Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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17.4.05

 
Perdoem meu desabafo


Conforme já comentei neste “blog”, não tenho o hábito de ler jornais. Entretanto, várias vezes tem acontecido de passar meus olhos sobre as manchetes e captar algumas que me fazem ficar mais aborrecido com a conhecida leviandade da mídia.Foi o que ocorreu agora à tarde, numa livraria do aeroporto em que eu aguardava a chegada de minha mulher.Bati os olhos e lá estava, no alto da primeira página do “ Jornal do Commércio” (assim mesmo, com dois emes), a fotografia de Leonardo Boff e o destaque a estas palavras dele:
- A Igreja precisa abandonar a arrogância e o monopólio da Revelação (sic)

Esse homem que já pertenceu à milenar, à venerável ordem franciscana, a mesma em que professou a fé católica o famoso frade, o respeitado teólogo São Boaventura, grande amigo de Santo Tomás de Aquino; esse mesmo homem que certamente fez muitos estudos de filosofia e teologia, e tudo isso no ambiente da Igreja, a quem ele hoje, sempre que pode, faz uma agressão verbal, uma agressão que é sempre acolhida carinhosamente pelos jornais e pelas televisões, esse homem – supondo a melhor hipótese, que é a de ter sido ele sempre sincero – talvez nunca tenha parado sequer cinco minutos em toda a sua vida para meditar sobre o profundo mistério da Igreja.

Não conheço a vida pessoal de Leonardo Boff, mas sei que seus livros sempre estão sempre em grande quantidade nas prateleiras de todas as livrarias que costumo freqüentar, sinal de que ele tem muitos leitores e, por isso mesmo, provavelmente tem uma certa fonte de renda. Pergunto: qual era a fonte de renda de Leon Bloy? O sofrido Mendigo Ingrato , como Bloy a si mesmo chamava, chegou a perder um filho, morto de fome, devido à voluntária e cruel miséria em que esse corajoso escritor francês e sua família viviam, sem nunca procurar agradar a quem quer que fosse, incluindo os jornalistas da época.O mesmo Bloy que certa vez escreveu isto:
- qualquer católico pode, e às vezes até mesmo deve, criticar erros humanos do papa, desde que declare com firmeza, logo em seguida, sua total obediência ao bispo de Roma em matéria de fé e de costumes.
Seria Boff um cristão mais autêntico que o autor de “La femme pauvre”?

Entretanto, o meu desabafo, amigo leitor, não é editado hoje apenas por causa das infelizes, agressivas palavras de Boff. Observe que falei sobre o mistério da Igreja. Pois é. Mesmo entre muitos dos que se contrapõem a Boff e às suas errôneas e perigosas idéias, mesmo entre muitos católicos que defendem a Igreja, esse mistério, infelizmente, durante anos e mais anos passa despercebido.Isso, que poderia ser considerado bem menos nocivo que as virulentas agressões do ex-frade franciscano, também acaba contribuindo para que a Igreja seja tão mal conhecida pelos não católicos.

Bem, e agora, para encerrar este “post”, vou dizer algo que, com certeza, não vai aparecer em nenhuma manchete:
- Seria bom, muito bom, que Leonardo Boff abandonasse seu jeito mal-educado e pretensioso de falar sobre a Igreja.

posted by ruy at 6:23 da tarde

16.4.05

 
O Poder


Muitos de nós não fazemos uma leitura atenta dos evangelhos, com aquela desejável atenção voluntária a que me referi em “post” recente.Se a fizéssemos, perceberíamos naquelas páginas da Sagrada Escritura uma infinidade de sutilezas, cada uma delas rica em ensinamento para a nossa vida.Um dos trechos que é sempre bom recordar, mormente em nossa época, é aquele em que ouvimos claramente o diálogo entre Jesus e Pilatos. Está no evangelho segundo São João, capítulo 18, vs 29 a 38, e capítulo 19, vs 9 a 11.O que está no cap.19 é que me levou a editar o “post” de hoje.

Comecemos lembrando quem era Pilatos. Preposto de César, ele representava o império romano.Neste exato instante tenho absoluta certeza de que muitos leitores, movidos pela atual repulsa ao que hoje é denominado “império americano”, vão assumir uma atitude de integral rejeição daquela realidade histórica que acabou colocando diante do Cristo o homem que haveria de dar o toque jurídico na condenação mais injusta que já houve ou possa existir neste mundo.

Apenas como parêntese, vale a pena ler ou reler a bela página de DOIS AMORES, DUAS CIDADES, na qual o autor nos lembra o dramático episódio em que o apóstolo Paulo, preste a ser açoitado, livra-se do castigo alegando ser um cidadão romano.

Entretanto, voltemos ao evangelho de São João, cap 19.
Disse-lhe então Pilatos: “Não me respondes? Não sabes que tenho o poder para te crucificar, e poder para te soltar?” Respondeu-lhe Jesus: “Não terias poder algum se ele não te fosse dado do alto; por isso o que me entregou a ti é mais culpado.”

Note leitor: “dado do alto”, isto é, não dado por César ou por outra autoridade humana.E isso, meus amigos, acontece com todos os poderes: políticos, militares, eclesiásticos, empresariais, burocráticos, universitários etc. As pessoas embriagadas pelo fascínio do Poder não se dão conta daquilo que foi dito claramente a Pilatos.

Faz poucos dias circulou pela rede certo artigo, escrito por um amigo meu, em que ele, de modo claro, incisivo e perspicaz, analisa o recente fato do comparecimento de quatro notórios políticos brasileiros à cerimônia religiosa, à missa de corpo presente celebrada pela alma de João Paulo II.Foram três ex-presidentes e o homem que ora ocupa o mais alto cargo deste país.Mantendo a linguagem elevada, porém sem atenuar a força dos termos, a pessoa que redigiu o referido texto afirma que, naquele comparecimento quaterno, ocorreram várias lamentáveis atitudes, desde a leviandade pura e simples até o triste sacrilégio.Que dizer desse fato?

O mistério da permissão divina muitas vezes nos choca, nos escandaliza.O sorriso dos ateus, assumidos ou dissimulados, sempre nos incomoda.Seria, pois, interessante lermos (ou relermos) o capítulo O MISTÉRIO DA MISERICÓRDIA, no recém editado livro MEMÓRIA E IDENTIDADE, de João Paulo II, e ali notar a pequena, mas significativa frase escrita pelo falecido pontífice:

DEUS sabe sempre tirar o bem do mal.

Os poderosos, ainda que não saibam disso, são sempre instrumentos na mão de DEUS.No final dos tempos, a magna obra divina surgirá com sua infinita beleza.


Renovando um caloroso apelo

Se puderem, comprem o livro MEMÓRIA E IDENTIDADE , de João Paulo II, editado pela OBJETIVA.Divulguem esse livro, por favor, entre seus parentes, amigos e colegas!

posted by ruy at 2:54 da tarde

13.4.05

 
Sobre a atenção


Dom Ireneu Penna OSB é, sem nenhum exagero, um dos homens mais inteligentes deste país.Exímio conhecedor de matemática, filosofia e teologia, e digo exímio não pelo somatório de informações e conhecimentos que guarda sobre tais assuntos, mas, sobretudo, pelo fino discernimento que possui sobre todos eles – Dom Ireneu é sempre um consultor seguro e paciente, com quem podemos sanar muitas de nossas dúvidas mais incômodas.

Faz alguns anos, em conversa com esse moderno filho de São Bento, dizia-me ele que, em vez de começarem, como é comum, pelo capítulo dedicado à Lógica, as Introduções à Filosofia deveriam começar pelo estudo da Psicologia (entenda-se: a psicologia racional, ciência básica, e não um conjunto de ensinamentos práticos do tipo “como fazer amigos e influenciar pessoas”).

Ora, tenho falado várias vezes sobre o livro ECOS ETERNOS, do padre irlandês John O’ Donohue (tradução da editora Rocco). Para mim pelo menos, o mérito desse livro consiste no fato de que o seu autor, usando intencionalmente uma abordagem poética , desperta nossa atenção para a existência da nossa alma, que é o tema da psicologia.

Um parêntese.Voltando aos manuais de filosofia, no capítulo sobre a psicologia aprendemos que há dois tipos de atenção, a espontânea , como, por exemplo, a que nos faz olhar para um lado e depois para o outro antes de atravessar uma rua movimentada, e a atenção voluntária , como, por exemplo, aquela que nós professores gostaríamos de perceber no rosto de todos os alunos sentados à nossa frente, durante a aula que estamos ministrando.

Pois bem, todos nós que em criança passamos pelo catecismo da doutrina cristã, católica, certamente aprendemos que existe o que se chama alma . Aprendemos uma definição elementar. Mais tarde, os que procuramos nos informar com mais profundidade sobre os conhecimentos ligados à fé – e seria proveitoso que muitos de nós católicos fizéssemos tal aprofundamento – adquirimos maior entendimento intelectual daquilo que há de mais importante no ser humano, aquilo que coloca o homem infinitamente acima dos animais irracionais.

Observe, leitor, que no parágrafo anterior grifei em itálico a palavra “intelectual”. Por quê? Explico-me. Se não estivermos voluntariamente atentos, alertados por alguém que já tenha feito essa experiência, mesmo que tenhamos uma pletora de conhecimentos verdadeiros sobre a existência da alma, poderemos passar anos seguidos sem nos darmos conta da indescritível maravilha que é uma alma humana.Tão maravilhosa que o próprio Criador quis ter uma igual à nossa, igual em tudo menos no pecado, para que todas as demais almas pudessem encontrar-se e, encontrando-se, descobrissem o seu destino final, para o qual foram criadas!

Note bem, leitor, não estou minimizando o estudo da filosofia ou da teologia, por favor! Estou dizendo – e convicto – que seria bom colocarmos nossa atenção desperta para descobrirmos, sozinhos, na intimidade do nosso coração, a silenciosa e bela eternidade da alma! Pois bem, é justamente essa descoberta que o livro do padre O’Donohue nos ajuda a fazer. Não se trata de uma descoberta simplesmente didática, porém, sim, vital.

posted by ruy at 5:02 da manhã

 

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