Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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18.12.04

 
A Igreja “institucionalizada”


Tenho um amigo de longos anos, um gaúcho, que é, sem dúvida alguma, uma das pessoas mais inteligentes que já conheci neste mundo.Já faz muitos anos, certa vez ele me disse isto:
- sabe, Ruy, a posição típica do ser humano é a vertical, o homem em pé. [comento eu: de fato, se mandarmos uma criança fazer o desenho de um homem, provavelmente ela vai espontaneamente desenhá-lo em pé ; é muito pouco provável que desenhe um homem sentado ou deitado].
Isso , [continuava meu amigo gaúcho] já nos dá a hierarquia correta: primeiro, a cabeça; em seguida, o coração; depois o estômago; e finalmente o resto.

De fato, é a inteligência a nossa faculdade que nos coloca logo abaixo dos anjos na hierarquia da Criação.Nós somos os intermediários entre os anjos e os animais irracionais. Quem quiser ver tudo isso muito bem explicado, por favor, leia o ótimo livro de Mortimer Jerome Adler: : “ Os Anjos e Nós” (editora EDIOURO).

Ora, sendo nós os intermediários nessa escala, tendo sido postos por DEUS nessa posição intermediária, não nos cabe tratar o nosso irmão corpo – como o chamava sabiamente São Francisco de Assis – com um herético desprezo (como o faziam os cátaros, ou Albigenses, de triste memória).O corpo merece respeito, respeito natural, respeito caridoso.

Essa realidade essencial da nossa natureza, nosso corpo, leva-nos a uma incontável variedade de atos nos quais se unem fraternalmente o espírito e a carne. Por exemplo: duas pessoas amigas se encontram; dão-se as mãos, abraçam-se. Se forem um homem e uma mulher casados, o beijo na boca assinala de público uma união mais profunda.Hasteamos bandeiras coloridas nos mastros de nossos países.Colocamos em pautas musicais símbolos que serão interpretados por músicos, e ouviremos sons que falam de nossos sentimentos.Tudo isso são coisas que os anjos desconhecem ou, melhor dizendo, conhecem, por intuição, apenas o significado que elas possuem. Anjos não escrevem poemas ou sinfonias; nem constroem casas nem palácios, onde cada pedra, cada parede, contém junto da matéria nelas usada um sentimento , coisa que o anjo não possui, e não possui porque não tem corpo.

Mais, na Criação, o anjo – por assim dizer – já nasce pronto.O tempo para ele é um ente distante .Ele sabe que existe um tal de tempo , porém não se preocupa com ele.Nós, ao contrário, vivemos no e com o tempo; ele é nosso companheiro na caminhada de volta para o Pai. Ele, o tempo, acompanha nosso progresso natural. Sabe que nos primeiros anos da nossa existência, cumprimos nossas necessidades biológicas de modo automático, desajeitado, sem perceber o que nelas há de desagradável, no aspecto e no cheiro. Com o passar do tempo, aprendemos a nos manter discretos com respeito a tais servidões.Passamos a usar lugares reservados para esses inevitáveis atos do corpo.

Na continuidade dos anos, vamos adquirindo maior autonomia e maior sentido de auto-respeito. Trajamos roupas que não só nos protejam do sol e do frio como também confiram dignidade à nossa caminhada.Isso não é – como possa pensar um observador desatento – mera questão de vaidade. Não. A roupa, o tipo de roupa que escolhemos, traz consigo aquela união misteriosa do corpo e da alma. E mais, a escolha desse traje muitas vezes está ligada ao significado de um ato público. Não é normal irmos a um concerto sinfônico vestidos de calção de banho de mar; nem muito menos é normal irmos à praia usando terno e gravata. Tudo isso não é problema para os anjos, mas, para nós, homens, é parte integral de nossa vida.

Creio que agora chega. Pergunto:
- meu irmão protestante, é tão difícil para você perceber que a “ institucionalização” da Igreja é uma decorrência lógica dessa unidade essencial do ser humano? Por que você, meu irmão, é tão incapaz de perceber a beleza de uma missa solene, com canto Gregoriano, com os paramentos coloridos brilhando a um sol de primavera e com o perfumado incenso subindo ao céu, em uma simbólica oração sem palavras, enquanto sinos seculares derramam sons festivos sobre a imensa multidão festivamente reunida ali, na arquitetônica e bela praça de São Pedro ?
Por que você há de ser tão indiferente à beleza autêntica? Por que você insiste em ser tão angelical ? Tão infenso à alegria humana?


posted by ruy at 3:56 da tarde

17.12.04

 

O fato essencial para nós cristãos: Ele está aqui!


É muito provável que eu já tenha publicado neste “blog” o que vou escrever logo em seguida.Se de fato isso já aconteceu, peço ao leitor que tenha um pouco de paciência com este velho teimoso.

Nos dias de hoje, devido aos fantásticos recursos das telecomunicações – área de engenharia a que estou ligado – somos diariamente “bombardeados” por uma enorme quantidade de notícias sobre os fatos mais diversos, desde os mais fúteis envolvendo a vida dos artistas da música popular até os mais graves conexos às guerras crônicas e aos atos de terrorismo, passando pelo noticiário policial deste país.Todos esses fatos servem de constante cenário para a vida da sociedade e dos milhões de famílias que nela vivem.

Este é um ponto que parece escapar à análise dos observadores mais atentos aos grandes problemas éticos da cultura atual, a saber, a influência que todos esse fatos exercem sobre o pequeno mundo da família.

Muitos de nós católicos deixamo-nos chegar quase ao limiar da obsessão com a censura dos costumes, dos hábitos viciosos que nos rodeiam: homossexualismo, práticas abortivas, uso das drogas etc.. E, por causa dessa obsessão, acabamos quase sempre nos esquecendo desse que deveria ser o fato essencial em nossa vida: Ele está aqui! Quem? Ele, o Cristo, Nosso Senhor.Neste exato momento, leitor amigo, Ele está olhando meus dedos baterem nestas teclas sujas, que há muito tempo não vêem uma boa escova. Ele está olhando as palavras que vou escolhendo, as frases que vou organizando em forma de períodos em que pretendo inserir uma razoável argumentação.

Ora, não será apenas nestes instantes em que estou só, eu com esta máquina eletrônica que tantas e tantas vezes é usada de modo diletante por milhares de Internautas, como passatempo quase inútil. Ele está presente, silenciosamente presente, em nossas diuturnas reuniões familiares, seja nas refeições tomadas em comum, seja nas descontraídas partidas de buraco ou outros inofensivos jogos de baralho; seja nas visitas de parentes ou amigos que recebemos em nossa casa, seja em deslocamentos que fazemos de carro pelas ruas movimentadas da cidade grande.

Neste exato instante, alguém mal avisado pode erroneamente imaginar que o Cristo esteja presente como se fosse um invisível censor, mormente se esse alguém mal avisado for uma pessoa que tenha um teimoso costume, o de procurar, todos os dias, todas as horas, detectar aqueles erros morais da cultura contemporânea, naquele carrancudo “moraliser a propos de tout”, conforme escreveram os padres Lebret e Suavet no livro Pour rajeunir l’examen de conscience..

O fato é que todos nós corremos o constante risco de faltar à caridade, começando pelos que estão mais próximos de nós.Eles, esses bem próximos de nós, têm pobrezas outras que não as de bens materiais.O mínimo que lhes podemos dar é a esmola de uma oração sincera dirigida ao Cristo, invisível junto de nós, e que vê a todos nós com um olhar amoroso, e não o olhar sombrio de um julgador duro e vingativo.

Acredito que estas considerações sejam mais urgentes que as habituais resenhas que fazemos dos fatos divulgados pela mídia.



posted by ruy at 5:36 da manhã

14.12.04

 
Se...


Se tudo o que venho escrevendo neste “blog” não contribui para que os seus leitores descubram que o Cristo deve ser a principal pessoa em nossas vidas;
se tudo o que aqui venho expondo não ajuda os leitores destes “posts” a perceberem o mistério do Cristianismo e a entenderem que os problemas morais – por mais dramáticos que sejam – precisam ser observados sob a luz desse mistério;
se tudo o que aqui venho publicando não faz com que o leitor pelo menos vislumbre aquilo que Leon Bloy afirmou sobre a santidade (“só há uma tristeza, não ser santo; só há uma alegria, ser santo”);
se todas estas palavras – substantivos, adjetivos, verbos, advérbios – não colaboram para que o leitor se convença da importância e, sobretudo, da necessidade da oração permanente – então o Despoina Damale e nada é a mesma coisa.


Um pedido muito especial aos leitores


Um amigo, que também é leitor deste “blog”, está enfrentando um problema muitíssimo sério.Peço a vocês que rezem por esse meu amigo.Ele está justamente passando por um dos sofrimentos por que passou Nosso Senhor Jesus Cristo em sua Paixão.


Um poema de Jorge de Lima


Acho que já publiquei este belíssimo poema no DD. Entretanto, creio que seja bem oportuno transcrevê-lo novamente. Segue, pois, o

Poema do Cristão
(Jorge de Lima)

Porque o Sangue do Cristo
jorrou sobre meus olhos,
a minha visão é universal
e tem dimensões que ninguém sabe.
Os milênios passados e os futuros
não me aturdem, porque nasço e nascerei,
porque sou uno com todas as criaturas,
com todos os seres, com todas as coisas
que eu decomponho e absorvo com os sentidos
e compreendo com a inteligência
transfigurada em Cristo.
Tenho todos os movimentos alargados.
Sou ubíquo: estou em Deus e na matéria;
sou velhíssimo e apenas nasci ontem,
estou molhado dos limos primitivos,
e ao mesmo tempo ressôo as trombetas finais,
compreendo todas as línguas, todos os gestos, todos os signos,
tenho glóbulos de sangue das raças mais opostas.
Posso enxugar com um simples aceno
o choro de todos os irmãos distantes.
Posso estender sobre todas as cabeças um céu unânime e estrelado.
Chamo todos os mendigos para comer comigo,
e ando sobre as águas como os profetas bíblicos.
Não há escuridão mais para mim.
Opero transfusões de luz nos seres opacos,
posso mutilar-me e reproduzir meus membros, como as estrelas do mar,
porque creio na ressurreição da carne e creio em Cristo,
e creio na vida eterna, amém!
E, crendo na vida eterna, posso transgredir leis naturais:
a minha passagem é esperada nas estradas;
venho e irei como uma profecia,
sou espontâneo como a intuição e a Fé.
Sou rápido como a resposta do Mestre,
sou inconsútil como Sua túnica,
sou numeroso como a sua Igreja,
tenho os braços abertos como a sua Cruz despedaçada e refeita
todas as horas, em todas as direções, nos quatro pontos cardeais;
e sobre os ombros A conduzo
através de toda a escuridão do mundo, porque tenho a luz eterna nos olhos.
E tendo a luz eterna nos olhos, sou o maior mágico:
ressuscito na boca dos tigres, sou palhaço, sou alfa e ômega, peixe, cordeiro comedor de gafanhotos,
sou ridículo, sou tentado e perdoado, sou derrubado no chão e glorificado, tenho mantos de púrpura e de estamenha, sou burríssimo como São Cristóvão e sapientíssimo como Santo Tomás. E sou louco, louco, inteiramente louco, para sempre, para todos os séculos, louco de Deus, amém!
E, sendo loucura de Deus, sou a razão das coisas, a ordem e a medida;
sou a balança, a criação, a obediência;
sou o arrependimento, sou a humildade;
sou o autor da paixão e morte de Jesus;
sou a culpa de tudo.
Nada sou.
Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam!








posted by ruy at 2:21 da manhã

 

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