Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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18.6.05

 
Um dos muitos males causados pelo democratismo


Faz poucos dias falei sobre a antiguidade do conceito de democracia e sobre sua degeneração no democratismo, um processo erosivo iniciado pelos Iluministas no século XVIII e hoje bem espalhado.Comentei a espontaneidade com que surgiu a democracia grega, com que surgiu a Cristandade. Do mesmo modo, isto é, espontaneamente, apareceu no mundo essa forma de vida econômica que é hoje chamada capitalismo, tão odiado pelos sisudos planejadores dos sistemas “soi-disants” altruístas.

Ora, o impacto da atual crise política brasileira, sobejamente divulgada pelos jornais, televisões e revistas noticiosas, poderia ser apontado como exemplo de um dos muitos males causados pelo democratismo.Note bem o leitor que não estou me referindo diretamente à crise propriamente dita, mas, sim, ao impacto que ela vem provocando na população deste país, mais especificamente referindo-me à comum atitude assumida pela maioria das pessoas que vêm acompanhando as notícias.

Ensina-nos a Sabedoria Perene que o objetivo da Política (com P maiúsculo) é o Bem Comum da sociedade humana. Para os que defendem a existência dos regimes do tipo “colégio interno”, o Bem Comum é simplesmente constituído por um somatório de bens individuais, repartidos de maneira a mais rigorosamente igual entre os cidadãos.Para esses teimosos admiradores dos governos ditatoriais, o que interessa mesmo é o critério quantitativo, o mais pobre dos critérios segundo o julgamento dos homens mais sábios.E pouco importa aos Boffs e Bettos da vida se essa matemática, essa cartesiana distribuição dos bens tiver que ser realizada por meio de governantes ambiciosos, atrabiliários ou ignorantes, com as todas possíveis conseqüências da ambição, da grossura ou da burrice a que estamos acostumados ver.

Admitindo que a maioria das pessoas tenha uma inconsciente, uma ligeira percepção do que seja de fato o Bem Comum, até certo ponto é bastante louvável esse cuidado, essa preocupação com as notícias da política. É não só compreensível como também desejável que todos nos interessemos pela marcha da crise.Então, pergunta o leitor, onde está o mal. a maldade que levou o Ruy a escrever este “post” ?

Pois bem, leitor amigo, o mal está justamente no fato de que, ao sermos diariamente conduzidos por esse quase obsessivo acompanhamento das intrigas, das entrevistas, dos debates, das acusações, dos protestos e sei mais o quê, acabamos perdendo um bem imenso, um bem que está implícito em uma autêntica visão do Bem Comum, o super eminente bem da nossa paz interior.E aqui é preciso que se diga logo que essa paz interior não é aquela que às vezes pode ser-nos propiciada por argutos psicólogos ou psicólogas, por mais honestos que eles ou elas sejam.

Essa obsessiva preocupação com o fato político deixa transparecer a perda do senso poético, paralelamente com um acréscimo exagerado do senso ético . Ocorrendo entre muitos de nós católicos, esse desequilíbrio torna-se ainda mais melancólico, porquanto, detentores da tradicional e melhor doutrina, nós, os filhos da Igreja, deveríamos estar vacinados contra o alarido, contra a agitação mundana. Deveríamos estar mais atentos à essencial hierarquia evangélica, na silenciosa, na discreta procura do Reino que não é deste mundo.

Quase como quem toma um remédio, nessas horas de dispersão moralista convém reabrirmos algum livro cuja leitura nos faça regressar a nós mesmos.

posted by ruy at 11:00 da manhã

13.6.05

 
O “colégio interno”


A historieta, talvez meio ingênua, é bem antiga, do meu tempo de garoto.Porém, vale a pena lembrá-la.
Certa vez um pai foi com seu filho pequeno ao mercado.Ali, junto de outras bancas, o menino viu e ficou fascinado pelo ponto onde eram vendidas gaiolas contendo coloridos passarinhos, de variados tipos: sabiás, tico-ticos, periquitos etc. Logo a criança pediu que o pai lhe comprasse um dos passarinhos engaiolados. O pai então, chamando o filho a um canto reservado, distante do vendedor, começou a descrever uma fictícia situação em que o menino, seu filho, ficaria mantido preso em uma pequena jaula, sempre bem alimentado, recebendo remédios quando necessário, agasalhado no inverno, enfim, com o conforto necessário para viver muitos anos. Entretanto, jamais poderia voar , jamais poderia sair da jaula. O garoto ficou triste, entendeu a mensagem e desistiu da idéia de possuir um passarinho engaiolado.

Quem já estudou vários anos em colégio interno entende melhor a moral da historieta contada por aquele pai. Sabe, também, que, no regime de internato, por mais áspera que seja a vida do menino interno, sempre existe a hipótese da saída, do desligamento, seja por término do curso, seja por decisão dos genitores, ou talvez por desejo do próprio aluno.O problema muito mais difícil, e muitíssimo mais angustiante, ocorre quando um povo inteiro é mantido em regime de “colégio interno”, sob a férrea vigilância de um “diretor” impregnado de altruísmo , regime do qual nunca a pessoa pode se libertar, a não ser por meio de uma arriscada fuga.

Em 9 de janeiro de 2002, a revista VEJA publicava uma reportagem de sete páginas, com várias fotografias, tendo como sugestivo título:“Viagem ao cotidiano sombrio de Cuba” .Vamos poupar o leitor da transcrição de vários fatos narrados nessa reportagem.Recentemente, o cinema alemão produziu um filme dramático (“ADEUS, LENIN”) cujo tema é a vida de uma senhora, mãe de um casal de crianças, que morou, até morrer, dezenas de anos na então Alemanha Oriental, onde conviveu com o absurdo e injusto Muro de Berlim, e com as demais restrições impostas pelo regime comunista à população daquele país.Embora ficção, esse filme é verossímil e, em sua essência, fiel aos muitos fatos dolorosos que se passaram naquela região da Europa.Na distante China, os católicos fiéis ao bispo de Roma, ao sucessor de Pedro, há dezenas de anos sofrem perseguições.

Ora, o grande desafio que se arma hoje para muitos de nós brasileiros é o seguinte: como fazer com que uma enorme porcentagem da nossa população entenda perfeitamente o que significa viver em regime de “colégio interno”?

A dificuldade de conseguir esse desejável entendimento deve-se a certas recentes condicionantes históricas. Vejamos quais foram:
- os homens que fizeram a contra-revolução de 1964 deram um notável desenvolvimento a este país. Telecomunicações, energia elétrica, indústria de material bélico (com perdão dos pacifistas) – tudo cresceu. Chegamos à posição de oitava economia do mundo.Entretanto, na área do ensino (a mal denominada área da “educação”), hiper-valorizamos o ensino Superior e, ao mesmo tempo, desprestigiamos os ensinos Primário e Secundário (transformando-os em mera ponte para o vestibular); desprestigiamos a professorinha do velho Grupo Escolar, aquela abnegada educadora deste povo;

- os grandes troncos de telecomunicações instalados pela EMBRATEL, propiciaram não somente o atendimento a um volumoso e reprimido tráfego telefônico, mas, facilitaram também a disseminação da mediocridade, do rebaixamento cultural imposto à maioria dos lares brasileiros pela maior parte dos programas de televisão

- a perda do significado profundo da liturgia católica, perda essa caracterizada pela missa em que prevalece uma festiva atmosfera de mero encontro dominical de bons amigos, e em que muitas vezes a pregação do celebrante foi usada para transmitir mensagens ideológicas .

Atuando em paralelo durante décadas, essas três condicionantes contribuíram fortemente para formar um eleitorado de visão pequena, incapaz de votar de acordo com exigentes critérios éticos.Por causa disso tudo, meus amigos, rezo agora:

- Nossa Senhora Aparecida, padroeira deste país!
Tende piedade de nós, intercedei junto ao vosso filho para que o Brasil não seja transformado em um imenso “colégio interno” ao sul do Equador!
Amen.


posted by ruy at 10:56 da manhã

 

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