Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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12.12.04

 
Falando sobre futebol


Admito que atualmente existam dois ou três temas muitíssimo mais sérios que o do futebol para serem abordados neste ou em outro “blog” que pretenda assumir uma atitude vigilante e crítica diante dos absurdos que estão ocorrendo no domínio da moral, nesta nossa moderna civilização ocidental moderna. Porém, informo logo ao leitor que, ao escolher o tema de hoje, não tive intenção de falar em amenidades nem desejo de fazer crônica descontraída ou diletante..

Quando avançamos em anos de vida, as inflexíveis leis biológicas nos presenteiam com os chamados “achaques da idade”.Os olhos já não enxergam como antes; as pernas não respondem com as mesmas rapidez e flexibilidade aos comandos do cérebro; o aparelho digestivo não mais aceita os mesmos tipos de alimento que nos agradavam no tempo da juventude.Surgem o reumatismo e o perigoso mau funcionamento de certas glândulas.Realmente, envelhecer não é nada cômodo...

Entretanto, levamos sobre vocês moços uma indefectível vantagem, a de carregarmos na memória uma enorme quantidade de experiências, das mais diversas naturezas.Guardamos, naquele misterioso arquivo da mente, visões de épocas já bem distantes, costumes de uma outra cultura que, perdoem-me a franqueza, sob certos aspectos era muito mais rica em valores humanos.Um desses costumes pode ser exemplificado pelo futebol, do jeito como o conhecemos em nosso tempo de menino e de adolescente.

O futebol era, ao mesmo tempo, uma prática esportiva e uma diversão popular ingênuas.Os principais jornais do Rio e de São Paulo (e possivelmente os de outros Estados) mantinham regulamente seções dedicadas às notícias e aos comentários relacionados com os jogos e com os jogadores, seções essas editadas com um estilo bem humorado, leve, com a participação de hábeis e imaginativos caricaturistas. Destaque-se o jornalzinho semanal A Manha , editado por Aparício Torelli, mais conhecido como o Barão de Itararé , talvez o único comunista com senso de humor já nascido neste país. Em resumo, futebol era mesmo um assunto leve .

Coerente com essa saudável leveza, os salários dos jogadores eram modestos, geralmente compensados, em caso de vitória no jogo, pelo chamado bicho, uma gratificação infalível e generosa.A imensa maioria dos jogadores envelhecia de modo normal; raramente ocorria – como vem acontecendo, neste e em outros países – mortes súbitas durante uma partida.

E agora vem o ponto principal deste “post”. O salário de um jogador de futebol não era muitíssimo maior que o de uma professorinha do curso Primário;Hoje, sabemos muito bem, são milionários muitos dos salários dos atletas da pelota . E para confirmar o atual desprestígio da professorinha, basta passarmos em qualquer dia da semana junto ao Instituto de Educação no Rio de Janeiro e ficarmos observando o atual uniforme usado pelas meninas.Comparando-o com o que era trajado pelas alunas no meu tempo de adolescente, sinto uma tristeza imensa. Vem uma saudade melancólica que vocês moços talvez não possam compreender...

Essas distorções, amigo leitor, deveriam ser motivo de angustiosa preocupação nossa, de nós católicos, nós que, em épocas distantes, sabíamos reconhecer o magno papel da cultura no crescimento humano de uma pessoa.Gastamos muito do nosso tempo com a crítica – justa e necessária – de certos costumes pervertidos que abundam na atual sociedade dos homens, porém não temos ido, com igual freqüência, às causas culturais do problema. Por exemplo: qual de nós católicos se preocupa com o modo “quase protestante” – conforme o adjetivou há poucos dias meu amigo Professor B...- com que nossas missas vêm sendo celebradas?


Sobre o uso do computador na “web”


O uso do computador na “web” é um bom exemplo dos dois modos que podemos adotar no uso de nossa inteligência.Um deles é o que se poderia chamar diletante , sempre atrás de curiosas novidades, sempre à procura de divertidas lantejoulas.Ao outro poderíamos apelidar de respiratório , isto é, um uso que seja vital em nossa existência.


posted by ruy at 1:43 da tarde

11.12.04

 
Adendo ao “post” de ontem


Sinto que é preciso esclarecer logo um certo ponto ligado ao que editei ontem neste “blog”.
Uma leitura atenta do que ali ficou registrado por mim pode passar a um leitor benevolente a impressão de que o Ruy cumpre fielmente aquilo que ele classifica como a atitude correta de um cristão, mais precisamente, a de um católico autêntico.Não, meu amigo, infelizmente, minha conduta - apesar da minha idade, das minhas muitas leituras e muitas experiências – não constitui modelo para os mais moços e menos experientes...

Pensando nisso, ontem mesmo lembrei-me de um belo poema de Jorge de Lima, o grande poeta alagoano que foi amigo e companheiro de combate, no bom combate, do mineiro Murilo Mendes. O poema intitula-se: Confissões, lamentações e esperança na estrada de Damasco . Em certo trecho escreve Jorge de Lima:

- Eu sou aquele que torpedeia a Arca e a Barca

Pois é, posso fazer minhas estas palavras do autor de Invenção de Orfeu. Portanto, amigo leitor, agora você - se quiser - pode repetir aquilo que muita gente costuma dizer:

- "O Ruy está naquela idade em que, já não podendo mais dar bons exemplos, dá bons conselhos... "


Sobre a Alegria


Houve um leitor que, depois de ler o “ post” de ontem, ficou com a curiosidade, uma curiosidade boa, de saber algo mais sobre a alegria de que falei, a alegria que podemos descobrir no instante em que descobrirmos o que significa de fato a Boa Nova trazida aos homens pelo Verbo Encarnado.Pois bem, faz alguns dias recomendei aos leitores um livro de poesias recém editado: Poemas do Cuco ,. de autoria de José Arthur Rios. Ora, um dos poemas tem justamente este título: Alegria . Vejamos:


Alegria

( José Arthur Rios )

Alegria, alegria
Me tragam correndo
Depressa, alegria
No abraço, no beijo
Alegria, alegria
Não me façam esperar
Pura és, doce virás
No risco da estrela
Em Josefa, em Maria
No riso menino
Logo serás.



posted by ruy at 3:15 da tarde

10.12.04

 
O principal no Cristianismo


Às vezes, para melhor explicarmos certas verdades, devemos falar em coisas óbvias.
Consideremos, por exemplo, o Estado do Rio de Janeiro em sua estrutura municipal. Ele tem muitas cidades, algumas delas bem importantes. Entretanto, nenhuma pessoa sensata vai negar que a cidade do Rio de Janeiro é a principal deste Estado.Todas as que nele estão têm grande ou pequena importância, mas o Rio é a de maior relevância.

Pois bem, o Cristianismo têm várias facetas.Pergunto: como cristão, qual delas devo considerar a mais importante? Antes que o leitor responda, abra a sua Bíblia e releia o que está dito por Nosso Senhor no evangelho segundo São Mateus, cap.5, vs. 17:

Não julgueis que vim abolir a Lei e os profetas.

Sempre me lembro de um fato contado faz muitos anos por um padre alemão meu amigo.Em seu tempo de seminário, um de seus mestres, um sacerdote idoso e que havia sido missionário na África contou que certa vez, ensinando os Dez Mandamentos a um negro velho, este lhe retrucara: “padre, tudo isso eu já sabia; só não sabia numerar”.

Pois é, o Cristo não veio para abolir a Lei e os profetas.Veio, sim, antes de mais nada, trazer a Salvação , isto é, oferecer para nós o verdadeiro motivo para estarmos sempre alegres. Veja bem, leitor: sempre .

Por isso é que várias e várias vezes fico pensando se não estamos quase sempre colocando toda a ênfase de nossos cuidados, de nossas preocupações, em uma permanente , e talvez obsessiva, censura dos costumes – os quais, de fato, estão deixando muitíssimo a desejar – uma renitente diatribe contra os absurdos do aborto, da eutanásia, dos ajuntamentos homossexuais, do relaxamento dos costumes em geral.É óbvio que todas essas críticas são justas e necessárias. Entretanto, eu me pergunto:

- Será que em algum dia fiquei angustiado com o terrível mistério da minha existência, com o mistério da existência do mundo? Será que jamais acordei no meio da noite assustado, espantado com tudo, com todos os prosaicos objetos que estão em provocativo silêncio ao meu redor, no quarto onde durmo? Será que alguma vez desconfiei que existe um profundo sentido poético nas coisas aparentemente banais? Será que eu, batizado que fui no regaço da Igreja, algum dia parei refletir, para experimentar a descoberta assombrosa do mistério da Salvação? Ou será que, infelizmente , o Cristianismo para mim é pura e simplesmente um severo sistema de exigências éticas? Só isso?...

Desculpem a minha divagação queixosa...


Ainda referente aos Poemas do Cuco

Sobre a RG – Editores informo:
Endereço: Rua Santo Antonio, 555- 1o. Andar, cj. 11.
São Paulo, SP- cep: 01314-000
Site: www.rgeditores.com.br
e-mail: rgeditores@yahoo.com.br



posted by ruy at 7:40 da manhã

9.12.04

 


O pior desespero


O pior desespero não dá gritos enraivecidos, não externa choros convulsos, não usa linguajar agressivo, não coloca nos olhos o brilho assustador da ira.
O pior desespero usa uma fala mansa, ri de modo descontraído e auto-confiante, quase sempre conversa em tom brejeiro e otimista, e, sobretudo, pensa sempre na morte – quando nela pensa – com sereno estoicismo, com um irônico sorriso de superioridade ou com um melancólico sorriso de aceitação passiva.


Uma ótima notícia!


Acaba de ser editado (pela RG – Editores, SP) o livro de poesias Poemas do Cuco , de autoria do Professor JOSÉ ARTHUR RIOS, um ilustre sociólogo (é isso mesmo, leitor: sociólogo) que não é adepto do “sociologismo”, graças a DEUS.
Homem de vasta cultura, geral e literária, Arthur Rios é o que se pode chamar a antítese de uma pessoa “desesperada”, em qualquer sentido que dermos a este adjetivo.
Portanto, amigo leitor, não deixe de comprar e ler os Poemas do Cuco


posted by ruy at 2:15 da manhã

8.12.04

 
8 de dezembro - Festa da Imaculada Conceição


É melhor ficar bem quieto e meditar sobre esse assombroso mistério da nossa fé.


posted by ruy at 2:26 da manhã

7.12.04

 
Batendo firme no ponto-chave


[No dia 3 deste mês editei um “post” dedicado especialmente aos leitores mais moços deste “blog”, àqueles que ainda são “tutelados”, atribuindo a esta palavra o mesmo sentido com que ela é usada por Mortimer Jerome Adler em sua tese de que somente adultos podem educar-se. No “post” de hoje, mantenho a mesma dedicatória]

A imensa maioria das pessoas está vinculada a uma família. Acho que sejam muito poucos os que vivem completamente sós no mundo, sem um parente sequer.
Essa vinculação com uma família implica um grande e inevitável conjunto de circunstâncias as quais acabam por modelar nosso comportamento. Ainda que essa modelagem não signifique um “determinismo psicológico”, cada um de nós é, sem dúvida alguma, uma amostra da mentalidade geral da família a que pertence.

Bem, sob o ponto de vista que nos interessa ao redigir este “post”, o problema agora é exatamente este:
- qual é a atitude da minha família diante do inegável fato religioso na existência humana? Nesse grupo humano em que ocorre toda ou parte da minha “tutela”, qual é a medida da autenticidade da crença religiosa? Existe um sério e profundo compromisso com uma fé que se declara ter ou essa fidelidade é mera rotina sem conseqüências coerentes com o “credo” que se afirma professar?

Demos um exemplo bem prático para melhor esclarecer nossa exposição.
Pergunto: minha família tem o hábito de rezar às refeições, dando graças pelo alimento recebido? Pergunto: supondo que a minha família seja católica, a assistência à missa, pelo menos à missa dominical, é um ato que todos os membros desta família consideram de nuclear importância em suas vidas? Pergunto ainda: admitindo que as pessoas desta família tenham um bom nível de escolaridade, cultiva-se entre nós o hábito de ler bons autores, não necessariamente católicos, porém, escritores respeitados e cujos escritos possam contribuir para o nosso crescimento interior , nosso crescimento como pessoas ? Pergunto mais ainda: nossa família, de vez em quando pelo menos, conversa sobre assuntos ligados à fé católica, abordando durante a conversa o ensinamento da Igreja?

Suponhamos que as respostas às quatro perguntas anteriores tenham sido todas um claro e firme não! , pergunto agora:
- isso me incomoda? Isso me traz, pelo menos, alguma angústia?

Infelizmente não refletimos bastante sobre certa dramática realidade, a de que a vida em nossa sociedade Ocidental seria infinitamente melhor se as nossas famílias e os nossos dirigentes políticos acreditassem de fato em um DEUS pessoal , amassem e temessem esse DEUS pessoal , procurando em todas as horas, em todos os minutos, agir de acordo com o que Ele nos ensinou ao viver como homem neste mundo, se procurássemos colocar Seus ensinamentos acima dos nossos prestígios mundanos .

Se tudo o que escrevi e perguntei acima não tiver a magna importância para mim, então todas as costumeiras e justas críticas que venho fazendo aos políticos, brasileiros ou estrangeiros, todas os usuais comentários zangados que venho escrevendo sobre erros cometidos pelos administradores do ensino no país, sobre o deletério papel da televisão na cultura nacional – então toda essa pletora de críticas feitas por mim talvez seja apenas certo tipo de fuga, ou então um superficial moralismo, bem intencionado com certeza, mas, infelizmente, distante, muito distante da raiz de todos esses problemas que costumam inquietar-me.

Agora repito a mesma essencial pergunta com que terminei o “post” do dia 3:

- Quem é Jesus Cristo para mim?


posted by ruy at 1:53 da manhã

 

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