Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





Arquivos:





Fale Comigo

21.12.03

 
Um ótimo exemplo!


Um leitor amigo enviou-me mensagem dando notícias sobre o recente filme produzido por Mel Gibson, tendo como tema a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Segundo informou meu amigo, o nosso papa João Paulo II teria dado opinião favorável ao filme, dizendo que a película está fiel à realidade dos sofrimentos experimentados pelo Salvador.

Ora, como católico sou obrigado a prestar pronta e total obediência ao papa em questões de Fé e de Costumes, isto é, no que se refere ao Dogma e no que se refere à doutrina moral. Porém, tenho a liberdade de opinar como quiser em muitos outros assuntos. Um ótimo exemplo é o que se refere ao tal filme de Gibson.

Um dos melhores filmes que já vi até hoje foi, sem dúvida alguma, “Ben-Hur”. Uma das cenas mais belas é aquela em que Ben-Hur, que estava sendo levado preso por soldados romanos, encontra no caminho o carpinteiro Jesus, Nosso Senhor. Este, interrompe seu trabalho na oficina e vai dar água ao prisioneiro cansado e sedento. Não aparece o rosto do Cristo; somente suas mãos e seus pés.

Para mim, qualquer filme cujo enredo envolva a pessoa de Jesus não deveria, tal como ocorre em “Ben-Hur”, mostrar seu divino rosto. Se eu fosse ator, acho que não aceitaria nenhum dinheiro para fazer o papel de Nosso Senhor, a menos que minha face não fosse de modo algum filmada.O papa João Paulo II tem seu critério estético; tenho o meu.


Incoerência...


Uma pessoa católica envia pela Internet esta cordial mensagem natalina a todos os seus amigos:
Na festa de NATAL, em que comemoramos o nascimento do MENINO JESUS, desejamos a todos muita paz, amor, carinho, saúde e felicidade, formulando um pedido ao MENINO JESUS que lhes ofereça um ano de 2004 bastante próspero”.

A mesma pessoa envia, quase em seguida, a todos os seus mesmos amigos, uma anedota bem arquitetada, sem dúvida alguma, porém bem maliciosa, com termos chulos e pornográficos...Uma anedota que puxa para baixo.


Amor


Um dos mais inteligentes “bloggers” da Internet faz pouco tempo editou um “post” em que disse isto:

O amor não é um sentimento, é uma decisão .

Segundo meu amigo, autor dessa frase, me contou, ela teve repercussões. Houve várias pessoas que protestaram contra aquela afirmativa.

Tais protestos nos provam como tantas pessoas vivem equivocadas sobre o que seja o amor.Ele, muito mais que no sentimento, reside na vontade. É um ato voluntário. Amar é querer o bem ao outro, é querer o bem para o outro

Gustavo Corção costumava dizer que a boa regra deveria ser diferente da que era costume em outras épocas, nas quais era muito comum: “casamento obrigatório e amor livre”. Para nós- que nos dizemos cristãos – dizia Corção, o certo é : “casamento livre, amor obrigatório”. Casou, acabou. É até morrer. Se não quiser assim, então não case !
Amor obrigatório: é justamente o contrário disso o que a propaganda das TV’s derrama diariamente dentro das nossas casas, por meio das novelas, dos noticiários, dos programas femininos, das entrevistas de gente famosa etc.


Mensagem Natalina aos amigos leitores


Desejo a todos vocês que vêm carinhosamente lendo este “blog” o seguinte:
- que na noite de 24 para 25 de dezembro possam conseguir pelo menos alguns momentos de recolhimento para refletirem nesse mistério.
Se isso só puder ocorrer na madrugada insone, aproveitem o silencioso escuro do quarto para pensar naquela mulher jovem e pobre que, após dar à luz seu filho pequenino, na humilde gruta de Belém, teria ainda que levar durante muitos e muitos anos um peso muito maior que o da gravidez:
- o peso da solidão a que lhe obrigava seu essencial papel no imensurável, no inefável mistério do Natal.
Que Nossa Senhora os abençoe!


posted by ruy at 1:47 da manhã

20.12.03

 
Esclarecendo certos pontos sobre o Ruy


É engraçado como certas coisas de repente acontecem em ritmo acelerado, obrigando-nos a dar uma parada para refletir e colocar o pensamento em ordem. Foi o que aconteceu nestas últimas 24 ou 48 horas.Algumas mensagens recebidas pela Internet, notícias colhidas também na “web”, conversas com companheiros de trabalho – tudo isso em poucas horas foi sendo acumulado na memória e chegou agora o momento de tentar fazer uma síntese, que é sempre, das duas operações básicas da razão, a mais difícil.Analisar é mais espontâneo e, talvez por isso mesmo, menos complicado. Vamos lá .

Começo dizendo aos amigos leitores que sou católico, vale dizer: Apostólico Romano. Um dos santos por quem tenho o maior xodó (desculpem-me por não usar a palavra mais comum: veneração) é justamente Santo Tomás Morus que, para mim pelo menos, foi um mártir da fidelidade à Igreja de Roma, a Igreja verdadeira, a que foi fundada por Jesus Cristo sobre a pessoa de Pedro.Já escrevi três poemas dedicados ao grande santo inglês do século XVI.

Conheço razoavelmente, tanto quanto me seja necessário conhecer, a história da Igreja. Sei o bastante sobre, por exemplo, as Cruzadas e a tão falada Inquisição. Aliás, sobre a Inquisição, sugiro que leiam um pequeno mas muito bem escrito livro, da autoria do advogado Dr. João Bernardino Gonzaga: : “A Inquisição em Seu Mundo”(edições Saraiva). Já li muito sobre a injustiçada Idade Média.

Quando voltei à Igreja, há quase 60 anos, depois de afastado dos sacramentos durante três anos, passei pelo caminho acidentado da Apologética, sob a orientação de padres jesuítas. Foi um tempo de preparação; talvez bem necessário, mas não suficiente. Por quê? Porque a minha visão mais nítida do que é de fato a Igreja só viria a se dar seis anos após a conversão daquele adolescente que, em certo dia distante, disse, com tom de voz firme, a um filho de Santo Inácio: Padre, eu quero voltar à Igreja!

Porém, faltava o principal: a descoberta do mistério . Não o mistério do tipo policial, lógico e cartesiano; nem muito menos o mistério sombrio dos esoterismos orientais ou quejandos, mas,sim, o mistério ontológico , aquele que é vislumbrado pelos melhores poetas.Faltava descobrir o Outro : Jesus Cristo, nosso irmão e, ao mesmo tempo, Pai e amigo. Isso só aconteceria depois da leitura emocionante do comovente livro de Gustavo Corção, cujo título é justamente: “A Descoberta do Outro”.

Não basta acreditar no Cristo. Ou melhor dizendo: essa crença só será mesmo autêntica se for tanto um movimento de fé quanto uma inclinação afetiva, e que nunca pode se considerar perfeita, não pode querer estacionar no primeiro encontro. Temos que amar ao Senhor Jesus.

No final da década de 60, o mesmo Corção publicaria um livro que para mim é o ensaio histórico mais importante que já foi editado no Brasil nestes últimos cinqüenta anos: Dois Amores, Duas Cidades . Depois de ler esse livro, denso de conhecimento e belamente escrito, passei a entender então o mistério do Cristianismo através da história, o mistério desafiador da Igreja, ela vista agora não apenas sob uma perspectiva apologética, mas, sobretudo, como o próprio plano da Salvação proposto aos homens ao longo dos séculos, um plano que respeita a liberdade com que o homem foi criado. Bem diferente dos “planos de salvação” com que os chefes das nações – livres ou dominadas por regimes ditatoriais – se propõem a conduzir a humanidade.

O curioso é que até mesmo certos grupos de católicos não se dão conta desse misterioso respeito que Deus tem pela liberdade do homem. Tais grupos vivem sonhando com um miraculoso retorno ao tempo em que existia uma Cristandade, quando os governantes, ainda que não fossem santos, acreditavam no Cristo Rei do universo. E tais grupos não apenas sonham, mas ficam brabos, irritados como crianças contrariadas, porque a sociedade atual está pouco se incomodando com tal quimérico retorno. Ora, temos de fato uma sociedade laicizada, secularizada, paganizada, telúrica. Esses grupos não se dão conta de que é necessário um paciente, um continuado trabalho de evangelização da cultura, porque a conversão das pessoas de fato só Deus é quem a pode fazer. Nós cristãos católicos temos que ser os inúteis operários desse divino trabalho.E não ser - esquecidos de que nossa fé é um dom entregue a nós pela Graça de Deus – não ser, repito, agressivos e/ou fanáticos provocadores de desavenças religiosas .

Existem também os que não são católicos e agridem a Igreja, ou melhor dizendo: agridem aquilo que eles acham que seja a Igreja. Tendo adquirido, às vezes com relativamente pouca idade, um bom nível de cultura geral, tendo aprendido com segurança noções essenciais da filosofia, acreditam-se mais sensatos (quem sabe, mais sábios ?) que um Gilbert Keith Chesterton ou um John Henry Newman; que um André Frossard ou um Gustavo Corção (este valoroso cristão brasileiro que, apesar de ter sofrido muito com o procedimento de muitos homens da Igreja, jamais disse ou escreveu esta frase tolamente pretensiosa: “a Igreja morreu” ).

Não sei se o Ruy conseguiu, no curto espaço deste “post”, fazer a síntese de seu modo de ver o Cristo e a Igreja, se consegui deixar bem claro que amo a Cristo e sua Igreja.
Não pretendo exibir neste “blog” o que não tenho: grandes conhecimentos de filosofia e brilho literário. Quero, sim, dar apenas, com a Graça de DEUS, um testemunho pessoal.


posted by ruy at 1:35 da manhã

19.12.03

 
19/dez/03.

Glosando trecho do “post” do dia 17


Diz o dicionário: Glosar: v.t.d. Comentar, anotar , explicar . Vou aproveitar o de hoje para glosar o seguinte trecho do “post” de anteontem:

Daqui a oito dias a Igreja estará comemorando o nascimento de Jesus Cristo.Há cerca de 2003 anos nasceu o Salvador dos homens.Dado à luz por uma Virgem que foi concebida sem o Pecado Original

Vamos lá.

Daqui a oito dias a Igreja estará comemorando o nascimento de Jesus Cristo Sim, é uma festa da Igreja; ela comemora o nascimento d’Aquele que a instituiu sobre a pessoa de Pedro, em grego cephas ( = a pedra) .
É, pois, uma festa eminentemente religiosa.
Faz poucos dias meu amigo P...,em mensagem a mim enviada, lembrava o fato de que em vários países católicos os presentes são entregues no dia 6 de janeiro.
Infelizmente, a correria e a barulhenta propaganda do comércio, a própria ornamentação vistosa e colorida desta época dita Natalina, a atmosfera de férias, tudo isso acaba por nos desviar do nuclear fato histórico: uma gruta ao lado da pequenina Belém, a pobreza, o silêncio da noite, o convite dos anjos aos pastores (na época eles eram gente rude e mal vista). Em que pese à costumeira representação do presépio, os Reis Magos vieram mais tarde.
Precisamos de silêncio, precisamos de recolhimento para entrar no autêntico espírito do Natal

O Salvador dos homens O que é a Salvação? Já paramos para pensar nisso ?
Os adeptos das soluções socialistas ou comunistas nos propõem uma “salvação do homem”; salvá-lo da fome, da miséria, da doença, da ignorância. Isso basta? Existe na Europa um país bem adiantado onde vários desses típicos problemas da vida já foram há muito tempo resolvidos, mediante uma eficiente organização estatal.Esse mesmo país durante muitos anos teve (não sei se ainda tem), apesar dessa vida “bem comportada”, o maior índice de suicídios do mundo.
E que dizer do fato de milhares e milhares de pessoas, em ótimas ou no mínimo boas condições de vida, terem se deixado escorregar no tédio e caído no sombrio alçapão das drogas?
Pergunto ainda: e por que existe tão freqüente o tédio, apesar das inúmeras facilidades e do indiscutível conforto proporcionados pela ciência e pela tecnologia do mundo moderno? Já pensou nisso, amigo leitor?

Dado à luz por uma Virgem.É isso mesmo : uma virgem. Os não cristãos riem de nós. Entre os cristãos, nós católicos dizemos mais: virgem antes, durante e depois do parto. Sempre Virgem Maria, conforme rezamos e cantamos no final da milenar e bela oração: Salve Regina.
Em um mundo em que a cultura é cartesiana, pragmática, em que a própria poesia muitas vezes se reduz a simplesmente uma técnica de usar palavras de modo comedido, com bom ritmo e sonoridade agradável, uma poesia alheia ao mistério do SER – em um mundo desse tipo os desafios da Fé se tornam muito mais difíceis de serem aceitos pelo homem.
Quantos de nós católicos já paramos para refletir sobre esse tremendo mistério da virgindade fecunda? Ora, esse mistério faz parte da essência do Natal ! Se comemorarmos o Natal sem contemplar isto é, sem colocarmos nossa inteligência “sentada e de olhos bem abertos”, admirada diante desse mistério, tal comemoração não terá sentido algum.

Concebida sem o Pecado Original Falar em pecado em nossos dias é correr o grande risco de ser ridicularizado. Mesmo que não pensemos nos absurdos extremos das leis (leis!...) favoráveis ao aborto e ao casamento (casamento!...) entre pessoas do mesmo sexo, hoje vivemos desatentos ao pecado.Por exemplo, já falei algumas vezes neste “blog” sobre o uso das palavras “namorado” e “namorada”, o moderno uso que delas se faz, sem a poesia antiga que elas sugeriam em outros tempos. Hoje, na maioria das vezes os referidos termos são sinônimos de vida promíscua consentida pelo casal, aceita pelas famílias e badalada pela mídia. Se falarmos em pecado contra a castidade vão dizer que somos “jurássicos”.

Porém, o fato é que o Mal existe. A forma brutal, violenta do jeito como muitos crimes são cometidos só pode ser aceita pela nossa inteligência se admitirmos o mistério do Mal. Assim, do mesmo modo que existe o pecado, existe o Diabo, existe o Inferno. Até essas duras e tristes realidades convinha serem lembradas no Natal.

Ora, no século XIX a Virgem Maria disse a Santa Bernadete :
Eu sou a Imaculada Conceição. .
Isso aconteceu antes da proclamação do Dogma referente a esse outro mistério. Aquelas palavras significam que ela, Nossa Senhora, foi miraculosamente preservada do Pecado Original e, portanto, preservada de todo e qualquer pecado. E o mais maravilhoso, talvez mais misterioso, seja o fato de que Maria sempre conservou completamente sua liberdade de ser humano. Há um belíssimo sermão de São Bernardo (Dom Lourenço gostava de citá-lo em suas homilias) exatamente sobre aquele dramático fiat dito livremente ao anjo Gabriel.


Dogmas

E, para finalizar este “post”, vale a pena citar o que André Frossard, em seu livro (várias vezes recomendado por mim aos amigos leitores): “Deus em Questões”, com muita sabedoria diz sobre os dogmas:

Os dogmas não são as paredes; são as janelas da nossa prisão .


Reflexão matinal:
- um dos maiores perigos que podem ocorrer em nossa vida :sermos bem sucedidos.



posted by ruy at 4:39 da manhã

18.12.03

 
Notícia sobre a qual precisamos refletir, e muito!


[O que vai abaixo transcrito veio a mim por meio de mensagem do meu amigo A..., o serrano. Trata-se de notícia que precisa ser lida atentamente, talvez como boa preparação para o Natal. Notemos bem isto: a Fé realmente vivida não é uma simples e mecânica rotina dos fins de semana]

Fatos que vêm ocorrendo na China.

Chinês é preso por fazer campanha católica na Web.
Um técnico em informática foi detido na província de Jilin (nordeste da China) por publicar na Internet artigos em apoio à Igreja Católica clandestina do país, segundo denúncia feita hoje por grupos defensores dos direitos humanos. Zhang Shengqi foi detido no mês passado, durante uma operação policial na casa de sua namorada, sob a acusação de vender segredos de Estado, segundo a denúncia da associação China Aid, com base nos Estados Unidos.


Zhang foi enviado a uma prisão na cidade de Hangzhou, província de Zhejiang (leste), onde outros dois ativistas religiosos foram detidos. As autoridades não confirmaram a detenção e uma funcionária da delegacia de Hangzhou, que se identificou como Liu, disse não saber nada sobre o caso.

Zhang poderia ser um colaborador do ativista cristão Liu Fenggang na campanha feita na Internet para denunciar a perseguição contra a Igreja Católica clandestina em Hangzhou. Liu também foi preso nessa cidade no último dia 13 de outubro, por investigar o envolvimento de autoridades na destruição de igrejas cristãs na região.

Segundo o Centro de Informação para os Direitos Humanos, com sede em Hong Kong, pelo menos dez igrejas cristãs foram demolidas em Hangzhou desde julho passado. Nos últimos meses, principalmente após a realização da convenção anual do Partido Comunista Chinês (PCCh) em outubro, as detenções de dissidentes religiosos foram intensificadas.

Naquele mesmo mês, as autoridades prenderam sete ativistas religiosos e políticos, poucos dias após terem detido 12 padres da Igreja Católica clandestina e derrubado uma igreja na província de Hebei (centro). A Constituição da China, um Estado laico, garante a liberdade de culto, mas persegue qualquer atividade religiosa fora da Igreja Patriótica da China, uma instituição controlada pelo Estado e independente do Vaticano, com quem o país rompeu relações em 1957.

Segundo o Vaticano, cerca de dez milhões de fiéis pertencem à Igreja Católica clandestina, enquanto que a Igreja Patriótica Católica contaria, segundo os dados oficiais chineses, com cinco milhões de praticantes.

Repórteres pedem libertação de internauta chinês

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediu ao primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, a libertação do dissidente Zhang Shengqui, detido por difundir na Internet artigos favoráveis à clandestina igreja cristã, informou-se hoje.

"O de Zhang é o primeiro caso de um internauta preso por expressar-se em favor da igreja cristã, proibida" no país", explicou o secretário-geral da RSF, Robert Menard, ao denunciar "o uso abusivo do conceito de segredo de Estado, utilizado regularmente pelas autoridades para proceder detenções arbitrárias".
O dissidente recebeu essa acusação "quando simplesmente publicou textos sobre a repressão do Governo com respeito a sua comunidade religiosa", assim como do historiador da igreja clandestina Liu Fenggang, também na prisão. "Esperamos que, como nos casos dos dissidentes Lui Di e Ouyang Yi, a Justiça reconheça que o encarceramento de Zhang Shengqi é injustificável", acrescentou a RSF em um comunicado.O dissidente cibernético, de 23 anos, foi detido na casa de sua namorada, em Jilin (norte do país), onde a Polícia apreendeu artigos pessoais de Zhang, assim como seu celular e artigos publicados pela Fenggang.


A RSF destaca, além disso, que o anúncio da sentença ditada contra Ouyang Yi, julgado em outubro passado, foi adiada por mais um mês "por falta de provas", segundo a organização. Ouyang, um dos membros mais destacados do Partido da Democracia da China, grupo político proscrito pelas autoridades comunistas, foi detido há mais de um ano por escrever na Internet artigos "subversivos" e comentários "críticos" contra o partido dirigente.Seus artigos publicados na rede se centram no fracasso da reforma econômica na hora de propiciar a abertura política e na repressão da revolta estudantil de Tiananmen, na qual várias centenas - milhares segundo fontes de direitos humanos - foram baleadas pelo Exército chinês.


Comentário


Ao me enviar o texto acima transcrito, meu bom amigo A... fez um sucinto porém incisivo comentário sobre o significado da citada notícia para nós brasileiros.Farei o meu comentário agora.
Um antigo provérbio dizia :

Quando vires a barba do vizinho queimando, põe a tua de molho.

Seria um pouco de exagero dizer que a China seja geograficamente um vizinho nosso Entretanto, na sociedade pragmática em que vivemos - uma sociedade que valoriza mais os resultados do que o respeito a valores, que dá um excessivo valor aos bem sucedidos na vida e pouco valor aos homens de caráter - nessa sociedade muitos fazem vista grossa para o que ocorre na distante Ásia. Para muitos políticos e outros homens ligados ao Poder (Ah! o Poder!...) , os chineses são vistos apenas como "bons parceiros em pesquisa e desenvolvimento" . E agora, temos no Governo homens que, além de pensarem dessa maneira pragmática, talvez sonhem em ver este nosso país gigante, quem sabe ? - como a futura China ao sul do Equador! Por favor, meus amigos, reflitamos sobre isso!




posted by ruy at 8:56 da manhã

17.12.03

 
Agradecimento


Daqui a oito dias a Igreja estará comemorando o nascimento de Jesus Cristo.Há cerca de 2003 anos nasceu o Salvador dos homens.Dado à luz por uma Virgem que foi concebida sem o Pecado Original.

Se o leitor reler com cuidado as poucas frases anteriores, verá exposta neste pequeno espaço escrito uma imensidão de mistérios. E é isso o que o Cristianismo essencialmente é: um imensurável mistério. Considerá-lo como se fosse apenas uma forma refinada de convivência humana, como uma elaborada arte de espalhar boas obras, disseminar benefícios entre os homens, como uma exigentíssima moral – tudo isso, por mais respeitável que seja, será sempre uma minimização do verdadeiro significado do Cristianismo. Por favor, você que me lê, releia aquelas frases iniciais do período que começa com: “Daqui a oito dias...”

Ora, faz uns dois dias o amigo leitor R.P. enviou a este escriba uma mensagem em que me narrou, contristado, várias recentes experiências vividas por ele na capital paulista, incluindo certas lamentáveis atitudes assumidas por padres, por sacerdotes católicos. Tais melancólicas experiências de R.P. só fizeram confirmar o que já sabíamos, a saber: como conseqüência do generalizado antropocentrismo, a sociedade moderna não é cristã, ou pelo menos não é autenticamente cristã. Se fosse, o Natal seria celebrado por quase todas as pessoas à luz daqueles mistérios que citamos no parágrafo inicial deste “post”.Essa mensagem veio a mim como forma de apoio ao Ruy. Apoio por quê ? Vejamos.

Venho, nestes últimos dois ou três dias, editando “posts” em que busquei ser coerente com minha crença, com meu modo de ver a realidade do Cristianismo. Pude perceber que essa angustiosa busca de coerência acabou por colocar-me em desconfortável solidão. E ela, a solidão, talvez machuque muito mais que muitas formas de dor física...

Já disse várias vezes neste “blog” que não tenho vocação para eremita. Por isso, a mensagem de R.P. e logo em seguida as de outros leitores do Despoina Damale vieram fazer companhia ao solitário ocupante do pequeno oásis.
Por essa razão, hoje escrevo para agradecer a vocês, generosos amigos.É um “post” curto. Porém, de tamanho suficiente para levar a todos o meu fraterno : muito obrigado !

Desejo a todos vocês que possam ter um tempo de silêncio e um ambiente de recolhimento adequados à contemplação do mistério Natalino.
Com um abraço do Ruy.


posted by ruy at 4:06 da manhã

16.12.03

 
Trocando em miúdos, ainda mais miúdos


No “post” de 13 deste mês de dezembro, fiz referência àquele trecho do evangelho segundo São Lucas, aquela passagem em que Nosso Senhor dá a seus discípulos minuciosas instruções ligadas à sua última ceia entre nós, aquela em que ele iria instituir o sacramento da Eucaristia, operando a transubstanciação do pão e do vinho no santíssimo corpo e no santíssimo sangue do Cristo. No mesmo “post” lembrei a reação mesquinha de Judas Iscariotes diante do que ele considerou um absurdo desperdício, a saber :o fato de uma mulher ter lavado os pés de Jesus com um precioso bálsamo, cuja venda poderia servir para ajudar os pobres.

Ao longo dos primeiros séculos, os cristãos foram, pouco a pouco, refletindo em profundidade sobre aquela última ceia e seu tremendo mistério. Tal reflexão contou com o trabalho intelectual dos chamados Padres da Igreja. Coube a eles estabelecer as bases teológicas, expor o significado eminentemente religioso de um fato cuja transcendental importância poderia ser minimizada se por acaso ele fosse visto apenas como uma sentimental reunião de despedida.Tudo o que foi escrito por esses primeiros e iluminados pensadores cristãos constituiu o fundamento racional do que hoje chamamos: missa. Mais tarde, o gênio de Santo Tomás completaria de modo brilhante aquela primeira reflexão.

Ora, se o leitor parar e refletir sem pressa, em silêncio, vai logo entender o, digamos assim, “fenômeno evolutivo” da missa. Estabelecido de modo indiscutível o seu assombroso, maravilhoso significado, a missa foi, ao longo do tempo, recebendo acréscimos litúrgicos diversos. O somatório de todos esses acréscimos, elaborados com cuidado e arte, durante mais de mil anos de autêntica piedade cristã, pode ser tranqüilamente assimilado àquele bálsamo valioso que, usado para lavar os pés de Nosso Senhor, escandalizou um coração sem grandeza.

Quem vulgariza, quem tira da celebração da missa o seu secular feitio nobre, elevado, impregnado de mistério, faz um papel semelhante ao de Judas. No caso, não se propõe vender um bálsamo precioso para socorrer pobres famintos de comida; mas deseja-se satisfazer um outro tipo de fome , a fome de emoções fáceis, de sentimentalismos telúricos, de consolos fugazes.

Neste instante sei que vou desagradar alguns excelentes amigos cuja opinião já conheço. Porém, como diziam os antigos: Amicus Plato, magis véritas (“Platão é meu amigo; mais amiga é a verdade”).
O próprio latim, língua de sonoridade discreta, de estrutura sintética, idioma não mais falado por nenhum povo da Terra, contribuía para a desejável atmosfera de recolhimento, mormente se o padre celebrante fizesse a leitura dos textos da missa em um tom de voz sereno e de intensidade reduzida, deixando transvasar para os fieis que ele mesmo, o padre, estava ali vivendo o silencioso mistério que emana daquela seqüência litúrgica.Substituírem completamente o latim pelo vernáculo nas rubricas da missa, sob o pretexto de tornar a cerimônia mais acessível ao grande povo (ao povão , como dizem todos os eternos aduladores), foi o primeiro passo para o descalabro com que hoje somos obrigados a conviver, tornando a assistência à missa um desconfortável, penoso e muitas vezes irritante sacrifício. Me perdoem o desabafo triste...


Abgar Renault


Muitos dos leitores com certeza conhecem a poesia de Carlos Drummond de Andrade. Um número menor de leitores provavelmente conhece Manuel Bandeira. Mas, é bem possível que apenas pouquíssimos dos que me lêem já tenham lido algum poema de Abgar Renault.

Mineiro, tal como Drummond e Murilo, esse poeta nasceu em Barbacena, em 1901.Faleceu no Rio em 1995.
Com pouco mais de 16 anos, escrevia poesias em francês e sonetos em português no melhor estilo camoniano. Vejam este quarteto de um desses sonetos :

Senhora, que fazeis meu perdimento,
Dama do meu Destino de pezar,
Bem sei que embalde soffro & me lamento,
Por esse bem que he o mal de vos amar.


Em sua vasta obra foram editados 24 sonetos camonianos.

Olhem agora este simples poema-quadra:

NO ALTO DA MONTANHA

Já não sinto saudade de mais nada,
a não ser do começo da escalada,
quando o azul era azul de azul sem fim
e Deus criava de novo o mundo em mim.


Uma balada para refletir:

BALADA QUASE METAFÍSICA

Eu estou assim:
absolutamente irremediável
por dentro e por fora, acordado ou dormindo,
na Duração, no Tempo e no Espaço.

Eu estou assim:
sem cômodo comigo, sem pouso, sem arranjo aqui dentro.
Quero sair, fugir para muito longe de mim.
Todas as portas e janelas estão irrevogavelmente trancadas
na Duração, no Tempo e no Espaço.

Que é que eu vou fazer?
Não fica bem, assim sem mais nem menos, falecer.
Queria rezar, mas eu sou isto, meu Deus!,
e da minha reza, se reza fosse,
não ouvirias uma só palavra.

Tem pena, uma pena bem doída de mim,
meu Deus, e ouve para sempre esta oração,
e ampara isto que sou eu
na Duração, no Tempo e no Espaço.


E para quem é pai de menino pequeno, fica bem ler este :

FELICIDADE

Felicidade - o título tão comprido deste poema tão pequeno!
Felicidade - substantivo comum, feminino, singular, polissilábico.
Tão polissilábico. Tão singular. Tão feminino. E tão pouco comum.
Substantivo complicado, metafísico,
que cabe todo
na beleza clara de alguém que eu sei
e no sorriso sem dentes de meu filho.



Abgar Renault era de um antigo tempo, um tempo em que neste país ainda existia muito da boa civilização, aquela que recebemos como herança da Cristandade.


Um teste


[Este “post” já estava encerrado, mas uma mensagem recebida ontem à noite me fez escrever o que vai abaixo]

Dizem que o Brasil é “o maior país católico do mundo”. Será mesmo? Façamos um teste.
Partindo do Pará e indo até o Rio Grande do Sul, verifiquemos se, entre sessenta por cento das famílias ditas católicas, podemos observar isto:

a) pai, mãe e filhos vão à missa todos os Domingos, deixando a missa vespertina do sábado para situações especiais ?
b) existe o hábito da oração em comum, pelo menos às principais refeições ?
c) o marido e a mulher se tratam como se fossem dois irmãos em Cristo ? (refiro-me a um caridoso respeito mútuo do casal) ?
d) os fatos diários da política do País e do mundo são comentados pelo chefe da família à luz da doutrina da Igreja, sob a perspectiva dos ensinamentos cristãos ?
e) os outros, isto é: visitantes, parentes, amigos e demais pessoas são tratados com um respeito sincero, isto é, tendo como referência a lei da Caridade, e não uma convencional “boa educação” ?
f) existe mesmo na família a consciência de que todos devemos ser SANTOS, e não apenas honestamente bem comportados e bem sucedidos na vida ?

Se a resposta a estes seis itens for positiva, dou minha mão à palmatória e aceito que este país seja mesmo: “o maior país católico do mundo.”
(desculpem o mau jeito...)









posted by ruy at 1:35 da manhã

15.12.03

 
Voltando a um tema do “post”de ontem


[Seguindo sugestão dada por uma leitora deste “blog”, uma jovem universitária que, apesar da relativa pouca idade, mostra um amadurecimento que muitos “maduros” não têm, vou ampliar a abordagem de um tema de ontem.]

Manuel Bandeira infelizmente hoje é pouco lembrado. Talvez por ter morrido bem antes do grande Drummond, talvez porque em vida Bandeira tenha tomado abertamente posição contra os velhos e teimosos fanáticos do sonho (ou pesadelo ?) socialista. Não interessa à Esquerda brasileira, uma Esquerda burra, divulgar quem foi contra ela, ainda que tenha sido um grande poeta. Ora, neste instante quero lembrar certas reflexões do saudoso autor do curto e lindo poema : “Irene no Céu”, o mesmo que deixou um sutil poema em homenagem a Debussy.

Manuel Bandeira, referindo-se à morte chamou-a, e com razão, “a indesejada das gentes”.
Porém, ele mesmo tem um poema, com o nome: “Profundamente”, em que fala em pessoas do seu tempo de menino, de seu tempo de moço, pessoas que já não estavam mais neste mundo, pessoas – como disse bem Adélia Prado (boa leitora de Maritain) – “a quem chamamos mortas”. E escrevia Bandeira naquele poema:

Onde estão todos eles?
- Estão todos dormindo,
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.


Não, leitor, não estou querendo dar a este “blog” um tom mórbido, um ritmo de velório. Desejo, sim, que o leitor note isto: muitas pessoas inteligentes e criativas sempre souberam olhar a realidade mais indiscutível do mundo com os olhos iluminados pela esperança cristã. Dizer com Bandeira, que “eles estão dormindo” é o mesmo que afirmar indiretamente duas verdades: 1- a pessoa continua existindo intransferível e única (nada da fuga proposta pela ilusão espírita ); 2- haverá, no final dos tempos, um universal despertar, quando o Anjo tocar a sonora trombeta.

Bem, e agora vamos ao ponto que inspirou o segundo item do “post” de ontem.
Uma das conseqüências “micros” do antropocentrismo é o fato de que, para uma imensa multidão de pessoas - incluindo aí pessoas batizadas, católicas - ficou “demodé” falar em anjo, trombeta do Juízo Final, coisas desse tipo. Isso é assunto que dificilmente vai ocorrer numa noite bem chuvosa, quando as famílias presas em casa por causa do mau tempo, certamente vão preferir cultuar a deusa brilhante e colorida , ali no centro da sala, a conversar sobre o nosso destino neste planeta.

Na sociedade moderna tornou-se hábito (no sentido menos nobre desta palavra) das famílias o acompanhamento diário das informações que jorram da telinha. O verbo “jorrar” não é exagerado. Basta prestar atenção para logo percebermos essa realidade. Em conseqüência dessa inflação de informações, o conhecimento fica desvalorizado. Isso, entretanto, não causa nenhuma preocupação. Por quê? Porque o zelo maior generalizado, até mesmo no ambiente de famílias católicas (ou melhor dizendo: nominalmente católicas) é com as tarefas que possam significar: segurança, bons salários, prestígio junto às pessoas influentes e/ou poderosas. E não esqueçamos também a diversão , ou seja: qualquer coisa que afaste nossa inteligência de uma atividade mais contemplativa. Em resumo: predomina a cultura da sobrevivência . As pessoas tornam-se gentilmente espertas, como se fossem índios vestidos com roupa de civilizados. Mesmo nas famílias católicas, infelizmente, muitos pais talvez estejam bem mais preocupados com que seus filhos sejam bem sucedidos na vida do que com a necessidade de que eles sejam antes de mais nada: santos. Pergunto: neste contexto, sobra espaço para a prática da virtude da Esperança, com E maiúsculo ?

Um exemplo bem flagrante dessa moderna perda do “Norte espiritual” é a comemoração da Semana Santa. O Tríduo Santo há dezenas e dezenas de anos vem sendo usado, entre nós brasileiros pelo menos, como mero pretexto para um fim de semana prolongado, uma oportunidade para o bom “relax” . É mentira do Ruy?
Leitores solteiros do Despoina, por favor, repito: por favor, reflitam bem sobre isso tudo! Lembrem-se do “triângulo necessário” ! Pensem no que vocês vão querer em primeiro lugar para seus filhos .


posted by ruy at 1:06 da manhã

 

Powered By Blogger TM