Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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1.8.04

 

O porquê da importância de um livro


[Um aviso: o texto de hoje só deveria ser lido por um visitante do oásis que creia de fato em Jesus Cristo como o Verbo de DEUS encarnado, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Sem essa crença, ficará muito difícil perceber o perfeito significado do que vou comentar neste “post”]

.Os fatos são isso mesmo: fatos , óbvias realidades do cotidiano.Não importa se nos agradam ou desagradam; de qualquer forma não podemos negar sua existência. Demos um giro de olhos sobre os fatos que vêm ocorrendo nestes nossos dias.

Continua existindo o problema da guerra no Iraque.Diariamente recebemos pela Internet notícias de atentados à bomba e seqüestros naquele país ocupado pelas forças americanas e tropas de outros países que apoiaram a intervenção dos Estados Unidos. De vez em quando, um refém é degolado por seus seqüestradores.Paralelamente com essas notícias chegam outras sobre as eleições para presidente da grande potência do Norte.Um dos candidatos, Kerry, vem procurando faturar em cima da inépcia estratégica do outro, Bush. Segundo informes dados pela “web”, o mesmo Kerry é alguém que se diz católico , porém é também conhecido por suas posições favoráveis à legalização do aborto.

Meu amigo piauiense C... há poucos dias repassou-me uma notícia sobre a ocorrência de várias conversões de ocidentais à crença muçulmana, adotando os convertidos uma posição radical, aderindo às facções adeptas do terrorismo fanático.O mesmo C... , em mensagem anterior, havia me posto a par do grande crescimento da população islâmica na Europa, fenômeno demográfico esse que já começa a trazer inquietações aos povos daquele continente.

Continuam ocorrendo entre várias duplas de países – nas quais o Brasil de vez em quando aparece - os desencontros, as discussões azedas sobre taxas alfandegárias, protecionismo, retaliações econômicas etc.Continuam também acontecendo o contrabando e o tráfico de drogas.

Um lembrete.George Bush (pai ou filho) e a maior parte dos nossos dirigentes políticos ocidentais são frutos recentes das velhas idéias “iluministas” , as mesmas que um certo dia, lá no século XVIII, colocaram sobre o altar de Notre Dame uma prostituta que, segundo aqueles blasfemadores, representava a Razão; as mesmas idéias que entregaram nas mãos de um vil torturador uma pobre criança, o infeliz filho de Maria Antonieta.

Internamente, nesta nação que no passado foi chamada de Santa Cruz, temos visto governantes de vários níveis administrativos darem seu apoio às aberrações sexuais e ao infanticídio legalizado (aborto). Temos visto uma espessa incultura auto-suficiente exibindo-se boquirrota quase que diariamente na mídia. Temos visto o farisaísmo de homens e mulheres filiados a um certo partido que levou dezenas de anos atacando a corrupção e hoje, no poder, faz vista grossa para o mal uso do dinheiro público, abafa investigações sobre denúncias de possíveis irregularidades administrativas .

Vai ficando cada vez mais difícil encontrar, em nosso país, governantes que não sejam adeptos de um certo maquiavelismo.Os criminosos, que podem ter pequena escolaridade mas não são bobos, já perceberam esse fato, razão pela qual não crêem numa firme e eficaz repressão ao crime organizado.Os próprios apelidos (ou nomes) das pessoas que nos governam inspiram o deboche feito pelos bandidos.

E por falar em escolaridade, continua existindo um ministério chamado erradamente “da Educação” , quando a rigor deveria ser chamado “da Escolaridade”, ou “do Ensino”. O atual titular do tal ministério faz pouco tempo afirmou que o ideal é “universidade para todos”. Se ele tivesse dito : “universidade para todos os que de fato tenham vocação para estudos avançados”, então concordaríamos com ele. Do jeito como a frase foi dita é, no mínimo, uma demagógica bobagem.

Bem perto de nós temos fatos “pequenos”, fatos que não são citados nos jornais e nas televisões, como, por exemplo, o melancólico fato de muitos rapazes e moças estarem agora, apesar de jovens, bastante envolvidos pela sufocante “struggle-for-live”, sem encontrarem tempo e serenidade para escreverem um pouco de poesia, para pensarem nesta pergunta cuja resposta poderiam ler num simples catecismo: para que existe o ser humano? qual é a finalidade do homem?

Poderíamos ir adiante expondo fatos atuais do Brasil e do mundo. Isso apenas alongaria este “post”, e com certeza aborreceria o leitor que já deve estar bem informado sobre os mesmos fatos. O ponto que pretendo frisar é o seguinte: esse panorama sombrio é conseqüência de uma antiga e progressiva decadência que iniciou-se no final da Idade Média, uma decadência cuja raiz é o antropocentrismo, é o esquecimento do transcendente significado da Encarnação do Verbo de DEUS, esquecimento daquela Pessoa em honra da qual se levantaram as magníficas catedrais de pedra.

Dizem os apressados que os fanáticos ataques suicidas contra as torres do WTC visavam ao poder americano. Ora, se isso fosse verdade parece-me que alvos bem mais simbólicos teriam sido, por exemplo, o Capitólio e a Casa Brança. Creio que, para os agressores, o WTC representava muito mais o atual “way of live” do Ocidente, o nosso lamentável consumismo, nosso desesperado apego ao mundo.

Dou logo um bom exemplo em defesa da minha opinião. Notem a variação semântica da palavra fortuna .Na Idade Média, essa palavra era sinônimo de sorte ou de azar; boa fortuna era o mesmo que sorte; má fortuna, sinônimo de azar. Quando na velha Cristandade se enfraqueceu o sentido religioso da nossa vida – ou seja , quando se esqueceu do Cristo – a palavra “fortuna” passou a ser sinônimo de “riqueza material”, aquela com a qual, infelizmente, os navegadores ocidentais já sonhavam quando fizeram suas famosas viagens pelo mundo, quando descobriram novos mundos.Aquela ambição de riqueza que levou os colonizadores a colocarem escravos em suas plantações. E por favor, leitor amigo, não cometa o terrível equívoco histórico de dizer que o servo medieval era um escravo de seu senhor.Os reis e os colonizadores que conquistaram novos mundos já não se lembravam delas ou não se preocupavam com as palavras de Jesus que estão no evangelho da missa deste décimo oitavo domingo do tempo comum:
«Vede, guardai-vos de toda a ganância, porque, mesmo que um homem viva na abundância, a sua vida não depende dos seus bens ,
um alerta que vale tanto para as pessoas quanto para os países.

Pois bem, no final da década de 60 foi editado neste país um notável ensaio histórico DOIS AMORES, DUAS CIDADES. Nos dois volumes desse brilhante ensaio, o autor (Gustavo Corção) nos dá uma aula magnífica sobre a história do Cristianismo em sua relação com o mundo civilizado. Uma aula em que aparecem, além dos fatos históricos, narrados com linguagem correta e elegante, explicações claras sobre filosofia, teologia e espiritualidade (entenda-se: espiritualidade autêntica , não a de Paulo Coelho e outros semelhantes).Uma aula que nos permite entender, sem escorregar no moralismo superficial que atribui a George Bush Jr ama importância maior do que ele merece, que nos permite, repito, entender os graves (muito mais graves do que pensávamos) problemas do Ocidente. Uma aula magistral que nos mostra o que significa, em profundidade, contar nossos anos neste mundo em função do nascimento de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Por isso, leitor amigo, é que tantas e tantas vezes venho insistindo sobre a necessidade de lermos, ou lermos novamente, repetidas vezes, o referido livro. Ele foi escrito por alguém que acreditava de fato no mistério da Encarnação do Verbo.


posted by ruy at 6:55 da manhã

28.7.04

 
Um pequeno contraste


Almoçando com meu amigo B..., contou-me ele que faz poucos dias assistiu a um programa de divulgação científica na TV no qual foram apresentados, de forma bem clara, ressaltando vários impressionantes detalhes técnicos do projeto, os trabalhos que a tradicional cidade de Boston, nos Estados Unidos, vem há mais de doze anos realizando a fim de renovar sua estrutura urbana.O fato de meu amigo B... ser um excelente engenheiro, emérito pesquisador, fez com que eu, apesar de não ter assistido ao citado programa, pudesse, através do que foi contado, perceber nitidamente a grandiosidade e, mais que isso, as maravilhosas precisões tecnológicas implicadas no tal projeto.Não vou detalhar o que me foi contado; digo apenas que se trata da retirada de todos os elevados urbanos pelos quais flui o intenso tráfego das grandes vias de Boston.Um gigantesco projeto que ainda vai levar mais quatro anos para chegar ao seu final, com a remoção completa das pistas elevadas.

Bem, quando o Ruy era menino (lá se vão mais de sessenta anos) costumava ver no mapa do Brasil, desenhado sobre o Estado de Goiás, um pequeno retângulo onde se liam estas palavras: “local da futura capital do Brasil”.
De fato, fazer aquela mudança era um desejo antigo dos nossos dirigentes políticos, os quais, desde o Império, preocupavam-se com a segurança da capital do país.Uma preocupação facilmente compreendida se pensarmos nas várias invasões aqui ocorridas no período colonial.
Pois é, quando chegamos no século XX surge um presidente da República que decide fazer, em sua gestão, a transferência do Distrito Federal para aquele espaço delimitado pelo retângulo desenhado nos mapas do meu tempo de menino. Lembremos logo este fato: na época daquela decisão já existiam no mundo, há muitos anos, os aviões de bombardeio de longo alcance, sem falar nos mísseis intercontinentais.

Queria realizar aquele projeto durante o seu governo, ou seja no espaço de cinco anos.
Decidiu e fez. Para incentivar os funcionários que não queriam, com razoável e justo motivo, deixar suas residências e famílias no Rio, criou-se a vantagem salarial que se tornou conhecida como a “dobradinha”. Fala-se nos muitos casos de desajuste familiar, nas dolorosas separações conjugais motivadas pelos amores proibidos que a solidão dos ermos burocráticos propiciou na distante cidade em construção
Fecharam-se os olhos para as inúmeras irregularidades administrativas que facilitaram, por exemplo, o difícil transporte de tijolos e outros materiais de construção.Conta-se que muitos caminhoneiros enriqueceram-se com esse serviço, já que iam, ao longo das estradas, vendendo duzentos tijolos aqui, trezentos ali e, ao chegar no ponto final, no distante Planalto, ninguém conferia a carga prevista.
Nada disso importava; o que importava mesmo era construir Brasília, e fazer isso dentro do prazo pré-fixado pelo Presidente.

Note o leitor, a transferência da Capital era idéia muito antiga.O grave problema foi o modo como ela acabou sendo transferida.Um modo que gerou grandes vícios, dos quais ainda hoje sofremos as conseqüências.

Um detalhe que talvez não impressione os desatentos: as quadras de Brasília são identificadas de modo frio, bem cartesiano: siglas e números , bem de acordo com o vezo socialista ou comunista de não valorizar a pessoa . Nada de veleidades poéticas. Tudo funcional. O homem nasceu para procriar, trabalhar e produzir. Só.

Cinco anos. Decidiu e fez.

O maravilhoso projeto da renovação urbana de Boston depois de pronto terá levado cerca de dezesseis anos.Provavelmente durante esse prazo aquela cidade terá substituído o seu governante algumas vezes; porém, a continuidade terá sido mantida.Não houve açodamento na execução.



posted by ruy at 5:56 da manhã

 

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