Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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26.9.04

 
O grande perigo de ser bem sucedido


Creio que já contei o fato, mas, acho que ele de vez em quando é bom ele ser lembrado.
Faz mais ou menos uns trinta anos, reencontrei por acaso um certo senhor que eu conhecera na minha infância e a quem fazia tempo eu não via. Ficamos conversando durante uns quinze minutos.Lá por umas tantas, essa pessoa, olhando para mim, disse em tom de voz sentencioso: “Sabe, Ruy, há três coisas perigosas na vida de um homem: jogo, bebida e mulher!”

Pego desprevenido e constrangido pela diferença entre nossas idades, não quis retrucar. Mas, para os meus botões eu dizia: “é, de fato são perigosas, porém, o perigo maior é a ambição de poder”.

Hoje, com a chegada dos cabelos brancos, vejo que há um perigo ainda mais traiçoeiro que essa ambição de poder.É o perigo de ser bem sucedido na vida.Seja em algum tipo de profissão liberal, seja na carreira política, seja em alguma forma de serviço público. E até mesmo entre eclesiásticos isso pode acontecer... .

Se o bem sucedido for adepto de uma ou de outra modalidade de ateísmo, talvez pense assim: “nunca precisei rezar para conseguir meus bens, para ter o conforto em que eu e minha família vivemos; nunca precisei preocupar-me com um DEUS pessoal, que não vejo e em que não acredito, para bem gerir meus negócios, para obter meus lucros e manter o meu prestígio.Por que iria angustiar-me com religiosidades? Aliás, acho mesmo que esse pessoal carola merece mais é o riso de quem é inteligente”

Se o bem sucedido for, por exemplo, um católico acomodado (antigamente dizia-se: um católico aburguesado), talvez ele pense deste jeito: “nunca precisei ficar em recolhimento, em meditação solitária, em duras penitências; nunca senti necessidade de ler livros sobre assunto ligado à religião, nunca me angustiei com essas idéias de Céu e Inferno, para chegar ao meu nível de realização na sociedade.Então, por que iria me preocupar agora se não com a minha tranqüila missinha aos domingos?”

Pois é, meus amigos, infelizmente este é apenas um pedaço do sombrio cenário da moderna e orgulhosa civilização ocidental...


Média e normalidade


Um dos muitos assuntos clara e precisamente explicados no magnífico ensaio histórico que é o livro DOIS AMORES, DUAS CIDADES é a diferença entre os conceitos de média e normalidade

Contou-me um amigo que certa vez foi a um consultório médico, acompanhando sua esposa a um especialista em doenças de senhoras.Lá chegando, a mulher do meu amigo, depois de expor ao médico os problemas por que estava passando, fez este comentário: “mas, isso tudo é normal, não é mesmo, doutor?” E veio a rápida resposta:
- “Não senhora! É comum, sim, mas não é normal!”

Quando meu amigo me contou isso, comentei para ele: “sábio médico esse!”

De fato, infelizmente está generalizado o uso errado – e por isso mesmo perigoso – da palavra “média” como se ela fosse correlacionada com o vocábulo “normalidade”.
Definindo de modo correto:
- “Diz-se que uma coisa existente é normal quando cumpre as exigências de sua natureza” Portanto, não é forçosamente normal algo que, em média , ocorra muitas vezes.

Um exemplo de algo que deveria ser óbvio:
- o uso do sexo é normal quando é feito por um homem e uma mulher.
Deveria ser óbvio, mas estamos vivendo um trágico final de civilização.Por causa disso, vemos freqüentemente, em diversos países (incluindo o nosso...) dito civilizados, absurdas paradas “gays”, e pior, prestigiadas por governantes demagogicamente irresponsáveis.


William George Ward


Uma das boas coisas da Internet são certas agradáveis surpresas que recebemos de vez em quando.Ontem, um velho amigo enviou um e-mail que trazia uma citação de um tal “William G. Ward”.
Curioso, fui ao Google e acabei descobrindo quem foi William George Ward.Está ali, num “site” católico americano, um bom resumo biográfico sobre esse ilustre pensador inglês do século XIX.

William G. Ward educado na fé cristã da Inglaterra, mais tarde converteu-se à Igreja, tendo sido companheiro daquele que seria o futuro Cardeal Newman, um dos intelectuais que inspiraram o renascimento do catolicismo inglês.Chegou a ser ardente defensor da infalibilidade do Papa.

Dotado de forte inclinação para os estudos matemáticos, tendo neles provado seu desembaraço, depois mostrou não menor capacidade para os estudos metafísicos.
Em um dos vários “sites” que falam sobre Ward lemos que he was endowed with a strong sense of humour and a love of paradox carried to an extreme.. Se foi assim mesmo, podemos dizer que ele foi notável antecessor de Gilbert Keith Chesterton

Em outro “site”, desta vez em espanhol, localizamos estas citações, das quais a terceira foi a que o meu amigo enviou em seu e-mail:

As oportunidades são como as alvoradas: se alguém espera demais, perde-as.

Saber escutar é o melhor remédio contara a solidão, a loquacidade e a laringite.

O pessimista se queixa do vento; o otimista espera que mude; o realista ajusta as velas.


posted by ruy at 2:37 da tarde

25.9.04

 
O Mistério da Igreja


[Este é um “post” que resolvi escrever depois de ter recebido certa mensagem pela Internet.Vai editado, pois, em especial atenção à pessoa que me enviou a mensagem]

Ontem, ao ministrar minha aula, ressaltava para os alunos a boa qualidade do livro-texto que há muitos anos adoto na cadeira por mim lecionada, livro que já está na quarta edição.E, ao fazer meu comentário, lembrava aos moços que existe uma diferença entre ler e tresler . Segundo o dicionário, “tresler” é ler às avessas, enganar-se, errar, isto é, fazer uma leitura mal feita, deixando muitas vezes escapar pontos essenciais do que está escrito. Bem, quando isso acontece na leitura de um livro didático de engenharia, o aluno que tresleu poderá receber o aviso corretivo do grau baixo na prova. Porém, se o livro for o livro por excelência , ou seja, se o livro for a Bíblia? De que modo poderia o leitor desatento descobrir seu erro de leitura?

Um parêntese.Estou supondo que o leitor deste “post” seja um cristão, isto é,alguém para quem a Bíblia é de fato um livro inspirado e Jesus Cristo é o Verbo de DEUS feito homem,

Se lermos de modo correto, como deve ser feita uma leitura inteligente, o Novo Testamento, há certas passagens que não deveriam passar despercebidas, como infelizmente muitas vezes acontece.Uma dessas dramáticas cenas é justamente a escolha de Simão, o impetuoso pescador, como pedra - cephas , a pedra sobre a qual o Cristo iria edificar sua Igreja. Escrevi a palavra com I maiúsculo; poderia tê-la escrito mesmo com minúscula.Neste caso eu escreveria então: a sua igreja, a igreja do Cristo .

Mas, Senhor, por acaso ignorais que esse homem a quem acabais de confiar a posição de liderança, o primado, o primeiro lugar entre os doze, é o mesmo homem que irá negar-vos, covardemente, três vezes na hora do perigo?

Por acaso ignorais que esse homem rude é o que menos longas e perigosas viagens apostólicas fará, é o que menos importantes e profundas epístolas doutrinárias e morais vai escrever a seus irmãos distantes?

Por acaso ignorais que esse mesmo homem um certo dia irá ser repreendido in faciem , isto é, publicamente, pelo apóstolo Paulo, por haver adotado certa atitude dúbia em uma delicada questão referente ao culto religioso?

E, afirmando solenemente que as Portas do Inferno não prevalecerão contra ela - o que equivale a dizer que essa Igreja deve continuar mesmo depois que aquele específico “pescador de homens”, aquele Simão tiver partido deste mundo – não sabeis que, em séculos futuros, outros “Pedros” vão proceder de modo leviano, escandaloso, chegando um deles a ser duramente criticado in faciem , cara a cara, publicamente, por uma pobre moça analfabeta chamada Catarina Benincasa?
Por acaso, Senhor, ignorais tudo isso? Mas, como poderíeis ignorar tudo isso se sois DEUS, se sois a Sabedoria Infinita?

Outra passagem que, lamentavelmente vem sendo, há séculos, treslida por gregos e troianos é a dramática cena do encontro da Virgem Maria com sua prima Isabel.O Magnificat .Note bem, leitor amigo: o nome do cântico de Nossa Senhora ficou para a posteridade conhecido, por todos os homens, em latim, isto é, na língua “öficial “ da Igreja (coloquei entre aspas, “oficial”, porque gregos e troianos não gostam dessa palavra, que eles consideram, erradamente, meio burocrática. Depois eu digo por que erradamente.)

Em certo instante daquele maravilhoso cântico, diz Nossa Senhora que todas as gerações a chamariam Bem-Aventurada. Ora, em que instituição humana, em que grupamento humano, ao longo destes dois mil anos, essa louvação da Virgem foi mais festivo, mais jubiloso a não ser nos ambientes conhecidos como “católicos” ? E é bom lembrar: a palavra “católico” significa “universal “.

E quem melhor soube escrever sobre o ultra dramático encontro de Nossa Senhora com o anjo Gabriel, escrever sobre aquele misterioso fiat de que dependeu a nossa salvação, se não o monge católico São Bernardo?

Sou filho de pequena cidade do interior paulista.Passei minha infância ouvindo DEZENAS de cantos festivos em honra de Nossa Senhora. Ainda ressoam na minha memória auditiva – graças a DEUS – os acordes melodiosos e os versos reverentes em louvor da Mãe de DEUS. Pude acompanhar a lenta e persistente construção da bela basílica de Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida, mais conhecida entre o povo simples por Nossa Senhora Aparecida, aquela a quem o Ruy invocou no exato segundo do desastre que, no mínimo, teria me deixado paralítico para sempre.

Nunca fui a Paris. Da França, conheço, apenas de passagem, Marselha.Mas, se um dia puder ir à capital francesa, se DEUS quiser pretendo ver de perto, frente a frente, a linda catedral de Notre Dame. Talvez eu chore; é direito de velho. Como também pretendo ver de perto, em uma pequena capela da discreta Rue de Bac, a cadeira em que Nossa Senhora sentou-se para conversar com uma humildade freirinha, filha de São Vicente de Paulo, o santo da caridade, o santo dos pobres.

Pois é, meus amigos, é na Igreja que acontecem esses FATOS maravilhosos.
A Igreja é ao mesmo tempo divina e humana, à semelhança do seu Fundador.Ela está espalhada pelo mundo inteiro.Enquanto humana, não pode prescindir de uma certa organização. Jesus, com toda a certeza, NÃO era relaxado com as normas sociais de seu tempo. Era homem educado e cumpridor das leis (lembrar o pagamento do imposto, com a moeda tirada da boca do peixe). Por isso, amigos, não há nenhum desdouro em dizer, por exemplo, que o latim é a língua “oficial” da Igreja. Ou será que devia ser o globalizado inglês? Até o velho Chesterton, se ainda estivesse entre nós, com absoluta certeza não aceitaria essa bobagem.

Por favor, gente, sejamos menos orgulhosos e mais “poéticos”, no sentido mais profundo e mais autêntico desta palavra. Saibamos ver o Mistério da Igreja.

.


posted by ruy at 6:10 da manhã

24.9.04

 

Futebol e Política, Passado e Mistério


[ Este é um “post” que certamente vai desagradar a muitos leitores. Paciência...]

Faz mais ou menos uns cinqüenta anos tive um chefe que, certa vez, em conversa comigo, fez este comentário: “Ruy, quando jogam Flamengo e Fluminense, são dois adversários; porém, quando jogam Flamengo e Vasco, são dois inimigos.”

Bem, na parte que me toca, tenho vários amigos e colegas que são Vascaínos e nem por isso este escriba rubro-negro os considera como inimigos quando nossos times se defrontam.O apego a um determinado clube de futebol é assunto meramente afetivo, sem outras implicações mais sérias.Não faz sentido transformar essa divergência esportiva em pé de briga.Acho que até mesmo um leitor pouco afeito às notícias futebolísticas concordará com este meu ponto de vista conciliador.

Ora, ultimamente tenho lido na “web” uma pletora de “sites”, “blogs”, mensagens isoladas com artigos anexados etc., tudo deixando irradiar um clima análogo ao que acompanha as discussões dos torcedores mais fanáticos do grande esporte nacional. Um parêntese.Note o leitor que escrevi a palavra “fanáticos” em itálico, porquanto verdadeiros fanáticos são aqueles homens que, lá no distante Iraque, estão decapitando pessoas inocentes e indefesas. Fecho o parêntese.

Neste exato instante alguém vai me dizer: “péra aí, Ruy! Política é assunto sério! E você bem sabe que essa “pletora”, à qual você se referiu, vem condenando o que deve ser realmente condenado, ou seja, a crescente e perigosa dominação deste país pelo totalitarismo comunista !”

Pois é, sei sim; sei que isso é mesmo verdade. E não seria o Ruy Maia Freitas que iria negar a periculosidade citada.A séria restrição que faço, meus amigos, não é quanto ao mérito do tema abordado, não é quanto à sua matéria .Sob esse ponto de vista, ele é sempre pertinente. O que me incomoda é a forma , ou mais precisamente, é a ausência de uma adequada forma , no sentido mais acadêmico desta palavra. É esse vazio que me deixa melancólico.Faz-me pensar que estou no meio de exaltados torcedores de futebol, não muito ligados às atitudes racionais. Ditas estas desagradáveis palavras, sou obrigado a me explicar.

Ensina-nos a boa tradição cultural católica – é isso mesmo: católica – cujas raízes, boas raízes, nascem no velho Aristóteles, ensina-nos essa venerável tradição que a Política (com P maiúsculo) é a atividade humana dirigida para o Bem comum . Ora, aqui está logo a primeira dificuldade. Seguindo o conselho do nobre Sócrates, começamos perguntando: o que é Bem Comum ? Será simplesmente a média dos bens individuais? Será um bem específico, como a saúde ou a boa alimentação, que todos têm que possuir igualmente? Ou será “um conjunto de circunstâncias que permita ao homem, como pessoa que ele é, viver uma vida reta e digna, favorável ao seu crescimento mental, moral e espiritual” ?

A minha incômoda curiosidade, meus amigos, é a de querer saber até que ponto todos esses homens maduros e esses moços – todos eles, os maduros e os moços, inteligentes e de ótima cultura - que editam esses “site”, “blogs” e mensagens contra o comunismo, conhecem o que seja de fato o Bem Comum e – o mais importante - conhecendo-o, até que ponto eles se angustiam com o fato de não mais existir na sociedade Ocidental um certo consenso que já existiu no Passado. E mais que um consenso, não mais existe um generalizado e autêntico espírito religioso , aquele espírito que ergueu as catedrais do Medievo e que considerava a ambição um pecado, e não um bom incentivo para vencer na vida.

Será que os únicos a merecerem críticas são os assumidos adeptos do Esquerdismo? Será que, à semelhança dos “comunas”, nós, os não-comunistas, devemos esquecer o passado e seu profundo significado e a sua silenciosa influência na existência humana?

A minha incômoda curiosidade é a de saber se todos esse ardorosos defensores do ideal democrático estão atentos para o fato de que a eficaz realização desse ideal precisa passar pelas páginas do Evangelho, precisa ouvir a única mensagem que dá significado à nossa curta passagem por este planeta.Terão sido raríssimas vezes em que terei lido nessas enérgicas (e justas) diatribes, divulgadas na “web”, uma corajosa confissão de amor ao Cristo , como por várias vezes a fez o injustiçado escritor de DOIS AMORES, DUAS CIDADES, fazendo-a de peito aberto.Sem esse amor, meus amigos, o nosso anticomunismo pode tornar-se mais uma faceta do moralismo, que é uma distorção da verdadeira moral.

E mais, aquele mesmo escritor mostrou que tinha fina sensibilidade para o mistério da história, esse drama gigantesco que só pode ser compreendido à luz da Teologia, não a teologia dos novidadeiros, mas aquela que há séculos é maternalmente protegida pelo inspirado magistério da Igreja, a fundada pelo Cristo e onde, atualmente, Pedro é João Paulo II.Ele, aquele sofrido escritor, nunca se envergonhou de confessar publicamente a sua fé. E é isso, meus amigos, é essa coragem que hoje – infelizmente - muitas vezes não encontro na Internet...E por não encontrar, eu me canso... Quase que só tenho lido críticas (justas, é verdade) às molecagens dos teimosos seguidores de Marx.
Perdoem minha franqueza.


P S


Já que nosso ensino secundário, e até mesmo o universitário, está em nível cultural tão baixo, pergunto:
- por que não usar a Internet para ministrar verdadeiras aulas sobre certas verdades essenciais, em paralelo com o necessário uso da “web” para fazer a vigilante crítica aos desmandos dos poderosos deste país?
A geração dos mais moços, essa dos que estão hoje na faixa dos vinte aos quarenta anos, foi vítima do desmoronamento do nosso ensino básico.Uma geração que não aprendeu, por exemplo, a apreciar a leitura da poesia em voz alta, não foi educada para ouvir boa música, aquela que vem desde os antigos Bach e Mozart até os modernos Dvorak e Debussy (faz uns dez anos, voltava eu para casa no meu carro quando, ao passar pelo Maracanã, vi um grande bando de rapazes e moças que corriam frenéticos pelo meio da rua, arriscando-se a serem atropelados. Depois fiquei sabendo que eram parte dos milhares e milhares de jovens que iam ao estádio para assistirem ao “show” do roqueiro Sting...).Uma geração à qual foi ensinado que o papel das escolas é simplesmente o de treinar os que vão competir no mercado de trabalho.É uma geração pobre esperando a nossa caridade.


Ontem foi dia de São Pio de Pietrelcina

Uma oportuna reflexão do santo colhida no “site” católico americano EWTN :

In the spiritual life, he who does not advance goes backward. It happens as with a boat which always must go ahead. If it stands still the wind blows it back. Fix the time, the length of your meditation, and do not rise from your place until you have finished, even at the cost of being crucified. [“Na vida espiritual, quem não avança recua. Acontece como no barco que precisa ir à frente. Se ele permanece quieto, o vento sopra-o para trás. Fixe o tempo, o intervalo de sua meditação, e não se levante até que a termine, mesmo ao custo de ser crucificado”]

-- Padre Pio




posted by ruy at 6:55 da manhã

23.9.04

 
[ O “post” de hoje está sendo editado em atenção ao que me foi sugerido por uma jovem senhora, antiga amiga do Ruy]

O macaco do pianista


Em certo pequeno bar de Nova York havia uma enorme freqüência por causa de seu pianista, exímio intérprete e possuidor de vasto repertório.O músico tinha sempre como companhia seu pequeno macaco que passava o dia mexendo com as pessoas ali reunidas para beber e ouvir boa música.O dono do bar aturava as gracinhas do bicho para não perder um artista que lhe garantia tanto lucro.

Um belo dia chega um rapaz que ainda não conhecia o ambiente. Vai ao balcão e pede um uísque, mas, quando vai segurar o copo, vem rápido o macaco e vupt, engole a bebida. O moço acha muito engraçado e pede outro uísque.Antes que ele beba, o símio vupt, entorna mais um copo.Bem, aí o freguês já começa a se irritar.Pede o terceiro uísque.Mal o macaco repete a façanha, o rapaz se levanta, vai ao pianista e lhe diz baixinho:
- O seu macaco está bebendo todo o meu uísque !
Ao que lhe reponde o músico sem se perturbar:

- Esta eu não sei, mas assobia que eu acompanho !


Notícia de falecimento


Acontece um acidente na obra e o Ferreirinha, funcionário antigo e estimado, morre em conseqüência do fato. Imediatamente os colegas reúnem-se e, preocupados, perguntam um para os outros: quem vai dar a notícia à senhora do nosso amigo? Perplexidade geral...Porém, um deles, meio desligado da realidade, porém conhecido por sua presteza em ajudar todo mundo, oferece-se para cumprir o triste dever. Sai, vai à casa do falecido, toca a campainha e, mal a porta se abre, ele tranqüilamente pergunta:

- É aqui que mora a viúva do Ferreirinha ?


Alfabetização


A jovem professorinha estava ensinando as letras a uma turma de alunos do interior, crianças de boa paz, mas bem rústicas.
Ela escreve no quadro a letra “a”, isolada na superfície plana e escura, dizendo: “este é um ‘a’ !”
Um garoto, sentado bem na frente, rosto redondo, sorrindo com os dentes de fora, diz: “eh!...”
A moça corrige, levantando a voz: “ não meu filho; isto é um ‘a’ !”
E o menino repete: “eh! ...”
A professora começa a se impacientar. Nova tentativa e o aluno repete a outra vogal.
Aí a mestra, meio nervosa, escreve no quadro um “é” bem grande e diz em voz bem alta::
- “ Isto é que é um “é!”
E o garoto : “ aah! ...”


O mineiro e o seu cavalo


Isso se passou há muito tempo, numa pequena cidade do interior mineiro.
O jovem matuto chegou à estaçãozinha ferroviária, apeou do seu cavalo e foi logo perguntando ao funcionário que dirigia todo o serviço:
- moço, quanto custa uma passagem de trem?
Responde o chefe:
- vinte mil réis !
Nova pergunta:
- e uma passagem prá cavalo?
Resposta: dez mil réis.
- Então me dê uma passagem prá cavalo !
O funcionário vende a passagem e o roceiro fica ali, quieto esperando o trem. Não demora muito, a máquina apita e a composição encosta.Abre-se o vagão de animais. O dono do cavalo puxa-o pela rédea fazendo-o entrar e, depois, fica parado, ali dentro, junto do animal.

Enchem de água a caldeira. O trem apita de novo e vai saindo de vagar. Começa a acelerar. O chefe da estação grita para o moço:
- o senhor não vai descer ?
O matuto passa pé no estribo, monta na sela e grita, muito ancho:
- eu vou é a cavalo !


Anedota de português


Havia um sujeito que só sabia contar piada de português. Todos os seus amigos e conhecidos sabiam disso.
Um belo dia, ele entra num bar e vê, junto ao balcão, um conhecido seu, homem de físico avantajado, com musculosos braços de estivador. Nesse dia, o tal forçudo estava muito brabo e bebera mais do que de costume.
O contador de piadas chega perto do outro, bate-lhe no ombro e diz:
- Oi, Zé, vou lhe contar uma piada !
O Zé pára de beber, levanta-se, agarra o piadista pelo colarinho e diz com voz grossa:
- se me contar piada de português, vou lhe quebrar a cara !
E o outro, rapidinho:
- não, não! Era uma vez dois árabes: Manoel e Joaquim !


posted by ruy at 4:08 da manhã

22.9.04

 
Super-infeliz desejo


Muitos dos leitores deste “blog” talvez já tenham ouvido falar em Tomás Merton, o escritor que se converteu à Igreja, fez-se monge trapista em um mosteiro dessa ordem religiosa nos Estados Unidos e acabou morrendo no Extremo Oriente, quando ali chegou em viagem apostólica.Depois de convertido, Merton publicou vários livros, alguns dos quais foram traduzidos aqui no Brasil.

Em um destes livros o monge conta certo fato ocorrido na Alemanha nazista, ainda antes do início da segunda Guerra Mundial.O partido de Hitler tinha, como todos sabem, muitos seguidores fanáticos.Certa vez, um grupo desses exaltados entrou em uma igreja católica com o nítido propósito de profanar o templo.Um dos invasores subiu sobre o altar e ali começou a sapatear e a rir de sua própria façanha, certamente acompanhada com alegria pelos companheiros da profanação.

Tomás Merton comenta que o jovem que fez aquela diabólica ação deve ter ficado com uma enorme, uma imensa decepção porque, nada lhe havendo acontecido como castigo da sua inominável ofensa, ele verificara esta clara realidade: DEUS não era nazista.

Pois é, todo blasfemador tem um desejo secreto, teimoso, silencioso, que é o de receber um sinal d’Aquele a quem ele está provocando.E quase sempre, à semelhança daquele nazista, acaba decepcionado porque, conforme já escrevemos neste “blog” , a lógica de DEUS é diferente da lógica humana. .O desejo do blasfemador quase sempre acaba frustrado.


Um gravíssimo pecado de escândalo


Hoje depois do almoço, meu amigo B..., como sempre a par das notícias, mostrou-me um texto publicado na revista VEJA de 8 de setembro no qual se conta ao leitor um fato que está ocorrendo em vários pontos do Brasil.
O MST mantém milhares de escolas onde as crianças, diante da bonita bandeira deste país e da berrante bandeira daquele movimento, “soi-disant” justiceiro, recebem doutrinação revolucionária, aprendendo a venerar a memória de homens como MARX, MAO TSE TUNG e GUEVARA. Em paralelo, talvez, com ensinamentos rudimentares de linguagem e de aritmética, os meninos e meninas desde cedo recebem uma autêntica lavagem cerebral comunista, sendo - sem que tenham consciência disso - transformados em futuros robôs da luta armada para a tomada do Poder.

Felizmente o autor do referido texto deixa clara sua reprovação dessa absurda pseudo-pedagogia. Entretanto, por um motivo ou por outro, deixa de citar o que agora vamos transcrever e que está no capítulo 18, versículo 6, do evangelho segundo São Mateus:

se alguém fizer cair em pecado um desses pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.

Como é bem possível que muitos dos bandidos – é isso mesmo: bandidos - que mantém aquelas “escolas” tenham informação sobre o que está nas páginas do Evangelho, então o que escrevi neste item do “post” com certeza relaciona-se com o que coloquei no primeiro item dele. Eles, os bandidos, estão pagando para ver.


posted by ruy at 11:31 da manhã

 

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