Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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11.4.04

 
Notre Dame de Paris


Diz antigo lugar-comum que “gosto não se discute”.Isso é uma clara verdade se estivermos falando sobre preferências sensíveis , do tipo gostar mais de abacaxi que de manga; apreciar mais o verde que o azul na hora de comprar uma camisa nova; estar mais disposto a levar para meu descanso na serra um romance de aventuras que um que trate de complicados dramas psicológicos; ou ainda, preferir um sapato sem cordões a um tradicional calçado que deles faça uso. Sobre coisas desses tipos de fato não cabe discussão alguma

Entretanto incomoda-me – e muito – quando escuto pessoas que têm um razoável nível de escolaridade fazer com o maior desembaraço, com a maior tranqüilidade juízos desta ordem:

Notre Dame ? Prá mim ela é muito feia; digna mesmo do horroroso corcunda que Vitor Hugo colocou morando ali...

Ora, quando vejo em fotografias ou em filmes aquela inconfundível catedral francesa, meus olhos fixam-se reverentes naquelas linhas retilíneas porém não monótonas como as dos nossos modernos e pesadões arranha-céus; fixam-se reverentes naqueles santos, naquela Virgem com o Menino Jesus no colo, santos cujos os traços mostram uma piedade sóbria, onde está ausente a pieguice e o mau gosto; fixam-se reverentes naquele frontispício onde vemos a bela rosácea e os arcos ogivais por baixo dos quais passam diariamente os que - graças a Deus - ainda vão acender, no interior do templo, as velas que simbolizam o Cristo, luz do mundo.

Quando olho aquela fachada, percebo algo que é fundamental em qualquer obra artística, que tenha realmente beleza, que seja realmente bela, a UNIDADE. Aquela unidade que falta, por exemplo, na famosa igreja da Candelária no Rio de Janeiro.Mas, como explicar isso para alguém que se extasia diante desse templo que é um dos pontos turísticos da Cidade Maravilhosa?

Não sou um “expert” em arquitetura, por isso, passo a palavra a uma escritora que colocou na “web” um belo texto do qual transcrevo abaixo um trecho suficiente para esclarecer um leitor mais dócil ao aprendizado (há os que dizem logo: não li e não gostei).Não sei se Da. Lúcia é arquiteta; mas tenho absoluta certeza que ela é no mínimo sensata.

Os romanos construíam arcos redondos, apoiados em duas extremidades e fechados por uma única pedra em forma de cunha, que pressionava os demais. É o chamado arco de meio ponto.
Os arquitetos românicos desenvolveram essa técnica, criando a abóbada, formada por arcos contíguos. Um dos inconvenientes da abóbada românica é a exigência de grossas paredes de pedra para apoiá-la, dificultando a abertura de janelas nas construções. O custo era grande e o edifício ficava pouco iluminado e mal ventilado.
Esse problema foi resolvido, na arquitetura gótica, cruzando-se dois ou três arcos no mesmo ponto do teto. Com isso o peso ficava dividido apenas entre quatro ou seis colunas, e não em toda a extensão da parede.
Outra invenção do gótico foi o arco-botante. Esse arco partia de uma pilastra exterior ao edifício e apoiava à coluna de sustentação da abóbada.
Com o tempo, os arcos redondos das portas e janelas foram sendo abandonados em favor do arco em ogiva, cada vez mais pontiagudo, que podia ser mais alto e provou ser mais resistente. Todos esses recursos proporcionaram paredes cada vez mais finas e janelas maiores.

Para a Idade Média, entretanto, não bastou encher suas igrejas de luz. Ela quis decompor a luz do sol em todas as suas cores, vivificando de modo admirável os interiores, através dos vitrais coloridos.
Desconhecidos pela Antigüidade - não há menção de janelas com vidros coloridos antes do século IV - e desprezados pelo Renascimento, que preferiu o vidro incolor, os vitrais tiveram seu desenvolvimento estreitamente ligado ao da arquitetura gótica. (Lúcia C. Oliveira)


Gostaria que o leitor relesse o trecho transcrito e, em seguida, fizesse a si próprio esta pergunta:

- “é razoável fazer sobre a catedral de Notre Dame de Paris um comentário tão pequeno como aquele que fala em Quasímodo, o infeliz personagem do romance de Vítor Hugo? ”

De passagem, Vítor Hugo era um liberal, provavelmente descrente, mas irritou-se contra o absurdo que foi o governo francês usar Saint Michel, a venerável abadia, conhecida como La Merveille, como prisão para criminosos comuns.
Dizem os bem informados que a arquitetura é o sinal mais característico da cultura de uma civilização. As catedrais do medievo mostram-nos a luminosidade daquela época. Notre Dame não faz exceção.


Texto colhido em um “site” português:


O termo "gótico" é muito provável ter sido adoptado pelos humanistas do Renascimento como sinónimo de Bárbaro, no sentido proveniente de além-Alpes, por oposição ao românico. Esta arte nasceu no coração de França (tornada reino sob a dinastia dos Capetos), precisamente na Île-de-France, a fértil e próspera região a Norte de Paris, onde ainda hoje se pode encontrar um óptimo tipo de rocha calcária, resistente e fácil de trabalhar. O gótico tendo um sentido de obra bárbara,arranca da arte românica - uma vontade arquitectónica de vencer, a robusta espessura das paredes e a carga das abóbadas. Acompanhou, também, a renovação espiritual da época - maior aproximação divina, mais luz para as almas. Nesse sentido, caminhou para a verticalidade através da invenção técnica do arco quebrado e do arco botante. Caracteriza-o ainda, as abóbadas de ogivas cruzadas, os belos vitrais pintados com figuras bíblicas e rosáceas, assegurando a estabilidade , a leveza e a luminosidade dos edifícios. No seu desenvolvimento, os historiadores consideraram três fases: -Séc.XIII - Gótico Clássico; Séc. XIV - Gótico Radiante; Séc. XV - Gótico Flamejante. (o autor não se assinou).




posted by ruy at 4:52 da manhã

10.4.04

 


Amar a Deus


Faz mais de vinte anos, trabalhei durante um certo tempo numa firma de engenharia, uma empresa de grande competência e não menor seriedade.Posso não ser um bom engenheiro, mas ali aprendi como se faz um bom projeto.
Quando os trabalhos terminavam, o projeto era entregue ao cliente sob a forma de um livro, o “compêndio do projeto”, em que estavam todas as plantas e as instruções, não só para a execução como para o correto funcionamento do sistema projetado.
Logo no início do livro estava a chamada “folha de face”, e nela estava impressa esta frase de que nunca mais me esqueci:

- Pensar é o trabalho mais difícil, provável razão pela qual tão poucos a ele se dediquem.

Antes de continuar, poderíamos fazer um teste perguntando ao nosso leitor:
quem você acha que disse aquela frase ? Pascal ? Descartes ? Newton? Einstein ? Wiener ?

Não, amigo leitor, aquela frase foi dita por Henry Ford, industrial americano, portanto, uma pessoa indiscutivelmente pragmática.E, conforme, eu disse, foi-me ensinada num escritório de engenharia.

Aparentemente, para quem nunca parou para refletir sobre o assunto, Ford estaria exagerando, já que qualquer pessoa normal está sempre pensando. Ora, acontece com o ato de pensar mais ou menos o que ocorre com um ato de atenção que, conforme nos ensina a psicologia, pode ser uma atenção espontânea, reflexa, ou uma atenção voluntária. A primeira é a que nos faz olhar de um lado e do outro da rua antes de atravessá-la; a segunda é aquela que nos faz aprender de fato física ou matemática.
Ford, ao dizer aquela frase, estava referindo-se ao pensamento eficaz, aquele que é capaz de criar.

Bem, feita esta introdução para deixar o leitor prevenido para o real tema deste “post”, lembro agora uma reflexão feita em umas duas ou três homilias que ouvi de Dom Lourenço de Almeida Prado OSB, um monge beneditino de quem tenho a alegria de ser amigo. Dizia Dom Lourenço:

Amar a DEUS é um amor difícil, já que é um amor que precisa passar pela inteligência.

De fato, Deus, conforme nos ensina o catecismo, é puro espírito. Ora, como podemos, sem que nisso sintamos dificuldade, amar a um puro espírito, nós que somos inteligências encarnadas, que tomamos nosso primeiro contato com as realidades que nos cercam usando nossos precários sentidos? Como podemos fazer isso nós que não somos anjos?

Tais reflexões me foram sugeridas por várias e várias leituras de edificantes mensagens que vêem circulando pela Internet e chegam, de um modo ou outro, a este escriba. Praticamente quase todas essas mensagens deixam transparecer um jeito de crer em Deus que nasce muito mais do sentimento que da inteligência. Um Deus que seria a solução de nossos dramas pessoais cotidianos, um Deus cuja sistemática, habilidosa lembrança seria um hábil programa de bem conviver com a miríade de problemas armados por nosso agitado mundo moderno.

Ora, no final do capítulo 11 do evangelho segundo São Mateus, Nosso Senhor nos diz estas palavras que o saudoso professor Gladstone Chaves de Melo dizia serem as mais consoladoras que existem:

Vinde a mim vós todos que andais em trabalhos e vos achais sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossas almas, porque meu jugo é suave e meu peso é leve.

Tais palavras, lidas rapidamente, talvez pudessem dar razão àquelas muitas mensagens que tenho visto na Internet. Entretanto, note bem o leitor: “tomai sobre vós o meu jugo”. Tomar sobre si o jugo do Senhor, pelo menos para mim, significa tomar como referência, para todos os nossos pensamentos, palavras e ações, o ensinamento do Cristo, cuja ressurreição estamos nestes dias celebrando. Significa amar a Deus muito mais com a nossa vontade e com a nossa inteligência do que com o nosso volúvel sentimento.


Boa Páscoa para nossos amigos leitores!



posted by ruy at 5:12 da manhã

8.4.04

 
Reflexões avulsas


Pretextos
Se o leitor prestar atenção, notará um fato que costuma passar despercebido por uma imensa quantidade de pessoas no mundo inteiro: a contagem dos anos é feita a partir daquele que se admitiu como sendo o ano 1 da Era Cristã.Mesmo que levemos em conta, por exemplo, as reuniões internacionais de que participam cidadãos israelitas, muçulmanos, chineses e de outros povos que tenham uma contagem cronológica diferente da que é feita pelos cristãos, mesmo nesses casos, as agendas, os encontros são marcados, os protocolos, os acordos são assinados com as datas referidas à contagem cristã. E o curioso é que mesmo as pessoas das sociedades supostas cristãs raramente param para refletir com profundidade sobre esse fato.

Tal circunstância veio-me à lembrança quando me dei conta de que as várias diferentes críticas e objeções que vêem sendo levantadas contra o filme de Mel Gibson a Paixão do Cristo talvez no fundo sejam meros pretextos para não ter que pensar e, em conseqüência, não ter que responder seriamente a estas perguntas de capital importância:

O que significa de fato O Cristo em minha vida ? Quem é, para mim, esse homem cujo nascimento define, ainda que de modo pragmático, em todo o planeta, a contagem do tempo para nós, seres humanos? Por que o nascimento dessa pessoa que tem o nome de Jesus tem que servir de referência cronológica em nossa existência ?


Babilônia onipresente
Imaginemo-nos em pleno trânsito, em um dia comum da semana, em uma hora de muito movimento, numa tarde de calor outonal, tendo como paisagem edifícios enormes e padronizados monotonamente pela forma repetitiva do paralelepípedo; com os outros automóveis passando pelo nosso em grande velocidade, dirigidos por homens e mulheres de fisionomia tensa, propensos ao uso do palavrão diante de uma ameaça de choque do seu contra um outro carro, buzinas nervosas, freadas bruscas, irritante poluição dos canos de descarga dos ônibus, motoqueiros audaciosos arriscando a vida por entre espaços estreitos, e toda essa gente naquela atitude permanente que hoje é definida pelo neologismo oriundo do inglês: estressada; e toda essa gente, muito provavelmente, sem estar perguntando a si própria: “o que estou fazendo neste mundo? que sentido tem a minha pressa, a minha correria, e a pressa, a correria dos que estão passando velozes e nervosos ao meu lado ? Por que tenho que trabalhar durante tantos meses, e se isso é inevitável, por que esse trabalho tem que ser feito com tanto e tão desconfortável movimento? “

Ora, esse quadro real, que muitos leitores conhecem, é observado no Rio, em São Paulo, em Belo Horizonte, em Porto Alegre, em Nova York, em Los Angeles, em Londres, na cidade do México, em Roma, em Paris, e muitas e muitas outras cidades, com algumas variações, para mais ou para menos, nos coloridos que acima pintamos.
Para um mundo que esqueceu, em passado remoto, o que se chamava uma Cristandade, resta a melancólica, a triste situação de Babilônia. rediviva e onipresente.


Leitura de livros
Em meio a essa desconfortável correria da vida moderna, ler um livro, um bom livro, vale, para o espírito sufocado, como um ato de tomar fôlego.
Há quem procure esse respirar mental assistindo a um ou outro programa de televisão, ou mantendo regular freqüência à Internet através da tela, igualmente brilhante, do computador .Em um ou outro desses dois casos, somos hipnotizados pelas imagens visuais, não exigimos trabalho de nossa inteligência; além disso, existe sempre um risco permanente para nossos olhos (ontem minha mulher comprou para mim uma tela protetora ).
Por tais razões, o velho livro, multissecular criação humana, continua imbatível. Leva a clara vantagem de ser portátil, sempre pronto a participar de nossa intimidade em qualquer lugar ou hora, respeitadas as óbvias restrições do bom senso.É um amigo silencioso e fiel.

O leitor deste “post” neste instante pode perguntar isto: mas, o que você quer dizer por um bom livro ?
Boa pergunta. Bom livro, para mim pelo menos, é aquele que nos faz pensar, mesmo quando trata de sonhos e quimeras; é o que nos fala tanto à inteligência quanto à sensibilidade.Um livro de histórias de fadas bem escrito pode ser um ótimo livro.
Ler, sem pressa, um livro como o “Dois Amores, Duas Cidades” pode ser ocasião para um proveitoso encontro com a verdade e a beleza juntas, página por página.


Onde mora o amor verdadeiro
Sou amigo de um monge beneditino cuja idade já passou dos noventa anos. Continua lúcido, graças a Deus, e, mais que lúcido, permanece com a boa sabedoria dos que descobriram as prioridade corretas, a hierarquia certa das coisas deste mundo.Entretanto, em que pese o longo e recompensador trabalho de seu paciente aprendizado de tudo aquilo que a santa Regra de São Bento manda que os monges façam, o fato é que esse meu amigo, ao ingressar no mosteiro, já trazia do seu tempo de menino, dos seus anos de adolescente, a influência, a presença de uma casa à moda antiga, do tipo como hoje vai ficando cada vez difícil encontrar nas modernas Babilônias.

Guarda ele na memória a figura de um pai austero, e ao mesmo tempo bom, que não se envergonhava de rezar o terço enquanto caminhava, de vagar, na espaçosa sala daquela residência com estilo colonial. Ali morava uma família em que, com toda a certeza, existia o amor que nasce muito mais da vontade , do desejo de querer o bem para o outro , existia um afeto disposto à renúncia em favor do outro

Tudo o que escrevermos, por mais gracioso e inteligente que seja, valerá quase nada se não der um mínimo de contribuição para que volte a existir em nossas sociedades aquele bom amor antigo, aquele que nasce muito mais da vontade que da sensibilidade.


O amor serviço


Hoje , Quinta-feira Santa, o Cristo abaixa-se e lava os pés dos seus primeiros padres.


posted by ruy at 5:00 da manhã

6.4.04

 
Monk


[já comentei este assunto há mais ou menos um ano; porém vale a pena retornar ao tema]
Tenho visto na TV várias séries de filmes policiais; muitos americanos, alguns franceses e ingleses, um austríaco e um italiano.De todas essas séries, para mim pelo menos, a melhor é, sem dúvida alguma, a do filme “Monk”, um detetive inteligente, dotado de ótima memória e um excelente poder de observação, porém com dois problemas que o incomodam bastante: uma psicose crônica, caracterizada por uma constante mania de limpeza e desejo de colocar em ordem simétrica todos os objetos com que lida, e uma permanente saudade de sua falecida esposa.

Os filmes – todos – têm um roteiro repleto de sutilezas, detalhes que se entrelaçam, incidentes explicáveis pelas leis da física ou da química,ou pelas fugidias leis da psicologia humana, tudo isso arrumado de forma verossímil, mas que escapa aos olhares desatentos dos demais personagens da história.

A par do suspense, ocorrem cenas engraçadas, que estimulam nosso bom humor diante das situações atípicas criadas pelos problemas pessoais do detetive Monk.
Se o leitor quer ver um filme inteligente na TV, veja “MONK”, canal 43 da NET.


Lamentáveis equívocos


Nos meados da década de 60, houve neste país um movimento contra o então presidente João Goulart. Essa drástica atitude política, unindo as Forças Armadas e a maior parte da população em um objetivo comum, impediu que nossa Pátria escorregasse para um regime do tipo “colégio interno”, fazendo-tudo-o-que-o- diretor-mandar (e quem não gostar, fuja em barcos frágeis, enfrentando temporais e tubarões) .

Afastado esse perigo, deu-se partida a um grande crescimento econômico, a um notável programa de projetos nas áreas da energia elétrica e das telecomunicações, e muito mais.Entretanto, os mesmos homens que, preocupados com o desenvolvimento do Brasil haviam feito todas essas coisas, cometeram certos lamentáveis equívocos, causa remota de muitos problemas que hoje enfrentamos. Referimo-nos ao que se fez na área do ensino , a mal-denominada área da educação .

Vejamos: retirou-se completamente o ensino do latim da escola secundária; introduziu-se nos colégios o tal “ensino profissionalizante”; incentivou-se a máxima procura dos cursos universitários sem levar em conta que esse nível de escolaridade destina-se aos que realmente têm vocação para estudos avançados, e que não é função precípua da universidade formar profissionais para o mercado de trabalho. Uma das conseqüências dessa desajeitada supervalorização da universidade foi o grande, o injusto desprestígio de uma das profissões mais nobres e mais importantes para a sociedade, a profissão da professora do primeiro grau, aquela que sempre foi carinhosamente chamada “a professorinha primária”

Esses equívocos foram causados por uma visão excessivamente pragmática e desenvolvimentista do ensino, e acabaram gerando uma sombria depressão cultural, cujas amostras este melancólico setuagenário observa todos os dias...

Recordo-me, com saudade, do meu curso colegial (lá se vai mais de meio século...), em que, além das aulas de matemática (incluindo geometria descritiva), de física e de química, passei pelas cadeiras de português (“tão temerosa vinha e carregada, que pôs nos corações um grande medo”), espanhol ( “volverán las oscuras golondrinas, en tu balcón sus nidos a colgar...”), francês (Ô râge, ô desespoir, ô veillesse ennemie...”) e de inglês (“silence is the perfect herald of joy”) .Aprendíamos a gostar, em paralelo, das chamadas “ciências exatas” e dos temas humanísticos. Não havia ainda a febre do vestibular.

Treinados desde o ginásio a estudar todos os assuntos com a mesma seriedade, estávamos, sem sentir, preparando-nos para que pudéssemos, em um futuro distante, por exemplo, avaliar todos os aspectos de um livro realmente inteligente, captando, ao final da leitura, a síntese da mensagem contida na obra.

Hoje, infelizmente - e digo infelizmente porque isso gera no convívio diário uma enorme solidão - encontramos nos meios acadêmicos professores que conhecem bem apenas os assuntos de sua área profissional.E se interessam apenas por esses assuntos...


Uma reflexão do poeta das “oscuras golondrinas”


El recuerdo que deja un libro es más importante que el libro mismo.
( Gustavo Adolfo Becquer )



posted by ruy at 3:21 da manhã

5.4.04

 

Cinco pessoas muito especiais


Como estamos em plena Semana Santa, na tradicionalmente chamada Semana Maior, nossa Mãe, a Igreja, recomenda com muita ênfase a penitência, isto é, o arrependimento de nossos pecados.Entre eles, o que mais machuca é o da omissão...
Ora, lembrando dessa recomendação Materna, penso, neste momento, em cinco pessoas muitíssimo ligadas a mim, pessoas muito especiais a quem sou imensamente devedor, só DEUS sabe o quanto.Através dessas cinco, e por causa delas, estou ligado a muitas outras, também pessoas especiais; isso multiplica minha dívida, que já é bem grande...
Que Deus perdoe essa minha enorme dívida, Ele que foi capaz de perdoar até mesmo os que O crucificaram naquela primeira Sexta Feira Santa.

[talvez tudo isso que estou escrevendo provoque risinhos na “web”.Não faz mal que riam, este “blog” não existe para que eu faça pirotecnias elegantes].


Um alívio


Esta noite dormi preocupado com o que escrevi no “post “ de ontem. Pensei que meus comentários talvez tivessem sido contundentes sem necessidade.
Eis que hoje de manhã, para alívio do Ruy, meu amigo A ..., o serrano, enviou-me uma mensagem trazendo-me uma nova informação sobre o sr. Fernando Altemeyer, o Mestre em Cristologia da PUC-SP. Verifiquei, assim, que não houve exagero algum na minha referida crítica. Mantenho, pois, o que escrevi ontem.
De passagem, tomei conhecimento de um artigo escrito por um pastor presbiteriano em que ele cita, para meu desgosto, alguns “católicos” (entre aspas), entre os quais o professor da PUC-SP, que estão mesmo estimulando novidadeirismos contrários à fé cristã. É lamentável...


A Esperança


Quando observamos a história da difusão do Cristianismo, especialmente lendo o que está contado nos Atos dos Apóstolos e nas cartas de São Paulo, notamos que desde o início as três virtudes chamadas teologais , Fé, Esperança e Caridade, estavam inseridas no agir das comunidades cristãs.
Quero destacar neste “post” a Esperança.
São Paulo, em sua carta aos Romanos, escreve forte e claramente:

Não vos conformeis com este mundo,mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito. [ Rom., cap.12, vs. 2]

Note, leitor : “não vos conformeis com este mundo”, “não vos acomodeis”, “não vos aburguesais”.
Ora, São Paulo não está inventando moda. Como estamos na Semana Santa, convém lembrar o que o próprio Nosso Senhor disse a Pilatos:

Meu Reino não é deste mundo. [ Jo. ,18, 36]

Pois é, a virtude da Esperança liga-se ao Reino que não é daqui.
É por isso que dói, e muito, ver “católicos” apoiarem ditaduras que constituem um modo bem organizado de contrapor-se às coerentes atitudes de quem tem a virtude da Esperança. Um cristão autêntico não pode dobrar-se diante do Estado totalitário, já que este tenta, insolentemente, usurpar aquilo que a Deus pertence, o direito à alma das pessoas.


posted by ruy at 6:52 da manhã

 

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