Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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1.7.04

 
Recesso


O Ruy vai estar fora da sede a partir de amanhã. Se DEUS quiser, retorno no próximo dia 8.
Todos os dias continuam chegando as mesmas notícias: terrorismo sanguinário, leis (?) a favor de atos contra a natureza (infanticídio e “casamento” entre homossexuais), mediocridades no ensino na mídia, consumo de drogas e correlato aumento da criminalidade, e vai por aí... Perdoem minha insistência, mas, se vocês - em vez de ficarem simplesmente criticando a inépcia do Bush (crítica facílima de fazer) - quiserem mesmo saber por que o Ocidente acabou chegando nessa sombria situação em que estamos vivendo, tentem, mas tentem com vontade, achar e ler o livro DOIS AMORES, DUAS CIDADES.E quando forem ler essa obra importantíssima, façam uma leitura sem pressa, anotando e aprendendo as centenas de lições ali existentes.
Um abraço para todos e até a volta, se DEUS quiser.
Ruy


posted by ruy at 4:07 da manhã

29.6.04

 
Reflexões avulsas


Hierarquia Se a memória não me engana, foi Santa Terezinha quem estabeleceu de modo sintético esta fundamental hierarquia:
Pensar é bom, rezar é melhor, amar é tudo.

Fariseus O mesmo Jesus que disse de si próprio que era manso e humilde de coração é o mesmo Jesus que disse duras palavras aos fariseus.E esses judeus eram de fato honestos cumpridores da lei, em seus mínimos detalhes.

Donatismo Quando leio a história dos donatistas e ali verifico o quanto esses hereges desprezavam aqueles que julgavam não merecedores dos sacramentos, penso se isso não seria uma forma de farisaísmo.E fico pensando também se não seria possível ocorrer hoje em dia uma nova forma de donatismo.

Drástico Se tudo o que tenho escrito neste “blog” não tiver servido para inspirar o leitor, suposto cristão, a um maior empenho na procura pessoal do Cristo, vendo nele o maior amigo que podemos – e devemos – ter neste mundo, então todos esses “posts” terão sido apenas um lamentável exercício de diletantismo...

A imprescindível função de “rezar por “ Disse um escritor francês que a imaginação é la folle du logis , a doida da casa. Pois é, mas ela, a imaginação, deveria ser diuturnamente usada por nós para fazer com que rezássemos por muitas pessoas que têm saúde, têm conforto ou não passam necessidades materiais, mas vivem alheias a esta essencial realidade:
o Cristo existe e nos ama, a cada um de nós.


Amor com A maiúsculo

[ Faz dois dias recebi pela Internet o texto abaixo transcrito. Não é comum vermos na rede algo com essa beleza discreta e verdadeira]

Verdadeiro amor

Um senhor de idade chegou a um consultório médico, para fazer um
curativo em sua mão onde havia um profundo corte. E muito apressado
pediu urgência no atendimento, pois tinha um compromisso.
O médico que o atendia, curioso perguntou o que tinha de tão urgente para
fazer.
O simpático velhinho lhe disse que todas as manhãs ia
visitar sua esposa que estava em um abrigo para idosos, com
mal de Alzheimer muito avançado.
O médico muito preocupado com o atraso do atendimento disse:
- Então hoje ela ficará muito preocupada com sua demora?
Ao que o senhor respondeu:
- Não, ela já não sabe quem eu sou. Há quase cinco anos que não me
reconhece mais.
O médico então questionou:
- Mas então para que tanta pressa, e necessidade em estar
com ela todas as manhãs, se ela já não o reconhece mais?
O velhinho então deu um sorriso e batendo de leve no ombro
do médico respondeu:
- Ela não sabe quem eu sou..Mas eu sei muito bem quem ela é...

” É esse o tipo de Amor que temos de procurar para nossas
vidas. O verdadeiro AMOR, não se resume ao físico, nem ao romântico.
O verdadeiro AMOR, é aceitação de tudo que o outro é... De tudo que foi um dia...,do que será amanhã.. e do que já não é mais!”



posted by ruy at 10:30 da manhã

28.6.04

 
Miséria e grandeza na Internet


Faz uns três ou quatro anos, meu neto mais velho ficava teimosamente insistindo comigo: “Vô, entra na Internet, entra na Internet !”
Tanto ele insistiu que acabei aderindo a esse hábito moderno de milhões de pessoas.E não só fiz minha inserção no rol dos “Internautas” que trocam correspondência quase diariamente através da “web”, como também, graças ao incentivo e ao apoio do poeta paulista A ..., o inteligente e irreverente amigo A ... , acabei por montar um “blog” , este em que estou editando o presente “post” ( quem diria, hein Ruy, que você depois dos 70 estaria falando em “web”, “e-mails” , “blogs” e “sites”? )

Hoje, creio ter somado razoável experiência que me permita dar, sem cometer erros grosseiros de avaliação, uma opinião crítica sobre esse recurso das telecomunicações que talvez seja, na atualidade, o mais ecumênico, levando sobre a onipresente televisão a imensa vantagem de possuir a bidirecionalidade, porquanto pode chegar ao chamado “half-duplex”, que é a comunicação quase simultânea nos dois sentidos.Tecnicamente falando, a Internet é um primor de facilidade à disposição do homem moderno. Bem, e que dizer quanto ao critério dos valores aplicado nesse balanço apreciativo da “web” ?

Começo pelo lado negativo.
Bem cedo acabei confirmando algo de que já suspeitava antes de matricular-me nesse numeroso clube.Trafega pela Internet uma pletora de mensagens cujo valor é praticamente nulo, sejam elas apreciadas de um ponto de vista ético, sejam observadas sob o ângulo estético.Por exemplo, em muitos “canais” os freqüentadores têm um certo prazer meio sádico de contar “eletronicamente” piadas grosseiras, muitas vezes ligadas irreverentemente ao sexo e apelando para o recurso primário da pornografia. É claro que acontecem as boas exceções, como a da historieta do motorista que perdeu os parafusos de uma roda do carro, numa estrada deserta, próximo a um hospício; ou a do velhinho que diariamente, à mesma hora, costumava ia ao palácio do governo em Brasília para perguntar pelo Presidente Lula ao soldado de sentinela na entrada do prédio.

Outros Internautas gostam de divulgar textos de gurus especializados nas técnicas de auto-ajuda.Muitos desses textos são transmitidos com o fundo musical de melodias românticas, tudo habilmente montado para criar um clima de enlevo que possa conduzir o usuário do sistema para longe de suas preocupações habituais. De vez em quando aparece um texto de autor mais sério, como, por exemplo, Michel Quoist, cuja mensagem tem realmente alguma consistência. Entretanto, a maioria do que é divulgado fica mesmo na esfera do sentimentalismo ingênuo.O pior ocorre nos textos pseudo-religiosos que, em vez de serem de fato uma autêntica e útil divulgação doutrinária, acabam mesmo dando receitas de bom comportamento e acomodação telúrica com este mundo para o qual , falando absolutamente, não fomos criados.

Existe ainda o grupo dos que divulgam fotografias pitorescas, curiosidades históricas, jogos e outros passatempos semelhantes.Deve-se tomar muito cuidado com a apresentação de dados, supostamente fidedignos, sobre certos fatos históricos, aliás, perigo comum também em alguns programas de televisão tidos como “culturais e educativos”. E tomando este ponto como gancho, passo agora ao que considero a grandeza da Internet.

Do mesmo modo que a televisão poderia ser utilíssimo recurso técnico para elevar a cultura da sociedade moderna - e quando digo elevar quero dizer isto mesmo: fazer com que o homem olhe para cima – a Internet pode desempenhar esse nobre papel (me perdoem os leitores que, infelizmente, tenham idiossincrasia contra a palavra nobre ). Note o leitor que usei o futuro do pretérito ao falar sobre a TV, mas usei o presente do indicativo ao referir-me à Internet. Por quê ?

Uma das mais gratas surpresas que tive ao entrar na “web” foi a de descobrir – louvado seja DEUS ! – dezenas de “sites” maravilhosos (sem nenhum exagero no adjetivo). De repente descubro, por exemplo, na distante e milenar Inglaterra, um “site” em que eu poderia ter acesso imediato à obra de Chesterton, prosa e verso, sem falar em dados biográficos e fotografias do saudoso ensaísta católico. De repente descubro, nos modernos e tão criticados Estados Unidos, um “site” em que eu poderia ter acesso à obra luminosa de Mortimer Jerome Adler, o sensato educador do século XX e, por que não? , educador deste nosso atual XXI, que se inicia tão cheio de nuvens, raios e trovoadas. De repente, lá no “meu” Ceará, Estado a que sou ligado por alguns laços afetivos (mormente por ter sido ali onde voltei à Igreja), descubro um “site” que tem o mesmo nome de uma brilhante encíclica de João Paulo II: Veritatis Splendor , um “site“ em que posso ter acesso a antigos documentos Patrísticos, a encíclicas, a explicações apologéticas do melhor nível. Um “site” onde trabalha um inteligente físico que não é adepto do cientificismo.

Entre outras excelentes descobertas, vi que era possível ter acesso à boa música, religiosa ou profana. Através da Internet eu poderia ouvir, em casa e de chinelos nos pés, concertos e trios de Mozart, prelúdios de Debussy; poderia escutar o essencialmente religioso canto Gregoriano. Poderia encaminhar às humildes religiosas da discreta Rue de Bac, em Paris, um pedido de orações a Nossa Senhora das Graças. Poderia mesmo, se assim desejasse, ouvir boa música romântica moderna como, por exemplo, Plácido Domingo cantando em dueto com John Denver, a linda canção-poema “Perhaps Love”.

Poderia – e posso - ter acesso a publicações técnicas ligadas à minha área de engenharia, artigos publicados em revistas do melhor nível científico generosamente postos à disposição de alunos e professores envolvidos com pesquisas.

E agora, neste instante em que falei em publicações técnicas, depois de ter falado em livros de Chesterton ou Adler, convém fazer uma observação, creio eu da maior relevância.
Essa facilidade de acesso a bons livros e boas revistas que a Internet nos propicia não elimina de forma alguma a importância e a necessidade da leitura de livros, de bons livros.Esse antiqüíssimo hábito do ser humano vai continuar existindo ainda por muitos e muitos séculos. Por quê? Por causa da boa e cômoda intimidade que esse pequeno objeto feito de papel e papelão nos proporciona, esse nosso discreto companheiro de mesa e de cama, nosso silencioso e fiel acompanhante de viagens longas e outras esperas demoradas.

A Internet pode, sim, estimular-nos a manter essa intimidade com os bons livros, isto é, aqueles livros que foram escritos por quem tinha realmente algo a dizer para seus irmãos homens (não incluindo aí as loucas mensagens ideológicas, de variado matiz).Entretanto, usar o magnífico recurso técnico da Internet para exercitar uma certa forma de diletantismo é uma atitude que me faz lembrar, neste momento, o fato contado por Gustavo Corção no seu livro “A Descoberta do Outro”.
Depois de muito trabalho, muito sacrifício e até mesmo sérios acidentes com operários empenhados na montagem de grandes antenas, já faz muitos anos ficou pronto o sistema de comunicação rádio em HF (ondas curtas) que ligaria o Brasil com a Europa.E então, contristados, os engenheiros responsáveis pelo sistema escutavam a voz preocupada e emocionada de um milionário, em turismo no Velho Continente, pedindo, ao parente que aqui ficara, notícias de seus ...cavalos...

Não, meus amigos, a Internet não deveria ser usada com semelhante leviandade.


posted by ruy at 2:33 da tarde

 

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