Despoina Damale

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20.6.05

 

Sinto muito, mas preciso, tenho que citar!


Haverá quem torça o nariz diante de citações longas; isso é bem compreensível.Porém, em certas horas percebo que devo ceder a palavra a pessoas que podem, por meio de seus escritos, transmitir-nos muito mais que simples idéias (por mais belamente expostas e mais verdadeiras que elas sejam); pessoas que podem comunicar-nos a sabedoria que adquiriram ao longo da vida. Por isso, vou agora citar um trecho da quinta parte do livro ECOS ETERNOS, parte intitulada PRECE: UMA PONTE ENTRE O ANSEIO E A INTEGRAÇÃO (da tradução editada pela editora Rocco). Escreve John O’Donohue:


O LOUVOR É COMO O SOL DA MANHÃ SOBRE UMA FLOR

A Bíblia respeita e glorifica particularmente a prece de louvor.É interessante perguntar por que a prece de louvor é reverenciada.Talvez a razão deva ser descoberta em um exame da natureza da prece.Em irlandês existe um belo ditado: “Mol an óige agus tiocfaidh si”- isto é, “Louva a juventude e ela florescerá”.A prece emana do reconhecimento e da generosidade. Ela nada tem a ver com a política e a manipulação da lisonja..A prece é afirmação sincera.DEUS não necessita do nosso louvor.Entretanto, o ato de louvar nos arranca para fora das fronteiras da nossa pequenez.Louvar desperta o lado mais generoso do nosso coração.Ela extrai a nobreza, o úaisleacht , em nós.Quando a alma louva, a vida se amplia.

Como indivíduos, sabemos como a prece pode ser estimulante.É como observar a Natureza em uma manhã de primavera.A princípio todas as flores estão fechadas e recolhidas.Em seguida, muito gradativamente, à medida que os raios de sol as persuadem, elas abrem a corola para louvar a luz.

A diminuição do louvor é uma carência aguda na cultura pós-moderna. Com o aumento do consumismo e da tecnologia e com o desaparecimento da religião, estamos perdendo a capacidade de louvar. Substituímos o louvor pela satisfação banal.Essa ausência de louvor reduz a cultura a um panorama plano: a magia da sua curvatura criativa e imaginosa se perde.Uma cultura que não consegue louvar o Divino se torna um local deserto e frio.O desaparecimento da prática religiosa e espiritual contribuiu intensamente para esse aplanamento.
[livro citado, pg. 232]


Hoje, fala-se muito na evangelizção . Ora, a milenar sabedoria dos antigos já nos ensinava: Nemo dat quod non habet , “ninguém dá o que não tem”. Ao partirmos para essa desejável evangelização, o que estamos levando para os outros? Simplesmente nossas idéias verdadeiras e o nosso pressuposto bom comportamento moral, ou, sobretudo, uma vida interior em que o louvor acabou por se tornar espontâneo, conseqüência de uma maravilhosa, uma pessoal descoberta que fizemos da estonteante realidade do mundo?


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posted by ruy at 9:18 da manhã

 

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