Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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14.12.03

 
Uma festa de formatura


O fato me foi contado pela mãe de um moço que participou como formando da referida festa.Vou tentar contar enquanto a memória está com os dados mais nítidos.
O colégio é com toda a certeza o mais prestigiado da capital daquele importante estado do Sul. Um efetivo bem grande de alunos, a maior parte da classe que comumente é chamada “classe A” (não gosto dessas classificações, mas estou procurando ser bem fiel ao que me foi narrado).

Todos os professores, sem exceção, estavam vestidos de terno preto e usavam óculos escuros, tudo – me explicaram – conforme o visual do filme “MATRIX” (a que, felizmente, não assisti).
Durante a solenidade (? ...) um agitado jogo de luzes de colorido diverso varria o ambiente do enorme salão, como se os assistentes estivessem mesmo em uma sala de espetáculo circense.

Um dos itens da seqüência de eventos consistiu no diálogo de um casal de alunos que, no palco, ia “declamando” um para o outro: o número de alunos, o número de provas feitas durante o ano escolar, a quantidade de matérias do currículo etc., ou seja: uma boa propaganda do colégio dramatizada da melhor maneira possível.

Em certo instante, o apresentador anunciou: e agora vamos OUVIR o hino nacional (o leitor já vai ver porque escrevi hino e nacional com iniciais minúsculas). E logo foi ouvida a música do nosso Hino ao som de guitarras, em ritmo de “rock-and-roll”

Os poucos visitantes deste “blog” imaginem as cenas ora descritas e façam seus comentários.
O meu, podem crer, é bem melancólico (e notem o detalhe: importante Estado do Sul)


Os macro e os micro efeitos do antropocentrismo


Por diversas vezes tenho me referido a essa sombria decadência cultural cujo início pode ser datado lá pelo século XIV ou XV (André Frossard, em seu livro: “Deus em Questões” não precisa esse ponto), uma decadência em duas direções: a filosófica e a religiosa. Ao promover o Concílio de Trento, a Igreja fez um gigantesco trabalho para acabar com uma bagunça antiga, da qual o “affaire” Lutero foi um dos capítulos mais movimentados.

Aquela tremenda bagunça gerou o antropocentrismo, ou seja, a auto-colocação do homem como centro do mundo, centro da vida, e o conseqüente esquecimento de DEUS. Vieram, cumprindo a lógica do processo, o mercantilismo e o modo canhestro como se fez a colonização dos outros continentes; o Iluminismo e as falsas, farisaicas Liberdade, Igualdade e Fraternidade; os agressivos nacionalismos e as Guerras Mundiais; os totalitarismos,etc., etc.

É ridiculamente fácil fazermos críticas a certos arrogantes e prepotentes presidentes de países poderosos ou fazermos críticas a certos boquirrotos presidentes “globe-trotters”, de países meio desenvolvidos, com fúteis pretensões a desempenhar “papel não secundário no teatro do mundo”. Difícil mesmo é parar e pensar nisto: por que as coisas chegaram a este ponto?

Ora, ao listarmos em parágrafo anterior certas realidades políticas e econômicas do mundo moderno, estávamos nos referindo aos “macro efeitos” do antropocentrismo. Mas, é necessário – e muito – olharmos os “micro efeitos”. Vou dar um pequenino exemplo do que seja um “micro efeito”. O leitor bem atento poderá perceber o alcance do que lhe vai ser contado.

Uma senhora de inatacável comportamento, boa filha, esposa fiel e dedicada, boa (isto é, exigente e carinhosa) mãe para seus filhos – em resumo: uma pessoa digna do maior respeito, pede nossa atenção porque vai nos contar uma anedota. Tudo bem. O senso de humor é essencial. Segue-se a anedota. Uma historieta cujos protagonistas (me perdoe o leitor ) são: Moisés, Jesus Cristo e Deus Pai. É isso mesmo, tal como acabei de escrever. Tive que escutar constrangido, sem rir, a narração de uma piada que, em outras épocas, seria quase impossível de ser contada por uma pessoa batizada e com razoável conhecimento do catecismo.

Faz pouco tempo, um jovem e inteligente leitor se referiu às duas torres do WTC como símbolos do Poder. Não, meu jovem amigo; elas tinham (e têm) um sentido bem mais amplo. Para compreendê-lo, é preciso comparar aquelas torres com as torres da catedrais de pedra do Medievo, do tempo em que DEUS era ainda visto como o centro da vida, L’Amore che move il sole e l’altre stelle .




posted by ruy at 5:17 da manhã

13.12.03

 
Algumas esparsas reflexões sobre a Beleza


[Não vou falar sobre o tema ora proposto usando definições tomistas, mesmo porque, para fazer isso, teria que citar os doutos, e a primeira pessoa a quem iria pedir auxílio seria o injustamente esquecido Jacques Maritain (e aqui estou pensando no “Arte e Escolástica”, que está disponível, em inglês, na Internet – esse fabuloso mundo da Internet !). Vou , sim, buscar na memória certas leituras feitas, encontros diversos e, sobretudo, experiências vividas desde a minha longínqua infância.]

- No Evangelho – É curioso como se costuma ler o Livro Santo sem prestar a necessária atenção a certos detalhes, para muitos talvez sem importância, mas que de fato têm um nuclear significado.
Por exemplo, quando Nosso Senhor mandou que seus discípulos preparassem a última ceia, disse-lhes:

Logo que entrardes na cidade, sair-vos-á ao encontro um homem com uma bilha de água; ide seguindo-o até a casa em que ele entrar. E direis ao pai de família da casa: O Mestre te manda dizer: Onde está o aposento em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? E ele vos mostrará uma grande sala toda ornada, e ali fazei os preparativos.
[evangelho de São Lucas, cap.22, vs. 10 a 12 ) ]

Note o leitor as minúcias, incluindo o que se refere à ornamentação da grande sala.
Poderíamos ainda citar, conexo ao assunto, o “bálsamo feito de nardo puro. de grande preço”, com que uma mulher ungiu os pés de Jesus, diante dos olhos avarentos, sem grandeza, de Judas, que protestou contra o que ele achava um desperdício: “podia ser vendido para dar o dinheiro aos pobres”. O espírito pequeno não tem olhos para a beleza, para as coisas não-pragmáticas da vida.

- Meu pai – Quando eu ainda era menino, meu pai recitava em voz alta para mim poemas de Gonçalves Dias e de Castro Alves. No meu tempo de adolescente, me ensinou a gostar da matemática, da elegante beleza que existe nas construções geométricas, nas relações algébricas. Fez-me ler com gosto o livro: “O Homem que Calculava”, de Malba Tahan.
Certa vez, soltei um palavrão na presença de meu pai. Não era dos piores palavrões; hoje é um dos que são falados abertamente em vários ambientes supostos educados. Meu pai não gritou comigo, não me bateu. Apenas disse isto:
- para ser homem não é preciso dizer palavrão.
Outra vez, fiz uma trapaça ao jogar com ele uma partida de Batalha Naval. Meu pai descobriu e me disse com firmeza: mentir é feio. Nunca me esqueci disso.
Era um grande atleta, sendo capaz de nadar, joga tênis e basquete, montar bem a cavalo, fazer ginástica com perfeição.E tendo participado de duas sangrentas revoluções, não era, portanto, nenhum maricas adocicado. Entretanto, aprendi com ele a respeitar e admirar a beleza que existe no mundo.

Infelizmente, meu pai, apesar de batizado, não era um crente. Teve seus defeitos, cometeu certos erros que ainda hoje pessoas descaridosas gostam de lembrar. Mas, devo muito a ele. Que DEUS o perdoe e o tenha em Sua casa.

- “Melhor é impossível” – Trata-se de um filme, protagonizado por Jack Nicholson e Helen Hunt. É a história do romance entre um escritor “best-seller" que, apesar de inteligente e sensível, sofre de uma psicose que o maltrata, e uma humilde garçonete, mãe, provavelmente solteira, de um menino de uns seis a oito anos.

No final do filme, ocorre uma cena em que a câmera dá um “close” sobre o casal. É de madrugada e os dois estão sós na rua deserta. Melvin, o escritor, consegue vencer sua inibição crônica, sua neurose, e faz a Helen, a garçonete pobre, uma declaração de amor que transforma daquela cena em uma das mais lindas que já foram levadas à tela de um cinema. O olhos de Helen brilham quando ela, ao ouvir as palavras do homem que a ama, sente que é de fato única no mundo. Como cada um de nós é único, irrepetível e intransferível em toda a longa história deste planeta. A beleza daquela cena me acompanha sempre.

A história termina com o casal entrando em uma prosaica padaria para comprar pãozinho francês. Mas, até mesmo essa simplicidade final contribui para o poético do filme.

- Uma leitura de Machado de Assis em voz alta – Faz mais ou menos uns trinta anos, tive a enorme alegria de ouvir certa vez Gustavo Corção, já com larga idade e bastante alquebrado, ler em voz alta um capítulo do romance : “Memórias Póstumas de Braz Cubas”

O capítulo é o LXXIV, intitulado: “A História de Da. Plácida”.
Os que já leram o livro sabem de que se trata. Da. Plácida era literalmente a alcoviteira do romance adúltero de Virgília e Braz Cubas. O dicionário diz: Alcoviteira : mulher que alcovita, isto é, que serve de intermediária em relações amorosas.

Ao escrever aquele pungente capítulo, em que a genialidade do escritor consegue contar para nós o drama de uma infeliz mulher cujo sustento fica dependente do pecado de outros, tornando-se cúmplice de um “erreur-a-deux, o velho Machado fica eqüidistantemente bem afastado do moralista pedante ou farisaico e do cínico e sórdido realista. A curta e triste biografia de Da. Plácida assume uma beleza melancólica, inacessível aos que só apreciam histórias edificantes (muitas vezes ridículas...) .

Ao ler com sua voz cansada aquele capítulo, Corção pretendia que nós aprendêssemos a nos tornar atentos à capacidade de narrar do Bruxo do Cosme Velho. Uma capacidade que só pode desabrochar em um escritor realmente civilizado.

- Debussy De repente descubro que um dos leitores do “blog” Despoina Damale é um estudante de Composição, é um músico. E mais ainda, descubro que, por uma boa coincidência, esse jovem aluno inspirado – esperamos – por Santa Cecília, é como o Ruy: um fã de Claude Debussy. Isso foi das melhores coisas que me aconteceram neste ano quase por terminar!

Debussy teria sido apaixonado por Claudine Claudel, a pobre irmã do grande poeta Paul Claudel. Mas, isso talvez seja um detalhe mais do interesse dos curiosos.

Ao saber da preferência do meu leitor pelo autor de “Deux Arabesques” , “La plus que lente” , “Reverie” (há outros Reveries, de outros compositores) , “La jeune fille aux cheveux de lin”, “Prelude a L’Après–Midi d’un Faune”, “Suite Bergamaschi” (com o inesquecível “Claire de Lune”), e tantas outras composições de gênio, enviei uma mensagem ao jovem estudante dizendo-lhe que a música de Debussy evoca, para mim, a silenciosa beleza que jaz oculta no mundo que nos cerca. E meu correspondente, em resposta, concordou comigo !

A utilidade da Beleza - É razoavelmente fácil e imediato estabelecer uma certa conexão entre o Bem ou a Verdade com alguma forma de utilidade, de “aplicação prática”. Porém, no que toca à Beleza creio que, infelizmente, a maior parte das pessoas – incluindo muitos dos católicos...- não se dá conta do papel dessa outra faceta do SER .

Lamentavelmente, a escola secundária, onde os alunos deveriam ser treinados a apreciar a leitura da poesia, a ouvir boa música , a ler “ouvindo” o pensamento do ensaísta ou do romancista, lamentavelmente esse nível de ensino aderiu completamente ao pragmatismo rasteiro da cultura moderna...

Ora, é a Beleza, talvez, o transcendental que mais se aproxima da virtude da Esperança. É ela que pode fazer com que sintamos algo extremamente importante e necessário:
- a saudade do Céu !


Me perdoem o tamanho deste “post”. Mas, eu tinha que editá-lo!
Louvado seja DEUS, criador da Beleza!


posted by ruy at 12:43 da manhã

12.12.03

 



O totalitarismo


Não sou leitor habitual de jornais. Faz alguns anos tomei uma certa implicância com esse veículo de informação. Eventualmente compro um exemplar, quando me dizem que ali está alguma notícia bem importante. Ora, meu grande amigo N.B. tem um hábito contrário: há muitos anos lê sistematicamente um jornal, o J B , todos os dias sem falhar. Quando vê um artigo interessante, N.B. o recorta e traz de presente para minha leitura. Desse modo, tenho lido várias crônicas assinadas pela jornalista Dora Kramer, publicadas na coluna COISAS DA POLÍTICA.

Na minha opinião, coincidente com a de N.B., a referida senhora (ou senhorita) deixa transparecer, em seus inteligentes e oportunos textos, um modo educado, ou melhor dizendo, um modo bem civilizado de tratar os diversos temas que os fatos da política nacional lhe sugerem. É especialmente esse o caso do artigo publicado no J B do dia 6 de dezembro último, sob o título O Efeito da Demonstração

No citado excurso, a Sra. (ou Sta.) Dora Kramer faz lúcidos comentários sobre várias, freqüentes atitudes assumidas pelo Sr. José Dirceu, comentários esses focalizados sobre um ponto que, para mim pelo menos, tem uma capital, super-importância. Entretanto,ela, a jornalista, usa notável discrição, mantém um educadíssimo aplomb que não é comum em muitos comentaristas políticos. Talvez por isso não apareça em suas frases precisas e bem concatenadas uma certa palavra que vou usar agora para dizer isto, com todos os ff’s e rr’s:
- Totalitarismo

Quando falamos em regime totalitário, as pessoas que ainda não refletiram suficientemente sobre a intrínseca malignidade desse tipo de organização política imaginam coisas chocantes, tais como: campos de concentração, torturas brutais, fuzilamentos covardes etc.Ora, ainda que todos esses exemplos de violência (agora usando de forma correta a palavra com que as TV’s erradamente se referem à criminalidade) sejam de fato preocupantes, a essencial perversidade do totalitarismo deve ser identificada à luz de uma bem antiga e muito sábia reflexão de Santo Agostinho. Mas, antes de citar essa reflexão do sábio Doutor da Igreja, preciso despertar o leitor para alguns detalhes do assunto.

Segundo a fé cristã nos ensina, fomos criados por DEUS. E mais, segundo a mesma doutrina, DEUS é nosso Pai.Ele usa de misericórdia para conosco e quer que nós a usemos para com nossos irmãos.Ele deseja o bem para todos os seus filhos. Porém, há um curioso detalhe , tantas vezes despercebido: tendo nos criado livres e responsáveis, DEUS não coage nossa liberdade. Fica pacientemente esperando que façamos, por nossa livre iniciativa, o maior bem possível a todos os homens, nossos irmãos. Por que isso ? Porque DEUS nos ama. Tudo isso faz parte do catecismo elementar, o b-a-bá do cristianismo.

Ora, o regime totalitário – qualquer que seja seu estilo – se propõe a fazer o bem a todas as pessoas ( “FOME ZERO! “, por exemplo. Quem, em princípio, pode se posicionar contra essa “zerificação” da fome ?). Mas, ao procurar esse bem geral, para todos os indivíduos da sociedade, o governante totalitário age do mesmo modo como age o Demônio, segundo nos ensina Santo Agostinho:
- Diabolus Dei símius ; “ O Demônio é o imitador de DEUS “

Obcecado por essa idéia de fazer o bem (ou aquilo que ele, ditador ou presidente totalitário, considera como sendo um bem) a todos os indivíduos, o governante não respeitará a liberdade das pessoas , do mesmo jeito que o Diabo não a respeita. Uma obsessão tão grande que fez o poderoso mentor do Presidente usar palavras chulas em misteriosa ameaça às entidades ligadas ao ensino superior.Da mesma forma, uma tal obsessão não é capaz de entender que pessoas normais gostem de ler livros e de conviver com os netos; se entendesse isso, não teriam sido usadas palavras grosseiras para responder a uma crítica do ex-presidente Fernando Henrique.

Tudo isso, porém, fica meio difícil de ser entendido pela atual cultura, uma cultura decadente, diante da qual fazemos papel de bobo quando falamos no Diabo e nas atitudes que ele sugere aos incautos, esses que, conforme estamos vendo, foram ludibriados pela silenciosa e traiçoeira conversa do Demônio.

Dom Lourenço de Almeida Prado OSB costuma repetir uma antiga verdade, hoje meio esquecida:
Summum jus, summa injuria.

Em outras palavras: essa fanática luta dos totalitários pela justiça acaba gerando as maiores injustiças contra as pessoas.


E, mais uma vez, parabéns à jornalista Dora Kramer !


posted by ruy at 1:36 da manhã

11.12.03

 
Um desabafo


Antes de mais nada, peço aos amigos que me perdoem. O Ruy já passou dos 70. Sou do tempo em que a missa era celebrada em latim; começava pela leitura (oração) de um belíssimo salmo penitencial (o 42 ); ninguém a não ser o padre rezava as orações previstas na rubrica, e a missa terminava pela leitura do solene início do evangelho segundo São João. Nas missas mais solenes, aos Domingos, um coro com acompanhamento de órgão entoava o Salmo 50:

Asperges me, Domino, hyssopo, et mundabor: lavabis et super nivem dealbabor !
Misere mei, Deus, secundum magnam misericordiam Tuam !
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto,
Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula seculorum . Amen!


(pena que neste “blog” eu não possa colocar o som desse canto...).
Havia um respeitoso silêncio dentro da igreja.Ah! O silêncio !
Em resumo: a missa era bela e cheia de dignidade ! Me perdoem o mau jeito...


Reeditando um poema


[Faz algum tempo publiquei um poema que escrevi em ano distante. Me perdoem repeti-lo no “post” de hoje ]

A Missa Desejável

Nobres sejam o canto e o movimento,
propiciando o total recolhimento.
Que se faça o silêncio necessário,
e que ninguém se mostre refratário
à postura serena –corpo e mente-,
aquela que de fato é reverente
ao magno mistério celebrado,
ao máximo espetáculo sagrado:
-um Deus que se faz carne e, mansamente,
a dá como remédio ao penitente.
Que a homilia mostre, de verdade,
um padre que procura a santidade,
e não apenas dando, honestamente,
edificantes aulas para a gente.
Não fique adormecida a inteligência,
nem tenha a emoção preeminência;
porém, em equilíbrio bem mantidas,
se deixem pela fé ser conduzidas.
Não sirva o Santo Rito de homenagem
a qualquer coisa, a qualquer personagem,
e muito menos sirva de protesto
(o desemprego, o crime e mais o resto),
pois tal desvio é sempre uma injustiça,
um sacrilégio contra o Rei da missa !


Sugestão de livros

Estes três livros já foram por mim sugeridos. Vou repetir já que, nesta época do ano, é costume dar presentes. Qualquer um dos livros será um excelente presente para dar a um amigo.

“NA PROCURA DE DEUS (reflexões e sermões)”- de Dom Lourenço de Almeida Prado OSB ; editora AGIR, Rio;

“Deus em Questões” – de André Frossard (são perguntas que, durante vários anos, foram feitas por muitos estudantes ao grande pensador francês, convertido milagrosamente à Igreja, e que esteve preso em campo de concentração nazista); editora QUADRANTE, SP;

“A Fraternidade Cósmica do Repolho Místico”, ensaios inteligentes e bem humorados, escritos por Alexandre Ramos da Silva (na época : Irmão Agostinho) editora Peregrina (Curitiba, PR).

Os três podem ser adquiridos na Livraria Lumen Christi do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro
Rua Dom Gerardo, 68- 5o. andar
Centro
Rio de Janeiro, R J
cep 20090 - 030

O custo dos 3 livros juntos talvez não chegue a cem reais !
Telefone da livraria: (21) 22 91 71 22




posted by ruy at 1:25 da manhã

10.12.03

 
O passado


Do tesouro das reflexões chestertonianas, uma das mais belas é a que está contida nesta curiosa definição:

- O homem é o estranho animal que anda com os pés voltados para frente e os olhos voltados para trás.

Cabem aqui duas observações. A primeira é quanto à validade do que ali está escrito. Chesterton – como bom adepto do Tomismo – define o homem olhando sua natureza específica, o homem dentro da normalidade. Por exemplo, podemos sempre definir o homem como animal racional , mesmo que muitos indivíduos de nossa espécie não costumem agir conforme as regras as razão. De modo análogo, muitos de nós passamos anos e mais anos desatentos ao passado, a não ser quanto ao que refere à nossa vida pessoal. As histórias do nosso país e do mundo ficam na penumbra da memória, meramente como assuntos vistos em aula, nos cursos primário e secundário. Não nos posicionamos como o “estranho animal” tão bem definido por G.K.C.

A outra observação está ligada a um fenômeno da cultura que provavelmente não chegou a ser vislumbrado pelo saudoso ensaísta inglês. Estou me referindo à nefasta influência do marxismo em nosso modo de ver o mundo, mesmo os dentre nós que não nos guiamos pela mirabolante doutrina de uma futura sociedade sem classe, “mais justa e mais feliz”.

Segundo esse modo comunista ou socialista de olhar o mundo, o que interessa mesmo é o futuro. Pouco importa o fuzilamento traiçoeiro e covarde da família imperial russa; pouco importam os oficiais e sub-oficiais poloneses mortos friamente na floresta de Katyn; pouco importam os milhões de russos mortos pela “engenharia social” soviética; pouco importa o Arquipélago Gulag, tão minuciosamente descrito por Soljenitsin, que foi preso – em plena frente de combate, como capitão, quando lutava contra os alemães invasores da Rússia - preso apenas por ter ingenuamente escrito uma carta em que criticava o ditador Stalin. Pouco importam os milhares de cubanos mortos no mar do Caribe ao tentarem fugir do “colégio interno” em que, há quarenta anos. vive a pobre ilha de Cuba (o sr. José Dirceu abraçou chorando o “Diretor do colégio”, naquela viagem feita pelo nosso presidente eleito, viagem que foi criticada até mesmo pelos comunistas franceses (eles podem ser comunistas mas não são burros).
Nada disso importa; o importante, segundo o modo marxista de ver o mundo, de olhar a vida, é... o futuro! O passado foi apenas um estágio nessa indefinida marcha do progresso humano (humano?...).

Ora, a verdade, infeliz verdade, é que mesmo nós, os não adeptos dessa fanática doutrina, estamos como que anestesiados, desligados de nossas raízes, todas as raízes, incluindo até mesmo as mais profundas. Refiro-me aqui à origem do Cristianismo, lá onde estão os mistérios da Encarnação e da virgindade fecunda de Maria; onde está a assombrosa mensagem salvífica, durante três anos pregada pelo Cristo Nosso Senhor; lá onde está a ressurreição de Jesus, gloriosa e ao mesmo tempo muitíssimo distante do espírito da propaganda aliciadora, ruidosa, escandalosa, vulgar, tão comum em nossos dias; lá onde está a descida fulgurante do Espírito Santo sobre os apóstolos e sobre a mãe do Salvador, ela que nos séculos futuros seria louvada por gerações e gerações, conforme ela mesma – Regina Prophetarum - predissera nas palavras confiadas a Isabel, sua prima; lá onde está a clara e firme confirmação de Pedro como pastor de seus irmãos.

E por que digo que estamos anestesiados, desligados dessas raízes profundas? Porque hoje nos preocupamos em criar um fantasioso “mundo melhor”, talvez um pouco melhor que o proposto pelos socialistas, mas onde também quase não se vê mais o sentido da virtude da Esperança – com E maiúsculo - mesmo porque essa virtude, para que possa ser entendida corretamente, tem que estar profundamente ligada a todos aqueles mistérios que têm origem no passado remoto, em uma bem distante Palestina.

Hoje, ao promover o chamado “ecumenismo” parece que estamos preocupados mais em agradar os não-cristãos, como se estivéssemos envergonhados de crer em todos esses mistérios. Em vez de estarmos dando graças pelo convite feito pelo dono da casa, estamos mais interessados em nos reunirmos com os não convidados...
Hoje, quando celebramos nossas missas, parecemos nos preocupar mais em criar um ambiente festivo, amigável, com mais emoção e menos reflexão sobre o mistério da eucaristia. A missa é ruidosa e agitada, de um jeito que, com toda a certeza, difere da maneira grave com que a Santa Ceia deve ter sido celebrada naquela dramática quinta-feira da Paixão.

Os “liberais”, se por acaso tiverem lido as palavras deste meu “post” , vão comentar assim:
- Mas, por que pensar nisso ? Por que olhar para trás, do jeito que – conforme nos sugere Chesterton – deveria ser o modo normal do caminhar humano ? Por que prestar atenção no passado? E por que essa mania de falar tanto em mistério? Tudo na vida é tão natural !


Magníficat (Lc 1,46-55)

A minh'alma engrandece o Senhor
e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador;
porque olhou para a humildade de sua serva,
doravante as gerações hão de chamar-me bem-aventurada.


O Poderoso fez em mim maravilhas
e Santo é o seu nome!
Seu amor para sempre se estende
sobre aqueles que o temem;


manifesta o poder de seu braço,
dispersa os soberbos;
derruba os poderosos de seus tronos
e eleva os humildes;


sacia de bens os famintos,
despede os ricos sem nada.
Acolhe Israel, seu servidor,
fiel ao seu amor,


como havia prometido a nossos pais,
em favor de Abraão e de seus filhos para sempre.



Obrigado, amigo P..., pelo oportuno envio deste trecho do Evangelho de São Lucas !



posted by ruy at 2:15 da manhã

9.12.03

 
Um pedido muito especial aos leitores deste “blog”


Ontem de manhã enviei ao meu amigo A..., o serrano, uma mensagem em que lhe pedi, com bastante ênfase, sua opinião a respeito de um fato, para mim pelo menos, de extrema gravidade. Ora, ontem à tarde A... respondeu à minha indagação e o fez de tal modo que acabou me inspirando a escrever este “post” .Portanto, mais uma vez, obrigado A...

Todos nós que tivemos razoáveis aulas de Catecismo em nossa infância e/ou em nossa adolescência aprendemos em boa hora que a maior das virtudes é a da Caridade. Julian Marías e André Frossard escrevem que é mais adequado usar essa tradicional palavra (caridade) em vez da não suficientemente didática amor Bem, de fato a Caridade é mesmo a maior das virtudes (para o burguês, talvez seja a honestidade). Entretanto, na vida diária, ao longo das horas pontilhadas de imprevistos, de situações que às vezes nos obrigam a tomar decisões em prazo curto, existe uma certa virtude – aparentemente bem modesta – que tem uma capital importância. Trata-se da sensatez. A mensagem que A...me enviou vinha impregnada dessa virtude, que possivelmente é conexa à virtude maior da Prudência.

Se formos reler com atenção os evangelhos, veremos que por diversas vezes Nosso Senhor fugiu, escondeu-se de seus invejosos, perversos inimigos. Somente quando chegou a sua hora, aquela que Ele mesmo escolhera desde toda a Eternidade, foi que se deixou prender no horto das oliveiras. Mais, no início da pregação que começou a vida da Igreja, era condenada entre os cristãos qualquer atitude imprudente, provocativa, petulante, vaidosa que colocasse em risco a vida dos fiéis. As catacumbas davam segurança aos que ali se ocultavam para celebrar a sua eucaristia.

Com tais exemplos bem claros o leitor pode perceber a importância da prudência. Não menos relevante é a sensatez Como ela se manifesta ? Como age um cristão sensato ? Como ele fala? Como ele escreve?

Em vez de dar uma resposta direta a estas perguntas que eu mesmo propus ao leitor, vou fazer um pedido aos visitantes deste oásis, e que é o seguinte:

- se vocês quiserem ler – e em conseqüência aprender – religião de forma sensata, de um jeito em que a verdade seja apresentada sem diminuição alguma e, ao mesmo tempo, sem nenhum nervosismo agressivo, sem nenhuma arrogância boboca (uma arrogância típica de quem se esqueceu a Quem realmente deve sua fé ), aprender religião como forma de vida e não como pura obediência a um tortuoso regulamento, aprender religião de modo sereno e com profundidade – leiam, por favor, leiam o livro de Dom Lourenço de Almeida Prado OSB intitulado:

NA PROCURA DE DEUS (Reflexões e Sermões)

O referido livro, que foi editado pela AGIR, pode ser achado na Livraria Lumen Christi
Rua Dom Gerardo, 68/ 5o. andar
Rio de Janeiro – RJ
cep : 20 090- 030

Se algum de vocês achar que este escriba merece um presente de Natal, o melhor presente que poderá me dar é este: contar-me que comprou o livro cuja leitura estou recomendando neste “post” ! Obviamente : comprar e ler o livro!
Lendo-o, vocês logo vão perceber, entusiasmados, o que é sensatez !


posted by ruy at 1:14 da manhã

8.12.03

 
Pequeno excurso sobre a fé


Logo de início explico: não vou falar sobre a fé religiosa. Tal assunto não é vedado a um leigo, a um não-padre, a alguém jejuno em teologia; mas, convenhamos, fé religiosa, em princípio, deve ser tema que fica melhor exposto pelos “especialistas” . Vou, sim, tentar dizer alguma coisa sobre a fé simplesmente (usando este advérbio “cum grano salis”) humana.

Duas noites atrás, estava o Ruy com um pequeno grupo de amigos, juntos bebendo um bom vinho italiano, em um aconchegante bar com vista panorâmica. Em determinado instante, chega ao local certo badalado escritor brasileiro contemporâneo, acompanhado de algumas senhoras ou senhoritas. Logo um dos meus companheiros de mesa referiu-se, em tom de voz discretamente baixo, às obras do recém chegado, deixando manifesta sua admiração pelo escritor. Mais que depressa, discordei no ato. Retrucou o meu interlocutor: note bem, ele (o escritor) já vendeu milhões de livros no mundo inteiro !Como eu ficasse firme em minha posição, meu amigo perguntou: então me diga: qual livro você já leu dele ? E foi aí que dei uma resposta imprudente, conseqüência mediata da qual agora estou editando este “post”.
Respondi: nenhum; porém me baseio na opinião do meu colega e amigo N. B., que é bastante culto, e já leu livros desse escritor. E veio então o irritado revide:
- pois eu não me guio pela opinião dos outros !

Ensinam-nos os modestos textos de Introdução à Filosofia o que é a fé, no sentido mais amplo da palavra. Os exemplos são bem triviais, porém suficientes para o entendimento de um leitor com razoável nível de escolaridade.
Encontramos na cidade nosso amigo João e ele, depois de alguns minutos de prosa, nos conta que um amigo comum, o Pedro está bem doente. Ora, Pedro mora muito longe desta cidade; dificilmente poderei ir até ele, para visitá-lo e confirmar a notícia dada por João. Entretanto, essa impossibilidade de confirmação não me impedirá de acreditar no fato: Pedro está gravemente doente. E por que eu acredito nisso? Porque João me disse. Aceito a “autoridade” de João, em quem confio e dele sei que não iria mentir para mim. Note bem leitor como o exemplo é claro, acessível, e bem conforme o senso comum

Sem essa fé humana nossa vida em sociedade seria praticamente impossível. Seria mesmo um verdadeiro inferno. Faça um pequeno esforço de imaginação, leitor amigo, e repare quantos atos de fé você realiza – sem perceber - ao longo do dia. Poderíamos, talvez, dizer que um indivíduo paranóico é aquele em quem essa normal atitude humana não funciona bem.

Na conversa citada no início deste “post”, meu amigo admirador do “best-seller” referiu-se aos milhões de livros que o escritor já vendeu no mundo inteiro. Ora, fica mesmo muito difícil em torno de uma mesa de bar, à noite, meio sonolento sob a influência de um bom vinho, ouvindo um pianista bem próximo a tocar músicas da Bossa Nova, etc., etc. – fica difícil explicar certas coisas, como, por exemplo, que essa planetária divulgação de um certo livro não é apanágio da modernidade. No século XVIII, a considerada (na época) obra-prima de Benjamin Franklin (“O Almanaque do Pobre Richard ”) foi traduzida em praticamente quase todos os idiomas da Terra. Ora, basta lermos vários trechos desse livro para logo perceber quão medíocre era aquele pensador americano, um dos Pais da Independência dos EUA (o que para mim explica os modernos Bushes, Clintons e outros que tais).

E neste ponto um detalhe não irrelevante. Meu amigo N.B., além de exímio conhecedor de sua especialidade de engenharia (eletrônica, sistemas de controle), além de possuir uma habilidade manual digna de um artesão da Idade Média, conhece muito sobre música erudita, sendo capaz de assobiar trechos de vários concertos e sinfonias de Mozart e de Beethoven; capaz de cantarolar (ainda que desafinado) uma ária do Messias , de Handel; capaz de ler, no original, clássicos romances da literatura francesa; e vai por aí. E com todos esses predicados, é uma pessoa discreta, em quem, por uma feliz coincidência, a própria constituição física (baixinho e magro)esconde-lhe os méritos. Em resumo, N.B. é representante de uma nobre espécie em extinção: a do homem civilizado. Agora pergunto ao leitor: se, pois, eu não confiar na opinião de N.B. a respeito do escritor pivô daquela noturna conversa no bar, em qual opinião hei de confiar ?


E agora a Fé, com F maiúsculo


Há 145 anos, uma jovem camponesa, chamada Bernadete Soubirou, ouviu, em uma gruta de Lourdes, interior da França, a Virgem Nossa Senhora, dizer-lhe uma verdade em que, durante séculos e séculos, muito antes de ser proclamado o Dogma, muitos filhos da Igreja sempre haviam acreditado:

Eu sou a Imaculada Conceição .


Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós !
Fazei que nossos bispos despertem !


posted by ruy at 2:24 da manhã

 

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