Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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8.2.04

 
O problema das drogas


Ontem meu amigo A..., morador em uma simpática cidade serrana, enviou-me uma mensagem em que, entre outros assuntos, falava sobre um recente confronto entre policiais e traficantes naquele lugar, confronto do qual resultara o ferimento de um sargento da Polícia Militar, conhecido de A.... A referida cidade está bem longe de ser uma megalópolis e tem uma antiga tradição de quietude. Assim, o fato contado por A... apenas confirma o que muitos de nós já sabíamos: o problema das drogas, isso é, do uso das drogas, é geral, envolve grandes e pequenas cidades.

Essa desconfortável realidade leva-nos a perguntar: por que as pessoas, especialmente os moços, usam drogas?
Em vez de repetir a pergunta acima, proponho uma interrogação diferente, na forma negativa, a saber:
- por que os moços não deveriam usar drogas ?
Um leitor desprevenido pode pensar que esta forma de perguntar sugere uma hipotética aprovação minha ao vício. Não, de forma alguma eu aprovaria esse deletério hábito! Minha pergunta tem por objetivo, sim, alertar meus poucos leitores para um ponto de capital importância que é o da origem do uso das drogas, o porquê disso. Vejamos alguns fatos deste nosso mundo moderno.

No final da Segunda Guerra Mundial dois grandes líderes do Ocidente (ou pelo menos eram assim considerados) na luta contra o nazismo, reunidos em Ialta com o ditador da Rússia , entregaram de mão beijada aos soviéticos várias nações da Europa, as quais eram livres antes da guerra. Esses países permaneceram escravos do comunismo durante décadas, só recuperando sua liberdade quando caiu o sombrio Muro de Berlim.Pergunto:

- como podem os moços acreditar no idealismo de seus líderes quando vêm serem assinados esses e outros cínicos e nefastos acordos políticos ?

No final dos anos sessenta, aqui no Brasil, foram introduzidos no nível do segundo grau de escolaridade os chamados “cursos profissionalizantes”, novidade essa precedida de perto pela retirada total do ensino do latim das escolas daquele nível, tudo de modo a criar uma atmosfera de pragmatismo suposto necessário para o desenvolvimento do País (a eliminação “tout-court”do latim assumiu, para mim pelo menos, o aspecto simbólico da nova “ filosofia de ensino”).Pergunto:

- como esperar que nossos moços sejam idealistas, com espírito livre de ambições outras que não seja a de seu crescimento interior, como pessoa humana, naquela direção tão bem apontada pelos textos sensatos, repletos de sabedoria, de Mortimer Jerome Adler, o educador que sempre criticou em sua pátria a visão estreita da maioria dos pais de família americanos ?

Com a instalação das grandes rotas de comunicações da Embratel, as emissoras de televisão, com a Globo na frente, puderam disseminar pelo país inteiro seus diversos programas. Porém, desgraçadamente, a maioria desses programas vem há muitos anos achincalhando os costumes normais em uma sociedade realmente humana; vem introduzindo na cultura popular a aceitação passiva de práticas de comportamento ético contrárias à Lei Natural, a lei que Deus inseriu no coração do homem.Tudo se transforma em motivo para zombaria, para deboche, quando exposto na tela colorida. Pergunto:

- como desejar que nossos moços acreditem no amor verdadeiro, no amor que seja, antes de mais nada, doação generosa, amor que seja um querer o bem do outro. e não uma egoísta procura de satisfações sensíveis, em nível simplesmente telúrico, quase animalesco?

Logo após o Concílio Vaticano II, muitos bispos e padres aderiram à “doutrina do mundo melhor”, ou seja, uma exclusiva preocupação em fazer deste nosso exílio um paraíso, repleto de justiça social, livre da fome e da ignorância. Nessa linha de ação, a maioria desses pastores acabou se esquecendo de um pequeno detalhe, aquele sobre o qual Pilatos foi claramente informado pelo Cristo no interrogatório que precedeu a entrega de Jesus aos seus algozes: o Reino não é deste mundo.O esquecimento desses religiosos chegou a tal nível que vários deles chegaram a dar apoio total a cruéis ditadores marxistas (preciso citar exemplo?). Pergunto:

- como esperar que nossos moços acreditem no mistério do Mal, na necessidade da Salvação eterna, no significado dos sacramentos, no verdadeiro papel da Igreja em nossa vida quando tantos de nossos pastores se preocupam mais com os problemas sociais e menos com as almas ?

Seria cansativo para o leitor listarmos outros fatos que vêm concorrendo para a ausência da Esperança, com É maiúsculo, e é justamente a ausência dessa virtude teologal que gera o conseqüente surgimento de um generalizado TÉDIO, esse alçapão traiçoeiro que lança os incautos no poço escuro do vício.
Aí está, segundo penso, a causa profunda, a origem remota do uso das drogas: o tédio de uma sociedade que há muitos e muitos anos deixou de ser uma Cristandade.Não é mais aquilo que a sociedade medieval foi, antes que começasse a se apagar o grande brilho que durara aproximadamente mil anos.

Pode ser visto, pois, que o problema das drogas é um de solução dificílima.Entretanto, para DEUS nada é impossível, razão pela qual o nosso primeiro passo tem que ser: rezar, e rezar muito, pela nossa conversão integral.


posted by ruy at 2:26 da manhã

7.2.04

 
Comparando


Tentarei fazer uma comparação entre uma família européia medieval e uma família ocidental moderna. Vou usar um método, digamos, “negativo”, isto é, baseando-me sobre aquilo que podemos, com absoluta certeza, fazer estas declarações : a família medieval não possuía, não tinha à sua disposição ou não conhecia.

A família medieval não tinha à sua disposição escolas de primeiro grau, como as que hoje existem mantidas pelo governo ou pela iniciativa privada. Muito da que hoje chamamos instrução básica era ministrado nos mosteiros beneditinos, obviamente nos lugares onde eles existiam.

A família medieval não tinha para seus homens, seus pais de família, um sistema de aposentadoria, nem muito menos planos de saúde para socorrer várias doenças, que naquele tempo deviam ocorrer com freqüência.

A família medieval não conhecia nada sobre isso que hoje chamamos de “vitaminas”.É até possível que muitas de suas doenças fossem causadas por avitaminoses.Da mesma forma nem sequer imaginavam que existissem os micróbios, esses minúsculos seres transmissores de males mortíferos.

A família medieval não possuía os confortos propiciados pela eletricidade, aqueles de que só nos conscientizamos plenamente nas noites em que um violento temporal interrompe o fornecimento da energia elétrica em nossas casas.

A família medieval não tinha a sua disposição telefones, rádios, televisores, jornais, revistas, nada que os colocasse a par do que estava ocorrendo no resto do mundo. Um eventual viajante, ao pernoitar em uma casa, podia narrar aos seus moradores admirados histórias fantásticas de lugares remotos, escutadas em profundo silêncio e à luz mortiça de uma bruxuleante vela.

A família medieval não conhecia o poder e a autoridade impessoal do Estado, esse ente de razão moderno com o qual estamos tão acostumados que não percebemos a frígida presença do seu paternalismo, essa imitação grotesca e sombria da paternidade autêntica.

Não vou ofender a inteligência do leitor alongando esta lista de “nãos” . Qualquer um de vocês pode perfeitamente acrescentar outras declarações semelhantes e que só fariam confirmar o consabido, ou seja: que a vida para uma família medieval era uma emocionante aventura diária.

Usando a palavra aventura no parágrafo precedente penso, por exemplo, nas aventuras que nós, o leitor e eu, já lemos tantas vezes em livros, já vimos tantas vezes em filmes.Lembro-me de um importante detalhe: o ponto nuclear da história de aventuras está em seu final. A aventura só é realmente emocionante, só é capaz de nos trazer uma imensa alegria quando acaba bem, quando o herói vence e os vilões são derrotados.

Ora, para a família medieval, em que pesasse aquela imensa lista de handicaps , o maior perigo estava mesmo na morte repentina, aquela que impediria, sem remédio, o salvador ato de contrição e a conseqüente volta à Casa do Pai.
Para aquela família o principal era mesmo a salvação eterna. Era o grandioso final da longa e áspera aventura.Tal expectativa explica a construção das grandiosas catedrais de pedra.


E para nós, que temos tantas facilidades e tanto conforto à nossa disposição, qual é o final que esperamos? Ou, simplesmente apoiados em nossas vitaminas e nossos planos de saúde, vamos empurrando as coisas com a barriga?
Já paramos para refletir seriamente sobre isso ?


Um esclarecimento

Se um eventual leitor estiver imaginando que aqueles homens do Medievo eram despersonalizados títeres nas mãos de seus bispos, está redondamente enganado. Quando o bispo atrasava o pagamento, o salário dos artesãos, dos construtores da catedral, eles cruzavam os braços e paravam o trabalho.
Não, meu prezado leitor, não foi o Dr. Karl Marx quem inventou a greve,!


Sugestão


Para quem gosta de cinema e está pensando em ver um bom filme, sugiro: “O Mestre dos Mares”.É um dos melhores que já vi até hoje! Tem até música de ótima qualidade.


posted by ruy at 1:10 da manhã

6.2.04

 
Colocando pingo em alguns is


Vou falar sobre um assunto muito importante, mas não tratarei da situação incômoda dos americanos no Iraque, nem tão pouco vou comentar as últimas curiosas declarações do nosso Presidente.
Não vou abordar o angustiante problema do generalizado aumento da criminalidade, nem vou mostrar como o péssimo nível dos programas das TV’s acaba gerando um clima de desrespeito que explica a forma, intensamente agressiva, como os crimes vêm acontecendo.
Não comentarei a subversão de valores que é flagrante quando comparamos o salário de um jogador de futebol com o de uma professorinha do Grupo Escolar.
Não farei uma digressão sobre o velho erro que é o de chamarmos Ministério da Educação a um órgão público que rigorosamente deveria ser denominado: Ministério do Ensino ou da Escolaridade,

Ainda que todos esse tópicos fossem razoáveis temas para um ou mais “posts”, hoje quero falar um pouco sobre a imensa figura humana que foi Leon Bloy, o sofrido escritor católico francês cuja obra, entre outros méritos, teve o de colaborar com a conversão do jovem casal de filósofos Jacques e Rahíssa Maritain.Eles, que estavam quase à beira do completo desespero, procuraram, no dia 11 de junho de 1905, a humilde casa do Peregrino do Absoluto em busca da verdade que torna a vida desejada de ser vivida.

São bem poucos os dias em que não lemos ou ouvimos, na Internet, nos jornais, nas TV’s e nas conversas ou reuniões, referências acerbas à Igreja, aos católicos em geral e aos padres em particular; criticas nervosas e irritadas – muitas delas feitas por nós próprios católicos – contra a mediocridade do clero.Lemos e ouvimos também condenações veementes dos políticos corruptos, dos literatos vazios e pedantes, dos artistas debochados e várias outras figuras presentes nos noticiários.

Ora, Leon Bloy sempre fez, por escrito ou verbalmente, críticas desses tipos, e com muito mais veemência, com violência mesmo, usando uma linguagem em que eventualmente aparecia o adequado palavrão.Por exemplo, meu bom amigo Alexandre, em seu delicioso livro “A Fraternidade Cósmica do Repolho Místico”, cita esta ótima definição de Bloy:

- Le catholicisme de gauche est un protestantisme de merde .

Entretanto, é preciso que nos lembremos de um fato de nuclear importância. Durante sua vida inteira como adulto, Bloy viveu voluntariamente uma exemplar pobreza, muitas vezes na própria miséria.Depois de casado com a dinamarquesa Jeanne Molbech, que seria a mãe de seus filhos e sua dedicada companheira até o dia em que ele foi para a Casa do Pai, o Mendigo Ingrato teve profundas amarguras, ultra dolorosos sofrimentos, exteriores e interiores , dos quais sua família sempre compartilhou.Um dos filhos deles morreu de fome.
Leon Bloy jamais foi um instalado na vida.Quando Maritain e sua esposa encontram pela primeira vez aquele que seria seu padrinho de batismo, não viram naquele homem um bem pensante acomodado, um intelectual católico beirando o farisaísmo. Descobriram, sim, alguém que estava na permanente busca da santidade.

Aliás, de Leon Bloy, vale a pena neste instante citar esta estimulante reflexão:

- Só existe uma alegria na vida: ser santo; só existe uma tristeza na vida: não ser santo

Desejo muito, muito mesmo, que meus leitores procurem, sem medo, conhecer a vida e os escritos do Peregrino do Absoluto. Um católico que viveu sua fé integralmente.


Para refletir.


[Uma pequena citação de Leon Bloy]

- Não temos todos senão um único problema neste mundo, é o de sermos santos.E é preciso sofrer muito para isso. Sabe-se disso quando se é cristão, mas não se diz bastante que só há uma maneira de sofrer verdadeiramente. Consiste em renunciar de antemão a todo consolo.É um sacrifício absolutamente sobre-humano, mas que, no entanto, nos é pedido. Enquanto não for atendido, a esperança da santidade não passará de um sonho ou de um escárnio.Tal é o nosso encargo e reconheço que é muito duro.
[do livro: “Au Seuil de L’Apocalypse” ]



posted by ruy at 4:01 da manhã

4.2.04

 
Reflexões avulsas


A Família
– Há dois modos possíveis de valorizar a família. No primeiro, cujo exemplo mais extremado é o das famílias de mafiosos, ocorre uma união, ora mais ora menos forte, entre as pessoas desse natural grupo humano; mas é uma união fechada em si própria, alheia ao mistério das outras famílias.Muitas vezes tal união se faz contra os outros, contra os que não pertencem ao clan familiar.
No segundo modo, existe uma forte união dentro da família, mas agora o motivo dessa união é a crença, talvez nem sempre explícita, na origem primeira e no fim último do homem.Uma unidade desse tipo não exclui, não despreza as demais famílias; antes se compadece das que não têm o mesmo motivo para uma vida solidária.


Nível de escolaridade e sabedoria
– Muitas vezes uma simples conversa de alguns minutos com alguém possuidor de títulos acadêmicos é suficiente para confirmar aquilo que Mortimer Jerome Adler nos diz em suas sensatas considerações sobre a diferença entre um homem instruído e um homem educado. Basta que o tema da conversa se afaste das trivialidades e logo um dos interlocutores, auto-confiante, externa uma opinião que certamente não surgiu de maduras reflexões ou, quem sabe, seja um álibi para justificar certas atitudes por ele assumidas.
Certos problemas modernos, como por exemplo o demográfico, constituem permanentes armadilhas para um analista não alertado e não treinado para perceber as sutilezas, a complexidade da existência humana. Nesses casos, é comum de repente ouvirmos no bate-papo, como no velho samba de Noel Rosa, um palpite infeliz...


A opinião
- Aproveitando o gancho, seria interessante lembrar a resposta que Leon Bloy certa vez deu a alguém que lhe escreveu pedindo opinião sobre a literatura francesa da época. Assim respondeu o Mendigo ingrato:

- Cher Monsieur, j’ai le chagrin de vous dire que vous n’avez rien compris a L’Exegèse des Lieux Comuns, puisque vous supposez que je peux avoir une opinion sur n’importe quoi. Je n’ai que de croyances ou certitudes absolues, les quelles sont toujours a prendre ou a laissez.. Bien entendu.
[“L’Exegèse des Lieux Communs” é o famoso livro de Leon Bloy, onde ele comenta uma vasta coleção dos lugares-comuns cultivados na sociedade moderna, como por exemplo: “Tempo é dinheiro”, “Fazer caridade”, “A saúde é o principal”, “Fazer um bom casamento”, “Querer é poder”, “Primeiro a obrigação, depois a devoção” e tantos outros] .


Radiações

- Talvez o pior efeito de uma bomba atômica, mesmo uma de pequena potência, seja a radiação, esse fenômeno físico invisível, silencioso e letal.
Ora, pensando nesse deletério efeito das armas nucleares, de repente fiquei imaginando um efeito de radiação, possível de ocorrer e que, muito ao contrário do referido acima, poderia causar um fantástico benefício à sociedade humana.
Estou pensando na seguinte hipótese:
- um jovem casal de namorados, ambos cristãos, ambos católicos convictos (por favor, escrevi "convictos", isto é, que vivem sua fé, incluindo a vida sacramental; não confundam com praticantes), depois de perceberem que estão plenamente sintonizados em sua crença, resolvem tornar-se noivos e, depois de casados, decidem corajosamente fazer de sua vida em comum uma permanente escola de santidade.

Se essa hipótese se realizar em algumas centenas de casais, teríamos brevemente um maravilhoso efeito de radiação por todo um país, transformando-o por dentro, ou seja, muitíssimo melhor que o desejado pelos autores das catilinárias moralistas, tão comuns nas usuais discussões sobre política, nos costumeiros artigos políticos dos jornais.



posted by ruy at 1:53 da manhã

3.2.04

 


Uma antiga fábula e uma sua aplicação bem atual.


Todos nós conhecemos a milenar fábula do lobo e do cordeiro, mas vale a pena recordá-la.
Estava o cordeiro bebendo água em um riacho quando, de repente, ouviu junto de si a cavernosa voz do lobo:
- como você tem coragem de sujar a água que eu bebo?
O cordeiro mansamente se defende:
- senhor, estou bebendo alguns metros abaixo, seguindo a correnteza do rio. Como posso estar sujando a sua água se ela vem aí de cima ?
Retruca o lobo:
- se não foi você, foi seu pai que por aqui passou faz pouco tempo!
Insiste humilde o cordeiro:
- meu pobre pai morreu há dois anos...
Neste instante o lobo não se conteve:
-se não foi seu pai, foi seu tio. Sabe de uma coisa? Estou mesmo é com muita fome!
E ditas estas palavras, abocanhou o infeliz cordeiro.

A maioria das pessoas que conhecem esta velha história costuma citá-la como exemplo da prepotência dos fortes contra os fracos.Ora, ainda que tal aplicação da fábula seja válida, ela tem, segundo penso, um sentido bem mais profundo, qual seja: o perigo do julgamento feito pela vontade com o esquecimento do papel reitor da inteligência. Sobre esse ponto, creio que valha a pena lembrar um sermão do padre Vieira.O famoso pregador seiscentista, usando uma argumentação típica na época, diz que os Textos Inspirados, ao pintarem a cena terrível do Juízo Final, para melhor nos fazerem ficar temerosos, colocam ali a figura de um homem como juiz, porque infelizmente é típico do homem julgar com a vontade, enquanto Deus usa a inteligência. Mesmo que não gostemos muito do estilo do grande orador sacro, o que ele fala não deixa de ser um bom exemplo do quanto é perigosa a citada subversão no uso de nossas faculdades.

Mas, vejamos um exemplo bem moderno, caso ocorrido bem pouco tempo depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
O fato é narrado pelo general Mark W. Clark, comandante do V Exército na campanha da Itália, tropa aliada de que fez parte a nossa valorosa FEB.
Em seu minucioso livro de memórias: “Risco Calculado”, Mark Clark conta como os generais soviéticos costumavam proceder nas reuniões realizadas pelos aliados, aí incluída a Rússia, para resolver problemas da ocupação: tráfego nas estradas, saúde, abastecimento, controle dos prisioneiros e outros.
- Certa vez, eu disse a Konev [ um general russo] : ‘Nesta sessão do Conselho, o senhor apresentou dez exigências às quais não pudemos satisfazer.Suponhamos, entretanto, que eu declarasse : muito bem.Concordamos com as dez exigências.Como procederia então? ’
‘Amanhã’ , respondeu ele, ‘traria outras dez’ .


Neste ponto, um leitor pode estar curioso sobre o porquê do “post” de hoje.Vejamos.
Muitas vezes acontece alguém levantar, com voz grossa, várias objeções contra certas pessoas da Igreja; ou contra algum ponto da doutrina católica sobre a fé ou sobre a moral; ou ainda contra certos atos cometidos no passado por homens que se diziam católicos.
Ora, existe, há muito tempo, a chamada apologética, um corpo de explicações bem fundamentadas, esclarecedoras desses fatos que costumam causar escândalo aos não crentes.
Ora, diante dessas explicações duas hipóteses podem ser consideradas:
a) a pessoa que levantou objeções é mesmo alguém sem malícia e que deseja sinceramente apenas conhecer a verdade;
b) a pessoa que levantou as mesmas objeções é alguém que, por um motivo conhecido ou secreto, tem uma ínsita aversão a tudo o que esteja conexo à Igreja Católica.
Nesta segunda hipótese, teremos um caso análogo ao do lobo ou do general Konev. Não adiantará coisa alguma colecionarmos centenas, milhares de argumentos apologéticos, de arrazoados explicativos, para esclarecer o irritado argüidor. Ele já está, desde o início, posicionado para retrucar sempre. Já fez sua definitiva opção pelo uso da vontade no julgamento dos fatos.Isso vai impedir que veja as sutilezas da realidade, aquilo que só uma inteligêncialivre de preconceitos pode ver.


A um jovem amigo


Prezado professor F...
Dou-lhe parabéns por sua mensagem clara, concisa e precisa, e sobretudo repleta de sensatez, uma virtude que anda fazendo muita falta hoje em dia.


Poesia


Ensinam os doutos que, dos quatro discursos aristotélicos, o poético é o mais pobre.Pode ser, porém um bom poeta pode ter a intuição que possibilita dizer em poucas palavras grandes verdades.Mais uma vez citemos o bom Murilo Mendes:

Senhor, minha prece se faz
Em termos exatos:
Que os maus sejam bons
E os bons não sejam chatos.





posted by ruy at 3:10 da manhã

2.2.04

 
Um nefasto equívoco


Em certo ponto do post de ontem, dedicado à memória de Pio XII, digo que uma das prováveis causas que devem ter gerado as infames acusações contra aquele grande papa foi a enérgica repressão que lê fez contra os chamados “padres operários”.Isso até hoje incomoda os adeptos da tal construção de um mundo melhor

Existe uma diferença entre erro e equívoco.Segundo o dicionário, equívoco é um engano, uma interpretação ambígua.Sendo assim, poderíamos pensar que seja sempre algo bem menos grave que um flagrante erro.Ora, o erro, justamente por sua clara condição de contrário à verdade, deixa-nos mais prevenidos contra ele. O equívoco, sendo enganoso, é também traiçoeiro; exige muito maior cautela de nossa parte. Até aqui, poderíamos ter o aval do Conselheiro Acácio. Resta aplicar esta teoria ao caso específico do “mundo melhor”

Quem não desejaria que o nosso planeta, nossa provisória morada, tivesse melhores condições de conforto e bem estar, aí incluídas a manutenção da saúde, a escolaridade básica para todos, a oportunidade de trabalho e com justo salário etc.? Somente uma pessoa mentalmente insana seria contrária ao desejo dessas condições de vida.Não desejá-las é nitidamente um erro.
.
Entretanto, desejá-las à qualquer preço, por exemplo, o de colocar a sociedade em um regime de “colégio interno”, fazendo tudo-o-que-o Diretor-mandar, é um tremendo ‘ equivoco porquanto, desde o início, nesse tipo de regime, esquece-se da nossa essencial diferença em relação aos outros animais: nossa racionalidade e a conseqüente liberdade.Entenda-se: a liberdade interior, aquela que nos permite crescermos interiormente na procura de Deus.

Esse crescimento precisa de uma certa boemia, de uma certa poesia, de uma descontração que não se harmoniza com nenhum tipo de ditador, barbudo ou glabro, inculto ou instruído, ateu ou piedoso. Note bem o leitor que coloquei em negrito as palavras boemia e poesia. As atuais manifestações culturais incentivadas pelos governos (por exemplo, os filmes brasileiros) ou por ele permitidas (por exemplo: o “Big Brother Brasil”) não constituem poesia autêntica; pelo contrário, geram um clima favorável à aceitação do “colégio interno”.
Pio XII sabia muito bem o que estava fazendo quando deu o pito nos “padres operários”. Padres têm que nos puxar para cima. Para baixo já tem muita gente puxando...


A conversão


Vamos logo dizendo: quem converte é DEUS, é a Graça que Ele dá a quem Ele quer dar.
Porém, o próprio Senhor Deus se vale das coisas criadas para fazer sua Graça chegar até nós.Ele se fez carne, escolheu apóstolos, derrubou São Paulo do cavalo para fazê-lo pregador da Boa Nova.

.Tudo isso faz parte da “pedagogia divina”. E os estilos com que ela age também são variados. No caso de um André Frossard, por exemplo, o anjo faz aquele ateu e comunista entrar por acaso ( o deus dos imbecis, como dizia Leon Bloy) numa capela e, ali, de repente, o escritor a Verdade, numa iluminação mental instantânea, conforme ele mesmo nos conta.

Outras vezes, caso típico dos intelectuais, o processo é sinuoso, demorado. O provável candidato a ser filho da Igreja titubeia; fica pacientemente ajuntando argumentos prós e contras.Ele pensa que tudo vai depender de um brilhante e derradeiro silogismo, quando na verdade o que mais atrapalha nessa dramática e silenciosa procura é o apego teimoso, orgulhoso, quase infantil, à nossa opinião própria. Ela, a nossa opinião, é aquilo que devemos deixar, para sempre, antes de entrar na Casa.de Deus.


Leon Bloy


Uma sugestão para os leitores deste “blog” (principalmente para os mais moços):
- procurem conhecer a vida e a obra de Leon Bloy. Vocês no mínimo vão descobrir esta realidade: o Cristianismo e a Igreja não são meros assuntos para bate-papos vespertinos em alegres bares ou restaurantes.
Existe um livro escrito por Rahíssa Maritain (“As Grandes Amizades”, editora AGIR) em que é contado muito sobre a admirável pessoa que foi o Peregrino do Absoluto.Tentem comprar esse livro !


- Explicação

Devido a problema técnico no meu computador, o Despoina Damale não foi editado ante ontem (sábado) e ontem (Domingo).





posted by ruy at 1:57 da manhã

 

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