Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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7.11.04

 
Em torno da imaginação


[Este é um “post” que certamente vai desagradar a maioria dos leitores deste “blog”, alguns deles com mais desagrado, muito mais que os outros]

Há muitos e muitos anos um escritor francês (Malebranche) cunhou esta frase referindo-se à imaginação:
La folle du logis (“A louca da casa “)
e ela vem sendo repetida até hoje por gregos e troianos.

Pascal, em um de seus famosos Pensées , faz este comentário:
Imagination. — C'est cette partie dominante dans l'homme, cette maîtresse d'erreur et de fausseté, et d'autant plus fourbe qu'elle ne l'est pas toujours; car elle serait règle infaillible de vérité, si elle l'était infaillible du mensonge. Mais, étant le plus souvent fausse, elle ne donne aucune marque de sa qualité, marquant du même caractère le vrai et le faux.

Veja bem, leitor: “mestra do erro e da falsidade” .Assim o grande pensador cristão do século XVII referia-se a essa utilíssima faculdade do ser humano, sem a qual o próprio processo do ato de conhecer torna-se praticamente impossível. E mais, necessária ao trabalho criador dos artistas e dos inventores.Por que, então, homens cultos e inteligentes escreveram comentários tão duros contra a imaginação?

Respondendo a esta razoável pergunta, vou levar o excurso deste “post” para o tema que poderíamos chamar “a difícil “arte de ser católico. Arte, sim, porque arte, neste contexto, meus amigos, refere-se ao agir humano, e não ao fazer , estando, pois, conexa ao ethos , à moral.

Por várias vezes citei neste “blog” os versinhos de Murilo Mendes que, de novo, vou transcrever:

Senhor, minha prece se faz
em termos exatos:
- que os maus sejam bons,
e os bons não sejam chatos


Ora, cada vez que leio este pequeno poema fico imaginando que Murilo, quando o escreveu, estava mesmo pensando em nós católicos, ele incluído.

Nós, católicos, sabedores do fato de estarmos com a razão, sabendo-nos depositários de uma longa, milenar tradição de sabedoria, cientes do maravilhoso tesouro dos sacramentos posto à nossa disposição – sabedores de tudo isso e muito mais, imaginamo-nos já realizados, sem maiores problemas que não seja o de evitar um aleatório pecado mortal.

E às vezes acontece conosco uma rasteira da imaginação. Ela leva nossa sensibilidade para um distante mundo fantasioso, tira nossos pés do chão, do solo em que deveríamos caminhar com humildade, isto é, reconhecendo nossas incontornáveis limitações. E essa fuga para o imaginário ocorre apesar de toda a doutrina católica de que há pouco nos orgulhávamos.Esquecemo-nos do fato de sermos do mesmo barro de que são feitos os não-católicos.E às vezes, por causa desse desligamento da realidade, fazemos certos julgamentos apressados e injustos...
Talvez tenha sido por isso que Murilo Mendes escreveu aquela oração em forma de poema

Camões, em uma famosa estrofe do final do Canto X dos Lusíadas, diz estas belíssimas palavras ao Rei de Portugal.:

A disciplina militar prestante
não se aprende, Senhor, na fantasia ,
sonhando, imaginando ou estudando,
senão vendo, tratando e pelejando.


O poeta, é óbvio, está pensando na guerra, está alertando seu Rei para a dura realidade das batalhas. Porém, neste momento é bom lembrar São Paulo, quando ele faz uma analogia de nossa vida cristã com um permanente combate. Vale, portanto, aplicar, “mutatis mutandis”, aquela estrofe camoniana ao nosso viver cotidiano.

Que me desculpem os que ficaram mais aborrecidos com este “post”


posted by ruy at 9:46 da manhã

6.11.04

 


A liberdade humana


Peço ao leitor que note, logo de início, o adjetivo usado por mim no título deste “post”.Por que “humana” ? A razão desse qualificativo está na existência dos anjos, os quais também são – e com muito maior intensidade – livres.

Bem, se este excurso continuasse a partir desta inicial justificativa, iríamos entrar agora pelos amplos e complexos temas da Criação, nela incluída a realidade do tempo , essa silenciosa e onipresente categoria aristotélica que Santo Agostinho afirmava conhecer e,. ao mesmo tempo, se dizia incapaz de explicá-la a quem lhe pedisse a definição.Não, o enfoque que vou adotar a seguir é, por assim dizer, mais pragmático.

Quase inútil será lembrar ao leitor que, todo dia e a todas as horas, vimos recebendo, através da televisão, dos jornais e da Internet, uma imensa quantidade de informações, de notícias sobre fatos que provocam nas pessoas normais uma reação ética de aborrecida ou até mesmo indignada desaprovação. Nesses fatos incluem-se os episódios sangrentos – todos – dos combates no Iraque ou na Faixa de Gaza, os casos de corrupção política neste e em outros países, os crimes brutais e covardes cometidos contra pessoas inocentes e desarmadas, e até mesmo a tola e imprudente brincadeira (...) dos jovens brasileiros que, prestes a embarcar em um aeroporto dos Estados Unidos, declararam que em sua bagagem estaria oculta uma bomba...

Antes de continuar, um parêntese.Mais uma vez é bom lembrar que o conceito “normal” relaciona-se, em bom português, a uma coisa existente cujo estado cumpre as exigências de sua natureza .

Ora, o ser humano “normal”, havendo atingido um certo nível de maturidade, tem dentro de si, independente do seu grau de instrução, a noção do que seja moralmente certo e do que seja moralmente errado.Essa noção do certo e do errado pertence à natureza humana.Essa noção está presente não só entre os habitantes dos paises ditos mais civilizados como entre os povos mais primitivos e que habitam em locais distantes e de difícil acesso neste planeta.

Admitido, portanto, como normal essa característica do ser humano, torna-se fácil entender que somos responsáveis por nossos atos. Nós os realizamos com nossa liberdade.E é justamente o fato dela existir que confere pleno direito às nossas críticas, serenas umas, indignadas outras, aos fatos acima mencionados.

Um leitor atento, neste ponto da minha exposição de idéias, pode mesmo comentar assim:
- “esse Ruy, coitado, é um mesmo um tremendo admirador do Conselheiro Acácio!...”
Pois é, leitor, no que toca a essa, digamos rotina do cotidiano, talvez eu tenha mesmo escrito superficiais obviedades. Porém, ao escrever o “post” de hoje, meus amigos, eu estava pensando de fato era na terrível simetria da liberdade humana.A mesma liberdade que fez certo dia uma jovem adolescente, de treze ou catorze anos, chamada Therèze Martin, procurar o papa de sua época (Leão XIII) e pedir-lhe permissão para ingressar com aquela idade no Carmelo de Lisieux, onde ela ficaria reclusa até morrer, aos vinte e quatro anos , dizendo, ao espirar, estas últimas palavras:
- TOUT EST GRÂCE. MON DIEU, JE VOUS AIME !-
essa mesma liberdade permite ao ser humano, permite a qualquer um de nós – deliberadamente – seguir na direção inversa à de Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.

Você, amigo leitor, já teria refletido na existência dessa terrível simetria? Por que você acha que o Verbo de DEUS se encarnou e habitou entre nós? O que você entende por Salvação ?
Reflitamos sempre sobre isso.


posted by ruy at 10:44 da manhã

5.11.04

 

Respondendo a um leitor amigo


Prezado H...,


Em sua última mensagem, recebida hoje de manhã, referindo-se a um “post” do DD, você escreve o seguinte :

Tenho uma pergunta sobre seu “post” do dia 18/10 onde leio estas palavras: “(...) Ora, a arte autêntica, principalmente a música, a boa música, a chamada erudita , tem este papel essencial em nosso drama: fazer com que, apesar de todos os nossos sofrimentos, levantemos nossa cabeça à procura de uma resposta à incômoda pergunta: qual é o sentido de tudo isso?”.

Como a arte nos leva a esta pergunta ? O que na música erudita nos faz perceber o mistério?


Amigo H..., começo a resposta à sua atenciosa pergunta dizendo que não sou músico. Simplesmente aconteceram ao longo da minha vida, desde a infância, muitas felizes circunstâncias e oportunidades que favoreceram o que eu poderia chamar, um tanto pretensiosamente, a educação da minha sensibilidade musical , um processo que deveria ocorrer com todos os adolescentes quando passassem pelo curso secundário. Entretanto, esse processo não ocorre – infelizmente – porque em nosso país, em vez de seguirmos as sábia idéias de Mortimer Jerome Adler, transformamos aquele nível de ensino em mera ponte para o vestibular.

A música erudita - diferentemente da música popular , que é mais telúrica, que se dirige mais às nossas emoções - está orientada, simultaneamente, à nossa sensibilidade e à nossa inteligência.Desse modo, acho que podemos afirmar que a música erudita, que muitos erradamente chamam de “clássica”, se adapta melhor à nossa natureza, já que somos “animais racionais”. Não somos anjos.E nem tão pouco somos bichos.

Talvez por vezo de professor, amigo H..., tenho uma tendência a dar exemplos para melhor fazer-me compreendido. Começo, pois, lembrando um excelente filme, estrelado pela notável Glenn Close, que é o “Paradise Road”, cujo enredo baseia-se em um fato acontecido na segunda Guerra Mundial.

Um grupo de mulheres prisioneiras em um campo de concentração japonês luta para sobreviver às naturais agruras do cativeiro e aos maus tratos dos que dirigem o campo.De repente elas, fazendo um planejamento para comemorar o Nascimento do Cristo, resolvem ensaiar um coral, e escolhemm como tema do canto justamente o Largo da Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorak. A cena é belíssima e comove-nos de modo especial porque vemos até os soldados ficarem parados, admirados, ouvindo aquela serena melodia.

Observe bem, H..., o nome do filme: “Estrada do Paraíso” .Essa estrada passa pelo sofrimento; não é um caminho sempre risonho. Entretanto, aquela música fala da Esperança , com E maiúsculo. Tente achar e ver esse filme.

Não sei se você conhece, se você já ouviu a Nona Sinfonia de Beethoven. Se não a conhece, tente achar uma boa edição em CD e escute essa magnífica obra do genial músico alemão. E quando ouvir os compassos do Terceiro Movimento, H..., lembre-se disto: aquela melodia foi composta por um surdo, um homem que nem mais escutava os aplausos calorosos do público quando terminou o vibrante Quarto Movimento.E, ao escutar aquele Terceiro Movimento, não se envergonhe se as lágrimas lhe vierem ao rosto.

Um parêntese. Há uma ótima biografia de Beethoven, traduzida em português, prefaciada pelo falecido economista Mario Henrique Simonsen, no tempo em que nossos economistas tinham senso poético.

Agora eu poderia ficar falando em Debussy, músico bem diferente dos dois outros acima citados.Músico por quem tenho especial agrado.Quando escutamos esse impressionista, parece que voltamos a ser crianças, não por meio de um ridículo infantilismo, porém, sim, por um mágico encontro com as coisas mais simples que estão perto de nós, e nós, distraídos, deixamos de vê-las com a alegria do primeiro encontro.Procure escutar, por exemplo, o “Deux Arabesques”, ou o “Reverie”. Se for de noite de luar e você estiver em silêncio, ouça o “Claire de Lune” desse compositor francês que foi apaixonado pela irmã de Paul Claudel. Ou quem sabe, tente imaginar uma cena bucólica onde apareça, descontraída e distante, “Une Jeune Fille aux Cheveux de Lin”.

Bem, H...,acho que tentei, de modo desajeitado, responder à sua educada pergunta.
Um abraço cordial.
Ruy.


Envio também um grande abraço para os meus dois amigos músicos – eles, sim, músicos de verdade – A.V. e S.A.B.


posted by ruy at 11:39 da manhã

3.11.04

 


Tentando ser útil


Muitas vezes, e com maior intensidade nestas duas últimas semanas, venho sentindo-me como um autêntico peixe fora d’água. Como um estranho no ninho...Cheguei até a pensar em terminar com este “blog”, só não tendo feito isso graças à insistência de um jovem leitor amigo.De fato, se o leitor observar com atenção a pletora de “blogs” que fluem pela Internet, vai perceber que a imensa maioria deles é, conforme me disse há poucos dias um grande amigo, o que se pode chamar um diário aberto .

Ora, sendo um diário e aberto , é bastante natural e compreensível que um “blog” em geral mostre, ao eventual e curioso leitor, os sonhos, as idiossincrasias, as queixas, os queixumes, as fantasias, as angústias, as divagações, as alegrias, as esperanças, enfim, tudo o que possa estar no coração de quem edita o “blog”. Os “posts” nascem de uma difusa sensibilidade poética de quem os escreve.

Acontece que o DD não é, ou não pretende ser, o meu diário, mesmo que, de vez em quando, saiam aqui publicadas algumas ousadas, pretensiosas, desajeitadas tentativas poéticas do Ruy...Vejo na maioria dos meus “posts” - muitos deles escritos de modo apressado e com certa perceptível deselegância na forma - um modo canhestro de dar meu testemunho de cristão católico, testemunho de alguém que, apesar de seus muitos defeitos e falhas (os quais peço a DEUS que me perdoe.), ama a Igreja .

Feita esta introdução – que estava contida na garganta - vou ao tema de hoje, um tema que julgo muito oportuno e por isso mesmo bastante útil ou, pelo menos, útil ao leitor realmente católico. Trata-se de divulgar um livro. Um livro de apenas 136 (cento e trinta e seis) páginas, nelas incluídas a folha de face e o sumário, portanto um livro pequeno. Pequeno e barato; custou-me menos de vinte reais.Seu título:
- “DECODIFICANDO DA VINCI” , e sua autora é:
- Amy Welborn, que é Mestre em História da Igreja , pela Universidade de Vanderbilt.
A tradução é de Rosane Albert e a editora é a Cultrix, edição deste ano.

Em vez de fazer um comentário pessoal sobre esta obra de leitura essencial, passo a palavra à autora e transcrevo o seguinte trecho, colhido no início do livro:

Você não precisa ter lido O Código da Vinci para tirar proveito da leitura deste livro [isto é, o livro de Amy]. Um resumo detalhado do enredo é fornecido para que você possa compreender os temas mais importantes levantados pelo romance e ficar mais bem informado quando for conversar a respeito dele com outras pessoas.
Em Decodificando da Vinci , tratei das perguntas que me foram feitas com mais freqüência pelos leitores do romance, particularmente com relação a temas históricos e teológicos. Você também vai encontrar textos em boxes que corrigem muitos dos erros e incorreções menos importantes que aparecem em O Código da Vinci
[até aqui, as palavras da autora do livro]

Bem, agora, mais uma vez sem fazer nenhum comentário, digo apenas isto aos bem poucos leitores deste meu pouco simpático “blog” :

- Por favor, comprem e leiam o livro de Amy Welborn ! Repito: por favor, comprem e leiam o livro!


posted by ruy at 4:25 da tarde

1.11.04

 

Padre Leonel Franca


Ontem, ao bater um papo, via Internet, com um jovem e amigo leitor do DD, lembrei-me de certo fato ocorrido em minha infância ou início da adolescência, ocasião em que, pela primeira vez, ouvi o nome do padre Leonel Franca S.J. , ligado a um dos vários livros escritos por aquele famoso jesuíta: “Noções de História da Filosofia”.

Acabei de escrever “famoso jesuíta” e logo me sinto meio sem graça, como alguém que acaba de cometer uma gafe, ou pagar um mico , como hoje dizem os moços. De fato, quem hoje em dia, mesmo entre os católicos de bom nível de instrução, sabe quem foi ele e qual a importância daquele homem pequeno, de saúde frágil, que, entre outras obras feitas em prol da cultura deste país, foi o fundador da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro?

Se o leitor pesquisar na Internet dados biográficos do Padre Franca, vai achar, por exemplo, simplesmente isto:

Membro da Companhia de Jesus. Doutorou-se em teologia e filosofia pela universidade Gregoriana em Roma. Participou do Conselho Federal de Educação em 1931 e foi fundador das Faculdades Católicas, atual Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1941), sendo seu primeiro reitor. Foi notável defensor do pensamento católico, exercendo longa atividade no magistério. De sua obra, destacam-se: Noções de história da filosofia (1918); A Igreja, a reforma e a civilização (1923); A crise no mundo moderno (1941); Imitação de Cristo (1944).

Pois é, foi apenas isso mesmo o que encontrei em certo arquivo da “web”...É, portanto, bem triste o ponto a que chegamos neste país no que se refere ao nosso injusto esquecimento de um dos seus mais ilustres filhos...

No começo da década de 80, o padre A.Alonso S.J., professor na PUC-Rio, que havia sido companheiro e amigo do padre Franca, editou uma série de livros que reuniam crônicas publicadas nos jornais desta cidade, de autoria dele, padre Alonso. Tais crônicas versam sobre o grave problema cultural do mundo moderno, neste incluindo, é claro, o Brasil. Problema que, para tristeza nossa, envolve os próprios eclesiásticos, bispos e padres.
Padre Alonso chamou aquela coleção de “Reflexões pedagógicas”.Na Introdução do quarto volume -intitulado “Luz e sombras no devir do humanismo” – o autor presta uma homenagem In Memoriam ao padre Leonel Franca.

Nessa comovida homenagem lemos estas palavras:

No tríptico do Pe. Franca: “Humildade, Oração, Sacrifício” o painel central da união com DEUS completava-se, na segunda meia porta, com o emblema da “Caritas non ficta”, a Cruz.
Este será sempre o segredo mais íntimo da santidade: humildade feita união com DEUS e abraçando generosamente, com a renúncia de si mesmo: a Cruz! por amor aos irmãos.


Sim, santidade . O padre Leonel Franca notabilizou-se como intelectual, como um homem de vasta cultura geral, filosófica e teológica. Entretanto, era, sobretudo, um santo.Quando morreu, aos 55 anos, em setembro de 1948, seu sepultamento teve a presença de uma reverente multidão, de que faziam parte não apenas homens de alta posição no governo e na diplomacia, não somente escritores e artistas renomados, mas, também estavam ali, para darem seu último e agradecido adeus ao bom sacerdote, centenas e centenas de pessoas comuns, pessoas pobres que o amavam. Acontecia com o nosso querido jesuíta o mesmo que ocorreria mais tarde, na Europa, no sepultamento do insigne teólogo Monsenhor Charles Journet


Tentem encontrar pelo menos o livro ”Noções de História da Filosofia” , do padre Franca.


posted by ruy at 4:25 da manhã

 

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