Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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29.2.04

 
Uma sugestão quixotesca


Este “blog” talvez tenha no máximo uns doze leitores. Esse número está adequado ao tamanho do oásis, que é pequeno.
Ora, grupos pequenos podem muitas vezes realizar certos feitos com maior eficácia que um grupo cujo efetivo seja bem maior. Note o leitor que falei em eficácia, e não em eficiência .Nunca é demais lembrar a diferença entre esses dois conceitos. A eficiência liga-se aos meios necessários para chegar a um certo objetivo; a eficácia refere-se à própria finalidade de nossas ações, liga-se ao nosso desejado objetivo, Podemos, pois, ser muito eficientes porém pouco eficazes na busca de nossas metas.

Nas decisões que tomamos para executar nossos projetos, o problema maior reside na usual, na costumeira impaciência. É ela que faz com que nos esqueçamos do principal, ou seja, a eficácia, e nos leva a um ativismo apressado, à cata de resultados imediatos, sem que tenhamos previamente identificado, de modo claro e preciso, qual é o nosso fim (exemplo típico do indesejável: o modo como se construiu Brasília).

Se o Conselheiro Acácio lesse o que escrevemos até aqui, certamente poderia alegremente assinar em baixo. Isso não importa; minha idéia foi alertar algum leitor distraído.Na verdade eu tinha que fazer a digressão acaciana antes de apresentar aos leitores deste “blog” minha quixotesca sugestão. Vamos lá.

Os leitores do Despoina Damale já possuem a escolaridade universitária completa ou estão prestes a completá-la. Tal circunstância em princípio deve facilitar uma visão panorâmica dos vários fatos que nos vêm incomodando nestes últimos tempos, como por exemplo:
- as desastradas ações do PT no governo deste país (aí incluídos: o demagógico Plano (...) Fome Zero; as infelizes declarações do Presidente, feitas aqui ou no exterior; o recente äffaire” Waldomiro, envolvendo um arquipoderoso assessor da Presidência, o mesmo que se abraçou chorando com o ditador mais longevo do planeta; a manutenção do essencialmente totalitário Ministério da Cultura (...), entregue agora a um inquieto cantor popular; e outros casos que o leitor pode certamente lembrar);
- a nefasta ação da mídia, em especial da TV, difundindo por todo o país programas abjetos como o Big Brother Brasil; promovendo um Carnaval em que predomina o nudismo, o incentivo à homossexualidade, o uso das drogas e vai por aí; espalhando a falsa cultura disfarçada sob as cores da informação ruidosa e colorida, porém sempre superficial;
- a continuação do antigo e prejudicial equívoco do nome Ministério da Educação, órgão federal agora dirigido por um pessoal que já não consegue esconder sua visão totalitária do ensino, visto este como um maquiavélico processo de “formar bons cidadãos” (leia-se: indivíduos submissos ao Leviathan, ao Estado, a essa estrutura laica, e muitas vezes perseguidora, que desde o século XVIII vem insolentemente recusando-se a aceitar um Deus criador do homem, e amoroso para com a Sua criatura).

Note bem, amigo leitor, é facílimo fazer críticas aos fatos acima citados. Eles estão ocorrendo diariamente diante de nossos olhos.E tais críticas são razoáveis e justas, e mesmo necessárias.Temos que fazê-las. Entretanto, o problema que ora proponho à consideração de quem me lê neste momento é o seguinte: qual é a eficácia das nossas críticas, mesmo aquelas escritas ou faladas com veemência e, ao mesmo tempo, expressas em excelente linguagem ? A veemência na crítica e o apuro com a linguagem, leitor amigo, estão ao lado da eficiência

Pois bem, neste exato instante, venho propor aos leitores deste “blog” uma sugestão que eu mesmo aceito seja classificada como quixotesca, a saber:
- a fim de chegarmos à desejável eficácia , precisamos, nós que supomos estarmos com os melhores critérios, precisamos executar um silencioso, contínuo, pertinaz e sobretudo corajoso processo de recuperação da cultura devastada pelo antropocentrismo.
O processo ora proposto deveria ser realizado por meio de simples tarefas, sejam conversas nossas com parentes, amigos, colegas de trabalho, sejam artigos escritos por nós, versando sobre temas aparentemente desligados dos problemas que listamos há pouco. Conversas essas e escritos esses expostos em tom menor , ali ausentes a veemência e a ira justa, e sempre presente um desejo de “puxar para cima “. Porque, “ para baixo”, a rotina instalada e satisfeita consigo mesma não pára de puxar... (releiam, por favor, meu “post” do dia 27, sexta-feira).

Vou dar um excelente exemplo para melhor esclarecer minha quixotesca sugestão:
- faz poucos dias, o jovem Alfredo Votta publicou no “site” Outonos uma notável apresentação da vida e da obra do compositor francês OLIVIER MESSIAEN. O que ali está escrito é suficiente, para quem tenha os olhos e os ouvidos bem abertos – repito: bem abertos ! – perceber o que está mais fazendo falta hoje em dia, se estivermos mesmo preocupados com a eficácia necessária à arrumação da nossa casa . Parabéns, Alfredo !


Bom Domingo para todos os meus amigos leitores !


posted by ruy at 3:51 da manhã

28.2.04

 
O Terceiro Homem


No “post” de ontem fiz referência à obra do romancista inglês Graham Greene. Falei sobre o roteiro que ele escreveu especialmente para um filme, “O Terceiro Homem”, película que se tornou um clássico do suspense no cinema. Como provavelmente muitos leitores não tenham visto esse filme, lançado em 1949, começo fazendo um resumo da trama.

Logo depois da segunda Guerra Mundial, Rollo Martin (representado pelo ator Joseph Cotten) vai a Viena a convite de seu amigo Harry Lime (vivido por Orson Welles) , a quem fazia muito tempo que não via.
Lá chegando, fica sabendo que Lime havia morrido, vítima de um atropelamento. Martin vai ao enterro do amigo e no cemitério conhece a bela Anna Schmidt ( Alida Valli), que fora amante do amigo.

O filme - feito em preto e branco e com um bonito solo de cítara como fundo musical - continua com cenas misteriosas e, em certo trecho da história, o recém chegado americano acaba descobrindo que seu amigo de infância, Harry Lime, estivera completamente envolvido com o contrabando de penicilina falsificada, causa da morte de dezenas de inocentes crianças.
Chocado com essa terrível revelação, Martin ainda permanece na capital austríaca, agora sentindo-se atraído pela beleza da mulher que fora apaixonada por seu amigo. Mas, eis que de repente se dá a descoberta eletrizante: na verdade, Lime está vivo e o atropelamento fora uma hábil farsa, montada para esconder o criminoso.

Percebendo que Martin descobrira tudo, Lime acerta com ele um encontro em que somente os dois estariam presentes, o que de fato ocorre numa enorme roda gigante, daquelas que têm uma cabine fechada em vez da convencional gôndola para os passageiros. Para mim, é a cena principal do filme.
Martin interpela cara a cara o amigo dizendo:
- como pôde acontecer isso tudo? Conheci você desde menino; você ia à igreja, freqüentava o catecismo, ajudava o padre a celebrar a missa !...
E nesse instante Lime responde com a maior frieza:
- continuo acreditando em tudo aquilo que acreditava: em Deus, no Céu, no Inferno, nos Anjos e em tudo mais.
Não contarei o resto da história. Os leitores poderão assistir ao filme, quem sabe, procurando-o em uma boa loja de vídeo. Vou apenas comentar aquele dramático diálogo, construído lá no alto, tendo a elegante Viena como cenário.

De fato, a inteligência deve ter um papel preeminente em nossa vida, papel esse infelizmente esquecido na cultura atual, mediocrizada pela mídia que divulga os mais vulgares e/ou abjetos costumes; mediocrizada pela universidade que se perdeu no pragmatismo; e, melancolicamente, mediocrizada também por muitos católicos- ai de nós! - que, esquecidos de nossa milenar tradição, passamos a dar ênfase ao sentimento, ou até mesmo ao sentimentalismo, em vez de valorizarmos aquela faculdade que, na hierarquia da Criação, nos coloca logo abaixo dos Anjos (haja vista, por exemplo, o que fizemos com a liturgia da missa).

Entretanto – e neste momento voltamos a escutar as terríveis palavras de Harry Lime, enunciadas na cabine suspensa bem acima do solo, - não basta conhecer e admirar a verdade, conhecer e admirar a salvadora mensagem do evangelho. Essas verdades precisam ser vividas por nós, coerentemente vividas em cada ato nosso.
Perplexos diante do tenebroso procedimento do infeliz amigo de Martin, seria bom que nos lembrássemos agora de uma grave reflexão de Leon Bloy:
- não pode considerar-se realmente cristão aquele que afirma existirem pecados que seria incapaz de cometer .


posted by ruy at 2:17 da manhã

27.2.04

 
Uma velha tentação


O famoso escritor inglês Graham Greene deixou-nos enorme bibliografia, notadamente romances, muitos dos quais serviram de roteiros para filmes. Aliás, chegou a escrever mesmo um específico roteiro para o inesquecível suspense: “O terceiro homem”, com o papel principal desempenhado pelo brilhante Orson Welles (esse filme talvez dê assunto para um futuro “post” deste “blog”).
Talvez a obra prima de Greene seja mesmo: “O Poder e a Glória”, escrito na década de 40 e cujo cenário é a perseguição religiosa que existiu no México em 1927 (esse romance também foi levado à tela dos cinemas).

O tema de “O Poder e a Glória” é o drama de um padre que está sempre fugindo aos perseguidores mandados pelo governo mexicano. De cidade em cidade, cada vez mais longe da capital do país, vai o sacerdote escondendo-se, contando com o eventual apoio de católicos corajosos ou às vezes arriscando-se a encontrar um Judas. Não se trata de um padre virtuoso; em certa época teve o vício da bebida, chegando mesmo, numa hora de quase inconsciência, a gerar um filho, fruto do pecado. O romance termina com a morte do padre, arrependido de todos os seus pecados e rezando por seus executores. Quem ainda não leu esse belíssimo livro está perdendo ótima leitura.

Ora, em uma de suas angustiantes caminhadas, o padre fugitivo chega a uma afastada vila, tranqüila e aonde a perseguição ainda não havia chegado com seu ódio anticlerical e assassino. Ali chegando, em pouco tempo ele se instala, se acomoda, satisfeito por contar com o apoio de fiéis generosos, sempre prontos a doar boas contribuições para a paróquia, isto é, para ele mesmo. Logo se esquece do que está ocorrendo no México, do que está acontecendo com seus irmãos sacerdotes e com os leigos que se mantinham leais à Igreja.

Peço ao leitor que releia no parágrafo anterior as palavras que grifei: instala-se , acomoda-se .
Pois bem, essa é uma das mais antigas tentações que está sempre nos rondando, à nossa volta, de nós cristãos, de nós católicos, em torno do Ruy Maia Freitas: o instalar-se, acomodar-se na vida. Ao constatar esse fato Leon Bloy certa vez escreveu que muitos de nós cristãos modernos vimos, há muitos séculos, procedendo de modo totalmente oposto ao que nos foi clara e fortemente – “sound and clear” - recomendado pelo apóstolo São Paulo em sua epistola aos Romanos:
- Nolite conformari huic saeculo : Não vos conformeis com este século, não vos acomodeis com o mundo, não vos instaleis no mundo

No “post” de ontem comentei a mensagem que recebi do amigo leitor C. G. C , aquela em que ele fala sobre o generoso sonho de um “paraíso terrestre” . Aí está um problema cuja solução é dificílima:
- como armar esse generoso projeto, como construir essa desejável sociedade mais justa, sem que nossas iniciativas, nossas realizações não impliquem o esquecimento da Esperança? Como procurar esse novo tipo de sociedade sem buscar, ao mesmo tempo, que ela seja uma nova Cristandade ? Por acaso, pergunto, o que hoje acontece em Cuba é modelo a ser copiado, como sempre foi sugerido pelos Bettos, Boffs e outros já falecidos mas que continuam sendo incensados, por exemplo, pelas TV's ?

Acho que o assunto do “post” de hoje pode ser um bom tema para refletirmos seriamente nesta Quaresma de 2004.


posted by ruy at 4:22 da manhã

26.2.04

 
Pedido especial aos amigos leitores do DD

O BOL está péssimo...
Por isso, por favor, usem este meu outro e-mail :

professorrmf@yahoo.com.br

Quem enviou alguma msg hoje (26/fev), por favor, torne a enviá-la usando este outro e-mail.
Grato.
Ruy

posted by ruy at 6:51 da manhã

 

Aproveitando um “feed-back”


Faz uns dois ou três dias, um novo leitor deste “blog” enviou-me uma mensagem bastante cordial em que, depois de apresentar seus cumprimentos, ele mostrava, de modo educado porém firme, seu próprio ponto de vista sobre um tema que abordei “en passant” em um de meus “posts” mais recentes, a saber: a procura de um “paraíso terrestre”, um paraíso aqui na Terra.

O referido leitor concordava quanto à crítica que fiz às mirabolantes promessas do marxismo, promessas renovadas pelos comunistas, esses eternos teimosos da política; entretanto, ponderava que aquele erro dos seguidores de Marx não invalida a generosa procura de uma sociedade mais justa e, sobretudo, impregnada pelo Amor que tem como inspiração a doutrina do Evangelho.Deixemos o próprio leitor falar.

- Mas vejo a Fé em Deus e as lições de Amor pregadas por Cristo como meios competentes para criar, sim, um paraíso na Terra. Somos espírito, mas também somos carne; e se a vida carnal é vivida por estas bandas, é bom que seja da melhor forma possível, num paraíso de preferência.
Pergunto: como poderemos apressadamente discordar destas generosas palavras ?

Não tenho títulos que me credenciem como intérprete seguro da Doutrina Social da Igreja, nem muitíssimo menos como uma espécie de profeta das desejáveis transformações político-sociais do mundo. Todas as idéias que venho usando na redação deste “blog” eu as aprendi com muitos escritores, uns marcados pelo Sacramento da Ordem, outros simples leigos como eu. Sou profundamente agradecido a essas pessoas amigas que me ensinaram as coisas mais importantes que devemos conhecer neste mundo. E inspirado por essas idéias digo agora que o problema levantado por meu jovem leitor deve ser analisado “cum grano salis”.

Faz poucos dias a professora A.M. publicou no “site” Outonos um oportuníssimo artigo sobre o ofício do escritor. No mesmo artigo, sua autora teve a feliz lembrança de citar um trecho do livro “Três Alqueires e uma Vaca”, de Gustavo Corção, livro esse que apresenta uma biografia de Chesterton escrita do mesmo modo como o grande ensaísta inglês escrevia suas biografias. É um belíssimo trecho que merece ser lido com a máxima atenção por qualquer pessoa de boa índole que deseje exercer de modo honesto aquele penoso ofício. Corção termina o texto citado com estas sábias palavras:

O primeiro sinal que um leitor prevenido deve procurar num livro, a meu ver, é o da autenticidade. Antes de qualquer avaliação final, antes de uma colocação mais firme, importa distinguir se a obra vem das profundezas de um sujeito ou das meras superfícies, que apenas espelham os gestos dos outros. O que importa, na voz de um livro, é que seja uma voz de homem, que as palavras dessa voz estejam ligadas à lenda desse rei que cada esfinge de esquina tenta devorar. O que importa, em suma, é que a obra seja uma Mensagem.

Ora, se existe na bibliografia de Gustavo Corção um livro que nos traz oportuna mensagem, bem adequada a estes nossos dias impregnados de desconfortáveis perplexidades (peço ao leitor que me poupe de dar exemplos, tão numerosos no noticiário das TV’s e dos jornais), esse livro é: “Dois Amores, Duas Cidades”. Ali vamos achar um magnífico ensaio histórico que nos relata o porquê da incômoda situação em que se encontra a Civilização Ocidental Moderna. Vamos ali descobrir que já existiu uma Cristandade, aquela sociedade humana que bem poderia ser o modelo daquele “paraíso terrestre“ tão desejado pelo meu mais recente leitor.

Há vários modos de ler um livro. Se, ao ler uma obra, não conseguirmos perceber a mensagem do autor, à qual se refere o escritor citado por A.M. , terá sido o mesmo que haver lido a história de Branca de Neve e os 7 Anões sem haver prestado a devida atenção ao mágico e providencial beijo do príncipe. Há quem, ao ler o autor de “A Descoberta do Outro”, “O Desconcerto do Mundo”, “Lições de Abismo”, “ Três Alqueires e uma Vaca”, “As Fronteiras da Técnica”, e outros de G.C. , talvez fique atento apenas à mera exposição clara e precisa de certas idéias; talvez fique apenas apreciando esteticamente a forma; porém deixe escapar o principal : a fidelidade daquele sofrido autor à pessoa do Cristo, Nosso Senhor, cuja Paixão, Morte e Ressurreição a Igreja – essa paciente Penélope da Eternidade – mais uma vez vai comemorar daqui a alguns dias.

Obrigado, amigo C..., por haver – com sua gentil mensagem – proporcionado um bom “feed-back” para este “blog” !
Obrigado, professora A.M., por haver citado aquele escritor que viveu intensamente seu amor ao Cristo e à Igreja !


posted by ruy at 3:00 da manhã

25.2.04

 
Reflexões feitas na serra


[Terminado o recesso do Carnaval, estou de volta à casa. Lá em cima, isto é, lá na serra, lembrei-me de certo moderno escritor brasileiro que, em um de seus livros, comenta com muita acuidade este fato: ao afastarmo-nos da agitada rotina para passarmos alguns dias mais próximos da natureza silenciosa, temos melhor oportunidade para refletir sobre coisas essenciais. Foi o que aconteceu comigo durante esse recesso.]

Velhos equívocos
Faz poucos dias um amigo distante, pessoa de ótimo nível de instrução e dotado de muito boa índole, enviou-me pela “web” uma mensagem a que ele mesmo deu o título : professores e educadores, querendo com isso ressaltar que nem todo professor é educador, como seria por exemplo (na opinião desse meu amigo) certo diretor de colégio, personagem principal da seguinte historieta contada pelo meu correspondente.

Em certo colégio as alunas adolescentes estavam com o mau costume de experimentarem seus batons beijando os espelhos do banheiro feminino, hábito esse que vinha aumentando bastante o trabalho de limpeza feito pelo faxineiro da escola. Este, incomodado, queixou-se ao Diretor do colégio.

Em conseqüência da queixa, as alunas receberam ordem para irem ao banheiro onde já as estavam esperando o Diretor e o faxineiro.
O Diretor foi logo dizendo:
- vocês têm repetidas vezes beijado os espelhos, marcando-os com o batom. Ora, isso dá um enorme trabalho para a limpeza do vidro. Vejam agora como o faxineiro tem que fazer para remover as marcas.
Nesse instante, o funcionário apanhou um pano, molhou-o em um dos vasos sanitários e, em seguida, esfregou os espelhos com o mesmo pano.
Meu amigo termina a historieta insinuando que aquela atitude “educadora” acabou com o mau costume dos beijos dados nos espelhos.

Vamos lá!
Comecemos repetindo o que sensatamente nos ensina Mortimer Jerome Adler:
- quem se educa é a própria pessoa; a verdadeira educação se faz por dentro, é um processo de crescimento interior, razão pela qual, conforme explica o próprio Adler, somente os adultos podem educar-se. Os não adultos, os que ainda são “tutelados” por uma escola, mesmo que seja uma de nível universitário, precisam ser “treinados” a pensar, a refletir sobre as realidades do mundo, de modo que, mais tarde, ao adquirirem sua autonomia, possam decidir-se com acerto sobre suas possíveis atitudes.

Jacques Maritain em seu clássico livro “Education at Cross-roads” fala-nos sobre aquela que ele chama: educação pela vontade , típica nos regimes nazistas, fascistas e comunistas. É a educação do: “faça porque eu quero que você faça”. O mesmo grande filósofo – que ele sempre foi – contrapõe a essa “educação voluntarista” a chamada : educação pela inteligência, esta, sim, desejável.

Aplicando essa distinção proposta por Maritain, pergunto agora:
- não teria sido melhor que o Diretor do tal colégio, em vez de armar aquela chocante encenação, mais orientada para a manipulação da vontade das alunas, tivesse dado uma convincente “aula” sobre o significado e a correlata importância das profissões menos nobres, sobre a dignidade dos trabalhadores mais humildes ? Pergunto: um tal apelo não seria mais inteligente e, em conseqüência, não teria sido mais eficaz do ponto de vista de uma verdadeira educação ?

Peço aos leitores que reflitam sobre esse tema e aproveito para dizer o que tantas vezes já disse neste “blog”:
- o nome correto do Ministério deveria ser: Ministério do Ensino, ou Ministério da Escolaridade.
Nenhum Estado – democrático ou totalitário – tem direito a dar palpite em minha educação ! Por favor: comentem isso com seus parentes e amigos !

E, para terminar, digo mais uma vez: o amigo que me enviou aquela mensagem é pessoa de ótimo nível de escolaridade e é dotado de muito boa índole. Estas características, entretanto, não o impediram de repetir o equívoco de muitos outros observadores dos problemas humanos.



posted by ruy at 2:10 da manhã

 

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