa razão é que fiquei radiante quando tomei conhecimento da intenção dos senhores bispos católicos de fazerem os fiéis reencontrarem a tradicional beleza do canto litúrgico (vejam o meu “post” de ontem).Uma decisão que há muitos anos era aguardada por nós!


Falar besteiras e fazer besteiras


Os provérbios guardam a memória da sabedoria antiga, conservam a sensatez adquirida pela milenar experiência humana.Por exemplo, a frase “dize-me com quem andas e eu te direi quem és” é um desses velhos e luminosos provérbios.

Ora, consta que uma alta autoridade deste país teria recém afirmado isto:
- “é melhor falar besteiras do que fazer besteiras”.
Pois é, em princípio, sim. Mas, lembrando aquele citado provérbio, façamos a seguinte digressão.

Nenhum de nós escolheu a família em que iria nascer, não escolheu seus pais e irmãos. Entretanto, somos nós que fazemos os nossos amigos.Se esses amigos forem pessoas de padrões morais condenáveis, ou no mínimos discutíveis, estaremos sujeitos a sermos julgados iguais a essas mesmas pessoas.Desse modo, teremos feito – salvo melhor juízo – uma grande besteira!
Sim ou não?


Pão e circo


Uma lúcida e corajosa comentarista política, jovem escritora que honra a imprensa brasileira, acaba de publicar um artigo em que noticia certo fato bastante melancólico, a saber, a existência de uma grande parte da população brasileira que se diz satisfeita, apesar da sombria crise moral que o país vem atravessando, crise essa provocada pelo maquiavelismo e, sobretudo, pela ambição de poder de muitos de nossos homens públicos.

A mesma jornalista informa que muitas das pessoas humildes consultadas afirmam estarem satisfeitas justamente porque o feijão e o arroz estão baratos. Pois é, tendo futebol na TV, tendo feijão e arroz baratos no prato, por que vou esquentar minha cabeça com o tal de mensalão que dizem estar correndo solto lá na distante Brasília?


posted by ruy at 6:53 da manhã

23.7.05

 


Uma excelente notícia !


Nestes últimos dias, no Brasil e no resto do mundo, vêm acontecendo fatos sombrios, fatos que nos deixam melancólicos, às vezes até mesmo com certa desesperança.Ora, eis que nos chega pela Internet uma notícia que pode ser vista como uma bênção divina, algo por que, há muitos anos, muitos de nós católicos esperávamos.Essa notícia é tão importante, é tão significativa em termos religiosos, que não hesito em colocá-la no “post” de hoje, ou melhor dizendo, em fazê-la o próprio “post”. Oxalá os leitores deste “blog”, ao lerem o que está abaixo transcrito tenham a mesma radiosa alegria que tive ao ler a referida divulgação!

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 22 de julho de 2005. - O documento de preparação do próximo sínodo dos bispos sugere «reconsiderar os cantos atualmente em uso» na liturgia.

A proposta aparece no número 61 do Instrumentum laboris, o documento de trabalho para a assembléia de bispos de todo o mundo que se celebrará em Roma de 2 a 23 de outubro sobre o tema «A Eucaristia: fonte e cume da vida e da missão da Igreja».

Baseando-se nas respostas de dioceses, religiosos, leigos... a um questionário mundial, o texto reconhece no número 61 que «a música instrumental e vocal, se não possui contemporaneamente o sentido da oração, da dignidade e da beleza, exclui a si mesma do âmbito sacro e religioso».


A música na liturgia exige «expressão da verdadeira arte, a correspondência com os diversos ritos e a capacidade de adaptação às legítimas exigências, tanto da inculturação como da universalidade», assinala.


Este documento de trabalho, feito público em 7 de julho passado, estabelece os temas aos que se referirão os bispos ao tornar a palavra ante a assembléia.


Para enfrentar a questão dos cantos litúrgicos, pede «favorecer, entre os músicos e os poetas, a composição de novos cantos, elaborados segundo os critérios litúrgicos, com um verdadeiro conteúdo catequético sobre o mistério pascal, sobre o domingo e sobre a Eucaristia».


Em particular, sugere uma redescoberta do canto gregoriano, pois «responde a estas exigências e por isso é o modelo que deve ser tomado como inspiração, como disse o Papa João Paulo II».


No número 62, o texto constata que nas respostas ao questionário com o qual concluíam os «Lineamenta», primeiro texto preparatório deste sínodo, «lamenta-se a pobreza das traduções em língua corrente dos textos litúrgicos e de muitos textos musicais, que carecem de beleza e muitas vezes são teologicamente ambíguos e capazes, portanto, de debilitar a doutrina e a compreensão do sentido da oração».


O documento refere-se em particular às missas para os jovens, assinalando «a importância de evitar aquelas formas musicais que não convidam à oração, porque estão sujeitas às regras do uso profano».


«Alguns mostram demasiada ansiedade por compor novos cantos, como sucumbindo à mentalidade da sociedade de consumo, sem preocupar-se pela qualidade da música e do texto, descuidando facilmente de um insigne patrimônio artístico, que demonstrou validez teológica e musical na liturgia da Igreja», conclui.

Fonte: Zenit


posted by ruy at 11:17 da manhã

19.7.05

 




E o papel da família e da escola?


[O assunto do “post” de hoje liga-se ao tema do que foi tratado anteontem e, sob certo aspecto, correlaciona-se ao de ontem também.]

O leitor que tenha visitado este pequeno oásis no dia 17 poderia agora perguntar: “se é verdade que, conforme afirma Mortimer Jerome Adler, quem se educa é o próprio adulto, isso é, uma pessoa não mais tutelada pela família ou pela escola, qual seria então o papel dessas duas milenares e respeitáveis instituições, desses dois tradicionais pedagogos de crianças e adolescentes?”

Esta pergunta merece ter uma resposta que seja bem explicada.Vamos lá!
Direi que na família e na escola deveríamos sempre adquirir básicos habitus morais e intelectuais.Antes de prosseguir, mais uma vez neste “blog” vou dizer que não se deve confundir o habitus , que é como uma inconsciente segunda natureza nossa, com o convencional hábito , mera repetição mecânica.O habitus tende sempre a uma perfeição, seja quanto a um bom desempenho físico, seja quanto a uma atividade intelectual ou artística, seja ainda na prática das muitas virtudes morais, todas referenciadas às quatro chamadas cardeais : Prudência, Justiça, Força (ou Fortaleza) e Temperança.

Demos logo um exemplo para esclarecer o ponto em questão.Suponhamos que numa família os filhos sejam desde cedo treinados a cumprimentar as visitas, sorrindo para elas, solícitos em oferecer-lhes uma cadeira ou um copo d`água.Entretanto, mal essas visitas saem da casa, os pais e os filhos começam a rir e a comentar eventuais defeitos físicos ou pecadilhos dos visitantes que recém se despediram.O leitor com certeza vai entender que naquela família não se cultiva o habitus da hospitalidade (anexo à Justiça chamada comutativa ), mas se desenvolve, sim, o hábito da gentileza apenas superficial.

Outro exemplo bem prático.Em uma família os filhos, em especial os adolescentes, são incentivados a estudar de modo bem aplicado porque isso vai lhes garantir, em breve futuro, uma profissão bem remunerada, segurança e “status”, vai lhes assegurar o vencer na vida .Tais jovens podem, com toda a certeza, adquirir o hábito do estudo, porém é bem provável que, ao longo de seus estudos de Segundo ou Terceiro Grau, passem ao largo da radiosa alegria que é propiciada pelo habitus do estudo.

Tradicionalmente a escola há séculos é (ou era...) considerada uma instituição cooperadora na tarefa pedagógica do lar, uma auxiliar da família no que se refere à aquisição dos habitus morais pelos estudantes mais jovens, além de exercer seu precípuo papel de instituição formadora dos habitus intelectuais nas crianças, nos adolescentes e – é isso mesmo! – nos moços universitários.

Na década de oitenta, quando lá na distante Brasília com certeza não se falava ainda em “mensalão” e outros sombrios neologismos, a editora da UnB publicou muitas obras de real valor.Uma delas foi a tradução da “Proposta Paidéia – um Manifesto Intelectual”, de Mortimer Jerome Adler. Nesse “grande pequeno” livro (tem relativamente bem poucas folhas) o saudoso mestre (que recebeu em seu país o título de Doutor, apesar de não possuir nenhum diploma) apresenta uma sugestão sobre como deveria ser o curso secundário, talvez o mais importante dos níveis de ensino.

Embora a palavra habitus não apareça ao longo daquelas lúcidas, sensatas páginas, vemos ali, apresentado de modo bem prático, um currículo proposto para despertar nos alunos a alegria na aquisição do conhecimento e na contemplação da beleza.Naquelas páginas tranqüilas não se fala em vestibular nem em truques mnemônicos; não se estimula o treinamento da esperteza.O que elas propõem aos responsáveis pelas escolas é, sim, um ensino que favoreça o crescimento da pessoa humana. .


posted by ruy at 4:18 da tarde

18.7.05

 


As três fundamentais perguntas


[Este “post” complementa o de ontem, 17 de julho]

Creio que para o homem moderno a pergunta essencial a ser corajosamente respondida seja a seguinte:

- quem é Jesus Cristo para mim?

A partir da resposta leal a esta pergunta podemos estabelecer um desejável padrão de comportamento. Se a resposta for esta: “para mim, Jesus Cristo é o próprio DEUS que se encarnou por amor a nós homens e por nós deixou-se matar no suplício infame da cruz, e ressuscitou triunfante ao terceiro dia de seu sepultamento”, o respondedor é um cristão e é desejável que ele seja coerente com essa crença.

Admitindo que tenha sido esta a resposta àquela primeira pergunta, creio que existam mais duas, tão importantes quanto ela.
A segunda pergunta é a mesma que o apóstolo São Judas Tadeu fez ao Cristo e praticamente ficou sem resposta: “por que eu, Senhor? por quê, entre milhões de seres humanos, fui eu escolhido para receber essa Boa Nova, para ser batizado, para receber ensinamento sobre mistérios que ficam além, muito além das cartesianas verdades científicas ?”

Se um cristão, especialmente um católico, nunca fez, no interior de si mesmo, essa segunda pergunta, acredito que poderá estar correndo o perigo de uma sutil, uma perigosa auto-suficiência. Uma fé tranqüila demais talvez seja para qualquer um de nós uma traiçoeira tentação.

Finalmente, admitindo que a mesma pessoa tenha passado bem pelas duas primeiras perguntas, segue-se a terceira, a pergunta Paulina, a dramática pergunta que São Paulo fez na estrada de Damasco: “Senhor, que quereis que eu faça?”
Se eu como cristão, especialmente como católico, nunca pensei em fazer esta pergunta, acho que devo tomar muito cuidado, porque pode ser que o meu cristianismo seja um cristianismo bem acomodado com o mundo, seja um cristianismo telúrico...
Creio que não basta sermos honestos, competentes e trabalhadores. A tomada de consciência do real significado do nosso batismo deveria ser motivo para uma permanente procura, mesmo canhestra, da santidade . Aliás, Santo Agostinho já dizia que a santidade neste mundo não consiste basicamente em ser santo, mas, estar, sim, na permanente procura da santidade.

Agora o leitor pode reler o “post” de ontem e ali incluir as reflexões de hoje.


posted by ruy at 3:31 da tarde

 

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