Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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19.9.04

 
Geladeiras


Baseando-nos em dados do IBGE, podemos afirmar que, em 1999, mais de oitenta e sete por cento (87 %) das residências brasileiras já possuíam geladeira. Como a taxa de aumento da quantidade desse bem permanente vem crescendo continuamente, pode-se supor que neste ano de 2004 tenhamos chegado aos noventa por cento.Isso significaria que apenas dez por cento dos nossos lares não dispõem dessa moderna comodidade criada pela ciência e pela tecnologia. Ainda assim, não creio que esses nossos irmãos mais pobres, isto é, os que não têm geladeira em suas casas, desconheçam a importância da conservação dos alimentos, mormente os chamados perecíveis, tais como os diversos tipos de carne, os laticínios, os ovos, as frutas e os legumes.Eventualmente, até mesmo certos remédios e assemelhados (tais como o soro fisiológico) têm seu espaço naquele armário branco e gelado.

O leitor que teve paciência de ler este “post” até aqui deve estar pensando: esse Ruy é mesmo um chato, falando sobre coisas óbvias.Todo mundo está cansado de saber qual é o relevante papel da geladeira na vida moderna.
Peço um pouco de paciência a quem está lendo.Minha intenção foi a de alertar os amigos deste “blog” sobre um fato óbvio, mas, nem por isso convenientemente lembrado por nós, qual seja, a razoável tranqüilidade com que a nossa rotina diária vem, há muitos anos, convivendo, quanto à indiscutível necessidade de termos nossos alimentos bem conservados.

E agora vamos ao ponto principal do “post”.
Todos os bem informados sobre nossa vida política sabem que, infelizmente, há vários bispos, padres e muitos leigos (que se dizem católicos) que são entusiastas da proposta socialista/comunista do tal “mundo melhor”.Um entusiasmo que, entre outras “façanhas”, realizou a de colaborar com a eleição de certo governador, um homem cuja administração foi leniente com a criminalidade no Estado sob sua responsabilidade.

Pois é, existe um notório país em que a tal “teoria” deu inspiração a um implacável regime ditatorial, um regime que esperou setenta (70 !) anos para ouvir da boca de um de seus últimos dirigentes esta patética pergunta, feita quando ele entrava numa fábrica soviética:

Por que a geladeira russa é de tão má qualidade ?


O magno problema da alegria


Há um belo filme italiano que, por apresentar algumas cenas, digamos assim, “pouco edificantes”, não deve ser do agrado de moralistas renitentes. Trata-se da clássica obra de Fellini: “AMARCORD”. Em certo instante da narrativa (o filme é meio autobiográfico), vários habitantes de uma pequena cidade italiana,. incluindo entre eles um ceguinho, tomam um barco e remam até ficarem próximos do lugar perto do qual vai passar um grande transatlântico.É noite. De repente surge o imponente vulto, todo iluminado.Aqueles humildes observadores ficam sentados ali no barco, em silêncio, extasiados, apenas olhando a rápida passagem do navio.

Esta cena é uma das mais poéticas do filme.Ela faz-nos pensar em dois elementos que podem existir em uma alegria autêntica: a pequenez de sua causa e o silêncio com que ela é experimentada.Aliás, creio que já me referi neste “blog” a uma frase que há mais de cinqüenta anos aprendi com um antigo professor de inglês, um tipo chestertoniano, nas atitudes e na forma física:

- Silence is the perfect herald of joy. , “O silêncio é o arauto perfeito da alegria “

Ora, não é sempre que as circunstâncias da existência nos armam oportunidades líricas, como essa que animava os humildes paesani no filme de Fellini.Pelo contrário, na maioria das vezes, os fatos com que convivemos são mesmo sgradévoli . E aí , que fazer?

Bem, este é talvez o magno problema da existência humana: manter uma alegria interior, ficando igualmente longe do ressentimento sombrio e da insensibilidade estóica.Como conseguir caminhar sempre, de modo equilibrado, sobre essa crista elevada que separa duas profundas ravinas?

Não pretendo dar ao leitor uma receita para solucionar a dificuldade. Entretanto ouso dizer: o núcleo da mensagem evangélica trazida pelo Cristo é justamente a Esperança, com a qual podemos chegar a essa vital alegria. Sob tal ponto de vista, o cristão é sempre, sem nenhuma dúvida, o mais feliz dos homens, não importa o que lhe aconteça.


posted by ruy at 1:39 da tarde

18.9.04

 
A Missa


[Este é um “post” que há muito tempo eu deseja editar.Um fato ocorrido hoje de manhã bem cedo fez com que o Ruy tomasse a decisão de escrever]

Se a memória não me engana, já assisti a cinco cultos protestantes, ou de “irmãos separados” (como hoje, de vez em quando, se diz), dos quais três foram dedicados à celebração de casamento de pessoa minha amiga ou de filho de amigo meu.Como cinco é um número razoável e os ambientes foram bem diversos (entre eles, uma simples capela, bem longe de nossa pátria), acredito que possa dar uma opinião isenta sobre o que nessas reuniões pude notar.

Sem nenhuma dúvida posso afirmar que, em todos esses cultos, observei uma piedade sincera, um modo respeitoso de proceder e uma atenção reverente aos textos do Velho e do Novo Testamento. Entretanto, comparando o que ali era vivido com a missa que eu conhecera, desde meu tempo de menino, aquela missa cujo próprio nome deriva da saudação final do sacerdote na liturgia latina (“Ite, missa est”), aquela missa que inspirou o escritor francês DANIEL ROPS a escrever um livro, ilustrado com belíssimas fotografias, em que o autor vai comentando, capítulo a capítulo, os diferentes atos daquele drama, daquele sacrifício incruento, comparando com as missas a que agora procuro assistir, distante de minha residência, no mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro – fazendo essa comparação vejo claramente esta diferença:

- na tradicional missa católica a piedade, a reverência religiosa coexistem com o bom uso da inteligência, ou melhor dizendo, nossa faculdade mais nobre participa ativamente contemplando o mistério que naquele altar se torna realidade.

Um certo monge beneditino, de quem sou muito amigo e a quem muito devo, certa vez me disse, e o disse bem: os sacramentos existem para o homem , e não o homem para os sacramentos .Se isso que afirma meu bom amigo monge é verdade – e para mim é – entendo que, de fato, não devo fazer do meu ato de ir à igreja para assistir à missa uma imposição obsessiva, feita por mim a mim mesmo, uma repetição mecânica, um hábito, no sentido convencional deste termo.Deve ser, sim, uma atitude lúcida de quem sabe exatamente o que vai se passar no recinto daquela igreja.

Note, por favor, leitor amigo, que usei a palavra “lúcida”.Não escrevi atitude “animada”, “entusiasmada”, “festeira”, atitudes estas que tranqüilamente eu poderia – e até mesmo deveria – assumir se fosse a um encontro de velhos colegas ou de novos amigos, em um restaurante ou em uma churrascaria.

Pois é, nas missas que hoje vêm sendo celebradas ma maioria das igrejas deste país – e possivelmente em outros países do Ocidente – existe uma preocupação de criar um ambiente “festivo”, aquele que é propício à distração, aquele que NÃO favorece a reverência absoluta ao mistério .Essa reverência ao mistério – por favor, gente! - tem que passar pela inteligência, e passar ali de modo silencioso, com aquele silêncio sem o qual não é possível, por exemplo, aprender coisíssima nenhuma de qualquer ciência, não é possível perceber a beleza nobre de uma obra musical de Beethoven ou de uma outra, mais sutil, mais serena, de Débussy.

Em parágrafo anterior me referi ao sentido convencional da palavra “hábito”. No sentido antigo, e bom, da palavra, ela vem de habitus , que significa quase como uma segunda natureza, adquirida sem que o seu possuidor esteja consciente disso. Assim, aquele que, desde menino, aprendeu a usar bem sua inteligência e sua sensibilidade, adquire pelo resto de sua vida o habitus do uso dessas faculdades, sabendo usá-las em harmonia, o que não contraria a correta posição hierárquica, aquela que reconhece na inteligência seu papel reitor.

Um correto e justo posicionamento da missa em nossa vidas, meus amigos, deveria levar-nos realmente a desejar a santidade que – conforme escrevi no “post” anterior – não deveria ser confundida com o simples bom comportamento moral.

Os bons autores católicos, mesmo quando tratam de temas aparentemente distantes da missa, como, por exemplo, Chesterton e seus lúcidos ensaios, fazem com que pensemos na transcendente importância da inteligência. Preparam-nos para ir à missa por meio da nossa reflexão habitual sobre o mistério das coisas mais próximas de nós, as coisas aparentemente banais. Levam-nos ao habitus do silêncio respeitoso, aquele mais condizente com o magnum mysterium da Eucaristia.


PS


Não é mais possível tapar o sol com a peneira. Hoje temos no Poder pessoas sem o devido nível cultural, compatível com tão alta responsabilidade.Entre outras causas, este fato lamentável, indesejável, deve-se também ao modo como a grande maioria dos ambientes católicos vêm, há várias décadas, lidando com a inteligência.Por exemplo, quem hoje pode garantir que tradicionais colégios católicos mantêm antigos e eficazes padrões de ensino? Note bem a palavra, leitor: “eficazes”.
Leitor amigo: o que é a missa em sua vida ?


posted by ruy at 11:34 da manhã

17.9.04

 

Alguns pontos para refletir


Sobrevivência .Curiosamente, ao escrever este item estou pensando em pessoas que estão desfrutando de uma situação razoavelmente cômoda no que se refere à manutenção de suas vidas.São pessoas jovens, saudáveis, bem alimentadas e residentes em habitações modestas, porém confortáveis. Têm que realizar diariamente deslocamentos um tanto longos para chegarem ao seu local de trabalho, mas este é feito em ambiente aprazível, e as tarefas que essas pessoas executam não lhes trazem cansaços extenuantes. Pois bem, apesar de todas essas circunstâncias favoráveis em que estão vivendo, afirmo que muitas dessas pessoas, embora não percebam isso, estão simplesmente lutando por sua sobrevivência .

O fato de não terem sérios problemas de manutenção oculta de sua inteligência um melancólico vazio: a falta do sentido vivo da Esperança em suas vidas.Se a morte lhes chega como notícia, provavelmente é a de um parente, talvez distante, que partiu em idade avançada. É apenas um fato biológico normal, que ocorre com os outros.Eles, os moços, já aprenderam, na escola da nossa moderna cultura, laicizada ou paganizada, que a religião é apenas um hábito de fim de semana ; já aprenderam a técnica de sobreviver . Gente, isso é bastante triste...


Pauca, sed bona São muitos os “blogs” e “sites” da “web” em que temos percebido, nos respectivos editores, uma impressionante quantidade de informação literária.Lemos, admirados, uma pletora de citações, sejam elas referentes a criadores de obras poéticas ou românticas, ou a escritores de livros mais sérios, dirigidos ao estudo dos problemas humanos. Sem nenhuma dúvida, esse notável cabedal de referências é bastante útil no desenvolvimento da argumentação, favorece o trabalho dos que editam os “blogs” e os “sites” em convencer o leitor quanto às verdades ali apresentadas.

Ora, se tal convencimento do leitor pressupõe uma preliminar confiança dele em quem escreve, não é menos verdade que fica, naquele que lê, uma frustração.Ele pergunta a si próprio: então, para que eu possa de fato entender bem tudo aquilo que me foi dito, terei que ler todos esses autores e livros citados?

Os antigos já’diziam, com aquele saber de experiências feito: pauca, sed bona , “poucos , porém bons”.E eles mesmos, os antigos, também lembravam: “ars longa, vita brevis , “a arte, a ciência é imensa, e a vida é curta para aprender tudo isso.” Então, que fazer?
Muito bem, em vez de usarmos a categoria da quantidade para avaliar o acerto de determinadas afirmativas apoiadas em muitas e muitas citações, quem sabe se não deveríamos pautar nosso julgamento pela categoria da qualidade , podendo, portanto, chegar à substância do tema, que é o principal. Desse modo, sem perder preciosas horas de sono, poderíamos realizar leituras mais eficazes.


Perfeição moral e santidade Faz mais ou menos uns dez anos, em conversa com o saudoso professor Gladstone Chaves de Melo, eu perguntei a ele se aquelas duas expressões eram uma sinônima da outra. O inteligente e sábio mestre católico, respondendo à minha pergunta, lembrou de imediato o que ele denominava “a canonização mais rápida da história”, a saber, a de São Dimas, o Bom Ladrão.
.
São Lucas não fazia parte dos doze apóstolos chamados por Nosso Senhor.Entretanto, seu evangelho é o que traz mais referências à presença da Virgem Maria na vida do Cristo.Entre as passagens narradas pelo médico Lucas está justamente o episódio da dramática conversão de Dimas. Provavelmente isso foi contado àquele evangelista por Nossa Senhora, ela que estava ao pé da cruz e, portanto, viu e ouviu tudo, bem de perto.

Devia ter uma “folha de serviços” bem carregadinha o currículum vitae do ladrão que se arrependeu nos últimos instantes.O problema que se arma diante dos cristãos é o seguinte: qual de nós pode garantir que no último segundo terá uma contrição perfeita?

A solução, digamos assim, desse problema existencial está numa saída que pode parecer uma escamoteação, mas não é. Rigorosamente falando, pergunto:
- com o que nos deveríamos preocupar em primeiro lugar, em procurar praticar as virtudes de modo a ficarmos satisfeitos com nosso “progresso moral”, satisfeitos com as nossas ações honestas e benfazejas? Ou, procurar em primeiro lugar – ainda que isso seja bem difícil, nebuloso e muitas vezes decepcionante – descobrir a vontade de DEUS em todas as circunstâncias, principalmente naquelas que nos desagradam?
Depois de todos estes setenta e dois anos de vida, de uma coisa tenho absoluta certeza, a de que o agir por impulso é um péssimo negócio. Acho que deveríamos todos, principalmente nós católicos, fazer sempre com TOTAL sinceridade aquela pergunta de São Paulo na estrada de Damasco:
- Senhor, que quereis que eu faça? ..

Ainda um outro lembrete Nós católicos deveríamos lembrar que uma Santa Terezinha, rezando escondida em seu convento, faz maior bem à sociedade humana do que um líder político, mesmo supondo que ele seja honesto, competente e dinâmico.


Um bom escritor


Para mim, como católico, um bom escritor não é aquele que me impressiona simplesmente porque exibe farta erudição e escreve períodos repletos de lógica brilhante. Um bom escritor é, sobretudo, aquele que, por meio de seus escritos, direta ou indiretamente me ajuda a querer ser melhor como ser humano, como pessoa .Estou pensando um pouco naquele elogio o que o escritor Melvin Udal faz à garçonete Carol Connoly no filme “Melhor é impossível”.


posted by ruy at 11:52 da manhã

15.9.04

 
As duas entropias


Em 22 de novembro de 1951, o papa Pio XII, de saudosa memória, homem de enorme cultura - e não menor virtude – dirigindo-se aos membros da Academia Pontifícia de Ciências abordava, entre outros vários aspetos da ciência moderna, o dramático fenômeno da “entropia crescente”.Para os leitores que não estão informados sobre esse tópico da Física vamos dar um simples resumo:

A lei da entropia é o nome dado pelo físico Rudolph Clausius à função

s = f dQ/T ,

em que dQ é a quantidade de calor necessária para que um corpo possa efetuar de modo reversível uma transformação elementar, durante a qual pode-se considerar o corpo com uma temperatura absolutamente constante, T . A entropia aumenta quando o corpo recebe o calor; se ele cede calor, a entropia diminui.


Ora, Clausius verificou que os processos espontâneos da natureza são sempre acompanhados de uma diminuição da energia livre e utilizável.E por isso, ocorre aquilo que Pio XII chamou “destino fatal” do universo: a morte térmica.

Diante dessa incômoda realidade, caberia aos homens de ciência, ou pelo menos aos mais sérios, lembrar aos demais homens, em especial aos que se dedicam às exigentes tarefas da Política – com P maiúsculo-, que não se perdessem naquela que E.F.Schumacher chamou de “a louca disparada prá frente”. (essa corrida faz parte do rol das agressões à inteligência a que me referi no “post” de ontem)

[Um bom exemplo dessa disparada: o modo como Brasília foi construída]

É óbvio que as pessoas comuns não são obrigadas a conhecer as leis da Termodinâmica; nem tão pouco todos os governantes são obrigados a conhecê-las. Porém, os engenheiros e os cientistas não têm desculpa para ignorá-las.E, conhecendo-as, têm que saber também quais são suas repercussões na vida dos homens. O ato de torná-las conhecidas, como é o caso especifico da chamada “entropia crescente”, não significa um propósito de assustar a sociedade humana.É, sim, um dever de alertar-nos para que não sejamos imprudentemente levianos com nossa vida pessoal, para que reflitamos sobre certas realidades essenciais, realidades essas que devem ter levado o pintor Gauguin a fazer estas três perguntinhas: Que sommes nous? D’ou venons nous? Ou alons nous?

Ora em nossos tempos modernos, em paralelo com a realidade física descoberta por Clausius no século XIX, está ocorrendo um outro tipo de entropia crescente, aquela que vem, há pelo menos seis séculos minando a cultura ocidental e, minando-a, espalhando seu danoso efeito para o restante do orbe, já que não se pode negar a influência, para o bem ou para o mal, que o Ocidente exerce no mundo.Por exemplo: o regime ditatorial que dirige a China baseia-se nas idéias do Dr.Karl Marx, que é nitidamente europeu, a mesma China que recém participou das Olimpíadas e vai sediá-las em 2008.

Acho que seja bom darmos alguns exemplos dessa “ entropia cultural”.
Comecemos pelo nosso próprio país.Criou-se aqui um Ministério da Cultura , iniciativa essa com certo ranço totalitário, seja o governo eleito pelo povo ou não.No governo atual, acrescentou-se a esse aspecto negativo da novidade uma nuance demagógica, quando foi designado para ministro um conhecido cantor popular. Ora, ocorre que, do mesmo modo como é natural que o homem lute contra os efeitos da entropia física, é também natural, e desejável, que ele se contraponha à entropia da cultura.Assim, um autêntico acréscimo de cultura é aquele que contribui para o crescimento civilizacional. O leitor poderá perguntar: e como se mediria esse crescimento? Boa pergunta.Vamos responde-la por meio de um exemplo.

Faz poucos dias, meu amigo e colega B..., que, além de ser um exímio engenheiro eletrônico e competente pesquisador, é notável artesão (capaz de fazer peças belíssimas em madeira, acrílico, alumínio, à vontade do leitor), almoçando comigo contava-me o que viu em um bom programa do canal Discovery. Mostrava-se ao telespectador a variedade de tipos de arquitetura, antiga e moderna.Meu amigo B... comentou: não tem jeito, Ruy. As construções mais belas são mesmo as catedrais e os mosteiros da Idade Média !

Pessoa de origem bem modesta, B... fez seus primeiros estudos em escola pública no tempo em que ainda existiam , neste país, coisas inestimáveis tais como o bom gosto e o bom senso; no tempo em que a entropia cultural ainda não tinha atingido o nível em que está.

No “post” de ontem retransmiti aos leitores deste “blog” a notícia sobre o “nudismo legal” implantado na tradicional e bela (segundo me contam os que ali passaram) cidade de Barcelona, uma das principais da milenar Espanha.Se formos pesquisar, vamos acabar encontrando em outros países da Europa novidades análogas a essa espanhola. Existe o conhecido neologismo “globalização”, porém, a existência de um termo novo não atenua a decrepitude da realidade subjacente.Estamos todos cansados, aborrecidos, humilhados, esta é a verdade, do mesmo jeito em que ficou o filho pródigo quando esbanjou com prostitutas os bens que seu pai lhe entregara.Nós, homens do Ocidente, esbanjamos em mediocridades um fabuloso capital de cultura recebido da Cristandade.

E o papel nosso, de nós católicos, nesse drama da entropia cultural, que devemos fazer? Acomodarmo-nos? Acho que não deve ser por aí.
Creio que precisamos, todos os dias e em todas as horas, valorizar a beleza e a verdade, juntas.Um bom programa de leitura séria, aí incluídas as obras de Chesterton – que foi um homem supercivilizado – já seria um bom começo.Ou será que vamos ficar apenas moralizando a respeito dos fatos da política e de outras cositas más ? E que tal termos a coragem de ensinar aos moços a beleza do canto gregoriano?


posted by ruy at 6:09 da manhã

14.9.04

 

Uma agressão à nossa faculdade mais nobre


Meu leitor e amigo C...enviou-me hoje, lá do distante Nordeste onde ele vive, uma mensagem em que transcreve melancólica notícia vinda da Espanha.Eu disse “melancólica notícia” porém devo dizer logo que essa melancolia é minha mesmo; pode ser que outras pessoas, ao saberem do fato, tenham reações diferentes, tais como um sorriso malicioso dos que gostaram ou um rosto carrancudo de quem se irritou com a tal notícia.

Trata-se do seguinte: a prefeitura de Barcelona faz poucos dias expediu autorização para que as pessoas que o desejarem possam transitar nuas pelas ruas daquela famosa cidade espanhola.Em atenção aos leitores mais curiosos, transcrevo abaixo a notícia referida:

A Prefeitura de Barcelona, na Espanha, reconheceu o
direito de qualquer cidadão andar nu pelas ruas "se
assim o desejar". Trata-se de uma "primícia
internacional", segundo consideraram as duas
associações nudistas que desenvolveram a idéia.

Pelo sistema espanhol, esse tipo de postura é
regulado por leis municipais.

O prefeito de Barcelona, Joan Clos, se limitou a
declarar que "a Prefeitura não propõe que as pessoas
andem nuas pela rua", ao responder laconicamente sobre
o tema em uma entrevista concedida na segunda-feira.
Conforme publicou o jornal El Periodico, a Prefeitura
de Barcelona "fomenta o respeito cidadão à liberdade
de indumentária".


Pois é, fiquei triste ao saber que tal fato ocorreu no país que viu nascer São Domingos, Santo Inácio de Loyola, Santa Tereza d’Ávila e São João da Cruz; que viu nascer Cervantes, Ortega y Gasset e Julian Marías.

Faz pouco tempo ocorreu na Espanha um brutal atentado terrorista, provavelmente planejado e executado pela mesma classe de pessoas que atacou o WTC em Nova York, no 11 se setembro de 2001, e há dias provocou a morte estúpida de centenas de crianças inocentes numa escola russa. Ora a nuclear característica de qualquer ataque terrorista é o seu irracionalismo, é a sua violenta agressão à inteligência humana, neste caso representada pela inteligência individual dos próprios executores do ato de agressão. Pois bem, a liberação do nudismo nas vias públicas da cidade de Barcelona é também nuclearmente mais um violento pontapé desferido contra a nossa faculdade mais nobre, aquela que nos aproxima dos seres colocados, na hierarquia da Criação, logo acima de nós.

A prática do nudismo é uma atitude que, em geral, provoca o riso descontraído e irreverente das pessoas mais superficiais ou os comentários moralistas dos observadores mais sisudos. Talvez sejam minoria os que percebem isto:
- o desejo de perambular despido pelas ruas é, antes de mais nada, a infeliz manifestação pública de uma auto-suficiente burrice.


posted by ruy at 5:16 da tarde

 

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