Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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10.4.05

 
É Ele !


Nestes últimos dias têm passado pela “web” uma enorme quantidade de textos enaltecendo a admirável figura de João Paulo II.Muitos desses depoimentos originam-se dos Estados Unidos, país sumamente marcado por notáveis contrastes em sua multifacetada cultura. Cada um dos textos aborda, em geral, um aspecto diferente, não tratado nos demais.Sintetizando: é global uma atitude encomiasta ao nosso recém falecido papa, graças a DEUS! Ora, neste momento talvez caiba uma pergunta: onde estaria a origem, o núcleo dessa vida cuja luz brilhou para o mundo inteiro?

Para responder à minha própria questão, proponho ao leitor uma analogia. Suponha que tentássemos contar a história de Branca de Neve sem falar, por exemplo, no príncipe que a despertou do sono mortal; Ou que tentássemos contar a clássica lenda de Ulisses sem citar a paciente pessoa de Penélope.Ou ainda que procurássemos resumir para alguém uma entusiasmada narrativa do famoso romance americano “E o vento levou” sem mencionar Scarlett O’Hara. Pois é. Acaba de partir deste mundo um fabuloso homem a quem um afoito cidadão francês, ao dar entrevista na TV, querendo dar uma de “connoisseur” da Igreja, classificou como “o maior dos papas”, esquecendo-se, o tal palpiteiro, que sempre existe um contexto histórico. Ora, quem seria o principal personagem no intenso drama vivido por João Paulo II ?

Para responder á pergunta anterior, vamos fazer outras parecidas.
Quem, por exemplo, doou a Tomás de Aquino inspiração para que ele fizesse, durante muitos e trabalhosos anos, incansáveis pesquisas filosóficas e teológicas, cujos frutos até hoje iluminam a mente de cristãos e não cristãos?
Quem motivou Bernardo de Claraval a deixar uma vida de glória e prestígio mundano, chegando em sua renúncia ao ponto de, como penitência, colocar cinza em seu próprio alimento, e dedicar-se a fazer sermões que até hoje nos comovem e nos ensinam, como o da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora?

Quem deu coragem e sabedoria a uma simples mulher do povo, uma pobre filha de São Domingos, coragem bastante para que Catarina Benincasa, uma analfabeta, dissesse publicamente, ao papa de seu tempo, que ele e sua entourage romana estavam incorrendo em gravíssimo pecado de mundanismo?
Quem deu a Tomás More uma discreta, porém não menor coragem, para enfrentar os caprichos de um monarca sexo-maníaco e perverso, coragem que permitiu ao intelectual mais respeitado da Europa naqueles dias sofrer o martírio até mesmo com britânico bom humor?

Quem motivou uma freirinha, arqueada pela idade e pela fragilidade cardíaca, a percorrer o mundo inteiro para fazer um humanitário trabalho de ajuda aos seres humanos mais abandonados, tornando Madre Tereza de Calcutá respeitada pelos poderosos deste planeta?
Quem foi exemplo para que um simples padre polonês de nome Maximiliano Kolbe assumisse voluntariamente o terrível castigo que estava destinado a um seu companheiro de prisão, naquele horrendo campo de concentração nazista?

Não preciso me alongar. O leitor já deve ter percebido que, em todos esses episódios da milenar história humana, incluindo nessa história o longo e brilhante pontificado de João Paulo II, o personagem principal, sem o qual nada daquilo se explica, nada tem pleno significado, é Ele, o Cristo - Nosso Senhor!

posted by ruy at 7:15 da manhã

8.4.05

 
O valor da história


Houve um escritor – se não me engano, Gustavo Corção – que disse isto: “viver desligado em relação ao passado é próprio dos bárbaros e dos imbecis”. A frase pode soar dura, antipática, porém, se refletirmos com serenidade sobre o seu significado daremos razão ao homem que a escreveu.

O fato é que, diferentemente dos animais irracionais, que só possuem memória sensível, nós humanos temos a memória intelectual.Nós podemos, usando o dom da memória que nos foi dado pelo Criador, fazer um afetivo contato com nossos irmãos distantes no mais remoto passado.Às vezes, pequenos objetos, quase escondidos, despertam-nos uma estranha saudade, que nos comove no mais fundo de nossa alma. Foi justamente o que ocorreu com o autor de DOIS AMORES, DUAS CIDADES quando, ao passar certa vez por certa vitrine em Paris, descobriu ali, por acaso, minúsculos bonecos de chumbo que depois descobriu serem, na verdade, antiqüíssimos brinquedos de crianças gaulesas.

O mundo inteiro, sem exceção de nenhum país, está homenageando a memória de João Paulo II. Ora, sem diminuir, nem um pouco, o imenso valor humano desse admirável polonês, creio que podemos dizer isto: só será coerente a nossa homenagem ao papa Wojtyla se entendermos esse homem como o mais recente sucessor de Simão Pedro, um pescador morto há mais de vinte séculos.O papa que hoje homenageamos está essencialmente vinculado a uma multissecular cadeia histórica.Ele está profundamente inserido no mistério da história.


A descoberta é a natureza da alma


Este é o título de um dos muitos temas abordados por John O’Donohue em seu livro ECOS ETERNOS, um livro que é na verdade um ingente convite a uma atitude contemplativa nossa diante do mundo, diante da vida.Numa linguagem, como ele mesmo admite, intencionalmente poética, O’Donohue faz-nos parar para melhor ouvirmos e melhor olharmos a nós mesmos e o restante da Criação. Vejamos o texto ora referido.

A DESCOBERTA É A NATUREZA DA ALMA

A presença de uma pessoa que tem serenidade e contentamento no coração gera confiança.Ela pode separar as tolices da conversa e selecionar o que tem importância e valor.Às vezes, a dignidade da sua calma pode levar o grupo dos presentes a um nível superior de atenção e excelência. Inversamente, ficamos constrangidos na presença de uma pessoa cujos contentamento e serenidade são forçados.Sua calma só perdura porque atua dentro de uma estrutura muito limitada de autodefesa e recusa.É difícil sentir que podemos ser nós mesmos na companhia de um anseio subjugado com tamanha eficiência.

Quando abrirmos o coração à descoberta, seremos chamados a sair das barreiras de conforto com que fortificamos a nossa vida.Seremos chamados a arriscar velhas opiniões e idéias e a sair do círculo de rotina e imagem.Isso freqüentemente acarreta turbulência.O pêndulo se fixará às vezes em uma extremidade e ficaremos sem equilíbrio.Mas a nossa alma adora o perigo do crescimento.Na sua confiança sensata, a nossa alma sempre nos recambiará a um lugar de verdadeiro e vital equilíbrio.

A própria natureza do universo nos convida a viajar e descobri-lo.A terra deseja que as nossas mentes ouçam com toda a atenção e observemos criteriosamente, para que possamos aprender os seus segredos e denominá-los.Somos os ecos da Natureza contemplativa.Um dos nossos deveres mais sagrados é o de sermos abertos e fiéis às vozes sutis do universo que se apresentam vivas no nosso anseio. Aristóteles afirmou que a razão de podermos saber qualquer coisa é que existe uma afinidade mórfica entre nós e a Natureza.Essa é a íntima e precisa afinidade da forma.

Animais, árvores, campos e marés têm outros deveres.Para isso exclusivamente fomos libertados e abençoados.Ou estamos no universo para habitar a admirável eternidade da nossa alma e nos tornarmos verdadeiros ou então bem poderíamos dedicar os nossos dias a fazer compras e matar o tempo assistindo a programas de entrevistas.


posted by ruy at 11:49 da manhã

6.4.05

 
Uma opinião minha


Partiu João Paulo II. Sobre ele existe um universal consenso que foi um grande homem.Um mesmo consenso pode ser observado sobre o fato de que viveu sua vida praticamente toda na Igreja e pela Igreja, sendo esta entendida pelos não católicos como uma instituição meramente humana, e por nós católicos acreditada como uma edificação feita pelo próprio Cristo e apoiada sobre Pedro, Kephas, a pedra angular.

Dentro da milenar tradição católica, já estão sendo iniciados os preparativos para a eleição do próximo papa.Aliás, não é demais lembrar que o processo de escolha de alguém por meio de uma eleição é muito antigo na Igreja, haja vista, por exemplo, o que determina a venerável Regra de São Bento na escolha do abade.

Sempre existiram especulações cada vez que, ao longo dos séculos, ocorria a morte de um papa.Hoje elas são mais agitadas, mais frenéticas e mais indiscretas, por causa da pletora dos recursos tecnológicos da mídia, essa intrometida que penetra em todos os ambientes deixando-nos atordoados, numa hora em que precisaríamos ficar mais em silêncio, refletindo sobre o mistério da Igreja. O fato é que já aparecem os nomes dos chamados papáveis (o termo é horrível, mas que fazer? Já está consagrado pelo uso...)

Um jornal inglês (!...) afirma que certo cardeal brasileiro seria o candidato mais forte na eleição.E na mesma Internet leio que esse mesmo prelado teria dito que, se fosse eleito, escolheria um de três nomes por ele citados (sic). Há quem diga que o próximo papa será um cardeal africano, hipótese simpática aos que são calorosos defensores do Terceiro Mundo. E vai por aí.

Bem, peço vênia para externar neste “blog” a minha opinião.Vejamos.
Gregos e troianos estão de acordo quanto ao fato de ter sido João Paulo II um incansável defensor da Igreja e da doutrina católica, um cristão que deu sua vida pelo bem dos seus irmãos homens (ontem, pela Internet, uma de minhas filhas divulgava o rol dos tormentos físicos do papa).E todos, gregos e troianos, sabem que João Paulo II era um homem prudente – no sentido mais autêntico desta palavra, que muitos infelizmente usam de modo leviano.Pois bem, pergunto então: não é bem provável que Karol Wojtyla tivesse (discretamente guardado em sua mente) o seu ou os seus próprios candidatos? Levando em conta tal hipótese, acho que seria bem razoável que nossas orações fossem feitas pedindo que DEUS indicasse na eleição um candidato do falecido papa! Pelo menos é assim que eu vou rezar.

Entretanto, com sua bem conhecida tranqüila sabedoria, meu amigo monge Dom Ireneu Penna faz poucos dias me lembrava esta verdade essencial:

- não importa qual seja o eleito, porque no fundo, bem no fundo, quem governa a Igreja é mesmo o Espírito Santo.

Tenho absoluta certeza de que João Paulo II acreditava nisso !

posted by ruy at 4:32 da manhã

4.4.05

 
Duas notícias de jornal


Certa vez alguém perguntou a Leon Bloy qual era o jornal que ele costumava ler diariamente, como faz todo mundo, para ficar sabendo das novidades. O Peregrino do Absoluto respondeu: “ Primo - Leon Bloy não lê jornais; secundo – Leon Bloy não é todo mundo; tertio - quando quero saber das novidades, leio as epístolas de São Paulo.”

Nem de longe, em meu catolicismo tão cheio de falhas, com minhas constantes pisadas de bola na vida cristã, posso me comparar com o genial e sofrido panfletário católico francês.Mas, realmente sou de pouco ler jornais e de ver o noticiário da TV. Aproveito-me do que me conta minha mulher, no que toca à televisão, e do que me repassa meu colega e amigo B..., no que se refere aos jornais.Porém, neste último Domingo, por causa de uma particular notícia de falecimento de pessoa muito amiga, comprei o Globo.Pois bem, ali, no interior do matutino, encontrei duas notícias que merecem comentário. Vamos lá!

A primeira das duas está na página 44 da segunda edição do Domingo, 3 de abril, tendo como título principal: Meninos de rua do comunismo , e como subtítulo: “Menores fogem de maus tratos no campo para pedir esmola em grandes cidades da China, como Pequim”. Duas fotografias, tamanho 11cm x 17 cm, em cada uma o retrato de uma criança, uma menina e um menino, ilustram a pungente reportagem.

Tenho absoluta certeza de que essa notícia dará margem a muitos imediatos comentários anticomunistas.Muitos leitores, ao ler o que ali está contado, vão falar com seus botões:
- “Pois é, aí está a verdade que os vermelhos escondem das pessoas ingênuas. Nunca me enganei com eles!”

Ora, esse tipo de crítica, ainda que legítimo, é ao mesmo tempo facílimo e simplista. Seria melhor que nesse instante fossem lembrados dois fatos.O primeiro é o que se refere à doutrina política em que se apóia o regime daquele grande país da Ásia.Lembremo-nos de que essa doutrina foi elaborada no Ocidente.Nós a exportamos,infelizmente, para o resto do mundo, juntamente com outras nossas mazelas antigas, geradas pela decadência daquilo que no passado fora uma luminosa Cristandade.

O segundo fato que pede nossa reflexão é o fenômeno cultural, tantas vezes lembrado pelo meu amigo S..., o músico; fenômeno esse que vem há muito tempo ocorrendo na civilização moderna, independente do regime político a que esteja submetido um país.Refiro-me à estatolatria .Conscientes ou inconscientes disso, todos nós habitantes deste planeta há muito tempo vimos vivendo sob a permanente e insaciável intromissão do Estado na vida das pessoas.Os Estados Unidos são apontados como o modelo de liberdade democrática, porém foi ali que, nestes últimos, dias aplicou-se uma eutanásia com todos os requintes de um glacial juridicismo.

A segunda notícia, algumas páginas depois, tem este título: União ecumênica contra parada gay , e o subtítulo: “Cristãos, judeus e muçulmanos superam diferenças para tentar impedir festa em cidade sagrada.” A fotografia que ilustra a reportagem mostra o que se denomina DRAG QUEENS (fotografadas em Tel Aviv em 1998).A reportagem focaliza o protesto de representantes das três grandes religiões monoteístas, unidos contra uma possível parada gay em Jerusalém.

O primeiro ponto a ressaltar é a importância do monoteísmo, considerado como o estágio mais adiantado na busca do homem, ao longo dos séculos, por uma religião mais espiritualizada, mais conforme à transcendência de DEUS.Em seguida, observa-se que esses três grandes grupos religiosos monoteístas estão posicionados, ombro a ombro, em defesa da lei básica, a Lei Natural.

Antigamente, no tempo em que a inteligência era prestigiada, ficando de direito e de fato como reitora das demais faculdades da nossa alma, havia uma frase bem conhecida que dizia isto: “quer pecar, peque; mas não invente uma teoria para tentar justificar seu pecado.” Ora, esse é o problema central do chamado movimento em favor dos direitos gays . Querem forçar a existência de uma teoria que justifique a perversão deles.

Se a memória não me engana, negar a verdade conhecida como tal é justamente o pecado sem remissão, o pecado contra o Espírito Santo.

posted by ruy at 3:38 da tarde

 

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