Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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30.5.04

 
Ela estava lá !


O Mal é um mistério.Sua definição só pode ser expressa de forma negativa, mas ele existe, e é uma realidade tão incômoda que muitos homens de ótima cultura, inteligentes e bons, talvez mesmo por causa dessa bondade, sucumbiram diante desse mistério, que pode se apresentar de várias formas, classificáveis em dois tipos: o mal moral e o mal físico, às vezes entrelaçados. A ignorância, por exemplo, pode às vezes implicar um mal físico em paralelo com o mal de recusarmos receber o terapêutico ensinamento..Talvez esse fato explique o antigo e irreverente provérbio carioca que afirma isto: “ O ruim da burrice é que ela dói nos outros” .

Ora, é justamente o que me ocorre cada vez que me lembro do modo como nossos irmãos-separados – separação conseqüente da indisciplina de Lutero – se posicionam diante de Nossa Senhora, recusando-se a prestar à Santíssima Virgem a magna reverência que há muitos séculos a Igreja presta a Maria.

Note bem leitor, falei em burrice.Poderia parecer dureza de minha parte, porém não é injustiça minha,.se não vejamos.Nas bodas de Caná, Nossa Senhora faz com que seu divino filho realize o primeiro milagre, contrariando, aliás, o que Ele havia planejado.A miraculosa transformação da água em vinho, realizada numa festa de casamento, portanto publicamente, está registrada na Sagrada Escritura. Ora, durante dezenas e dezenas de anos, os protestantes sempre se gabaram de serem leitores assíduos da Bíblia e, ao mesmo tempo, criticavam a nós católicos porque não tínhamos o mesmo salutar hábito. Admitindo a procedência da critica, pergunto: se não é por burrice, então por que a tal fervorosa leitura nunca lhes abriu os olhos para verem o glorioso privilégio de Nossa Senhora ?

Bem, neste Domingo a Igreja festeja Pentecostes, a fulgurante descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus que estavam rezando juntos num mesmo lugar.É maravilhosa a cena que São Lucas, o médico e pintor, descreve, de modo preciso e, ao mesmo tempo, sem exagero nos adjetivos, a cena que marca o início festivo da Igreja (o início doloroso é o da cruz; ali, a glória estava oculta). Ora, em Pentecostes Maria estava entre eles, Maria estava com eles. Nossa Senhora rezava com eles ! Ela estava lá !

Meus irmãos-separados, por favor me perdoem por eu ter citado aquele irreverente provérbio carioca, mas, reflitam e depois me digam com sinceridade:
- não é no mínimo uma teimosia meio infantil isso de não reconhecer aquilo que é tão visível na Sagrada Escritura? vocês não acham que seja caturrice típica de adolescente isso de negar homenagem à mais santa das mulheres, recusar reverência àquela que disse ao anjo o “fiat” que nos abriu as portas do Paraíso? Serão vocês, meus irmãos, mais inteligentes e mais santos que um São Bernardo?


Memorare

[Oração composta por São Bernardo]

Lembrai-vos, o’ puríssima Virgem, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm a vós recorrido, implorado a vossa proteção, reclamado o vosso socorro, fosse por vós desamparado
Animado, pois, com esta confiança, como Mãe recorro e de vós me valho e gemendo com o peso de meus pecados me prostro a vossos pés.Não desprezeis as minhas súplicas, o’ Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e alcançar o que vos rogo.
Amen.



Uma sugestão aos leitores deste “blog”

Se puderem, não deixem de ler o “post” de hoje (30 de maio )no “blog” Desanuviando !



posted by ruy at 2:18 da tarde

29.5.04

 
Reflexões em torno de dois paralelos


Erudição e conhecimento No meu tempo de menino, era muito comum fazer com as crianças a brincadeira de lhes perguntar isto: “o que é que tem olho de gato, focinho de gato, orelha de gato, pelo de gato, rabo de gato, mas não é um gato?” Era uma adivinhação ingênua cuja resposta óbvia – a gata – provocava sorrisos da criança interrogada. Entretanto, em nossa vida há exemplos de semelhança possivelmente bem mais interessantes, e com certeza mais relevantes, que o da existente entre um gato e sua cara metade felina.Um desses casos é o que se refere à semelhança entre a erudição e o conhecimento.

O erudito, em geral, é alguém que nos impressiona, sem que ele deseje isso ou intencionalmente queira nos impressionar, pela quantidade de dados que possui sobre alguma pessoa célebre, sobre certo país da Europa, por exemplo, ou sobre um famoso literato ou um grande personagem da história. Quando ouvimos ou lemos o erudito, quando ele abre os abarrotados arquivos de sua memória, nós admirados comentamos: “Puxa, como ele conhece tudo isso ? ”

Bem, o conhecimento verdadeiro, amigo leitor, não se avalia pelo critério, digamos assim, quantitativo .Lembrando agora as categorias de Aristóteles, direi que o conhecimento autêntico mede-se pela substância da coisa conhecida que esteja em nossa inteligência. Mede-se pela integridade, pela organicidade da realidade conhecida por nós.

Posso conhecer muito bem os defeitos e as qualidades de uma certa pessoa , posso conhecer seus apelidos, seus gostos e desgostos, suas idiossincrasias; posso comentar indiscretamente suas briguinhas conjugais e outras brigas mais sérias que ela teve ao longo da vida.Posso mesmo ter lido muitos de seus escritos, supondo que praticava a nobre atividade da literatura..Entretanto, tudo iso que eu possa conhecer sobre a tal pessoa não faz com que eu de fato a conheça em sua identidade essencial , naquilo que faz com que ela tenha sido única no mundo, com um insubstituível papel representado no grandioso drama da espécie humana.. O conhecimento verdadeiro que tenhamos sobre uma pessoa pode fazer, sobretudo, que tenhamos um nobre respeito por sua memória. É um conhecimento generoso.

Da mesma forma, conhecer de fato um país estrangeiro não é algo que se obtenha pelo número de viagens que até ele tenhamos feito.Podemos ir dezenas, centenas de vezes a Paris e a outras históricas cidades da França e jamais conseguirmos nos aproximar da alma gauleza, com aquela sua especificidade única na geografia deste planeta.Esse acervo de viagens nem sempre nos propiciará um modo de conhecer que possa nos fazer sentir melhor a essencial fraternidade dos povos criados por DEUS.


Excelente comportamento moral e santidade Faz muitos anos, uma senhora muito minha amiga contou-me que certa vez um colega de trabalho de seu esposo um belo dia havia feito para ela este comentário: “seu marido é um santo.” Bem, coincidentemente, eu conhecia bem a pessoa que fora daquele modo elogiada. O elogio era sem dúvida sincero, porém, a pessoa que o fez, mesmo inspirada pela melhor das intenções, com toda a certeza não sabia distinguir a diferença entre um excelente comportamento moral e uma existência vivida em real atmosfera de santidade.

Na história da Igreja é bastante pedagógico o fato de que, na imensa galeria dos santos, estão aqueles (e aquelas) que tiveram atitudes, digamos assim, mais disciplinadas, e os que não estavam muito preocupados em seguir certas regras convencionais. Vemos ali o poeticamente vagabundo São Francisco de Assis e o bem trajado e formal Santo Tomás Morus.

Estas considerações, amigo leitor, podem estar parecendo algo antipáticas. Não vou discutir esse aspecto, mas, ainda que não falemos sobre a intencional busca de uma vida santa , como a entende o Cristianismo, mesmo que fiquemos no simples plano natural do aperfeiçoamento humano, convinha lembrar agora a tese de Mortimer Jerome Adler, qual seja, a de que a educação é uma atividade eminentemente pessoal, feita pelo próprio homem autônomo que se educa, uma atividade que só termina em nosso último segundo nesta vida (aliás, segundo, hora etc. , o tempo enfim, é mesmo coisa deste mundo).E é por causa desse significado da educação que o tal Ministério tinha que ser denominado: “da Escolaridade”, ou “do Ensino”.Estado nenhum tem o direito de educar-me; sou eu quem me educo.

O que define a moralidade ou a santidade de um ato humano, ensinam-nos os doutos, é a intenção do agente, é a chamada causa formal do ato.E só quem sabe o que se passa nas profundezas do coração humano é DEUS; e mais ninguém. Portanto, só Ele é quem sabe se um excelente comportamento moral é mesmo fruto de uma corajosa procura de santidade.



posted by ruy at 3:09 da tarde

28.5.04

 
Um caso de amor


Já faz muitos anos, no tempo em que a permissividade ainda não havia recebido o “status” de que hoje desfruta, era comum a expressão “triângulo amoroso”, freqüentemente usada nas reportagens sobre crimes passionais, em geral feitas pelos jornais menos discretos. Os mais velhos devem estar inclusive lembrados de uma outra expressão, essa francesa, carregada de insinuações brejeiras, que era a: cherchez la femme”. Bons tempos aqueles em que, mesmo no meio de dramas e tragédias ainda existia um quê de normalidade, no caso, a normal complementaridade dos sexos.Ora, vou iniciar o “post” de hoje falando sobre um tema já abordado neste “blog”, mas devido a sua relevância merece repetição, e que é justamente o de um certo “triângulo amoroso”.

Tenho recebido diariamente pela Internet, graças à gentileza do meu amigo e leitor M..., o engenheiro eletricista, uma mensagem que traz o evangelho do dia (na liturgia católica) seguido de um texto, em geral patrístico, correlacionado com a primeira transcrição.Na mensagem de hoje veio o seguinte:

Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu te amo.» Jesus lhe disse: «Apascenta os meus cordeiros.» Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu me amas?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu te eu amo.» Jesus lhe disse: «Apascenta as minhas ovelhas.» E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu me amas?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: 'Tu me amas?' Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu te amo!» E Jesus lhe disse: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há de atar o cinto e levar para onde não queres.» E disse isto para indicar o gênero de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»
[Evangelho. segundo São João, cap.21, vs. 15 a 19].

O comentário colocado na mensagem é um trecho de Santo Agostinho, em que o bispo de Hipona nos lembra a tríplice afirmação do amor de Pedro por Jesus, colocando-a em notório contraste com a tríplice negação, que fora dolorosamente marcada pelo canto de uma ave irracional, e ao mesmo tempo ressalta a missão entregue pelo Cristo ao primeiro papa: “Apascenta minhas ovelhas”. Esse apascentar só tem sentido, só terá eficácia se for motivado por aquele amor que Pedro foi obrigado a confessar publicamente.

Há um equívoco que em geral, costuma ocorrer entre os protestantes, mas, infelizmente, muitos de nós católicos o cometemos, o equívoco de considerar o Cristianismo como um modo sublime de convivência humana.Volta e meia nos deixamos envolver pelo torvelinho dos acontecimentos e nos esquecemos do “triângulo necessário”, esquecemo-nos de que é necessário, antes de mais nada, AMAR ao Cristo Jesus. Nosso amor ao próximo - muito diferente de uma benevolência difusa, do tipo daquela que aparece nos escritos de um Ghandi ou, em nível menor, nos livros de um Paulo Coelho; diferente daquilo que nos é proposto nos conselhos sentimentais comuns em certas mensagens coloridas que fluem através da Internet – nosso amor ao próximo, digo, precisa estar referido a esse primeiro amor de que São Pedro deu testemunho, na presença dos demais apóstolos.

Em resumo, uma vida cristã autêntica tem que ser, antes de mais nada, um “caso de amor”.


posted by ruy at 5:51 da tarde

27.5.04

 

Um pouquinho de história


Segundo nos conta o noticiário da mídia, nosso Presidente foi à China acompanhado por um séqüito de quatrocentas pessoas.Todos foram, assim foi dito, tratar de negócios que obviamente devem ser do interesse mútuo de ambos os países (entenda-se: do interesse mútuo dos governantes desses países).

Como é bastante comum na imprensa escrita ou televisionada, certas sutilezas ficam despercebidas pela imensa maioria das pessoas que acompanham as notícias.Uma dessas sutilezas é a que se refere ao fato de ser usado, sem sombra de dúvida, o inglês para os muitos diálogos travados entre os visitantes e os compatriotas de Confúcio.Ou seja, foi usado um idioma ocidental , e num idioma em que cerca de trinta por cento dos vocábulos são de origem latina. Outro aspecto que costuma ficar transparente é o fato de o regime político da China ser inspirado em uma doutrina filosófica elaborada por um ocidental, o Dr. Karl Marx.

No meu, agora bem distante, tempo de menino era comum usar-se a expressão “negócio da China” com o significado de uma transação em que um dos contratantes leva uma descomunal vantagem sobre um outro, sendo esse outro alguém ingênuo e/ou incompetente.Era uma frase que tinha o cheiro da esperteza, da velhacaria, da ambição do lucro fácil.Infelizmente a origem da fase está ligada a pelo menos dois séculos de uma influência ocidental naquele grande país asiático, uma influência que certamente NÃO foi das mais edificantes.E com certeza não podia, não tinha como ser edificante. Por quê?

Paralelamente com as notícias da viagem do Sr Luis Ignácio e seus bravos quatrocentos acompanhantes, continuou nestes últimos dias o melancólico relato diário do que vem se passando no Iraque. Nesta altura dos acontecimentos, será difícil achar alguém sensato que não esteja convencido da inépcia do presidente Bush. Ora, como diziam os antigos: “até aqui, morreu Neves”. Muitíssimo mais difícil vai ser encontrar alguém que veja, na origem das mancadas da política internacional americana, a presença do antropocentrismo, esse fenômeno cultural iniciado no apagar da grande luz medieval e agigantado nos séculos que se seguiram à Idade Média.

Ora, é justamente esse infeliz antropocentrismo que acabou gerando a desenfreada ganância, individual ou institucionalizada nos diversos orgulhosos nacionalismos, a ganância que fez, do jeito que fez, a colonização européia dos demais continentes. Que, ao deparar-se com a milenar quietude chinesa, logo pensou em fazer ali seus “grandes negócios da China”. Ou seja : no afã enlouquecido de ganhar o mundo, o Ocidente perdeu a sua alma. Esqueceu-se das graves advertências do Cristo.

Meus amigos leitores, é FACÍLIMO criticar Bush, Blair, Lula, Chavez “e tutti quanti”.Todos eles são, por assim dizer, netos distantes do Iluminismo pretensioso que certo dia resolveu afirmar isto: DEUS é apenas o próprio universo em que vivemos, DEUS é apenas um indefinido espírito a que não devemos chamar de Pai. O mesmo Iluminismo que em certo dia do século XVIII colocou sobre o altar da sagrada catedral de Notre Dame, a catedral de Nossa Senhora de Paris,. a magnífica catedral cuja beleza os homens de pequena cultura são incapazes de enxergar, colocou sobre aquele altar – blasfêmia horrenda – uma infeliz prostituta, uma infeliz mulher que se prestou àquele infame papel de representar a deusa Razão...

Tudo o que vem acontecendo hoje, leitor amigo, não acontece por acaso.Tem uma história.
Em parágrafo anterior usei a palavra “desenfreada”, referindo-me à ambição de nós, ocidentais modernos.Na Idade Média, a ambição era considerada um pecado.O ambicioso sabia disso. Havia um freio cultural. Hoje, ser ambicioso é marca de valor.Pais de família incentivam seus filhos a serem ambiciosos.



posted by ruy at 5:11 da manhã

26.5.04

 

A Igreja incomoda


Costuma fluir pela Internet uma pletora de mensagens, pretensamente piedosas, muitas acompanhadas de brilhantes imagens coloridas e algumas com fundo musical, que falam em DEUS, em Jesus Cristo, em anjos, em amor ao próximo e outros temas análogos, temas esses que dificilmente levariam uma pessoa comum a fazer a mínima restrição a tais mensagens. .Mas, o que seria uma pessoa “comum” ? No contexto deste item do “post”, pessoa comum para mim é alguém que foi batizado, recebeu mesmo aulas de catecismo, fez sua Primeira Comunhão, eventualmente vai a alguma missa de casamento ou de sétimo dia, mas não está muito empenhado em receber freqüentemente os sacramentos que a Igreja coloca à nossa disposição, especialmente o da penitência e o da sagrada eucaristia, não está muito preocupado em viver a fé do seu batismo.

Pois bem, as pessoas comuns não percebem que aquelas mensagens carecem da desejável profundidade no trato dos assuntos correlacionados com a religião cristã; pior, induzem os mal informados a suporem que o Cristianismo seja simplesmente uma sublime arte de convivência humana, e não a suprema aventura que o nosso Criador propôs a cada um de nós, a dramática aventura do retorno à Casa Paterna, retorno esse que os teólogos chamam a salvação.

Faz uns dois ou três dias, passou-me pelos olhos uma daquelas mensagens. Dessa vez o assunto era justamente a oração do Pai Nosso escrita em aramaico.A mensagem era acompanhada por uma imagem do Cristo.
Os que vêm acompanhando as notícias, mesmo que não tenham visto o filme de Mel Gibson, estão a par de que um dos aspectos mais atraentes da película é o fato de muitos diálogos serem feitos na mesma língua em que falou Nosso Senhor. Podemos até afirmar sem susto que Gibson, entre outros feitos, tornou divulgado esse antigo idioma dos judeus.Pois bem, a pessoa que compôs a tal mensagem, em certo trecho afirma, como quem está contando vantagem, que aquela divulgação está sendo feita sem a interferência da Igreja ! Releia esta frase , leitor. E agora reflita e pergunte a si próprio: o que queria dizer com isso o redator do referido texto? Por acaso pensa ele que a Igreja durante séculos ocultou a existência do aramaico? Ignora ele que em alguns trechos dos evangelhos os autores inspirados transcreveram frases em aramaico? Por que essa implicância com a Igreja ?

O fato, leitor amigo, é que a Igreja incomoda. Incomoda porque sempre se posiciona a favor da Lei Natural, portanto contra a legalização do covarde infanticídio (mais conhecido como aborto) e a legalização do (entre aspas) “casamento” entre homossexuais.Incomoda porque defende o uso respeitoso do sexo no matrimônio.Incomoda porque há muitos e muitos anos fala, usando linguagem precisa, sobre uma coisa que os pragmáticos desconhecem e fazem questão de não conhecer:: o Bem Comum. Incomoda porque sempre, teimosa e pacientemente, nos lembra o que o próprio Cristo disse a Pilatos: o Reino a que somos destinados não é deste mundo.Incomoda porque diz a verdade.


O Inferno


Quando eu era moço, certa vez li, creio que em um texto de Fulton Sheen, uma interessante historieta que passo a contar agora.
Certo dia morreu um grande milionário americano cujo “hobby” favorito era a prática do golfe.Durante anos e mais anos, o falecido participara entusiasmado de campeonatos daquele elegante jogo, fossem em seu país ou no estrangeiro.
Ora, acontece que o tal texano (era do Texas o defunto) logo depois de seu movimentado enterro foi bater no Inferno. Lá chegando, o diabo imediatamente levou-o a um belíssimo campo de golfe.Um verdejante gramado como o milionário jamais havia visto; um conjunto de tacos perfeitos; carrinhos elétricos, para deslocamentos longos, superconfortáveis.Um primoroso bar para lanches rápidos, com bebidas deliciosas. Tudo de primeiríssima qualidade. Mas, de repente o recém chegado perguntou ao “dono da casa”:

- Está tudo “very well” ! Mas, onde está a bola ?
E aí o diabo, dando uma risada sarcástica, respondeu:
- Não existe bola! Aqui é mesmo o Inferno ! br>
A anedota, explicava Fulton Sheen, pode ser fantasiosa, porém é teologicamente verdadeira.

Muitos de nós brasileiros costumamos contar anedotas irreverentes cujo cenário é o Inferno e nas quais o diabo prega peças curiosas nas pessoas que ali chegam, em geral os políticos, vivos ou falecidos, nacionais ou estrangeiros, de quem não gostamos. Mas, essas anedotas não nos provocam úteis reflexões sobre a terrível realidade do Mal. E ele existe.É um assombroso mistério da existência. Por que o Mal? Se DEUS é a bondade infinita, por que permitiu a primeira desobediência? Homens de excelente cultura e grande fortaleza moral, derrubados por uma sensibilidade excessiva, ludibriados por seu próprio coração bom e generoso, infelizmente têm sucumbido diante desse mistério.

Faz alguns dias escrevi neste “blog” sobre a fundamental importância da alegria em nossa vida. Vale a pena refletir mais uma vez sobre ela, lembrando inclusive uma oportuna reflexão do saudoso Murilo Mendes:

O Diabo é o ente que não brinca.E é por excelência o ente sem música.


posted by ruy at 3:33 da tarde

 

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