Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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8.5.04

 
O grande problema dos Estados Unidos


Peço ao leitor que logo de início preste atenção no detalhe. Estou me referindo ao problema dos Estados Unidos , e não ao problema dos americanos

Por uma feliz coincidência, faz poucos dias uma de minhas filhas, de volta de uma curta estada em Londres – onde fora acompanhando o marido, em viagem que ele fez a serviço – trouxe-me de presente um livrinho. Livrinho mesmo, dimensões: 11 cm x 11 cm x 3 cm. Cabe folgado no bolso de um paletó. Mas, em que pese o tamanho humilde, o tal livro é valioso, ou pelo menos valioso para mim. Trata-se de uma bela coleção de gravuras do famoso artista americano NORMAN ROCKWELL, que se celebrizou pelas ilustrações de capa que fez durante décadas para a revista The Saturday Evening Post

O livro (deixo de usar agora o diminutivo desnecessário) tem uma introdução, feita por Christopher Finch , que é um modelo de bom gosto e faz justiça ao pintor cujas figuras vemos em tamanho reduzido mas sem perderem sua nitidez, graças à excelente qualidade gráfica da edição. Vale a pena citarmos alguns trechos dos comentários do Sr. Finch

Por exemplo, na página 8, ficamos sabendo que o pai de Rockwell tinha o costume de ler em voz alta para a família as obras de Dickens. É claro, tendo o artista nascido em 1894, tais leituras em família eram feitas no tempo em que nem se sonhava com a televisão e seus efeitos deletérios, que hoje conhecemos de sobra.

Um parêntese. Minha mulher é uma voraz devoradora de romances Um dos que ela se lembra com especial carinho é o “Grandes Esperanças” (“Great Expectations”). Por quê? Segundo ela me conta, trata-se de uma história que ressalta a virtude da gratidão, à qual minha mulher dá um imenso valor.Fecho o parêntese.

No correr da introdução, Finch refere-se às rápidas mudanças que ocorreram no mundo depois da primeira Guerra Mundial e como Rockwell adaptou-se aos novos estilos e hábitos da sociedade mas sem perder sua essencial perspectiva de artista. Na página 10, lemos o seguinte :

O que parece tê-lo habilitado a proceder desse modo foi uma crença na fundamental decência da maioria de seus companheiros seres humanos. Tal crença estava profundamente assentada sobre todos os seus valores, e permitiu que ele percebesse uma continuidade nos padrões de comportamento, imperturbáveis pelos desvios dos costumes.
O século XX tinha oferecido sobeja evidência da habilidade do homem de despojar-se de sua humanidade, e Rockwell estava bem a par disso, entretanto ele agarrou-se com sua crença na decência.Era um artigo de fé, e isso deu a seu trabalho um sabor de inocência.


Das centenas de gravuras reproduzidas no livro podemos respigar algumas bem sugestivas. Por exemplo, a do pescador frustrado (GONE FISHING), onde o desânimo do homem parece estar sendo compartilhado pelo seu cão. O avô amoroso e seu casal de netos ( GRANDPA AND CHILDREN), em que a face enrugada do ancião contrasta belamente com o rosto delicado das crianças. As bisbilhoteiras ( GOSSIPS ), em que as três velhotas em torno da mesa se inclinam, rosto com rosto, para melhor fazer a fofoca. O retorno do soldado (HOME COMING GI ) após o término da segunda Guerra Mundial, chegando à sua humilde casa de subúrbio, com o sutil detalhe da jovem que, à esquerda da figura, encostadinha na parede, parece estar aguardando seu abraço de namorada saudosa. A saída da família em férias (OUTING), em que Rockwell pintou dois carros, cada um num sentido, e em cada um deles, aparecendo nas janelas: o casal de pais, os filhos, os cachorros, naquela descontração esperançosa que me faz lembrar o tempo em que o meu Fusquinha conseguia levar pai, mãe e quatro filhas apertadinhas, rumo à boa e distante casa dos avós .

Poderia ficar um bom tempo citando as figuras que estão no pequeno grande livro.Entretanto, o que importa mesmo é ressaltar, usando as imagens pintadas pelo famoso ilustrador, que existe uma colossal diferença entre aquilo que é conhecido por “Estados Unidos”, um imenso poder político que, iniciado de modo modesto no século XVIII, agigantou-se mantendo a mesma sombria filosofia Iluminista de sua Independência, entre isso que nos entristece quando vemos as notícias do Iraque, e o povo americano que, entre outras peculiaridades, não está sujeito ao democratismo do voto obrigatório, e permanece, apesar de tudo, fiel a certos valores que Rockwell conseguiu fixar em agradáveis formas coloridas, mesmo quando captava, com fina ironia, um ou outro aspecto negativo da sociedade humana.

Para terminar este “post”, que aparentemente diz respeito apenas ao povo americano, quero lembrar duas imagens que Nosso Senhor usou em sua pregação quando passou por este mundo. Uma é a que fala no fermento colocado na massa que a mulher prepara para fazer o pão; a outra é a que nos chama, a nós cristãos, de sal da terra.
Ora, todo mundo sabe disso, mas pouca gente pára para refletir sobre o assunto..Não se come comida salgada demais e é bem pequena a quantidade de fermento no pão ou no bolo que comemos.Ao longo dos séculos, a quase totalidade dos pensadores, dos filósofos, dos poetas, dos romancistas, dos pintores, dos ilustradores (como o Rockwell, por exemplo), dos músicos, dos escultores, dos arquitetos e, por que não? , dos cientistas, toda essa gente, mesmo sem saber, vem participando do crescimento da massa do pão, vem, sem saber, recebendo a salgadura silenciosa de uma minoria que é mesmo o “pequeno rebanho”, e que vai ser minoria até o fm dos tempos. É preciso ter olhos e ouvidos atentos para perceber essa maravilhosa influência do Cristianismo, e não cometer o equívoco de querer medir a eficácia da nossa fé em termos quantitativos. Nós homens fazemos muitas coisas, mas é Deus quem move o mundo. Louvado seja o Seu santo nome !

Me perdoem o desabafo...


posted by ruy at 3:36 da manhã

7.5.04

 
Várias reflexões, aparentemente não correlacionadas


Amigo O verdadeiro amigo é mesmo aquele que sabe dizer-nos um “não” quando for preciso, é aquele que não bate palmas para tudo o que dizemos ou escrevemos. Ora, infelizmente, até mesmo homens inteligentes e bons às vezes esquecem-se desse prudente critério para avaliar uma amizade autêntica. E por esquecerem isso cometem lamentáveis equívocos.


Rir de si mesmo Tomar a si próprio demasiado a sério pode ser um sério estorvo ao nosso desejado progresso interior.Regra geral, pessoas capazes de rir simploriamente de si próprias têm um comportamento mais afável, mais simpático e – por que não falar logo isso, Ruy ? – mais CARIDOSO para com as outras pessoas.

Criticar e construir Diante da contínua pressão da mídia, sob suas várias formas, cada um de nós é diariamente estimulado ao exercício da crítica. De fato, não falta matéria prima para essa “tarefa”. Mas, são poucos os que sabemos realizar, no cotidiano, os pequenos e escondidos atos que podem construir (ou reconstruir) uma sociedade mais civilizada, mais humana. Em geral, preferimos o brilhantismo da crítica.


Gargalhadas, risos e sorrisos Formas diversas de externar nossa alegria. A primeira delas, ruidosa e mais indiscreta, pode ocorrer espontânea e sem malícia. A terceira, silenciosa e sutil, pode vir com uma ironia impregnada de veneno. Sorrir bem e na hora certa é mesmo uma arte, em geral dominada pelos que através dos anos souberam envelhecer com sabedoria.


O que está faltando mais hoje em dia Não quero ofender a inteligência do leitor lembrando, neste instante, que existe uma enorme diferença entre ser sábio e ser um grande conhecedor de muitas coisas, isto é, ser aquele que tem sempre explicações rápidas e brilhantes para os fatos que estão nos angustiando. É importante, sim, entender o que está ocorrendo, porém, precisamos muito mais de sábios.

Os fariseus Nunca é demais lembrar o que está claramente contado nos evangelhos, a saber: as pessoas a quem Nosso Senhor mais repreendia eram os honestos, bem informados e zelosos fariseus. Blindados por mais de vinte séculos de história, não nos damos conta de que tudo aquilo pode repetir-se hoje em dia, com outras roupas, outros hábitos e – pior - com outra fé, justamente com a nossa crença católica.

Treinar para o casamento (obviamente, esta reflexão deve interessar mais aos leitores solteiros).Se não me engano, foi São Francisco de Salles quem disse isto: se houvesse, à semelhança do que ocorre nas ordens religiosas, um período de rigoroso noviciado para os casamentos, muitos deles não se realizariam.Ora, creio que seja possível esse “treinamento”, sem que seja necessária a convivência do casal. Bastaria que houvesse uma constante vigilância sobre certas atitudes nossas, como por exemplo:: como costumo tratar o meu próximo, principalmente aquele que menos me agrada ? Qual é o nível da minha paciência ? Qual é a temperatura da minha caridade para com aquele(a) “bore” ?

Boa educação Hoje de manhã, ao sair do meu prédio, vi um dos porteiros, o sr. L..., impecavelmente vestido de terno e gravata. Cumprimentei-o sorrindo e lhe disse: “puxa, “seu” L..., como o senhor está chique !” Ele, respondendo ao cumprimento, disse de imediato: “Obrigado!”
Pois é, apesar do trabalho demolidor da televisão, graças a DEUS as pessoas simples ainda são bem educadas.











posted by ruy at 5:06 da manhã

6.5.04

 

Continuando a digressão sobre um tema atual


[O leitor e amigo C .R. enviou-me cordial mensagem sugerindo que eu continuasse escrevendo em torno do mesmo assunto do meu último “post”. Em atenção ao modo educado, generoso e inteligente como foi feita a sugestão, vou tentar expor outras considerações a respeito do tema, que é o do uso adequado da razão em nossos escritos , isto é, sem que o nosso modo de analisar os fatos acabe arrastando-nos, a nós católicos, para um certo tipo de “racionalismo”. ]

Um fato que, graças a Deus, é possível observar na Internet é a existência, do Norte ao Sul deste país, de um bom número de homens e mulheres moços que estão revelando, ainda que com estilos diferentes, um mesmo tipo de angústia. Antes de continuar, esclareço o que são “moços “ para mim. Quem tiver entre 18 e 50 anos de existência biológica, para mim, que sou setuagenário, é moço.Se já passou dos 50, entrou na idade madura.

E a que angústia estou me referindo? É aquela que nos incomoda quando vemos a generalizada depressão cultural em que há mais de quarenta anos estamos vivendo no Brasil.Esta frase pode parecer meio ou bastante sibilina para quem ainda não tenha observado a concomitância de fatos tais como os desta sintética lista que apresento a seguir:
- queda da qualidade do ensino básico em decorrência: do desprestígio da chamada “professorinha primária” , da visão pragmática desse nível de ensino, o básico, (transformado, conforme dizia o saudoso professor Gladstone Chaves de Melo, em mera ponte para o vestibular), e o conseqüente erro de considerar a universidade como uma instituição destinada a todos os jovens, e não apenas aos dotados de autêntica vocação para estudos avançados. Poderia ainda citar, como um bom exemplo do pragmatismo que invadiu nossa formação inicial, a drástica retirada do estudo do latim do currículo dos colégios;

- achincalhe dos valores tradicionais, disseminado pelos programas de televisão, a qual, utilizando os modernos recursos das telecomunicações, se fixou como hábito (ou vício) na grande maioria das nossas casas.Doeu-me ver de repente na tela brilhante, ao passar pela sala do meu apartamento, a câmara indiscreta e indecente entrevistando a pobre estudante que faz pouco tempo foi atingida por um tiro e hoje está paralisada sobre um leito de hospital.É um bom exemplo da desumana falta de respeito que eles tentam justificar usando aquilo que chamam eufemisticamente o “direito de informar”, mas que é de fato o exercício de um perverso sensacionalismo;

- perda quase total, nos ambientes católicos – supostos maioria no Brasil – do sentido do mistério, perda essa facilmente verificada no modo ruidoso e agitado como grande parte das missas vêm sendo celebradas na maioria de nossas igrejas. Esse modo de celebrar o santo sacrifício caracteriza o evidente predomínio do emocional sobre o racional, a prevalência do festivo encontro das pessoas, umas com as outras, sobre o primordial e necessário encontro de cada pessoa com o seu Criador e Redentor.Perdeu-se a sensibilidade para o papel do silêncio numa vida realmente humana;

- confusão geral entre o que deve ser uma verdadeira democracia e o que se pode chamar de democratismo do voto obrigatório.Em decorrência desse tremendo equívoco, vemos hoje uma pessoa, suposta nossa maior autoridade, sendo alvo diário de piadas e risotas; vemos hoje um total de TRINTA E CINCO ministérios, uma enorme estrutura burocrática que, muito provavelmente, não existe nem nos países mais ricos que o nosso; vemos hoje invasões de terras e edifícios público ou privados ocorrendo sob o mal disfarçado beneplácito dos que deveriam coibir tais abusos.

Creio que não seja preciso aumentar o rol dos fatos responsáveis pela nossa depressão. Diante do que listamos, e de muito mais ainda, muitos de nós, católicos, entregamo-nos ao que se pode chamar uma cruzada cultural para recuperar o lugar que já tivemos na escala da vida realmente civilizada. Que tipo de vida é essa? É aquela que não se pauta apenas pelas necessidades telúricas do conforto e da segurança; aquela que não supervaloriza, por exemplo, um jovem campeão de Fórmula 1, não superprestigia uma bela artista que já teve vários “maridos” ou não super-homenageia um escritor cujo único mérito (?) talvez seja o de escrever divagações melífluas sobre lugares-comuns, sem nenhuma profundidade, escrevendo apenas para agradar a sensibilidade de quem quer acomodar-se na vazia desesperança da descrença.

A intenção dos jovens “cruzados” é boa. O perigo é o de esquecer, nessa aventurosa atividade, uma tarefa que deveria ser executada em paralelo, a saber, a de construir, de reconstruir, de recuperar; é esquecer-se de que não lutamos contra pessoas , mas, sim, contra o erro, contra o vício, contra o abuso.O perigo é nos deixarmos levar por aquilo sobre cujo perigo o grande São Bento, de certo modo o fundador da civilização européia, alertava fortemente a seus monges: o zelo amargo , essa atitude sempre prevenida, irritadiça, azeda, sempre de cara fechada, na qual está ausente o descontraído e sadio senso de humor, por exemplo, de um Chesterton.


Um adendo


Ainda para que o leitor avalie o grau da depressão cultural em que vivemos, conto um fato narrado pelo próprio genro do homem sobre quem vou falar agora.
Jackson de Figueiredo sem dúvida alguma foi o que se pode chamar com justiça o grande líder católico dos anos vinte no Brasil. Por influência dele, muitos se converteram à Igreja.
Ora, no início do século XX, o pai de Jackson era farmacêutico em Aracaju, lá no pequenino e distante Estado de Sergipe. Pois bem, segundo nos conta o Professor José Arthur Rios, aquele simples farmacêutico era professor de grego por gramática.
Reflita sobre isso, amigo leitor.


posted by ruy at 3:35 da tarde

5.5.04

 
Razão, racionalismo e “racionalismo católico”


Os livros de introdução à filosofia definem a razão como a faculdade humana pela qual chegamos ao conhecimento das idéias universais, tais como a de unidade, de identidade, de causa e de substância.
Os mesmos manuais nos falam sobre o racionalismo , definindo-o, no sentido estrito, como toda doutrina que professa a absoluta e exclusiva suficiência da razão humana para a descoberta da verdade em toda a sua extensão , e que repudia, em conseqüência, toda afirmação dogmática que a razão humana seja impotente para estabelecer por seus próprios meios. Desse modo, o racionalismo recusa a revelação divina dos mistérios e o conhecimento da fé.

O fato é que o conhecimento humano, mesmo quando seja uma verdade adquirida por meio da revelação, realiza-se com a presença da razão, haja vista o modo correto como se define fé religiosa. Conforme nos ensina a tradicional doutrina católica, fé é a adesão livre e racional a uma verdade revelada . Note o leitor que grifei a palavra racional. Em outras palavras: a nossa fé não é um sentimento, uma emoção repentina.Aliás, nunca é demais lembrar a definição aristotélica do homem: o animal racional. Nós precisamos da razão.O conhecimento dos anjos é intuitivo, imediato, direto; o nosso é sempre trabalhoso.

Até aqui, não inovei coisa alguma; só repeti o que está nos “books”. Mas, no “post” de hoje refiro-me ao que resolvi chamar de “ racionalismo católico”. O que quero dizer com esta expressão ? Vejamos.

Não é segredo para ninguém que seja bem informado sobre a chamada “crise” da Igreja (que outros, mais ponderados, chamam corretamente de “provação“ da Igreja) que, infelizmente, vem ocorrendo, há pelo menos uns cinqüenta anos, uma tremenda bagunça no que toca às idéias e aos correlatos e conseqüentes procedimentos que transitam pelos ambientes católicos, incluindo entre eles os campi das Pontifícias universidades católicas.Não vou citar a pletora de absurdos que vêm acontecendo em todas as atividades que se apresentam como ligadas à fé que afirmamos no Credo, entre elas a liturgia da missa, cerimônia em que é celebrado, de modo incruento, o mistério tremendo do sacrifício do Cristo, Nosso Senhor.

Ora, numa justa reação contra todos esses lamentáveis erros e equívocos, muitos de nós católicos temos escrito fartamente ensaios, artigos, mensagens na Internet e outros textos, tudo isso, sem dúvida alguma, apoiado na tradicional e sã doutrina da Igreja. Até aqui também nada de extraordinário

O problema, entretanto, ocorre devido a um fato que venho observando inúmeras vezes. No afã de denunciar os perigosos e nefastos desvios doutrinários, os novidadeirismos e os abusos, muitos de nós católicos acabamos nos esquecendo de certas sutilezas necessárias, acabamos nos esquecendo de que a religião cristã não. é uma brilhante teoria filosófica, mesmo sabendo que ela, a nossa religião católica, faz uso de uma filosofia correta.Ela é, antes de mais nada, VIDA. Vida de convivência com os outros, a começar com os que estão mais próximos de nós, mormente aqueles que não têm um nível intelectual igual ao nosso, pessoas simples, sem maldade, com as quais temos intransferíveis deveres de caridade. Vidas que transcorrem em rotinas humildes, em um cenário cotidiano sem colorido e repetitivo. Esquecemo-nos da possibilidade – real – de virmos a ofender, a agredir mesmo, os que não pensam como nós. Uma agressão provavelmente involuntária, mas nem por isso irrelevante.Passamos, sem sentir, a viver um tipo de “racionalismo”, isto é, adquirimos um estilo de vida em que somente os belos argumentos têm importância. Passamos o tempo montando tais argumentos. Deitamos sonhando com o que iremos escrever no dia seguinte. O nosso próximo acaba ficando de escanteio... Muitas vezes deixamos de fazer pequenos atos, aparentemente sem nenhuma importância, mas que, para o nosso próximo, têm um valor imenso.E gente, não há pecado que me doa tanto na consciência quanto o de omissão...

De vez em quando seria bom parar e refletir sobre isto: a inteligência é importante, sim, e seu uso deve ser muito bem feito; entretanto, a vida não é feita somente de idéias , mesmo que elas sejam corretas, nem apenas de raciocínios, mesmo que eles sejam perfeitos.Não basta que tenhamos RAZÃO; é preciso que sejamos BONS.


posted by ruy at 3:29 da manhã

 

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