Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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10.2.05

 
Dando a vez a quem possui sabedoria


Faz quatro anos, partia deste mundo o professor GLADSTONE CHAVES DE MELO.Mineiro, radicado no Rio de Janeiro, foi insigne lingüista e filólogo, possuidor de vasta cultura, escritor de estilo elegante e argumentação precisa.E mais, muito mais que isso, Gladstone era um cristão autêntico, homem de grande coragem moral, dedicado chefe de família, enfim, um modelo para todos os que o conheciam.Morreu na simplicidade típica dos que não se apegam aos bens terrenos.

Durante muitos anos, o saudoso mestre de várias gerações proferiu sábias palestras na Confederação Nacional do Comércio, depois publicadas na revista Carta Mensal, editada por aquela entidade.De uma dessas palestras (“Justiça e Amizade Cívica, Fundamentos da Democracia”- revista de janeiro, 1985) vamos transcrever alguns trechos.Possam eles ajudar nossas reflexões quaresmais.

- Num regime democrático, em que teoricamente todos participam da coisa pública, na escolha dos governantes e na fiscalização dos governantes, num tal regime, muito mais que em outro, a tarefa de promoção do bem-comum é de todos e em todos os momentos.Ninguém fica isento.Mais: cada um dos nossos atos exteriores tem de ser medido e avaliado moralmente por sua relação com o bem-comum.
E que coisa é esse bem-comum? Mui difícil defini-lo socraticamente, mais fácil descrevê-lo, caracterizá-lo.O bem-comum é um clima , uma atmosfera espiritual, que permite, favorece e estimula a boa, reta e feliz vida da comunidade.


- Realmente, é de encantadora estupidez pensar que a exploração do homem pelo homem tem raiz nas “estruturas” da sociedade. Contra tal insânia já nos prevenira há dois mil anos a Sabedoria Infalível: “Não é o que entra pela boca que torna impuro o homem, mas o que sai da boca e vem do coração, porque do coração nascem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os roubos,os falsos testemunhos, as blasfêmias”(cf. Mat.XV, 11,18 e 19).

- Deus fez Bach ou Mozart grandes músicos para que eles, compondo obras imortais de beleza rítmica, convidassem os homens do seu tempo e do futuro a elevar-se acima do cotidiano banal, da disputa mesquinha do lugar na praça, da cansada luta pelo pão-nosso-de-cada-dia; a lembrar-se da sua vocação transcendente.E não só, mas também para que esses gênios oferecessem um compensatório contraponto ao desolado espetáculo da degradação humana, tanta vez conscientemente buscada!

- O amor de benevolência, como o nome diz, é o que quer o bem do outro. O verdadeiro bem , porque, se ele é alto e nobre, também deve ser lúcido.Claro que efetivamente não amaria o filho a mãe que, para não magoá-lo ou contrariá-lo, deixasse de ministrar-lhe os remédios prescritos, ainda que fosse uma injeção muito dolorosa.Seria falso amor, amor puramente sentimental.
Busquei o singelo exemplo mui de propósito, para repelir a idéia da identificação amor x sentimento.


- Quando Cristo peremptoriamente nos manda amar os inimigos, fazer bem aos que nos perseguem, estar prontos a vir em socorro dos que nos caluniam – é óbvio que não nos está mandando sentir ternura por esses homens.Está ordenando, sim, que lhes queiramos bem . Com a vontade. Porque esta depende de nós, ao passo que o sentimento não.

posted by ruy at 8:06 da manhã

8.2.05

 
Sobre tiranias


Começamos este “post” citando uma reflexão de C.S. Lewis sobre as tiranias.Acho que ela se aplica – mutatis mutandis - às ditaduras. O leitor pode dar sua opinião a respeito.

Of all tyrannies, a tyranny sincerely exercised for the good of its victims may be the most oppressive. It would be better to live under robber barons than under omnipotent moral busybodies. The robber baron's cruelty may sometimes sleep, his cupidity may at some point be satiated; but those who torment us for our own good will torment us without end for they do so with the approval of their own conscience.
C. S. Lewis
English essayist & juvenile novelist (1898 - 1963)


C.S. Lewis morreu em 22 de novembro de 1963 (no mesmo dia em que foi assassinado o presidente Kennedy).Na época estávamos em plena Guerra Fria e existiam no mundo várias ditaduras comunistas.Hoje, muitos países que viviam sob tal regime felizmente conseguiram libertar-se, mas temos, por exemplo, o caso de Cuba, que há mais de quarenta anos vive sob a ditadura de Fidel Castro, e permanece o regime chinês, com as características que os bem informados conhecem.Ou seja, feito um balanço da política internacional, e botando as barbas de molho diante da presente situação brasileira, podemos dizer que aquela reflexão de Lewis continua bem atual (não fosse ele um pensador bastante ligado a coisas essenciais, independentes do tempo).


Sobre filmes


Não, meus jovens amigos, não de trata de saudosismo, porém, no meu tempo de moço existiam mais filmes feitos com arte.Ainda que houvesse um óbvio e justo interesse comercial, permanecia incólume certa ingenuidade nos homens que produziam aquelas românticas películas.

Um exemplo enfático dessa qualidade cinematográfica que me proporcionou (e ainda proporciona) muitos momentos de alegria é o filme BEAU GESTE (1939), com Gary Cooper, Ray Miland, Preston Foster, Brian Donlevy e a então novata Susan Hayward nos papéis principais.Apesar de ser realizado em preto e branco e sem a miríade dos atuais recursos técnicos, o filme consegue transmitir para o espectador uma tensa atmosfera dramática, que oscila entre a generosidade e a ambição, entre a nobreza de atitudes e a vilania.Tudo e todos na tela levam-nos magicamente para um distante forte da Legião Estrangeira, perdido no vasto oceano de areia que é o deserto.

Anos mais tarde produziu-se uma versão moderna, colorida, da referida história.Mas, apesar das cores e de outros recursos técnicos presentes nessa nova produção, ela não consegue reproduzir a mesma atmosfera dramática do filme antigo.

No ano de 1965, foi lançado o filme O VÔO DO FÊNIX, com James Stewart, Richard Attenborough, Hardy Krüger e Peter Finch nos papéis principais. A história gira em torno de um avião com cerca de dez passageiros que, ao ser atingido em pleno vôo por uma tempestade de areia, cai no deserto (mais uma vez o mistério do deserto).A partir desse ponto surgem cenas de intensa dramaticidade, terminando com a aeronave, artesanalmente recuperada, voando com os sobreviventes de volta para a civilização (em certo trecho da história ouvimos, como fundo musical, a voz meiga de Connie Francis cantando “Cominciamo ad amarci questa sera”)

Pois é, faz pouco tempo lançaram uma versão moderna da mesma história. Assisti ao “trailer” do filme e por isso não pretendo ir vê-lo.O que produziram agora foi uma seqüência mirabolante de confusões, tiroteios e brigas, no melhor estilo do Indiana Jones. Lamentável...


posted by ruy at 5:47 da manhã

 

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