Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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18.4.04

 
Universidade e universitários
[ O “post” de hoje está sendo editado para atender ao pedido de uma jovem e gentil leitora]

Faz poucos dias, meu colega de serviço e amigo B..., aquele que há longos anos tem o hábito de ler diariamente um jornal, trouxe-me mais uma notícia daquele tipo que provoca quase sempre este meu comentário irreverente: “que é isso, B..., mais uma vez você começa a manhã de nosso trabalho contando uma piada ? “ O velho B... sorri discretamente e responde: “não, infelizmente não é piada, não !”
Dessa vez foram duas infelizes declarações do nosso ministro da Educação (com perdão da palavra errada, já que o ministério deveria chamar-se “do Ensino” ou “da Escolaridade” ), declarações essas divulgadas na imprensa. A primeira referia-se à chamada “cota racial” para ingresso na universidade. Ao colocar-se a favor desse primor de juridicismo, Sua Excelência, o Sr. Ministro, mostra que não sabe ou finge que não sabe que essa lei demagógica incentiva precisamente aquilo que pretende combater : o racismo.

A segunda declaração, tão ou mais infeliz que a primeira, podia ser sintetizada com esta frase, não menos demagógica: “universidade para todos”.
Por uma oportuna coincidência, tenho como colegas de ofício dois professores que, em razão de cursos pós –graduados feitos naquele país europeu, residiram cerca de três anos na França, acompanhados de seus familiares.Como entre a ida de um desses mestres e a ida do outro decorreu um tempo razoável, concluo que o fato que agora vou divulgar consiste, de fato, costume há muitos anos mantido na pátria de São Luís Rei, São Bernardo e Santa Genoveva, no país de Pascal, Descartes e Cauchy. Contaram-me os dois professores que, nas escolas francesas do nível do primeiro grau, quando o aluno revela nítida incapacidade intelectual para prosseguir em nível mais avançado, os pais são chamados e a eles se diz clara e francamente o seguinte: “seu filho não tem pendor para estudos mais exigentes; é conveniente, pois, que os senhores o matriculem numa escola profissional”.Isso feito, a família se conforma e, em seguida, segue fielmente a orientação da escola.

Se o leitor refletir um pouquinho, deduzirá que, em decorrência desse procedimento que os franceses adotam nos primeiros anos da formação escolar básica, somente os moços e moças com real vocação universitária são os que, na França, procuram aquele que nós chamamos “ensino do terceiro grau”.Não é sem motivo que, tradicionalmente, aquele país tem a fama de ser a nação mais inteligente deste planeta.

A convivência com o meio acadêmico tem trazido para este escriba melancólicas experiências. Várias vezes confrangidos temos assistido ao fato de pessoas com elevado preparo científico cometerem deslizes ou gafes que, rigorosamente, não deveriam ocorrer em ambiente universitário. Por exemplo:
- pronunciar de modo incorreto certos conhecidos nomes da nossa história pátria, nomes,sem dúvida, de origem estrangeira, porém nem por isso justificando o lapso de quem os pronunciou erradamente;
- achar que a música erudita ( a mal denominada “música clássica”, já que o clássico é um dos vários períodos da história da música) seja apenas um maldoso passatempo dos compositores daquele tipo de música para confundir a cabeça dos não informados sobre o assunto (não, amigo Alfredo, infelizmente isso NÃO é invenção minha...);
- deixar de praticar certos comezinhos hábitos de gentileza ao receber em casa a visita de um colega e amigo ;
- perder tempo com a leitura de textos que abordam frivolidades e indiscrições sociais;
- imaginar que a famosa Escola de Sagres seja um antigo prédio, com existência concreta em alguma rua da Lisboa atual, sem dar-se conta de que aquela venerável escola era de fato um ambiente de estudos sérios, uma reunião de sábios, portanto, muito mais que um determinado local físico.

Todos os exemplos citados no item anterior, na minha opinião, decorrem de uma hipertrofia e de uma atrofia atuando em conjunto. A hipertrofia relaciona-se com um exagerado apego às atividades científicas e um paralelo esquecimento de outros aspectos de uma cultura que seja realmente humana.A atrofia surge na geração mais nova, naquela geração que ainda não existia quando o Ruy teria seus trinta e poucos anos. E surge devido ao lamentável equívoco dos homens que fizeram a Revolução de 31 de março de 1964. Preocupados com o desenvolvimento do país, adotando uma política “desenvolvimentista”, com a melhor das intenções, aqueles bravos nacionalistas eliminaram completamente o latim do curso secundário, criaram os chamados “cursos profissionalizantes” dentro das escolas do segundo grau e abriram de modo escancarado os portões das universidades (justamente o contrário do que fazem os franceses, por exemplo).

Eu gostaria de terminar este “post” citando algumas palavras de uma palestra proferida há muitos anos pelo professor JORGE DE MELLO E SOUZA, doutor em engenharia mecânica, que lecionou nos Estados Unidos, país em que, além de ensinar, também publicou livro didático sobre assunto de sua especialidade científica:

Dom Henrique é chamado o Navegador. Que grandes navegações fez este homem, que mares nunca dantes navegados refrearam suas ondas ante a quilha do seu barco, que ilhas descobriu, que terras longínquas abordou? É curioso, mas o Navegador nunca foi mais longe do que Marrocos. Não era um guerreiro nem um navegador. Queria desenvolver a ciência, alargar as fronteiras da pátria, e levar a fé às novas plagas.Essas suas motivações, científicas, patrióticas e místicas, levaram-no a montar a sua Escola.

Aquela “escola” existiu em uma época em que não existia o burocratismo no ensino; não havia a pletora de simpósios, viagens, reuniões, seminários e “tutti quanti”; não havia a luta pelo prestígio e pelo poder, e outros maus costumes que, lamentavelmente, fazem o estilo da universidade brasileira. Por tais razões, meu amigo e compadre D... costuma dizer que a verdadeira universidade no Brasil está fora das universidades.

E para terminar de fato este “post”, cumpre lembrar aos leitores católicos deste “blog” o recente apelo do papa João Paulo II em favor de um reerguimento da cultura, em uma revalorização da inteligência nos ambientes ligados à Igreja.
O Ruy não está, pois, inventando moda.


posted by ruy at 6:57 da tarde

16.4.04

 
Por que ler Chesterton


Nos países supostamente mais civilizados do mundo moderno, estamos todos cansados de saber que o analfabetismo constitui exceção. Esse fato não torna essa deficiência cultural menos indesejável, tanto mais porque as relações humanas na sociedade de nossos dias tornam bastante desconfortável a vida de um analfabeto.Podemos, pois, tranqüilamente incluir essa carência no rol das situações injustas.Bem, até aqui, o que escrevemos poderia ser assinado pelo Conselheiro Acácio. Porém, admitindo que uma pessoa tenha aprendido a ler e a escrever com razoável desembaraço, e tenha adquirido um bom vocabulário, muito além daquele necessário para redigir um simples bilhete de recado ou preencher um cheque, vem agora a pergunta: o que ler ? ou : ler o quê ?

Existe um generalizado hábito que é o da leitura de jornais; ele ocorre nos três convencionais níveis em que os sociólogos há muito tempo classificaram o meio social: a classe pobre, a classe média ( velha pedrinha no sapato do pessoal da Esquerda) e a classe dos ricos (pelo menos ricos em bens materiais).Em qualquer um desses três estratos é possível encontrarmos pessoas que lêem diariamente um ou outro tipo de jornal.
Ora, faz mais de vinte anos o escritor americano Daniel J. Boorstin (historiador, ganhador do prêmio Pulitzer, professor emérito em vária universidades ) publicou na revista Seleções um excelente artigo intitulado: O HOMEM “ATUALIZADO” NÃO SABE DE NADA.
Já tive ocasião de citar o referido artigo algumas vezes neste “blog” , mas vale a pena transcrever de novo um pequeno trecho para melhor alertar o leitor que esteja desatento diante do tema que estamos abordando:

É evidente que todos precisamos de informação. Precisamos dela enquanto cidadãos, pais e consumidores. Os nossos cientistas e tecnólogos precisam dela para se manterem atualizados, para preservarem as suas faculdades intelectuais, para não terem de inventar de novo a roda. A informação protege-nos dos ditadores, dos tiranos e dos escroques.
O problema não é que a informação seja inútil, mas sim que ela se espalhe demasiado depressa e nos faça submergir. Pior ainda, este tipo de informação torna-se um vício. A nossa sede de informação, por seu lado, a faz proliferar.
Como conseqüência, desenvolveu-se nossos tempos uma espécie humana muito particular, já não Homo sapiens, mas Homo atualizadus, maravilhosamente bem informado, mas lamentavelmente ignorante. Ele conhece os tiques dos presidentes, as gafes das celebridades, as ameaças das subidas de preço da OPEP; mas pode sentir-se inteiramente perdido nos meandros do conhecimento, da política exterior, da economia ou da tradição política.

Bem, no trecho acima transcrito Boorstin chama nossa atenção para um dos problemas decorrentes do hábito (ou vício ?) da leitura de jornais.Mas, ao findar seu artigo o professor diz estas palavras de alcance mais amplo;

Cada um de nós pode iniciar um programa para se livrar do vício da informação, deixando de ler o jornal de vez em quando e não vendo o telejornal durante um dia ou dois, passando progressivamente a ler o jornal e a ver as notícias na TV apenas uma vez por semana. Em substituição, pode-se ler um semanário noticioso. Em breve, você descobrirá que cada vez sente menos a falta das doses de notícias intercalares, e acabará mesmo por não sentir falta nenhuma delas. Enquanto isso, poderá encher o seu consciente com saber, lendo mais livros!

Preste atenção leitor, no trecho acima, na palavra-chave : saber .
Ora, se existe uma coisa presente nos livros de Gilbert Keith Chesterton é justamente a sabedoria .
Bem sei que muitos dos que lêem Chesterton o fazem para se deliciar com as frases pitorescas, como os hábeis jogos de palavras, ou até mesmo com o magnífico senso de humor do grande ensaísta católico. E aqui cabe muito bem um parêntese. Infelizmente, repito:infelizmente, aqui no Brasil nós temos uma tendência a confundir “senso de humor” com galhofa, com piada irreverente ou até mesmo grosseira. O senso de humor é fruto de um grau de civilização que pode existir até mesmo em alguém de origem humilde e com o “handicap” de uma doença acabrunhante, como foi o caso do nosso genial Machado de Assis. O sorriso do senso de humor não é o mesmo sorriso da malícia satisfeita consigo mesma.

Chesteton era um homem bom. Certa vez, por causa de um livro por ele escrito, quiseram homenageá-lo numa reunião.Para fugir ao risco da vaidade auto-suficiente, G.K.C rapidamente colocou o livro numa cadeira, sentou-se em cima, com aquele corpo que já estava bem pesado, e não houve quem o convencesse a levantar-se.Contam seus biógrafos que ele e sua mulher Frances costumavam ser enganados por empregados domésticos que se aproveitavam da ingenuidade, das atitudes sem malícia dos patrões.Quando o escritor morreu, o padre que lhe ministrara a extrema-unção ajoelhou-se aos pés da cama e beijou a pena que estava sobre a mesa de cabeceira, a mesma pena que Chesterton usara durante catorze anos para escrever em louvor da Igreja e da fé católica.

Ler Chesterton, muito mais do que apreciar um brilhante apologista da nossa crença é ouvir alguém que nos mostra, sem usar complicados argumentos filosóficos ou teológicos, que o problema fundamental, nuclear, em nossa vida deveria ser mesmo o da alegria verdadeira, parecida com aquela que uma criança sente quando abraça seu próprio pai.
“Se não vos fizerdes semelhantes às crianças, não entrareis no Reino dos Céus”.
[São Mateus, cap. 19, vs. 13 a 15 ]







posted by ruy at 6:36 da manhã

13.4.04

 
Moral e mistério


Faz muitos anos, conversando com um padre alemão meu amigo, contou-me ele o fato ocorrido com um seu antigo professor no seminário. Esse docente, quando moço, tinha sido missionário na África. Certa vez, quando estava ensinando a um preto velho os Dez Mandamentos, de repente o ancião interrompeu o mestre e lhe disse:
- Padre, tudo isso eu já sabia; só não sabia numerar!

Esse interessante fato mostra, a quem estiver atento, a maravilhosa Lei Natural inscrita por Deus no coração do homem. E mostra também, pelo menos para mim, que a pregação da fé cristã vai muito além dos preceitos morais. Nossa crença é, antes de mais nada, aderir a um mistério que nos foi entregue pela Revelação. Como estamos na Páscoa, o tempo é bem propício para refletir sobre esse aspecto misterioso da mensagem evangélica.

Se o leitor reler a frase anterior verá que coloquei a palavra misterioso em itálico.Isso eu o fiz de propósito a fim de ressaltar para os distraídos que, neste contexto, a palavra mistério não tem aquele mesmo significado com que se correlacionam os filmes policiais ou de terror. Estou me referindo ao sentido ontológico da palavra, aquele sentido que torna misteriosa uma simples folha caída da árvore que está ali na calçada, ou faz misterioso este silêncio vesperal que eu escuto quando me desligo da sirene da ambulância, dos latidos dos cães da vizinhança, das freadas bruscas dos carros que passam ali na rua, um silêncio que me faz perceber a vida escoando em mim e fora de mim, com objetos familiares que de repente se tornam estranhos para mim, apesar de seus nomes serem velhos conhecidos meus.

Misteriosa é, por exemplo, a existência do Mal, qualquer tipo de mal, seja ele físico ou moral.
Hoje vai ficando démodé falar no demônio, falar no Inferno. Há quem se divirta muito contando piadas que têm como cenário o Inferno, pintando este como um lugar físico, com tais ou quais características .Ora, estar no Inferno é essencialmente uma situação, é um estado da alma que, durante sua transitória existência neste mundo visível, optou livremente pela desordem, isto é, optou livremente pelo mundanismo satisfeito consigo mesmo; optou livremente pelo prestígio, pela segurança, pelo conforto permanente, todos colocados em primeiro lugar na lista das prioridades; optou livremente pelo mesmo papel desempenhado por Judas. Quantos de nós nos lembramos realmente de Judas? Diz o Evangelho que Pedro, ao ouvir o canto do galo, saiu e chorou amargamente. Et egressus, flevit amare . Mas, o que fez Judas quando se deu conta do mal que havia feito?
Na Idade Média, eles tinham uma atitude da maior severidade para com as pessoas que tiravam a própria vida. Isso era considerado por eles como o maior dos pecados.

De vez em quando somos postos à prova para verificarmos qual a hierarquia que damos aos nossos atos. Não se trata basicamente de construir uma preocupação moralista, mesquinha, cheia de regrinhas minuciosas. Trata-se, sim, de não nos deixarmos blindar por dois mil anos de história esquecendo que deveríamos procurar viver como testemunhas vivas da colossal novidade :
- Jesus Cristo, Nosso Senhor, ressuscitou e vive para sempre !

Tal novidade deveria se antepor a todos os nossos planos. Vamos colocar isso em miúdos. Pergunto:
- como pai de família, o que desejo para meus filhos e meus netos? Simplesmente o conforto, a segurança, o serem bem sucedidos na vida? Ou quero, antes de mais nada, que eles sejam bons, de uma bondade firme, não adocicada e nem muito menos interesseira ?
Não se trata apenas de serem honestos; isso seria muito pouco. O ponto desejável é: que eles sejam santos! Mas, como desejar isso para meus filhos se eu mesmo levei e levo minha vida pensando em outros objetivos?

Sinto muito, mas este “blog” não existe para editar lantejoulas.


posted by ruy at 5:04 da tarde

12.4.04

 
Uma situação extremamente desejável


Nestes últimos dias, mais uma vez aconteceu entre pessoas amigas, da mesma família ou sem laços familiares, a tradicional entrega de ovos de chocolate acompanhada dos votos cordiais de “feliz Páscoa”. Infelizmente, houve os casos em que, por um motivo ou outro, essa manifestação de amizade deixou de acontecer. De qualquer forma, com ou sem essa cordialidade anual, estamos na Páscoa, o período litúrgico em que a Igreja, há muitos séculos, festeja jubilosamente a Ressurreição do Cristo, Nosso Senhor.

Tal solenidade lembra aos cristãos o fato há dois mil anos ocorrido e que dá integral sentido à vida humana. Diante da realidade inescapável da morte, se não nos posicionarmos de acordo com a esperança da nossa própria ressurreição, garantida pela vitória de Jesus sobre a morte, resta-nos uma de duas atitudes: um desespero – silencioso ou agitado – ou um estoicismo olímpico, esse estoicismo tão comum entre os que participam de uma forma ou outra do Poder, não necessariamente o Poder político (ele também). Não comentemos a proposta espírita que, apesar da propaganda meio exaltada dos Kardecistas, é de fato apenas uma versão moderna das velhas crenças pagãs que propunham aos homens da antiguidade a miragem enganosa do indefinido retorno cíclico.

Em nosso “post” anterior fizemos alguns comentários sobre a beleza austera, e ao mesmo tempo luminosa, das catedrais da Idade Média, entre elas a de Notre Dame de Paris, Nossa Senhora de Paris, lá onde, um certo dia, escutando o canto do Magnificat , Paul Claudel converteria-se à fé católica, o mesmo Claudel que depois enxergava uma união perfeita entre Maria e a Igreja, entre a Igreja e Maria, uma aproximação feliz que só a intuição dos grandes poetas é capaz de fazer. Trabalhando às vezes durante mais de um século, os homens que ergueram aqueles monumentos arquitetônicos, que hoje enchem de admiração os bem informados, não almejavam aparecer nas colunas dos jornais ou nas telas das televisões. Eles simplesmente deixavam transbordar em seus fazeres a crença no Ressuscitado.

Com o passar dos tempos, a velha Europa enfrentou os tormentos da guerra, da peste, da fome; e, pior que isso, começou a perder a crença naïve e boa, começou a se interessar pelos novidadeirismos filosóficos. Tudo isso abriu caminho para a ambição das riquezas, para o crescimento dos nacionalismos orgulhosos, para a cristalização da desobediência, operada pelo grito de revolta de Lutero e, finalmente, acabou gerando aquela estranha e deletéria fraternidade sem Pai, apregoada pelos homens que se diziam iluminados (...). A descoberta da América, a sua colonização e a dos demais continente vai ser feita pelos cristãos que já não mostravam em seus atos aquele entusiasmo fecundo dos discípulos de Emaús quando descobriram o Senhor no partir do pão, na Eucaristia.

Passam-se os séculos. A graça de Deus , apesar das traições de tantos homens batizados, reedições de Judas Iscariotis, mantém a fé da Igreja, conserva a fé no âmbito das sociedades menores que são as famílias.Em “post” recente comentei o exemplo de piedade sincera e forte que um velho monge teve em suas infância e adolescência quando via seu pai rezando o terço diante da família, sem mostrar nesse ato de justiça - a primeira e maior justiça - nenhum respeito humano, nenhuma covardia

Meus amigos leitores, chego ao ponto que motivou esta edição do “blog”. Mais que qualquer ação política, por mais importante que ela seja, estamos necessitando mesmo , e urgentemente, é de famílias, muitas famílias, que sejam capazes de viver em seu dia a dia a assombrosa novidade da Ressurreição do Cristo. E muito de propósito escrevo – como o fez muito inspiradamente o ator Mel Gibson - “do Cristo”, para frisar esse mistério teológico da nossa Salvação. Esta seria uma situação extremamente desejável.Porém, se nos acomodarmos burguesmente, seja na acomodação do democratismo ou na do socialismo, ficaremos apenas com alegrias medíocres, diletantismos vazios e desesperança, para nós, nossos filhos e nossos netos.

Vem sendo lembrado pela mídia o covarde atentado de 11 de setembro de 2001 contra o WTC, situado na cosmopolita Nova York.Curiosamente, passa despercebido este detalhe: a cosmopolita Nova York Para que o leitor entenda o que vou dizer, note o seguinte: se quisermos escolher uma fotografia, um quadro que simbolize de imediato para um estrangeiro, para um provável turista, o nosso país, a primeira imagem que nos ocorre é a da Baía de Guanabara, com o bondinho do Pão de Açúcar ou com o Corcovado. Ora, se quisermos de imediato uma imagem que simbolize o poderoso país que tem o esquisito nome de Estados Unidos, a melhor foto com certeza seria a do inconfundível Capitólio, ou então uma vista da, igualmente conhecida, Casa Branca. Ao lançar-se contra as torres do World Trade Center, os terroristas estavam de fato agredindo de forma brutal nosso modo moderno de viver, um modo de viver que não mais constrói seculares catedrais de pedra.


posted by ruy at 11:02 da manhã

 

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