Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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13.11.04

 
“ Small is Beautiful “


Várias vezes os títulos de filmes americanos são mal traduzidos para sua edição no Brasil.Vou lembrar dois exemplos. O primeiro é a obra prima de Frank Capra “It’s a wonderful life”, que aqui foi tolamente traduzido por “A felicidade não se compra”, uma poética história de dedicação ao próximo, contada em uma época romântica, quando era pequena a malícia dos espectadores.O outro filme, bem mais moderno, tem como enredo certo fato da guerra do Vietnam e no papel principal está o ator Mel Gibson. O título original é o significativo “We were soldiers”, em que o verbo está seguramente no imperfeito do indicativo, mas alguém entre nós, maldosamente , traduziu por “ Fomos heróis”.

Ora, com livros também ocorre esse tropeço na tradução. Vale a pena lembrar, como exemplo, o famoso “best-seller” de E.F. Schumacher : “SMALL IS BEAUTIFUL” , editado em 1973 na Inglaterra, que foi traduzido no Brasil, em 1977 sob o título “O NEGÓCIO É SER PEQUENO”. Antes de continuar, talvez seja bom dar uma pequena notícia biográfica sobre o autor.
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Nascido na Alemanha em 1911, Ernst Friedrich Schumacher foi estudante em Oxford, em 1930. Antes da guerra, retornou à Inglaterra a fim de escapar ao regime nazista imposto a sua pátria. Terminado o conflito, Schumacher participou como economista dos trabalhos de reconstrução do país derrotado.Posteriormente, durante dez anos trabalhou ativamente como consultor junto ao Plano Nacional do Carvão, importante órgão da administração britânica. Faleceu em 1977, tendo deixado ainda estes dois outros livros: “Good Work” e “ A Guide for the Perplexed”

Disse eu acima que o título da tradução para o português não foi dos melhores. Por quê? Justamente porque o título da edição brasileira não tem a sutil beleza do correspondente no original da obra. E é bom que o leitor note logo: estamos nos referindo ao senso poético existente em um economista , e um economista que não ficou apenas fazendo cálculos acadêmicos, distante dos fatos.

Em “Small is Beautiful” , vemos uma apaixonante análise dos magnos problemas do mundo moderno no que se refere à economia e aos seus impactos na vida humana.
Schumacher cita, em certo trecho da obra, o livro dos Provérbios :

O homem justo cuida de sua besta, porém o coração do malvado é impiedoso.

Cita nada menos do que o grande Doutor da Igreja, Santo Tomás de Aquino:

É evidente que se um homem dedica uma afeição compassiva aos animais estará tanto mais disposto a sentir compaixão por seus semelhantes.

No livro é feita também uma citação do grande filósofo católico francês Etienne Gilson aquele mesmo que fez um magnífico elogio à biografia de Santo Tomás escrita por Chesterton.E, nas últimas páginas de seu “best-seller”, Schumacher cita Joseph Pieper, pensador católico alemão que ficou conhecido no mundo inteiro como o “filósofo das virtudes”. De fato, o nosso economista – aproveitando as idéias de Pieper – discorre sobre a Prudência, a Justiça, a Coragem e a Temperança, as clássicas Virtudes Cardiais, de que nos deveríamos lembrar – e praticar – para que o nosso pobre mundo moderno não corra para o abismo da autodestruição, naquele desesperado movimento que Schumacher denominou, com muito acerto, a louca disparada prá frente .


Bom domingo para os leitores deste “blog”!


posted by ruy at 10:40 da manhã

12.11.04

 

Algumas reflexões avulsas


- Lembrando um “post” recente.Perguntemos a nós mesmos: o que o Cristo significa para as pessoas a quem mais amamos e para as outras a quem devemos amar porque estão ligadas às primeiras? Em que medida teríamos sido responsáveis por um negligente afastamento desses entes queridos em relação à Pessoa mais importante do mundo? Nada pesa tanto quanto um pecado de omissão...


- Ser um bem sucedido na vida.Eis aí uma circunstância que pode gerar silencioso e grande perigo, o de alguém acreditar que seus referenciais éticos, seus demais padrões de julgamento sejam todos corretos. Como um homem maduro e bem sucedido na vida pode imaginar, pode aceitar que ainda tenha de passar por um processo contínuo de aperfeiçoamento “mental, moral e espiritual”, conforme nos lembra Mortimer Jerome Adler ?


- Se a memória não me engana, teria sido um famoso escritor português do século XIX quem certa vez se referiu ao Brasil dizendo que este era “um país de Doutores”, isto é, onde existia um culto ao diploma universitário, um culto ao “canudo”. Pois bem, estamos no século XXI e, para mim pelo menos, parece que infelizmente não houve substancial mudança de atitude em nossos moços.Em apoio à minha opinião, basta lembrar a recente e infeliz frase do atual Ministro da “Educação” acenando-nos com a fantasiosa “universidade para todos.”


- No domingo passado estava eu assistindo à missa matinal, como de costume, no mosteiro.Missa tranqüila, em que os fiéis só falam quando é de fato o momento certo para falarem, missa em que a homilia do celebrante é exposta como se fosse uma aula direta e sem retórica, quase como uma conversa com os assistentes. Eis que de repente chega um ônibus de turistas, obviamente a maioria católica.Entram pela igreja conversando, fazendo ruídos diversos, isso para não lembrar que chegaram atrasados. Fico aborrecido, mas, logo em seguida, me lembro da realidade.São pessoas que já adquiriram, em suas paróquias, o vício, o termo é esse mesmo, o vício da língua solta.Já não sabem concentrar-se no mistério da missa, no mistério do Santíssimo Sacramento, no mistério da fé.


- Esta reflexão liga-se à anterior.Vícios têm uma origem; não surgem do nada.Então, pergunto: como foi que milhares, talvez milhões de católicos pegaram esse vício do comportamento inadequado dentro de uma igreja, esse recinto que, em outras épocas, era conhecido como “a Casa de DEUS”, isto é, era conhecido pelo que realmente é ?.Neste instante eu me lembro de um bem antigo comentário, creio que feito por um escritor francês, o qual dizia assim: “padre santo, paroquiano virtuoso; padre virtuoso, paroquiano honesto; padre honesto, coitado do paroquiano...”.Ora, “mutatis mutandis”, esse mesmo comentário pode ser aplicado aos senhores bispos.


- Conexo com aquela reflexão referente ao ensino universitário, isto é, ao modo errôneo com que vem sendo encarado neste país, está o problema do trabalho.É perfeitamente compreensível e indiscutivelmente justo que os moços se preocupem com o exercício de uma atividade profissional que lhes permita viver com autonomia e com dignidade Demos um exemplo bem prático.Acaba de ser comercializado um maravilhoso tipo de máquina copiadora de livros; ela copia o livro inteirinho.Imagino agora um grupo de moços, uns quatro ou cinco deles, organizando uma microempresa para explorar comercialmente a referida máquina. Por que não? Ou haverá alguém que ouse dizer que uma atividade desse tipo não é digna de ser exercida por moços de família?


- O pior não é descrer na existência do Inferno. É, sim, acreditar nela e, entretanto, viver deliberadamente - e com muita pose - à procura apenas de distrações, conforto, segurança, prestígio, aguardar a morte com estoicismo e, ao mesmo tempo, sorrir de modo auto-suficiente e malicioso ao lembrar a vida das pessoas que temem passar à Eternidade ficando para sempre separadas do Amor que nos criou e redimiu..



posted by ruy at 9:59 da manhã

10.11.04

 

Trocando em miúdos o “post” de ontem


Seria melhor ter escrito “tentando trocar”, já que a comunicação escrita, por melhor que se a faça, é sempre deficiente ou no mínimo incompleta, um detalhe curioso que escapa aos nossos irmãos separados, os chamados “protestantes”, os quais hipervalorizam a leitura da Bíblia.

Comecemos, pois, pelo final do “post” de ontem. Foi citada uma antiga historieta a respeito do famoso quadro onde a porta em que bate o Cristo não tem trinco, fechadura ou qualquer peça que a faça abrir pelo lado de fora.O conto termina com a explicação do pintor: essa porta é a do coração; só abre pelo lado de dentro.

Terminando de repente desse modo bem sugestivo, a narrativa pode deixar, no leitor desprevenido, a impressão de que o nosso relacionamento com o Senhor Jesus deva ser meramente de um tipo, digamos logo a palavra, “sentimental”, ou “emotivo”, já que o coração há milênios é, de fato, o símbolo da afetividade.

Ora, não pretendo entrar em contradição com o que escrevi ontem. Continuo dizendo que a historieta da porta sem trinco nem fechadura deve ser sempre lembrada. Entretanto, convém que nós cristãos liguemos à palavra “coração”, ali inserida, um significado muitíssimo mais rico, do qual participe não apenas a componente puramente afetiva.É preciso que dele, isto é, daquele significado, participe nossa faculdade mais nobre, a que nos coloca logo abaixo dos anjos, a nossa inteligência. Em resumo, nosso relacionamento com o Cristo precisa ser vital , tudo podendo ser sintetizado nesta pergunta nuclear:

- o que a pessoa de Jesus Cristo representa realmente em minha vida?

Da resposta leal a esta simples pergunta, formulada com apenas doze palavras, depende o meu comportamento neste mundo.Seja como bem comportado chefe de família ou como supostamente virtuoso eclesiástico (bispo ou padre, por exemplo), seja como um competente funcionário do governo ou como um honrado homem do comércio, seja como um despreocupado artista ou como um dinâmico político – qualquer um de nós que se apresente como cristão tem que estar, a qualquer hora, em qualquer instante, pronto a dar, a si próprio, uma resposta àquela pergunta. Caso contrário, isto é, se aquela pergunta e nada para nós forem a mesma coisa, então seria melhor largar de mão qualquer “prática religiosa” (entre aspas para ressaltar a mediocridade desse modo de agir), deixar de assistir mecanicamente às missas dominicais, parar de receber de modo leviano os sacramentos e vai por aí.

Neste exato segundo em que meus dedos batem nas teclas deste computador, note bem leitor amigo , neste exato instante, se o que me move for apenas o desejo de exibir um “diletantismo beato” – quod DEUS avertat - seria melhor que os meus dedos se quebrassem, se entortassem, do que eu cometer a suma indignidade de mentir em assunto de infinita importância.

No mesmo “post” de ontem comentei as reações diversas que os homens da longínqua Palestina mostravam diante dos milagres de Jesus.Posso ter passado ao leitor a superficial idéia de que tudo se passa como se estivéssemos confortavelmente sentados, na cômoda poltrona do presente, analisando de longe um fato histórico, do qual fôssemos meros espectadores. Não, amigo leitor , por favor, não cometa esse perigoso equívoco. Na verdade, sob certo aspecto, nós estamos todos na antiga Palestina. Nós todos temos que nos posicionar lealmente diante de Jesus, o Cristo.

Isso é o mais relevante. O resto, meus amigos, são as costumeiras fofocas políticas e outras, divulgadas pela mídia, com o seu habitual estardalhaço.

[Gostaria muito de receber, dos amigos , um retorno ao “post” de hoje].


posted by ruy at 1:21 da tarde

9.11.04

 


Voltando ao tema da liberdade humana


Faz poucos dias fizemos algumas considerações sobre a liberdade humana.Revendo o “post” em que o assunto foi tratado por mim, notei que seria proveitoso se agora fosse feita uma outra abordagem, digamos, mais útil, mais pragmática – segundo a entendo – para os cristãos, em geral, e especialmente para nós católicos..

Hoje pela manhã ia o Ruy na condução que diariamente o leva para o trabalho quando percebeu, sentada ao seu lado, uma senhora que lia, com muita atenção, certo romance que – segundo dizem – já rendeu uma fortuna ao seu autor. Trata-se do super badalado “O Código da Vinci”. Esse livro, infelizmente, já passou pela ingênua leitura de milhares e milhares de batizados, católicos e protestantes, razão pela qual já foram editados pelo menos dois livros que desmascaram as mentiras, os embustes e as meias verdades escritas pelo sr. Dan Brown, nessa altura bastante rico com a venda desse enganador produto de sua fértil imaginação.

Um dos livros que estão prestando esse benefício de alertar os leitores incautos foi escrito pelo teólogo protestante Darrel L. Bock, PhD , e tem por título: ”Quebrando o Código da Vinci”, editora Novo Século..O outro livro, já recomendado duas vezes por mim neste “blog”, é o da professora católica Amy Welborn: “Decodificando da Vinci” , editora Cultrix.

Ora, esses dois livros poderiam ser classificados como literatura apologética a favor do Cristianismo, classificação essa que não os desmerece, mormente nesta época em que a cultura religiosa dos cristãos não tem andado em bom nível. Entretanto, acho que o grande mérito dessas duas oportuníssimas obras talvez esteja mesmo no fato de que elas podem fazer-nos, a nós cristãos, refletir mais, muito mais, sobre o mistério de nossa crença. E aqui a palavra mistério tem um sentido muitíssimo diferente daquele que atrai a gulosa curiosidade dos desprevinidos leitores de Dan Brown.

Infelizmente, muitos de nós não temos o bom hábito de ler com bastante atenção os evangelhos.Pois bem, uma leitura séria desses livros poderia fazer-nos refletir com proveito sobre uma realidade muitas vezes despercebida por nós. Refiro-me ao incontestável fato de que, apesar dos inúmeros e assombrosos milagres feitos por Jesus, curando doenças, ressuscitando mortos, expulsando demônios, multiplicando pães, apesar dessa pletora de atos milagrosos, não existia unanimidade dos judeus no que toca à aceitação do Cristo como o Messias prometido. E é aqui, justamente esse fato, que o “post” de hoje vai focalizar.

Para nós cristãos, Jesus Cristo é o próprio DEUS encarnado, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Ora, sendo Jesus o Verbo Encarnado, por que ele não forçou, não obrigou aquela população judaica a acreditar n’Ele? Por acaso, leitor amigo, você já teria pensado nisso? Não causa espanto a você, leitor, o fato de o Cristo ressuscitado não haver dado um tremendo susto em Pilatos e nos fariseus que haviam montado o doloroso drama do Calvário? Reflita demoradamente sobre isso, leitor amigo.
[Um grande mérito cabe a Mel Gibson, o de ter usado a moderna cinematografia para nos mostrar o quão terrível foi a Paixão de Nosso Senhor]

Pois é, DEUS não violentou a liberdade daqueles judeus, daqueles romanos.Nem tão pouco, indiretamente, usou o testemunho dos que acreditavam para forçar os outros a acreditarem também.

Faz poucos dias, meu amigo B..., em conversa comigo, comentava o celebre quadro em que aparece o Senhor Jesus batendo à porta de uma casa, e essa porta é completamente lisa, não tem trinco, não tem fechadura.Quando perguntaram ao pintor se ele não havia se esquecido desse detalhe, o artista explicou: “essa porta é a do coração, só abre por dentro.” .



posted by ruy at 1:09 da tarde

 

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