Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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24.10.04

 
As circunstâncias


Já li várias vezes que o grande filósofo Ortega y Gasset teria dito que cada um de nós é sua própria pessoa e as circunstâncias em que vive.Eu sou eu e minhas circunstâncias. No meu modo de ver, aquela frase pode induzir a uma atitude, digamos assim, , negativa , algo semelhante ao fatalismo de certas concepções religiosas distantes do cristianismo.

Posso fazer uma demorada análise introspectiva e descobrir sobre mim mesmo algumas circunstâncias bem desfavoráveis que condicionaram minha personalidade, que explicam por que hoje tenho certas tendências , digamos, pouco simpáticas, tais como uma propensão à ira e à impaciência. E daí? Mesmo que isso seja verdade, esse penoso exercício de “psicologismo” não vai ajudar-me na existência, mormente em minha existência como cristão, a menos que coloque leal e humildemente essa descoberta incômoda diante do Cristo, Nosso Senhor. Note bem, amigo leitor: leal e humildemente , do mesmo jeito como o publicano fez dentro do templo (ver o evangelho deste domingo).

Convém lembrar ainda que, como cristão católico, tenho ao meu dispor o sacramento da penitência. Esse dom divino ultrapassa de modo infinito a terapêutica do mais atilado psicólogo ou psicanalista.

Algum eventual leitor dirá neste exato instante:
- “é Ruy, mas nem sempre é fácil achar um bom confessor...”
Concordo. Porém, uma das dramáticas três vezes em que eu, Ruy Maia Freitas, obtive a providencial intercessão de Nossa Senhora, meus amigos, foi justamente quando, certa vez, precisei achar um bom confessor.E nunca é demais lembrar as palavras de Jesus:

Pedi e recebereis

Quem está dizendo esta frase, leitor amigo, é o próprio DEUS Encarnado.

Coincidentemente, ontem à tarde estive relendo Chesterton, o inigualável Chesterton. Ora, uma das boas coisas que podemos obter na leitura do saudoso ensaísta inglês é justamente a injeção, em nosso espírito, de um sadio “otimismo cristão”, essa atitude que abre o coração e, mais que ele, abre nossa inteligência para o radioso mistério da Criação e o ainda mais brilhante mistério da Salvação (desculpem-me pela ocorrência múltipla dos vários “ãos “

Por tudo isso, mesmo que Ortega y Gasset esteja certo, aprendamos com Chesterton a arregalar nossos olhos para o exterior de nós mesmos e a confiar de fato na Graça divina!
Um bom domingo para os leitores deste “blog” !


posted by ruy at 7:29 da manhã

23.10.04

 
Pensar


Pensar é o trabalho mais difícil, provável razão pela qual tão poucos a ele se dediquem

Esta frase não é de um grande pensador, nem de um literato.Eu a aprendi faz uns vinte e poucos anos quando trabalhei em uma firma de engenharia; ela vinha sempre impressa na folha de face dos compêndios dos projetos feitos pela empresa.Seu autor: Henry Ford, o famoso industrial americano.

Pois bem, em que pese à dificuldade dessa tarefa, vamos, mais uma vez, tentar realizá-la neste “blog”.

Um jantar de congraçamento onde se reúnem colegas e amigos que, ao longo dos anos, ficaram uns mais outros menos unidos pela mesma profissão, sempre pode ser uma ocasião para observarmos as diferentes atitudes das pessoas diante da vida. É ocasião para darmos um balanço em nossa própria “filosofia de vida”. Eis algumas perguntas que, talvez, poderemos fazer a nós mesmos:

- o que é mais importante para mim, a realidade das coisas ou a minha opinião sobre elas?
- agora que os naturais achaques da idade começam a pesar sobre mim, como me posiciono diante da iniludível aproximação da morte?
- o que significa para mim ser, por exemplo, um católico?
- houve algum dia em que refleti seriamente sobre o que representa para mim um certo homem chamado Jesus Cristo?
- alguma vez já parei para pensar, de modo tranqüilo e isento, sobre a misteriosa realidade do sexo?
- tenho rezado habitualmente ou só me lembro disso nas ocasiões de grandes dificuldades?
- já teria passado pela minha cabeça a idéia de que sou responsável por muito do que meus filhos fizeram ou deixaram de fazer, fazem ou deixam de fazer?
- quando penso neles, nos meus filhos, só me preocupo com que eles sejam simplesmente honestos, trabalhadores e bem comportados chefes de família? Só isso?

Enquanto os garçons vêm e vão levando cervejas e refrigerantes, enquanto as conversas se sucedem entremeadas de sorrisos descontraídos, haverá dentro de nós um pouco de silêncio interior permitindo que perguntas como estas e outras parecidas sejam feitas aos nossos botões? Na próxima festa que você for, amigo leitor, experimente pensar sobre este assunto.

Faz poucos dias um jovem companheiro de trabalho me perguntou:
- “ Professor Ruy, o sr. acredita em reencarnação?”
Respondi a ele que não, que não acredito, e logo em seguida tentei de modo canhestro explicar, ou melhor dizendo, tentei alertar o professor mais jovem sobre o significado, sobre o mistério do que seja uma pessoa .
Aquele rapaz com quem eu conversava é um competente engenheiro e dedicado professor.Entretanto, quantas vezes ele terá refletido sobre isto: o que é uma pessoa ?

Infelizmente não tive tempo para continuar aquele diálogo.Mas, aquilo fez-me pensar .Quantos engenheiros, quantos brilhantes pesquisadores universitários são capazes de pensar sobre certas realidades muito mais importantes que as existentes no mundo da ciência e da tecnologia?



posted by ruy at 6:18 da manhã

18.10.04

 
Alguns pontos “absolutos”
(ou absolutos pelo menos para mim )


O papel da arte - Observando a indiscutível transitoriedade da nossa vida biológica, a irreversível entropia do universo e os males de todos os tipos que o ser humano enfrenta há milhares e milhares de anos, uma compreensível atitude seria a de um generalizado epicurismo , telúrico, acomodado, egoísta e mau. Ora, a arte autêntica, principalmente a música, a boa música, a chamada “erudita”, tem este papel essencial em nosso drama: fazer com que, apesar de todos os nossos sofrimentos, levantemos nossa cabeça à procura de uma resposta à incômoda pergunta: qual é o sentido de tudo isso?


A essencial alegria - Há quase exatamente quatro anos, o papa João Paulo II beatificou o monge beneditino irlandês Dom Columba Marmion. Aqui no Brasil podem ser encontrados pelo menos três livros sobre espiritualidade escritos por Dom Marmion e traduzidos para o português: “Jesus Cristo, ideal do monge”, “Jesus Cristo nos seus mistérios” e “Jesus Cristo, vida da alma”.
Faz muitos anos, esse monge recém beatificado esteve visitando o Brasil. Como não conhecia o Rio, quando saía pela cidade era acompanhado por um monge brasileiro. Pois bem, esse cicerone mais tarde contava, um pouco assustado, que a tarefa de acompanhar Dom Marmion tinha sido semelhante à de pajear uma criança, tamanha a candura, tamanha a simplicidade do visitante, que irradiava a santa alegria dos puros de coração, aquela que deveria ser permanente em nossas vidas.


“Gostar de” e “amar a” - Usando a conhecida frase de Nelson Rodrigues, a diferença entre estas duas atitudes deveria ser para nós um óbvio ululante .Digo “deveria” porque, infelizmente, temos o mau costume de usar aquelas duas expressões como se sinônimas fossem...
Às vezes levamos anos e anos a fio até descobrirmos, depois de muitos tropeços, a nuclear diferença..Neste momento é oportuno lembrar que o Cristo não mandou que gostássemos de nossos inimigos. Ordenou-nos, sim, que os amássemos. Amar é querer o bem de alguém, isto é, desejar o bem para alguém.Quanto maior o bem, maior o nosso amor por essa pessoa. Ora, que bem pode ser maior que a santidade? E agora uma perguntinha meio incomodativa: quantos de nós “amorosos” estamos de fato ligados nesse tipo de amor? E se ele não existe, como esperar que a nossa humana sociedade seja mesmo uma sociedade humana ?


Foi ontem! - Esse ontem, meus amigos, é apenas o espaço de vinte e um séculos.Não adianta embromar. Notem que na antiga Palestina, no tempo dos primeiros apóstolos, muita gente não acreditava nos seguidores de Jesus. Não havia unanimidade de crença. Os fariseus continuavam fariseus. Saulo, fariseu convicto, honestíssimo seguidor das tradições judaicas, foi derrubado do cavalo na estrada de Damasco. Por que ele? Talvez porque fosse sincero. Só DEUS é quem sabe o porquê..
De lá para cá, temos uma longa cadeia de mensageiros, uns transmitindo para os outros, sem parar, a jubilosa novidade: Jesus ressuscitou dos mortos! Cada um de nós deveria colocar-se livremente nessa longa cadeia que começou ontem, sendo este ontem o século primeiro da nossa contagem cronológica.


posted by ruy at 5:56 da tarde

 

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