Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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9.1.05

 
Reflexões avulsas


Sobre pobres e sua pobreza – Estão bem perto de nós. Bem alimentados e bem vestidos, entretanto, vivem marcados pela pessoal circunstância (como Ortega y Gasset tinha razão!) de suas vidas; carregam permanentemente consigo uma grande carência de carinho e de compreensão, um tipo de pobreza que não é noticiada pela mídia e que certamente jamais vai ser citada nos demagógicos discursos dos poderosos que nos governam.

Católico e catolicão - Batizado e ensinado pela Igreja, sou católico.Conheço a boa, a santa doutrina que durante séculos foi crescendo organicamente, apoiada na Sagrada Escritura e na Tradição.Mas, no momento em que esqueço que todo esse imensurável bem me foi misteriosamente entregue pela Graça de DEUS, sem mérito nenhum meu e apesar de meus pecados, no instante em me sinto muito auto-suficiente, por exemplo, dentro de uma igreja, nesse momento arrisco-me a tornar-me um chato catolicão

Palavras de um professor meu amigo- Por várias vezes tenho comentado neste “blog” a situação melancólica do catolicismo neste país.Ora, de modo sintético e preciso, meu amigo músico B..., comentando as conseqüências desse catolicismo oba-oba, disse isto: Isso acentua a laicização da sociedade e é confortável, pois abranda responsabilidades e diminui comprometimentos, com Deus e consigo mesmo.

Os beaux gestes - Muitas pessoas que o viram e gostaram do filme O CLUBE DO IMPERADOR disseram que o gesto mais bonito do enredo foi o do ex-aluno que não guardou raiva e nem rancor quando ficou sabendo de certa decisão que seu antigo mestre havia tomado ao dar a nota aos alunos no colégio.Pois é, foi mesmo um belo, um belíssimo gesto.Porém, não deveríamos esquecer também que o ex-aluno só ficou a par do fato porque o próprio professor lhe contou, ao mesmo tempo em que lhe pedia perdão pelo erro cometido.

A mais terrível das simetrias – Nossa liberdade tem uma amplidão só explicável por ser originária da Criação divina.Um homem pode livremente optar por uma vida celibatária, na solidão, áspera e reclusa, a fim de que melhor possa dedicar-se inteiramente à maior das possíveis aventuras que podemos realizar neste mundo: a continuada procura de um DEUS pessoal , a consciente e permanente busca da pessoa mais importante do universo.Ora, a mesma liberdade permite igualmente a qualquer homem fazer uma procura no sentido simétrico.Você já refletiu sobre isso, amigo leitor?


posted by ruy at 5:18 da manhã

8.1.05

 
Abadia do Monte Saint Michel, na França


Faz uns vinte e poucos anos, o Ruy ganhou de presente de um jovem casal americano uma assinatura anual da ótima revista National Geographic Magazine.Ora, em dos exemplares que recebi vinha uma excelente reportagem sobre a multissecular abadia beneditina do monte Saint Michel, na França.

Conforme me conta um velho amigo que morou cerca de três anos no país de Santa Joana D´Arc, existe certa dúvida quanto à exata localização daquele monumento histórico medieval; uns dizem que fica na Normandia, outros na Bretanha.Em que pese essa dúvida geográfica, há entre os franceses pronta unanimidade quando chamam a venerável abadia de La Merveille

As belíssimas fotos da reportagem na revista americana justificam esse brilhante adjetivo escolhido pelos filhos da “fille ainée de l´Eglise” para se referirem ao mosteiro.Na montagem fotográfica, o autor representou um corte vertical da abadia e introduziu desenhos de monges no interior do imenso edifício. Causa enorme admiração quando comparamos a altura dos corredores e salas com a altura de uma pessoa.

Entretanto, não é apenas um critério baseado na categoria da quantidade que nos torna admiradores entusiasmados da abadia do monte Saint Michel. Ensinam-nos os doutos que a categoria da qualidade é muito mais rica em significado que a categoria da quantidade.

Um exame atento dos detalhes arquitetônicos, sobretudo da unidade arquitetônica daquela maravilhosa estrutura medieval, obriga-nos a dar completa razão ao escritor judeu francês Gustave Cohen quando ele, na última página de seu livro “ La grande clarté du Moyen Âge”, escreve estas palavras:

- Les tenèbres du Moyen Âge ne sont que celles de notre ignorance.

[Em outras palavras: quem afirma que o Medievo foi uma época trevosa está passando a si próprio um atestado de apedeuta]

Faz poucos dias, assistindo à missa dominical em uma igreja situada aqui no bairro onde moro, vi, logo à minha frente, um rapaz que estava vestido de bermuda e usando sandália hawaiana.Está aí uma amostra eloqüente do quanto regredimos em oito ou nove séculos de história. E o pior é que muitos bispos, padres e leigos (incluindo entre estes certos senhores possuidores de diploma de curso dito “superior”) acham que está tudo muito bem, que esse oba-oba é “positivo”, é “legal”, é “evangelizador”... Esses “modernosos” com certeza não entenderiam se lessem os versos de Olavo Bilac em que o poeta diz sabiamente:

- A Beleza, irmã gêmea da Verdade


posted by ruy at 11:14 da manhã

7.1.05

 
Falta só a música...


Faz muitos e muitos anos. O Ruy era menino de calças curtas e morava em sua cidade, ali no seiscentista, no colonial Vale do Paraíba, dos lentos e gemedores carros de boi e das ensolaradas fazendas de café.Guardo na memória os inúmeros cantos que então eram entoados por multidões piedosas em louvor da Mãe do Redentor dos homens. Transcrevo abaixo alguns versos de dois desses antigos cantos.É uma pena que este “blog” não permita a inserção de música para que o leitor possa cantar estas letras.



(I)
Viva a Mãe de DEUS e nossa,
Sem pecado concebida,
Salve Virgem Imaculada,
O` Senhora Aparecida.

Aqui estão vossos devotos,
Cheios de fé incendida,
De conforto e esperança,
O´ Senhora Aparecida !

Virgem Santa, Virgem bela,
Mãe amável, Mãe querida,
Amparai-nos, socorrei-nos,
O´ Senhora Aparecida!



(II)
Dá-nos a bênção,
O´Virgem Mãe,
Penhor seguro do sumo bem,
Dá-nos a bênção,
O´ Virgem Mãe,
Penhor seguro do sumo bem !

Tu és a rosa do puro amor,
Suave exalando celeste odor;
Até dos lírios o resplendor,
Se perde em vista do teu fulgor!



Pois é, naquela época tínhamos a missa rezada em latim, havia maior respeito ao silêncio dentro das igrejas, porém nem por isso nós católicos éramos destituídos de sentimento.








posted by ruy at 1:55 da manhã

6.1.05

 
Complemento ao “post” do dia 3


Houve um escritor francês que escreveu estas palavras:

- Padre santo, paroquianos virtuosos.Padre virtuoso, paroquianos honestos.Padre honesto, pobres paroquianos...

Se o leitor substituir a palavra “padre” pela palavra “bispo” e a palavra “paroquianos” pela palavra “padres”, terá o quadro completo da atual situação em que nós católicos temos vivido já faz muito tempo.E olhará esse quadro melancolicamente.A menos que esse mesmo leitor ache que o Cristo tenha vindo à Terra dos Homens para que tivéssemos uma vidinha bem comportada e bem adaptada a este instável e transitório mundo.

PS – Obviamente, esse quadro – embora verdadeiro - não exime cada um de nós da responsabilidade pela nossa própria santificação pessoal.


Grata surpresa!


A Internet é de fato um mundo, tem de tudo.Passam pela “web” quinquilharias e preciosidades.De vez em quando ela nos traz uma grata surpresa, como a que veio em mensagem enviada pelo meu jovem amigo R.P., o bravo defensor dos nascituros.Divulgou ele um antigo texto de GUSTAVE THIBON, notável pensador falecido há quase exatamente três anos, com noventa e oito anos bem vividos em intensa vida intelectual e também...prática!Se a memória não me engana, Thibon mantinha em sua casa uma pequena agricultura doméstica, trabalhada por ele mesmo.Aliava, assim, uma fina sensibilidade filosófica a um robusto senso prático. Vale a pena conhecer a obra desse famoso autodidata francês que, entre outras façanhas, aprendeu sozinho o latim e o grego.


posted by ruy at 1:33 da manhã

5.1.05

 
Pequena reflexão em torno da guerra no Iraque


Considerando o conjunto de todos os analistas – e aí podemos incluir os analistas “ profissionais” e as pessoas comuns – que acompanham, desde o início, o doloroso conflito no Iraque, talvez possamos dividir esse conjunto em três subconjuntos.O primeiro deles, de muito bom tamanho, seria formado pelos que defendem a política de Bush e a posição americana naquele distante país asiático.O segundo subconjunto, de tamanho igual ao primeiro, englobaria os que criticam duramente o atual presidente dos Estados Unidos e vêm a presença de Tio Sam no Iraque como um exemplo da intolerável interferência yankee no mundo. Finalmente, sobra, como costumavam dizer as crianças ao estudar os rudimentos desse capítulo da matemática, sobra o acanhado “conjuntinho” formado pelos teimosos “sonhadores” que preferem pesquisar a origem histórica remota dos atuais problemas culturais (incluindo neles os políticos) do mundo moderno, raízes essas que deveriam merecer nossa análise, pelo menos a de nós católicos. Sim, porque simplesmente xingar ou aplaudir Bush, meus amigos, é fácil demais.


posted by ruy at 2:52 da manhã

4.1.05

 
Aceite o fato, Ruy !


Não adianta ficar aborrecido, triste, angustiado. Você tem que aceitar o fato. Embora nós católicos tenhamos de fato a doutrina verdadeira, tenhamos os melhores critérios para analisar os problemas que atormentam a sociedade humana, bem poucos de nós chegamos a descobrir o mistério que existe em tudo, incluindo nesse tudo o natural e o sobrenatural. Bem poucos de nós chegamos a fazer, ansiosos, aquela mesma pergunta que São Judas Tadeu fez ao Cristo e que praticamente ficou sem resposta.
Aceite o fato, Ruy, e a solidão decorrente.


posted by ruy at 1:23 da tarde

3.1.05

 
Comentando sobre um filme


Comecei este ano assistindo a um excelente filme, transmitido por um dos canais da NET.Tão bom que recomendei aos leitores do DD que não deixassem de ver o drama O CLUBE DO IMPERADOR, em que o papel principal é desempenhado por Kevin Kline.

É bem provável que um eventual leitor, entre os poucos que tenho, venha a fazer este comentário a respeito da referida película:
- espera aí, Ruy, eu vi o filme e não encontrei nele nenhuma mensagem que fosse nitidamente cristã, nada que se aproximasse da boa e tradicional doutrina católica! E mais, em nenhum instante da narrativa vislumbrei a menor atitude claramente religiosa em qualquer um dos personagens...
Pois é, se ocorrer semelhante juízo de algum leitor, de imediato terei que concordar com ele.Entretanto, repito que se trata de um belo filme e que, por isso mesmo, merece ser visto com uma atitude menos armada , ser acompanhado com um olhar sutil, um olhar que seja capaz de examinar tudo e reter o que seja bom, conforme recomenda o apóstolo São Paulo em sua primeira epístola aos Tessalonicenses.

De fato, a história do filme gira em torno das aulas de um dedicado professor de história clássica, um mestre que procura fazer seus alunos entenderem como nossa atual cultura procede de suas raízes greco-romanas.

Ao longo de suas entusiasmadas preleções, o incansável tutor (sim, porque ele é de fato muito mais que um burocrático apresentador de nomes, fatos e datas) tenta fazer com que os adolescentes sentados à sua frente assimilem os valores das humanas virtudes do respeito e do amor à verdade, do cumprimento à palavra dada, da lealdade, da nobreza de atitudes, da civilidade no relacionamento entre pessoas e, sobretudo, do fortalecimento do caráter.

Neste instante, ao falar sobre o caráter , lembro-me do comentário feito certa vez por um velho monge, muito meu amigo, quando ele, contristado, dizia isto: “infelizmente, a firmeza de caráter em geral não é o forte de nós brasileiros...” Realmente, o leitor atento já deve ter percebido a lamentável freqüência com que fazemos troça de assuntos sérios. Haja vista a recente “brincadeira da bomba na mala”, feita em um aeroporto americano por dois jovens turistas compatriotas nossos, vexame de repercussão internacional.Poupe-me o leitor de contar outros casos (sei, por exemplo, de um presenciado pelo falecido presidente Castelo Branco quando participou da campanha da FEB na Itália, na segunda Guerra Mundial).

Neste momento convém recordar o ensinamento de Santo Tomás de Aquino, Doutor Comum da Igreja. Segundo nos ensinam os conhecedores do Tomismo, o Aquinate afirma que a Graça pressupõe a natureza.A eficácia da Graça será tanto maior quanto melhor o terreno em que a semente for lançada.

Vejamos o caso típico do acima citado São Paulo. Saulo era fariseu, porém não foi certamente por isso que ele foi escolhido. Muito provavelmente o motivo deve ter sido sua sinceridade, sua vontade firme de acertar.Urge lembrar, por exemplo, que Paulo deixou de ser açoitado quando altivamente declarou-se cidadão romano

Nós católicos, quando estamos próximos de ir à mesa da Sagrada Comunhão, batemos no peito e repetimos a frase que há mais de dois mil anos foi dita por um valente e disciplinado centurião romano,[Domine non sum dignus ut intres sub tectum meum ], e que, por isso mesmo, recebeu do Cristo um maravilhoso elogio

Por tudo isso, meus amigos, repito: não deixem de assistir ao filme O CLUBE DO IMPERADOR !


PS

Meu jovem amigo C. E. viu o filme e “captou” sua mensagem! Parabéns, C...!


PPS

Saudosos tempos aqueles em que nossos cursos secundários - nas escolas mantidas pelo governo ou pela iniciativa privada - ensinavam-nos a história geral sem inspirar-se em idiotas preconceitos marxistas.



posted by ruy at 2:37 da tarde

 

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