Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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6.6.04

 
Ele !


Hoje de manhã, como já fiz muitas vezes em outras manhãs de domingo, bem cedo, atravessei a cidade com meu carro para ir assistir à missa no mosteiro de São Bento.Missa celebrada em silêncio, sem agitação, com as pessoas aguardando o início da cerimônia sem conversar umas com as outras; missa em que o celebrante apresenta sua homilia como quem está conversando com os fiéis, como quem está ministrando discretamente uma aula sobre as verdades essenciais da nossa fé, verdades que ele conhece em profundidade.

No trajeto para o mosteiro fui reparando num fato que vem se repetindo freqüentemente, o do grande número de carros que seguem na direção da zona Sul do Rio, nessa mesma hora matinal em que estou saindo de casa. Parecia até um convencional dia de semana Ora, acho que será pouquíssimo provável que a maioria desses motoristas esteja, como eu, à procura de uma missa mais tranqüila.E de repente, me dou conta desta realidade: para toda essa gente o domingo já não é o dia do Senhor. É dia de trabalho, dia de vestibular simulado, dia de concurso público, dia de passeio de barco, dia de banho de mar; talvez, no final da tarde, quem sabe, assistir a uma missa vespertina, com músicas barulhentas e outros modismos atuais.

Bem, qual é o contexto em que vivemos, eu e esses meus concidadãos apressados em nossos carros ? Que tipo de cenário cultural faz o fundo de nossas vidas? Comecemos com as notícias que a mídia vem, há um bom pedaço de tempo, informando-nos sobre o mundo.
- continua acontecendo no Iraque a desgastante luta de guerrilha contra as tropas de ocupação;
- continuam ocorrendo em vária partes do planeta atentados terroristas, com vítimas fatais;
- vem crescendo o número de lugares em que o infanticídio (aborto), o (entre aspas) “casamento” entre homossexuais, o uso de drogas são legalizados (...);
- vem aumentando na Europa ocidental a presença de populações muçulmanas, criando assim um ambiente favorável à presença de terroristas de crença islâmica;
- continuam ocorrendo os choques violentos entre tropas do Estado de Israel e combatentes palestinos, causando muitas vezes a morte de civis inocentes.

Quanto ao Brasil, podemos registrar, por exemplo:
- o pronunciado crescimento das ações agressivas do chamado MST , bafejadas pela mal disfarçada tolerância do governo (...) federal;
- continua existindo a chamada “cota racial”, medida demagógica (e pior: racista), que faz anos os americanos, depois de a terem adotado em suas universidades, abandonaram como prejudicial à qualidade do ensino;
- continua sendo usado o errado nome Ministério da Educação, e agora com um ministro que propôs a chamada “universidade para todos”, uma outra absurda demagogia, que vai contra a ordem natural das coisas, já que, a rigor, somente pessoas com nítida vocação para uma vida de estudos deveriam matricular-se na universidade;
- continua existindo um clima de insegurança em nossa principais cidades, principalmente naquela que, em priscas eras, era chamada de “Maravilhosa”.

Porém, e o que dizer sobre o pequeno mundo de nossas famílias, de nosso trabalho ? Que exemplos poderemos dar? Vejamos alguns:
- vemos angustiados pais de família cujo filho moço, portador de um diploma de nível superior, está agora desempregado e com a saúde seriamente abalada pelos dois vícios mais comuns hoje em dia, a bebida e a droga;
- vemos uma pobre senhora viúva cujo filho único, apesar de já não ser criança, procede de maneira irresponsável, incluindo o envolvimento com drogas e outros problemas graves;
- vemos rixas familiares que muitas vezes fazem os filhos sofrer,sofrendo em silêncio a dor da ausência de respeito e afetividade dentro de seu próprio lar;
- vemos pais de família sorridentes, satisfeitos com o que consideram um “bom casamento”, aquele que seus filhos realizaram para viver simplesmente uma vidinha acomodada, sem ideais de nobreza e generosidade, provavelmente com um bem estudado “planejamento familiar”, em outra palavras: o egoísmo organizado ;
- vemos professores universitários que, como se estivessem obcecados pela atividade científica, não têm olhos nem ouvidos para outras realidades da inteligência e da sensibilidade, nem se dão conta do fato de estar há muito tempo ocorrendo no mundo inteiro aquilo que o economista E.F.Schumacher, com rara felicidade, denominou “a louca disparada prá frente”;
- vemos um setuagenário que percebe, contristado, quantas omissões suas ocorreram em sua mocidade, omissões suas que geraram sofrimento para tantas pessoas, omissões que contribuíram também para que este mundo de hoje seja menos humano do que poderia ser.

Voltava eu da missa hoje e vinha refletindo sobre tudo isso e pensei: quem para nós é realmente Jesus, chamado o Cristo, para todos nós daqui do Ocidente pelo menos? Qual é o grau da nossa fé nesse homem que é DEUS, que é o Verbo de DEUS encarnado, que é a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, esse essencial mistério cuja festa a Igreja hoje está celebrando? Quem é Jesus para mim? Qual é a medida da minha fé nesse homem ? Quem é ele para mim?

No artigo que faz pouco tempo divulguei entre meus amigos leitores ( “A luz que se apagou”) o professor Arthur Rios, referindo-se a Gustavo Corção, em certo trecho diz o seguinte:
O primeiro livro: A Descoberta do Outro espécie de pilgrim’s progress, ao sabor de nosso tempo, era, sob as espécies da ficção, a descrição de um roteiro espiritual. O “outro”, para surpresa geral dos existencialistas, não era apenas o próximo, o homem de carne e osso. Era Cristo mesmo, Deus encarnado, pai, irmão e amigo.

Pergunto : Jesus Cristo é de fato para mim “DEUS encarnado, pai, irmão e amigo”?
Esta deveria ser a pergunta chave para nós que nos dizemos cristãos. Se ela não for nuclear em nossa vida, tudo o que dissermos, em palavras pronunciadas ou escritas, e supostamente favorável à fé cristã, será um puro exercício de diletantismo. E mais, provavelmente não estaremos contribuindo para a necessária recristianização do Ocidente.

É possível fazermos maldosamente uma pequena lista dos defeitos que possuía o homem que escreveu, entre dezenas de outras obras, “A Descoberta do Outro” e “Dois Amores, Duas Cidades”. É possível apontarmos impiedosamente alguns equívocos que, infelizmente, ele teria cometido nos últimos anos de sua longa e trabalhosa vida. Mas não é possível negar, se houver honestidade em quem estiver observando, que ele teve a coragem moral de afirmar, de proclamar abertamente sua crença no Cristo, seu amor ao Cristo..Se a memória não me engana, o último artigo por ele publicado no jornal O Globo teve o título “No sangue”. Ora, o sofrido escritor morreu poucos dias depois, no dia 6 de julho, justamente no dia em que a Igreja comemora o santíssimo sangue do Senhor Jesus.


Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos Amen.



posted by ruy at 3:54 da tarde

4.6.04

 
Reflexões de um dia chuvoso


Um perigo difícil de perceber Apesar do imenso progresso material, científico e tecnológico em que vivemos, muitos perigos rondam o homem moderno,.Entretanto, para mim pelo menos, o perigo mais sutil, quase sempre ignorado, é o fato de alguém ser bem sucedido, bem sucedido na profissão, na carreira, nos negócios, na política, na vida literária..Regra geral, o homem bem sucedido cultiva um certo permanente otimismo; acha que, apesar das sombrias notícias, o mundo está melhorando...E dificilmente admite que seus critérios de julgamento, seus valores possam estar errados.


Um inimigo silencioso e onipresente Nosso Inimigo por excelência é o Diabo. Sendo um anjo, anjo decaído mas sem perder sua natureza angélica , ele não pode agir direto sobre nossa vontade.Sua ação é indireta; ele usa certos “auxiliares” para conseguir seus objetivos maléficos.Um desses “ajudantes” mais prestativos, e por isso mesmo onipresente, é o nosso silencioso “ eu , o nosso amor-próprio, que NÃO deve ser de forma alguma confundido com o bom e desejável amor de si próprio. O amor-próprio é traiçoeiro; está sempre pronto para nos derrubar. Grandes santas como Catarina de Siena e Tereza d’Ávila falavam sempre sobre a necessidade de nos defendermos sempre contra esse perigoso adversário nosso.

Mansidão Há uma passagem no evangelho em que Nosso Senhor nos diz estas consoladoras palavras: vinde a mim, vós todos os que estais aflitos sob o fardo e eu vos aliviarei.Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso leve. (cf.São Mateus, cap.11, vs. 28-30).
Ora, a mansidão que nos é proposta como modelo, é a mansidão do Cristo, é aquela de coração , isto é, a que precisa ter raízes profundas. Não é simplesmente a educada mansidão de um diplomata nem tão pouco a pacífica indiferença budista.

Pessimismo, otimismo e realismo Faz poucos dias recebi mensagem de um amigo que faz questão de se apresentar como otimista.Segundo ele afirma, apesar dos atuais problemas, nosso mundo está melhorando. Está mesmo? Um outro amigo envia-me uma mensagem em que me informa o assustador número de abortos anualmente feitos na Espanha, ou seja, naquela nação de tradição católica e que já deu tantos santos à Igreja.Só por esse exemplo, afirmo eu que não há motivo para otimismo. Mas, será um péssimo negócio embarcarmos no barco sombrio do pessimismo. Como sempre, a difícil porém necessária posição a tomar é a do realismo. DEUS tem uma infinita paciência, Ele respeita a liberdade do homem.De vez em quando, sua Mãe santíssima desce à terra trazendo o aviso salvador: façam penitência, mudem de vida, convertam-se enquanto é tempo.Aceitar essa advertência e procurar colocá-la em prática é agir com realismo.

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Naturezas boas Existe uma bondade que possamos chamar de “natural”? Existem pessoas naturalmente boas? Meu falecido avó costumava dizer que “quem é bom já nasce feito”. Jamais discuti o assunto com meu avô, que foi sem dúvida alguma um velhinho muito simpático, não havia quem não gostasse dele. Entretanto, quando eu ouvia aquela frase ficava incomodado.Para mim, era como se vovô fosse um pouco adepto de um certo determinismo psicológico. Hoje, com minha chegada aos setenta, com os cabelos mais ralos e embranquecidos, percebo que meu avó sob certo aspecto talvez tivesse mesmo razão. Deus concede a muitas pessoas um temperamento mais tranqüilo, uma sensibilidade maior para os problemas dos outros.Ele é o Pai das graças, e as entrega a quem Ele quer.Isso, entretanto, não significa que a virtude da caridade não deva ser praticada por todos nós, inclusive pelos que de fato têm uma “natureza boa”.

Um erro lamentável Muitos muros da cidade do Rio de Janeiro estão cobertos com coloridos “out-doors”, obviamente produzidos pela comunidade judaica, onde lemos o seguinte: “Israel – 56 anos”.Ora, a meu ver trata-se do que é chamado em física ou em engenharia: “um erro grosseiro”. Segundo meus cálculos, um erro de mais de 9000 % (nove mil por cento). Essa data (56 anos) que está nos “out-doors”, no fundo no fundo, nos dá mais uma confirmação da perda do sentido religioso no homem moderno.Fez-me lembrar a recente mensagem enviada a mim pelo meu mais novo leitor, o jovem C. R. , não o serrano, mas aquele que mora no “interiorão cearense”, conforme ele mesmo escreveu!.Nessa mensagem, C. R. envia minuciosa e grave notícia sobre o máximo problema atual da Europa : a descristianização da sociedade. Para quem já leu (e entendeu) o livro DOIS AMORES, DUAS CIDADES (editado no final dos anos 60), isso que C. R. nos conta entristece mas não causa muita surpresa..


posted by ruy at 4:08 da manhã

3.6.04

 
Paz e pacifismo


Não são apenas os nossos irmãos separados que costumam passar distraídos pelas páginas da Sagrada Escritura, particularmente pelos evangelhos. Muitos de nós católicos damos também nossas cochiladas. Se não vejamos.

Durante a celebração da missa, o momento culminante da participação dos fiéis ocorre na hora da comunhão.Ora, justamente quando estamos nos preparando para receber o Santíssimo Corpo do Senhor, nós abaixamos nossas cabeças, em sinal de humildade e dizemos – e isso ocorre no mundo inteiro, em qualquer igreja em que a missa esteja sendo celebrada – e dizemos estas palavras:

- Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e minha alma será curada.

Ora, essa frase é praticamente a mesma que foi dita pelo oficial romano, pelo centurião que havia pedido a Nosso Senhor a cura de um servo a quem aquele militar muito estimava.(cf. São Lucas, cap.7,vs.1-10). O leitor católico está lembrado disso? Está lembrado do elogio que Jesus fez ao referido centurião?

Na pregação de São João Batista, entre os vários grupos que procuravam no deserto o santo Precursor estavam os soldados, e os que conhecem a passagem devem estar lembrados do que São João disse aos homens da guerra:”Não maltrateis a ninguém, nem oprimais com calúnias a pessoa alguma, e dai-vos por contentes com vosso soldo”.
Notemos com a máxima atenção isto: São João não diz aos soldados: “Joguem fora suas espadas e lanças, larguem essa atividade guerreira”.(cf. São Lucas, cap.3, vs. 14)

No Calvário, quando Jesus entrega sua alma ao Pai, ouvimos ali, aos pés da cruz, o solene e reverente testemunho de um militar, reconhecendo a divindade do homem que ele tinha crucificado.Esse fato é narrado pelos três evangelhos sinópticos
:
Amigo leitor, neste momento eu lhe pergunto: depois de ler essas diversas passagens do Evangelho, seria aceitável que um cristão, em especial um católico, tivesse preconceito contra os militares?

Bem, faz algum tempo divulguei entre os meus leitores uma das páginas mais belas que já foram publicadas na imprensa brasileira, um artigo em que o autor presta uma generosa e justa homenagem ao escritor que, entre muitas obras de valor, deixou-nos o magnífico ensaio histórico DOIS AMORES, DUAS CIDADES. Estou me referindo ao artigo publicado em julho de 1979 no Jornal do Brasil sob o significativo título “A luz que se apagou”, escrito pelo professor José Arthur Rios em memória de Gustavo Corção.

Quem é José Arthur Rios? Trata-se de um sociólogo que, entre outros méritos, não é adepto do sociologismo.Homem de vasta cultura, finamente educado ( é o que se pode chamar um autêntico “gentleman”), o professor Rios vem a ser genro de Jackson de Figueiredo que, os bem informados sabem, foi o grande líder da renovação católica neste país, mormente entre os intelectuais.Ex docente da PUC- Rio, Arthur Rios de lá teve que se afastar, juntamente com outros mestres, por causa da pressão dos novidadeiros que haviam sido hipnotizados pelas fantasiosas teorias de Teillard de Chardin, as mesmas que acabaram gerando os Bettos, Betinhos e Boffs da vida.

Há muitos anos vem o Professor Rios proferindo excelentes palestras na Confederação do Comércio, na seda carioca da entidade.Uma das mais recentes foi publicada na ótima revista Carta Mensal, mensário da CNC, sob o título: “Guerra e Paz: uma Doutrina da Guerra”.Infelizmente não vou poder transcrever o texto completo dessa palestra, mas citarei alguns comentários do autor.

Diz Arthur Rios que, tradicionalmente, três correntes de pensamento se voltam para o problema ético da guerra :
- a escola dos Realistas, para os quais a luta armada é necessariamente amoral.Para o Realismo, é sumamente ingênuo querer fazer qualquer restrição ética à guerra..O patrono dos Realistas é sem dúvida alguma Maquiavel;
- a corrente do Militarismo, que valoriza a guerra a qualquer preço. Rios usa a expressão lust for war para melhor caracterizar a psicologia desses apaixonados pela guerra, entre os quais podemos listar socialistas (Lênin, Fidel, Mao, Pot), nacionalistas e agora, mais do que em outras épocas (para maior angústia do Ocidente) , o Fundamentalismo islâmico ;
- o não menos exaltado grupo adepto do Pacifismo que, ao contrário do que muitos possam erradamente pensar, não é doutrina cristã.Textualmente escreve o autor que ora citamos: Para eles (os pacifistas) o dever de não resistência é absoluto, não comporta exceções. , e lembra Santo Agostinho que, sabiamente, entendia que o dar a outra face ao agressor, conforme dito pelo Cristo, é uma regra válida para o indivíduo, e não para o cidadão que vê sua pátria agredida, que vê sua família em perigo.

Em certo ponto de sua longa e brilhante palestra, apoiada em séria bibliografia, Rios cita Santo Tomás de Aquino que arma esta pergunta: “será sempre pecado mover a guerra?” , e o mesmo santo Doutor responde : “não” e, baseado em Santo Agostinho, elabora a doutrina da guerra legítima.

Tenho absoluta certeza de que este assunto deve estar desagradando a vários leitores deste “blog”, porém, como diziam os antigos: “amicus Plato magis Véritas”: Platão é meu amigo, muito mais amiga é a Verdade.Não espero, nos estreitos limites deste “post”, fazer com que o leitor se convença de que aquelas três correntes a favor ou contra a guerra são indesejáveis, cada uma por um específico motivo. Entretanto, depois de tudo o que escrevi, espero e desejo que o leitor sensato abandone algum eventual preconceito que alimente contra os militares , uma errônea atitude que grandes santos da Igreja não mantinham.

Arthur Rios embora não o tenha feito poderia ter citado Murilo Mendes, o perspicaz poeta que escreveu, em seu livro “Discípulo de Emaús”, esta sábia reflexão :

- Guerra à guerra ainda é uma divisa belicosa .


posted by ruy at 4:59 da manhã

2.6.04

 


Pensar


Acho que já contei o fato, mas vale a pena recordar.
Anos atrás o Ruy trabalhou numa excelente firma de engenharia, pequena porém séria e competente. Ao término do projeto, o cliente recebia o que era chamado “o compêndio do projeto”, um volume que continha todas as plantas de instalação e mais um conjunto de informações úteis para os usuários do sistema projetado.
No começo do citado documento havia uma folha de face em que estava escrita esta frase:

- Pensar é o trabalho mais difícil, provável razão pela qual tão poucos a ele se dediquem”.

Ora, esta frase não é de nenhum filósofo ou pensador, mas, sim, de Henry Ford, o grande industrial americano. Pois bem, hoje de manhã recebi uma mensagem, enviada por um velho colega e amigo meu, em que ele divulga entre os colegas uma interessante historieta. Gostaria de divulga-la no “blog” não tanto pelo ensinamento pragmático que ela apresenta em seu final, mas, sobretudo, para ressaltar o tema deste “post”.

AS DUAS PULGAS.
Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra: - Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.
Elas então contrataram uma mosca como consultora, entraram num programa de reengenharia de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra: - Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente. Elas então contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu.... A primeira pulga explicou por quê: - Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando.
Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.
E então um pernilongo lhes prestou uma consultoria para incrementar o tamanho do abdômen.Resolvido, mas por poucos minutos... Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou: - Ué, vocês estão enormes! Fizeram plástica? - Não, reengenharia.Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento. - E por que é que estão com cara de famintas? - Isso é temporário.Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar. E você? - Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia. Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha: - Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma reengenharia? - Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora. - Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas?, quiseram saber as pulgonas... - Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me disse: "Não mude nada. Apenas sente no cocuruto do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança".
MORAL: Você não precisa de uma reengenharia radical para ser mais eficiente. Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento.



Uma reflexão de Santa Terezinha


Pensar é bom.Rezar é melhor. Amar é tudo.


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posted by ruy at 4:59 da manhã

31.5.04

 
Um esclarecimento


Quando meu amigo A ..., o inteligente e irreverente poeta paulista, gentilmente sugeriu-me a edição de um “blog” , desde o início me propus a fazer deste “pequeno oásis” um local para dar, tanto quanto me fosse possível, um testemunho.Pode ser que ao longo destes anos o Ruy tenha inúmeras vezes falhado em seu objetivo, porém afirmo que a intenção permanece. Por causa disso, tenho que escrever o “post” de hoje.

Sem dúvida alguma será um lugar-comum o afirmarmos que neste nosso mundo atual vivemos todos permanentemente sob o “bombardeio” dos meios de comunicação, mais precisamente, sob o bombardeio da mídia, que nos trás, todos os dias, todas as horas, notícias que vão desde os concursos de “miss” e de campeonatos de tênis, desde os casamentos de príncipes e divórcios de astros do cinema até os desgastantes combates em localidade no Iraque e na Palestina, até as revoltas de presos nas penitenciárias das principais cidades do nosso país. Toda essa pletora de fatos transformados em notícia acaba por nos tornar passivamente lerdos para refletir e, em conseqüência, responder a esta essencial pergunta: “como foi que chegamos a esse agitado mundo moderno? “

Ora, por diversas vezes, escrevendo neste “blog”, venho fazendo referência ao brilho da Idade Média;, depois, tenho falado sobre o declínio cultural da Idade Média, declínio esse marcado pelo surgimento do nominalismo – abagunçando a filosofia - , e pela disseminação da indisciplina religiosa, cristalizada por Lutero – abagunçando com a fé cristã.Venho fazendo referência ao crescimento dos orgulhosos e ambiciosos nacionalismos, ao aparecimento do ateu e sombrio Iluminismo, avô das estruturas políticas do Ocidente. Ao fazer, neste “blog”, essas referências creio que tenha passado ao leitor unicamente a idéia, ainda que verdadeira, de que o antropocentrismo é o culpado da desordem, dos desencontros, das agressões que acontecem diariamente na política, nacional ou internacional.Mantenho tudo o que editei, mas é preciso um adendo muito especial.

A desordem causada pelo antropocentrismo, meus amigos, vai muito mais além da esfera política.Essa desordem entrou pela porta da casa de milhões de famílias do Ocidente, e instalou-se na rotina de nossa vida doméstica.Esta frase tão categórica, e ao mesmo tempo tão sibilina, dá ao leitor o pleno direito de me dizer isto: “prove o que você está dizendo!” É o que pretendo fazer em seguida.
As demonstrações que se costumam fazer no terreno da matemática ou mesmo da física têm, em que pese a complexidade da seqüência de raciocínios, uma formulação asséptica.Nessas ciências, em nenhum instante do processo demonstrativo aquele que procura a verdade sente o desconforto de quem não acredita na existência de um tipo de solução.Esta pode ser difícil e de atingimento demorado, mas quem a procura conserva sempre uma radiosa esperança de chegar ao fim desejado. No que toca aos problemas da convivência humana não existe esse conforto, essa assepsia, essa esperança mais firme na busca da solução.É preciso um outro tipo de abordagem que não seja o do tipo cartesiano “a + b = c, logo...”
Um modo de “provar” o que dissemos sobre o fato de a desordem antropomórfica ter entrado em nossos lares é o de dar exemplos, exemplos fáceis de constatar, exemplos que ocorram comumente em nosso dia a dia. Vejamos alguns deles.

Cada um de nós tem sua vocação própria.Há os que têm um excelente desembaraço manual, manifesto desde a infância; outros existem que parecem ter nascidos poetas, infensos ao uso das mãos para fazer coisas outras que não sejam as ações essenciais para nossa sobrevivência. Graças a DEUS, o papa João Paulo II em sua encíclica “Laborem Exercens” faz clara referência ao trabalho intelectual. Porém, pergunto, quantos pais de família são capazes de entender e aceitar essa primeira diferença de aptidões? O problema da escolha profissional na maioria das vezes vem sendo tratado pelas famílias de modo pragmático..Interessa-nos colocar nossos filhos e filhas em profissões seguras, se possível à sombra do Estado, esse “pai” providencial dos funcionários públicos. É mentira do Ruy?

Outro equívoco pernicioso é o de querer ansiosamente para os filhos um diploma dito de “nível superior” sem procurar primeiro saber se o moço ou a moça tem de fato vocação para estudos avançados. Esse equívoco coloca muitas famílias à mercê dos demagogos que prometem levianamente “universidade para todos”.Se ao menos dissessem : “universidade para todos que tenham real vocação para ali entrar” seria menos mal.

Bem, seria desumano de minha parte ignorar a necessidade do trabalho, do emprego para os moços.O pai e a mãe que se preocupam com isso sem dúvida amam seus filhos.Ora, faz um bom tempo que temos visto e ouvido notícias sobre escândalos relativos à apropriação indébita de dinheiro público, usando o termo sintético: o roubo.Na maioria de nossas famílias é ponto pacífico que roubar é errado; ninguém deseja ter um filho ladrão.Muito bem.Entretanto, se é verdade que existe um sétimo mandamento, é porque existem os outros nove também.Pergunto: os mesmos pais que se preocupam com que seus filhos sejam honestos por acaso se preocupam também com que eles tenham outras virtudes, a começar pela maior delas? Se forem pais católicos, por acaso se preocupam quando seus filhos deixam de ir à missa dominical? O que a missa representa de fato para nós? Simples pretexto para uma festiva reunião no início da semana?

Alguém pode estar pensando agora: “esse Ruy é um grande ‘bore’, falar em missa...”
Pois é, leitor, pode ser que eu seja mesmo um “bore”. Entretanto, pergunto: você já parou para pensar seriamente no fato de muitas pessoas estarem,neste exato momento, morrendo, de modo cruel, simplesmente por serem ocidentais, portanto supostamente cristãs? Em quantas de nossas famílias existe o salutar hábito da oração em comum? Ou preferimos ficar reunidos em êxtase diante da telinha brilhante e colorida ?

.Contam que certa vez o pai de Santa Terezinha ao ver, numa estação ferroviária, um pobre mendigo que mal tinha forças para esmolar, tirou seu próprio chapéu da cabeça e ficou ali, em pé, junto do pedinte, colhendo esmolas para aquele que, naquele instante, era seu próximo bem mais próximo. Ora, mais que uma carreira segura e brilhante para nossos filhos, deveríamos, pelo menos, desejar que eles estivessem abertos a análogas disponibilidades.Só assim teríamos um mundo menos agressivo. É perigosa ilusão esperar uma sociedade mais justa e mais benigna contando apenas com nossas estruturas políticas, não importa qual seja o tipo de suas ideologias.

Não vou me alongar.Na parte que me toca, quero apenas dizer o seguinte: cada dia que passa mais me arrependo das milhares e milhares de vezes em que deixei de rezar pelas pessoas que a mim estão ligadas, umas bem próximas, outras um pouco distantes. Rezar não apenas para que tivessem saúde, um bom emprego, ou para que resolvessem seus problemas familiares.Mas, rezar, sobretudo, para que vivessem autenticamente a fé de seu batismo.Que DEUS me perdoe por minhas incontáveis omissões... Elas têm cooperado para que este mundo seja menos humano.


Dom Lourenço

Hoje é aniversário natalício de Dom Lourenço de Almeida Prado OSB. Que DEUS continue conservando a saúde e a lucidez desse bom filho de São Bento.



posted by ruy at 3:01 da tarde

 

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