Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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28.1.05

 

Santo Tomás de Aquino


Uma das muitas e ricas lições que podemos aprender na deliciosa leitura do magnífico ensaio histórico DOIS AMORES, DUAS CIDADES é a que nos explica a doutrina dos dois progressos que são propostos ao homem. O primeiro deles, colocado sobre a linha da natureza, deve seguir a direção da máxima autonomia.O segundo, desenvolvido no caminho da Graça, precisa orientar-se pela máxima heteronomia.No primeiro, devemos nos tornar cada vez mais adultos independentes; no segundo, devemos nos tornar semelhantes às crianças.

Muitas vezes, ao fazermos o necrológio de uma pessoa que ao longo da vida se fez respeitada por todos com quem conviveu, lembramos sua origem modesta, sua infância precária, privada de conforto e de facilidades de estudo. Recordamos suas progressivas conquistas até chegar a um vitorioso estado de serena estabilidade, muitas vezes atingido em idade bem além da média.Gostamos de estabelecer esse contraste entre um começo repleto de dificuldades e um final imerso em merecido e confortável repouso.Quase chegamos a dizer que um elogiável progresso humano está vedado aos que tiverem a má sorte de nascer em berço de ouro .

Ora, hoje, 28 de janeiro, a Igreja celebra Santo Tomás de Aquino, um santo que nasceu de família rica e poderosa, um santo que nasceu em berço de ouro.Um homem que muito cedo, ainda na adolescência, optou pelo segundo tipo de progresso a que nos referimos no início deste “post” e, procurando seguir fielmente essa direção por ele escolhida, acabaria por assustar o padre que ouviu sua confissão de moribundo.O sacerdote saiu do quarto onde estava o frade agonizante dizendo para os monges que o aguardavam do lado de fora:
- “ acabei de ouvir a confissão de uma criança, uma criança de cinco anos...”

Esse fato é narrado por Chesterton em sua magnífica biografia do grande Doutor Comum da Igreja.Nesse livro, que todos nós católicos com bom nível de instrução deveríamos ler, são contadas outras passagens da vida de Santo Tomás.Em uma delas, ocorrida em Paris, quando o sábio e santo frade lecionava na Sorbonne, é aquela em que – segundo contaram outros frades que viram o fato – o próprio Cristo, Nosso Senhor disse ao humilde Dominicano:

- Tomás, escreveste bem a respeito do Meu Corpo.


Santo Tomás de Aquino, rogai por nós!


posted by ruy at 4:51 da manhã

26.1.05

 
Poema da entrega


Sim, cada segundo é vosso, Senhor.
Este verso que acabo de escrever,
ainda que verdadeiro,
será simples bocejo,
sopro de voz sem valor,
se o coração não falou.

A Eternidade, embora não pareça,
está presente neste rápido segundo,
que escorre entre meus dedos lerdos,
diante do meu olhar estático.
E o segredo da alegria,
pérola sem preço,
reside nesta entrega necessária:
- sim, cada segundo é vosso, Senhor!


Notícia que alegra!


Um leitor amigo informa que conseguiu comprar e já tem lido o livro DEUS EM QUESTÕES, de André Frossard (editora QUADRANTE, São Paulo).Ao expressar, de modo conciso e preciso, suas primeiras impressões de leitura, esse distante (geograficamente) leitor já demonstrou haver captado as mensagens do autor do livro
Ora, numa segunda mensagem a mim hoje enviada, meu amigo opina – e concordo com essa opinião – que o referido livro é desses que merecem ser lidos várias e várias vezes. Alegra-me saber que outras pessoas estejam participando da mesma alegria que sinto ao ler as perspicazes reflexões de André Frossard.


Uma informação aos leitores

Infelizmente não estou conseguindo enviar e-mails pelo BOL nem pelo YAHOO.Chegam as mensagens dos amigos e não estou podendo responder...Ignoro se o problema está no meu computador ou nesses referidos provedores...



posted by ruy at 11:44 da manhã

24.1.05

 
O passado


Um dos homens mais atilados que já passaram por este mundo foi, sem nenhuma dúvida, Gilbert Keith Chesterton. A pessoas que o conhecem e admiram guardam na memória os ditos famosos do genial ensaísta inglês.Entre essas finas reflexões chestertonianas destacamos no “post” de hoje a seguinte definição do homem:

- O homem é o estranho animal que caminha com os pés voltados para a frente e os olhos voltados para trás.

Ora, Chesterton morreu na década de 30, antes do início da segunda Guerra Mundial. Na época em que ele viveu já existiam cabos telegráficos submarinos ligando a Europa e a América.Já existiam, entre o Velho e o Novo Continente, os enlaces de radio comunicação em H F (“High frequency”), que usavam as grandes e direcionais antenas rômbicas e transmissores de grande potência.Aqui mesmo, no Brasil, a RADIONAL administrava um desses enlaces radiofônicos.Entretanto, o mundo naquele tempo ainda não dispunha do fantástico recurso dos satélites artificiais de comunicações que, hoje em dia, não só permitem, com perfeita qualidade nos sinais recebidos, a instantânea transmissão de voz e de imagem de um lado para o outro do mundo, como também auxiliam a meteorologia na previsão mais rigorosa do tempo e, mediante o uso do GPS, garantem aos navegantes um imediato e preciso conhecimento de sua posição no vasto oceano.Não dispúnhamos, naqueles tempos próximos antes e depois da Guerra, da fantástica conversação da Internet.

No que toca ao transporte de passageiros a longa distância, foi somente após o término da guerra contra o nazi-fascismo que surgiram os enormes e confortáveis aviões a jato em que hoje podemos viajar rapidamente por todo o planeta.
.
O problema que essa assombrosa pletora de recursos comunicativos nos trás é o de ficarmos envolvidos, quase sem remédio, naquilo que E.F.Schumecher denominou, com notável perspicácia, “ a louca disparada prá frente.” (ver o livro “Small is Beuatiful”, traduzido no Brasil com o título “O Negócio é ser Pequeno”). Ou seja, já não dispomos da tranqüilidade necessária para perceber o profundo significado daquilo que Chesterton quis dizer quando nos deu aquela sua definição do homem.Já não nos preocupamos em conhecer, em “ouvir” o que o Passado tem para nos dizer, para nos ensinar.Quando, por exemplo, vamos ao enterro de um parente ou de um amigo, em geral ficamos em animadas conversas nas chamadas capelas dos cemitérios, desatentos ao mistério da vida e da morte.

É por isso que, para uma imensa quantidade de pessoas, as reflexões mais preocupantes hoje em dia giram em torno de Bush, de Lula, do Iraque, do terrorismo e do próximo “tsunami”.
Falta silêncio, dentro de nós e até mesmo dentro de nossas igrejas católicas. E isso, meus amigos, é triste, muito triste.


posted by ruy at 4:43 da tarde

 

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