Despoina Damale

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20.2.04

 
A TODOS OS AMIGOS DESTE BLOG:

O Bol está péssimo...
Reenviem suas msgs ( as enviadas a partir do dia 19) para este enderecp:
professorrmf@yahoo.com.br

Grato-
Ruy

posted by ruy at 9:01 da manhã

18.2.04

 
Santa Terezinha


Faz poucos dias meu amigo M..., engenheiro da área elétrica como eu (só que ele opera com ampères, correntes muito fortes para nós de Telecomunicações...), enviou-me várias mensagens relatando novidades sobre um filme a respeito da vida de Santa Terezinha, Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face.
O “site” do filme é este : http://www.theresemovie.com .
O “post” de hoje vai ser dedicado a essa mais nova Doutora da Igreja, assim proclamada pelo Papa João Paulo II em outubro de 1997 .

No livro que venho insistentemente recomendando aos leitores deste “blog” (“Dois Amores, Duas Cidades”), em certo capítulo o autor comenta sobre os chamados “homens representativos” de uma civilização, isto é, de uma certa época.
Por exemplo, conforme Corção escreve, São Francisco de Assis e São Bernardo são representativos da Idade Média; porém, curiosamente, Santo Tomás de Aquino não é representativo do Medievo. Por quê? O mesmo G.C. explica: Santo Tomás é de todas as épocas, devido à universalidade de sua doutrina.

Pois bem, o livro citado fala sobre os homens representativos de várias fases da história humana. Ora, ao chegar ao século XIX, constatamos meio decepcionados que Santa Terezinha e o Cura d’Ars não representam essa época. A razão desse fato está justamente em termos atingido no referido século um estágio bem avançado daquele deletério processo cultural que é o antropocentrismo. A Ciência chegara a um nível bem adiantado. Os nacionalismos fortaleceram-se, uma circunstância que talvez já fizesse prenunciar a guerra de 14, na qual foram usados tantos recursos bélicos frutos daquela mesma ciência,orgulhosa e auto suficiente.
No que se refere ao abandono da religião, podemos lembrar, por exemplo, a transformação da milenar, da venerável abadia de Saint Michel, “La Merveille”, em prisão, um lugar de castigo para criminosos comuns (fato esse criticado até mesmo pelo liberal Vitor Hugo).Podemos nos referir ainda à avassaladora propaganda socialista, comunista, ampliada com furor depois do agressivo manifesto de 1848, prometendo aos pobres o mirabolante paraíso na terra (sabemos bem no que deu essa promessa...)

Pois bem, é nesse complicado cenário que uma certa mocinha, tão jovem que precisou especial permissão do papa para ingressar no Carmelo, faz uma opção justamente ao contrário da tendência da época. Em vez de aderir aos exteriorismos, ao culto do homem exterior (outro conceito muito bem explicado em “Dois Amores, Duas Cidades” ), Therèze Martin vai interiorizar-se , vai em busca do homem interior .
Porém, para felicidade completa dessa menina e depois de toda a Igreja, de todos nós que hoje a veneramos em milhares de igrejas em todo o mundo, para a felicidade geral, essa busca da interioridade não foi feita conforme o estilo , hoje em dia tão espalhado, das voluntariosas espiritualidades orientais, que não oferecem espaço para o mais importante: a Graça de Deus. Quando alguém me conta, com entusiasmo, que Paulo Coelho vende seus livros no mundo inteiro, penso naquelas graves palavras do Evangelho: “Ele já ganhou sua recompensa”.


Uma sugestão para os leitores

Tentem entrar no “site” da abadia de São Michel. E, ali chegando, parem, olhem e reflitam.


Muito obrigado amigo M..., este “post” é dedicado a você !




posted by ruy at 3:39 da manhã

17.2.04

 
Mentiras e meias-verdades


Qualquer pessoa normal detesta a mentira (entenda-se por “pessoa normal” aquela que mantém intacto o senso comum do que seja moralmente certo). Essa comum aversão à mentira talvez a torne, na maior parte das vezes, bem menos perigosa que a meia-verdade. Mantemos, via de regra, uma permanente vigilância contra a mentira. Mas, infelizmente, muitos de nós nos deixamos enganar pelas meias-verdades.Estas, sim, deveriam ser as mais preocupantes.
Em vez de fazer o que seria a demonstração desta minha afirmativa, vou dar um bom exemplo para mostrar que ela corresponde a uma verdade.Usarei um texto que me enviaram pela Internet (deu-me enorme trabalho colocar em ordem as frases e corrigir muitos erros de ortografia.Quanto à qualidade da linguagem usada pelo autor, deixei o texto do modo como veio; o leitor atento vai perceber a que estou me referindo...).

[Ao longo do texto transcrito coloquei números à esquerda das frases para facilitar a ordenação dos posteriores comentários]

“A consciência da sua missão"


Freqüentemente eu me pergunto:"O que cada um de nós está fazendo neste planeta.?" Se a vida for somente tentar aproveitar o máximo possível, as horas e minutos, esse filme é bobo. Tenho certeza de que existe um sentido melhor em tudo o que vivemos.
[1] Para mim, nossa vinda ao planeta Terra tem basicamente dois motivos:
[2]- evoluir espiritualmente e aprender amar melhor.
[3]Todos os nossos bens na verdade não são nossos. Somos apenas as nossas almas, e devemos aproveitar todas as oportunidades que a vida nos dá para nos aprimorarmos como pessoas.
[4] Portanto, lembre sempre que os seus fracassos são sempre os melhores professores e é nos momentos difíceis que as pessoas precisam encontrar uma razão maior para continuar ir em frente.
[5]As nossas ações, especialmente quando temos de nos superar, fazem de nós pessoas melhores.
[6]A nossa capacidade de resistir às tentações, aos desânimos para continuar o caminho é que nos torna pessoas especiais.
Ninguém veio a esta vida com a missão de juntar dinheiro e comer do bom e do melhor. Ganhar dinheiro e alimentar-se faz parte da vida. Mas, não pode ser a razão da vida.
[7]Tenho certeza que pessoas como Martin Luther King, Mahátma Ghandi, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Betinho e tantas outras anônimas, que lutaram e lutam para melhorar a vida dos mais fracos e dos mais pobres, não estavam motivadas pela idéia de ganhar dinheiro.
Pergunto-me o que move essas pessoas generosas a trabalhar diariamente,e não desistir da luta? A resposta é uma só:a consciência de uma missão nesta vida.
[8] Quando você tem a consciência de que através do seu trabalho você está realizando sua missão, você desenvolve uma força extra, capaz de levá-lo ao cume da montanha mais alta do planeta.
Infelizmente, muita gente se perde nessa viagem e distorce o sentido de sua existência, pensando que acumular bens materiais é o sentido da vida. E quando chega no final do caminho, percebe que o caixão não tem gavetas e que ele só vai poder levar daqui, o bem que fez às pessoas.
Se você tem estado angustiado sem motivos aparentes, está aí um aviso para parar e refletir sobre o seu estilo de vida.
[9]Escute a sua alma; ela tem orientação sobre qual o caminho a seguir.
[10] "Tudo na vida é um convite para o avanço e a conquista de valores, na Harmonia, e na Gloria do Bem”.


Bem, agora nós! Vamos lá !

[1]- “nossa vinda ao planeta Terra” – pergunto: e de onde “viemos” ? De outro planeta? De outra galáxia? No texto ora transcrito a idéia nuclear da Criação fica esquecida... E “motivos” é um termo que se liga a uma eventual pessoa que os tem ou teve. Pergunto: quem é essa pessoa ? Não seria então razoável esperar que essa pessoa nos dissesse seus “motivos” ?

[2]-“evoluir espiritualmente” – Pergunto: o que significa exatamente isto?
“Aprender amar melhor”- Mesma pergunta.

[3] – “Somos apenas as nossas almas”. Pergunto: e o nosso corpo? É um castigo que nos foi imposto? Ele não faz parte do nosso ser? Qual é o significado de nosso corpo ? Que tal ouvir a opinião de São Francisco de Assis sobre o assunto?

[4]- “os fracassos são sempre os melhores professores”. Pergunto: são mesmo? E que dizer dos milhares e milhares de pessoas mal sucedidas que se revoltam e que, cheias de ressentimento e inveja, passam a agredir os que foram bem sucedidos na vida? Teriam sido “maus alunos”?

[5] –“quando temos de nos superar nos tornamos melhores”. Ora, os atletas vivem procurando superar-se; muitos dos professores universitários vivem procurando superar-se.Pergunto: esse pessoal torna-se melhor no sentido amplo ou apenas em um limitado aspecto de suas vidas ?

[6]- “A nossa capacidade de resistir às tentações e aos desânimos nos torna pessoas especiais”. Pergunto: queremos vencer as tentações ou nos tornarmos “pessoas especiais”? Se for esta segunda hipótese, não existe nisso uma tentação de vaidade?

[7]-Este trecho é o que eu chamo: um autêntico saco de gatos.Ali aparecem líderes políticos de vários matizes, incluindo o brasileiro que ajudou Leonel Brizola a se eleger governador do Estado do Rio de Janeiro, com as conseqüências que os de boa memória conhecem (lembrar o famoso caso do Jogo do Bicho, quando Betinho a princípio negou de pé junto qualquer ligação do governo com os contraventores; mais tarde admitiu a “pisada na bola”, e disse que aquilo tinha sido “um erro político”). E ali aparecem, pobrezinhas, Madre Teresa e Irmã Dulce, as quais certamente, em seus atos humanitários, foram motivadas pela Caridade, de acordo com que São Paulo escreve de modo preciso em sua epístola aos Coríntios.

[8]-“você está realizando sua missão”. A palavra “missão” vem do verbo latino “míttere” que significa “enviar”. Ora, se alguém é enviado é porque alguém o enviou. Quem nos envia? Nós mesmos?

[9]- “Escute a sua alma”. Pergunto: minha alma é orientador confiável? Por quê ?

[10]- Peço que o leitor releia com cuidado a frase final do texto. Veja bem o quanto a proposta do autor está longe, muito longe, da Esperança cristã.
Dizem que quando o Peregrino do Absoluto, Leon Bloy, estava para morrer perguntaram a ele como esperava a morte. Bloy respondeu:
-Avec d’une grande curiosité.

E para terminar o comentário mais melancólico. Infelizmente, muitas pessoas hoje em dia deixam-se levar por gurus como esse que escreveu o longo texto comentado neste “post”...

















posted by ruy at 9:27 da manhã

16.2.04

 
Certos pontos para reflexão


Quando se estuda a história da filosofia constata-se que um dos filósofos mais respeitados que já houve no mundo, respeito esse que ainda hoje continua existindo, foi o velho Sócrates.
O fato mais curioso é o de que o insigne pensador grego nada deixou por escrito, ao contrário do que fizeram seus colegas de ofício Platão e Aristóteles.Tudo isso é sobejamente sabido e consta dos mais elementares manuais de filosofia. Não estou inventando coisa alguma.

Ora, um dos pontos fundamentais do ensinamento socrático – também constante dos manuais – consiste na importância super eminente que o mestre de Platão dava à definição das coisas.Uma atitude que batia de frente contra a irresponsável língua solta dos vaidosos e interesseiros sofistas. Para Sócrates, uma honesta e boa discussão deve partir desta pergunta: o que é isto ? . Trocando em miúdos: se eu escrever ou falar milhares de palavras bonitas, metáforas interessantes, períodos elegantes e até mesmo interligados com razoável argumentação, porém não tiver logo no início definido de modo claro e preciso o núcleo do meu discurso, estarei correndo um perigoso risco de tropeçar em algum sofisma e cair no chão pegajoso do erro. Também não estou inventando isso. O leitor curioso pode confirmar o que estou dizendo em centenas de fontes de informação que existem sobre o assunto.

O que motivou este “post” é justamente o fato de uma leitura que fiz, meio por “acaso”, de um texto cujo autor certamente não teve o cuidado socrático quando o redigiu. Um texto em que eram feitas certas afirmativas elogiosas sobre o Cristianismo, porém desprovidas de uma necessária consistência. Por quê? Justamente porque o objeto dos propostos elogios não foi desde o início corretamente definido.Vejamos bem a propósito um trecho da Introdução do livro “A Filosofia na Idade Média”, de Etienne Gilson (editora Martins Fontes, 1998). Escreve o grande filósofo francês:

- O Cristianismo é uma religião; empregando por vezes termos filosóficos para expressarem sua fé, os escritores sacros cediam a uma necessidade humana, mas substituíam o sentido filosófico antigo desses termos por um sentido religioso novo.
É esse sentido que lhes devemos atribuir quando os encontramos nos livros cristãos.Teremos várias oportunidades de verificar essa regra no decorrer da história do pensamento cristão, e é sempre perigoso esquecê-la.
Reduzida ao essencial, a religião cristã se baseia, desde o seu início, no ensino dos Evangelhos, isto é, na fé na pessoa e na doutrina de Jesus Cristo.


Notemos, no texto acima transcrito, dois pontos bem relevantes:
- a definição concisa e precisa do Cristianismo, dada logo no início;
- o estilo sóbrio da autêntica linguagem filosófica.
Note o leitor: uma coisa é fazermos digressões sobre poesia ou cinema; outra bem diferente é falar sobre assuntos de importância vital para uma vida humana, como aqueles que se ligam à essência da verdade e da fé. Vejamos como os manuais definem esses conceitos (e por favor, não estou usando a palavra “manuais” com sentido pejorativo).

A verdade consiste na conformidade do espírito com as coisas. A inteligência, estando, por natureza , determinada e estar conforme ao ser, não existirá verdade a não ser na medida em que ela obedeça às exigências objetivas do ser, quer dizer, em que haja adequação dos seus juízos com o real. [Curso de Filosofia, de Regis Jolivet- Editora AGIR-1953].
Podemos distinguir:
- verdade ontológica: conformidade da coisa com o intelecto;
- verdade lógica: conformidade do intelecto com a coisa ;
- verdade moral: conformidade da palavra com o pensamento.

Fé (religiosa) : é a adesão livre e racional a uma verdade Revelada.No sentido lato, ter fé significa aceitar uma afirmativa feita por alguém sobre algo que não podemos comprovar, aceitação essa em respeito à autoridade de quem afirmou..
[note o leitor que, de propósito, iniciei com maiúscula a palavra “Revelada”; eventuais fantasias pessoais, por mais elegantes e até mesmo poéticas que possam parecer, não devem ser confundidas com a autêntica Revelação.Esta passa pelo crivo necessário de uma milenar corrente religiosa cuja origem é o Cristo, o Verbo de Deus Encarnado.]





















posted by ruy at 3:46 da manhã

 

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