Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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23.11.03

 
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posted by ruy at 11:23 da tarde

 
O antropocentrismo.


[Antes de entrar no tema do “post” propriamente dito, devo informar aos bem poucos, porém bons amigos deste “blog”, que o núcleo do que vão ler abaixo não é idéia minha. Trata-se, sim, de algo que, em muito feliz hora, aprendi lendo o rico ensaio histórico: DOIS AMORES, DUAS CIDADES, do saudoso pensador brasileiro – hoje infelizmente bastante esquecido : GUSTAVO CORÇÃO. O adjetivo “rico” usado por mim significa que a citada obra, em seus dois volumes, apresenta não só uma lúcida história da Civilização, com ênfase no papel desempenhado pelo Cristianismo, mas também um modo de escrever que se afina perfeitamente com o que escreveu Olavo Bilac, a saber: A Beleza, irmã gêmea da Verdade. O leitor que, adquirindo o livro em um sebo ou consultando-o em uma boa biblioteca, conseguir ler atentamente, de ponta a ponta, o magnífico ensaio de Corção poderá considerar-se um felizardo nesta cinco vezes centenária Terra de Santa Cruz! ]

Creio que várias vezes já me referi ao chamado “antropocentrismo” como causa, remota porém de máxima relevância, dos atuais problemas que vimos enfrentando no mundo moderno. Aliás, um dos equívocos freqüentes dos brasileiros que estão – com justo motivo - aborrecidos com a situação política atual do nosso país é o de considerar nossos problemas nacionais desligados de um contexto planetário. Um outro equívoco – que é, embora não pareça, conexo ao primeiro – é o de achar que o único grande vilão, o bandido do filme seja o país com o curioso nome de Estados Unidos da América.

Ora, se graves defeitos existem na política internacional de Tio Sam, se tremendas mancadas vêm sendo cometidas pelos Bushes, pai e filho, pelo adolescente Clinton e por outros presidentes daquela poderosa nação, tudo isso vem na esteira de um secular desvio cuja origem data, em conta aproximada, lá pelo final do século XIV, quando a atividade filosófica entrava em um processo entrópico e a tradicional crença religiosa que edificara a Europa sobre as ruínas do Império Romano começava a sofrer a maligna influência de dois antigos inimigos do homem: o tédio e o companheiro dele: o inquieto desejo de novidades. A Reforma protestante apenas deu unidade, apenas consolidou uma bagunça que vinha de longe. A verdadeira reforma quem fez foi a Igreja ao botar ordem na casa.

Analisando o crescimento dos desvios, o filosófico e o religioso, podemos descobrir vários vícios que se colaram à civilização ocidental moderna, como por exemplo: os nacionalismos (permanentes geradores de conflitos); a ganância no comércio e na indústria (lembrar o inquérito, feito por dois políticos ingleses, sobre o trabalho nas minas de carvão da Inglaterra, no tempo em que Marx era um simples adolescente); a “louca disparada prá frente” (tão bem criticada por E.F. Schumacher em seu livro : ‘Small is Beautiful”), gerando a poluição ambiental e consumindo energia como se esta fosse inesgotável; a secularização da sociedade (com o decorrente impacto na sociedade menor que é a família) e vai por aí.

Ao constatar que algo estava fora dos eixos, vários pensadores fizeram propostas para consertar o defeito. Vieram, pois, as “soluções” fascista e comunista, cujos adeptos de vez em quando se engalfiam, trocam bofetões e tiros; ou às vezes fazem tenebrosos acordos como o assinado por Hitler e Stalin, na madrugada da segunda Guerra Mundial. Isso apenas confirma o que nos diz o senso comum: não se pode consertar um erro cometendo outro.

Bem, o que resume em uma só palavra a junção daqueles dois desvios de tantas e tão trágicas conseqüências é o termo: antropocentrismo . Ou explicando sem pressa : é a infeliz, pretensiosa, orgulhosa, auto-suficiente e desastrada colocação do homem (em grego: “ântropos”), feita por ele mesmo, como centro do universo, ou pior: como centro da própria vida. As atuais experiências de clonagem de seres humanos, as leis ( leis !...) a favor do aborto e do casamento (!...) entre homossexuais são meros resultados do antropocentrismo levado às últimas conseqüências. É apenas o que ocorre quando o homem diz que Deus não existe, ou, se existe, não tem nada a ver com o que fazemos ou deixamos de fazer. E o fato de contarmos o tempo a partir do nascimento de Jesus Cristo seria então mero acidente histórico...

Se o leitor leu com atenção o que acima escrevemos pode ficar com a impressão de que o antropocentrismo seja basicamente um fenômeno cultural, sociológico, macro-dimensional. Porém, infelizmente, existe um aspecto micro-dimensional do antropocentrismo.

Quando um amigo acaba de me informar que o pai da mocinha recém assassinada em São Paulo declarou que aconselhava sua filha a usar preservativo (leia-se: camisinha) para praticar sexo seguro; quando sabemos que pouquíssimas famílias têm o hábito da oração em comum; quando observamos que a missa vespertina do sábado, em vez de ser uma concessão feita aos que têm real impossibilidade de irem à missa Dominical, virou hábito rotineiro e acomodado – quando vemos isso e muito mais, percebemos que a grande desordem não atingiu somente a estrutura política dos países. O antropocentrismo se fixou também dentro de nossas casas.

Na Idade Média, nas conversas familiares em torno da lareira, fofoquinhas sobre as últimas intrigas da corte alternavam-se com reflexões sérias sobre os mistérios da fé cristã, tais como a doutrina da Santíssima Trindade e a da Encarnação do Verbo.
Em nossos modernos encontros familiares, à luz brilhante de um receptor de TV, o bate-papo alterna-se entre o comentário amargo sobre as recentes corrupções políticas e o nosso fogueteiro palpite sobre como deve jogar a seleção brasileira de futebol.


Cristo Rei


Neste Domingo, nossa Mãe, a Igreja, celebra a festa de Cristo Rei.
Instituída pelo papa Pio XI em 1925 (Encíclica: Quas Primas ), esta festa lembra aos homens poderosos do mundo aquilo que um dia, na distante Judéia, Nosso Senhor disse ao poderoso Pilatos:

Tu o dizes: Eu sou Rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade: todo o que é da verdade, ouve a minha voz.


Fato interessante.

[este item é dedicado ao C.M. , que aprecia muito o assunto]

Logo após Jesus ter dito aquelas palavras ao orgulhoso Pilatos, este perguntou a Nosso Senhor:

Quid est véritas ? (em latim: “o que é a verdade ? ” )

Ora, o anagrama daquela frase nos dá:

Est vir qui adest. = “ É o homem que está diante de ti.”


posted by ruy at 12:14 da manhã

22.11.03

 


posted by ruy at 8:07 da tarde

 


Uma das causas de um grave problema.


Faz pouco tempo, vendo um programa de entrevista na TV, ouvi quando um médico católico dizia o seguinte: devemos distinguir a diferença entre medo de morrer e medo da morte . Bem, ainda que respeitáveis pessoas – também católicas – achem que o entrevistado tenha sido um tanto ou quanto esquemático, a mim me pareceu que ele tinha razão. O medo de morrer é normal ; é ele, por exemplo, que nos faz virar a cabeça para um lado e depois para o outro antes de atravessarmos uma rua movimentada. É ele que nos torna atentos ao nível do colesterol, e nos leva periodicamente ao médico cardiologista. Quem disser que não tem esse medo ou está mentindo ou contando bravata. E não será demais lembrar que o próprio Cristo Nosso Senhor quis passar, em sua santíssima Paixão, até mesmo por esse tradicional desconforto humano.

Ora, acontece que a maioria das pessoas em nossas grandes cidades vêm, já faz uma ou duas décadas, sentindo medo de morrer de morte conseqüente do aumento da criminalidade, esse sombrio fenômeno social a que a televisão designa vaga e covardemente como: “aumento da violência”. Muita gente já não sai de casa à noite, de jeito nenhum. É um grave problema, sem dúvida alguma, e creio ser razoável buscarmos suas causas e, se possível, resolvê-lo.O tema deste “post” é justamente mostrar ao leitor aquela que julgo ser uma das principais, se não for a principal, causa do problema.

Em 1982, foi eleito governador do Rio de Janeiro certo famoso político gaúcho que foi um daqueles cuja carreira foi mais beneficiada pela trágica e nefasta decisão de Getúlio Vargas em 24 de agosto de 1954. Mais uma vez alerto o leitor para a importância histórica daquele horrendo fato ocorrido entre as velhas e soturnas paredes do palácio do Catete (releia um “post” anterior em que falo sobre este assunto).
Ora, acontece que, naquela eleição, o vencedor foi tremendamente apoiado pelos chamados “intelectuais de esquerda”, entre eles, em posição de destaque o católico Betinho, figura – como é comum dizer-se em várias rodas – “carismática”.

Acontece que Betinho, Leonardo Boff, “frei “ Betto e outros do mesmo grupo quando jovens aderiram às idéias de Teillard de Chardin, o qual admitia tranqüilamente uma colaboração entre cristãos e comunistas em busca de um desejável “mundo melhor” (qual é a pessoa normal que não gostaria que o mundo fosse melhor?). Betinho sabia de todos os velhos cacoetes, dos antigos vícios políticos do homem por ele apoiado. Mas, isso não importava. Era aquele homem o natural líder que haveria de impulsionar as reformas necessárias para criar em nosso país uma sociedade mais justa. Betinho e outros como ele faziam vista grossa para os defeitos do candidato.

Tomando posse, desde o começo de sua administração o novo governador assumiu, perante o crime que já existia no Rio de Janeiro (e aqui pouco importa se estamos falando na cidade do Rio; afinal, o que ali ocorre influencia, sem dúvida alguma, todo o Estado, e o próprio país) assumiu, digo, uma posição de mal disfarçada tolerância, ou no mínimo displicência. Os que têm boa memória se lembram, por exemplo, do famoso caso da “caixinha” do jogo do Bicho. Betinho negou, negou, negou até que acabou admitindo a besteira feita (guardo até hoje o recorte do jornal em que isso é contado). Comentava-se na época que o secretário de Segurança, envolvido no problema, tinha sido advogado dos bicheiros. Tudo isso contribuiu, ao longo dos dois governos ( ou desgovernos?) do tal famoso político, para desarticular o combate ao crime no Rio de Janeiro.

Um parêntese esclarecedor. Para os adeptos das soluções socialistas, comunistas, incluindo os Teillardistas, o crime é pura e simplesmente um fenômeno sociológico (Betinho era sociólogo), e que pode ser reduzido ao mínimo por um governo que consiga implantar a justiça social.Isso, segundo aqueles mesmos intelectuais “católicos de esquerda” que apoiaram o “candidato do povo”, poderia ser conseguido por meio de um regime tipo colégio interno . Não é por acaso que “frei” Betto é admirador e amigo de Fidel Castro. Pense demoradamente nisso , amigo leitor !

Para resumir este “post”,que já vai ficando longo e cansativo ( o tema é ingrato...), citemos o Doutor Comum da Igreja, Santo Tomás de Aquino:

. Parvus error in initio magnus erit in fine. [S.Tomás de Aquino, De Entis et Essentia]. Um pequeno erro no início será um grande erro no fim.

Teillard de Chardin e seus sequazes – incluindo entre estes os brasileiros acima citados – apenas sonhavam com a perfeita justiça social. Era apenas um sonho, mas um sonho errado, já que nele havia a tal cooperação com os comunistas...
Ora, uma das quatro formas, das quatro maneiras de praticar a importantíssima virtude da Justiça é mesmo: a Justiça Social . Mas, Betinho e outros como ele esqueceram que o Bem Comum, para que possa de fato ser atingido HOJE (afinal, as famílias hoje aterrorizadas têm direito à vida) , e não em um futuro incerto, precisa que uma outra forma de justiça, a Punitiva (antigamente denominada: “vindicativa”), seja aplicada sempre , aqui e agora , com a mesma seriedade e eficácia das outras três formas. Além disso, a justiça Distributiva exigia que Betinho não apoiasse para governador um político como aquele que ele havia resolvido apoiar.

A justiça Comutativa , por sua vez, manda que eu agora peça ao paciente leitor desculpas pelo comprimento deste “post”...


posted by ruy at 1:27 da manhã

21.11.03

 

A Igreja e os Santos.


Não me lembro quem disse a frase mas há muito tempo eu a li e depois várias vezs a reli citada por outros autores :

A Igreja são os Santos.

Obviamente, isto não é uma definição formal da Igreja. É necessário entender a sutileza que está na frase, com sua estranha porém correta construção verbal, apesar do aparente erro de concordância.

O significado dessa afirmativa talvez escape à compreensão dos não-cristãos, dos cristãos não-católicos ou até mesmo de católicos pouco informados ou alheios ao mistério da Igreja.

O fato é que o Santo é proposto pela Igreja como um desejável modelo para nós outros cristãos, rotineiros pecadores. O modelo proposto nos assusta, nos intimida, nos humilha...
Ora, de vez em quando acontece ouvirmos alguém estabelecer uma relação de equivalência entre o ser cristão e o ser isento de pecados . Porém, se tal “igualdade” fosse verdadeira, não haveria necessidade dos sacramentos, mormente o da Penitência.

Certo modo rígido, sisudo, compenetrado, formal de tratar este assunto da santidade e outros temas ligados à religião cristã me faz lembrar a pessoa de São Paulo, ou melhor a figura de Saulo antes de levar o humilhante tombo do cavalo naquela ensolarada estrada de Damasco.
É curioso o fato: Deus vai buscar um fariseu autêntico, um homem de honestidade intocável, um cumpridor fiel da Lei, para mostrar-lhe que a vida é muito mais rica em mistérios do que imagina nossa pobre fantasia.

São Paulo era um homem possuidor de estudos, um homem cheio de idéias. A partir daquele tombo, o Apóstolo não deixará de ter idéias. Vai, ao contrário, aumentar, e muito, seu patrimônio intelectual. Porém, irá descobrir também que pessoas podem ser tão importantes quanto idéias
Ora, os Santos são justamente as pessoas que melhor respondem à pergunta, muitas vezes curiosa e/ou impaciente: o que é a Igreja ? Se respondermos ao nosso talvez angustiado interlocutor : a Igreja é o Corpo Místico do Cristo, ainda que não estejamos mentindo, poderemos desapontar o autor da pergunta, ou até mesmo desagradá-lo. O que ele, o perguntador, espera, de modo subconsciente, é mesmo alguma frase que o convença plenamente da verdade da Igreja. Mas, tal convencimento pleno, somente a Graça de Deus pode dar, aquela mesma Graça que jogou Saulo no chão da estrada de Damasco.

E é sempre bom recordar que o núcleo do Cristianismo não é um magnífico conjunto de idéias brilhantes; é, sim, uma Pessoa. Desejar que alguém se ligue inteiramente a uma vida cristã não é basicamente procurar convencê-lo sobre tais ou quais verdades da fé. É desejar, antes de mais nada, que essa pessoa faça seu encontro muito pessoal com o Cristo.


posted by ruy at 4:15 da manhã

20.11.03

 
Um “post” dedicado aos moços, especialmente aos ainda solteiros.


[ Sei que, mais uma vez, vou correr o risco de ouvir a desdenhosa, maliciosa crítica: “pois é, esse Ruy está naquela idade em que, não mais podendo dar bons exemplo, dá bons conselhos.” Mas, ainda assim, prefiro editar o que segue abaixo].

Como o tema é dos mais relevantes e, por isso mesmo, não é muito conveniente expor apenas a minha opinião, vou de início citar dois escritores já falecidos e que provavelmente estão ambos na Casa do Pai. O tema é o mais universal dos temas: o amor.

O primeiro a ser citado é um homem que neste mundo viveu a maior parte dos seus anos de adulto sob a Regra de São Bento. Apesar de atormentado durante muito tempo por grave doença pulmonar, dedicou-se com o maior carinho à divulgação do Canto Gregoriano, aquele tipo de música que o Ruy sonha ouvir um dia dentro da maioria de nossas igrejas, porquanto, sinceramente, NÃO acredito que o povo simples do nosso país seja infenso à beleza. Refiro-me a Dom João Evangelista Enout OSB. De um exemplar da revista que ele editava (“Liturgia e Vida”) tirei o seguinte trecho:

Tenho a impressão que este assunto: casamento por amor, é um assunto que interessa.Porque todo mundo está mais ou menos envolvido diante dessa problemática. As pessoas se amam loucamente, se unem e se desunem. Ou ao menos, não se mantém todo aquele nível de convivência que seria necessário. Fizemos algumas considerações sobre isso nesta sociedade moderna, mostrando que o que há aí não é o amor, será uma paixão e uma paixão alguma coisa de doentio. E o amor é sadio, é forte, é bem radicado, se desenvolve, cresce. Relendo agora um autor que nos fala de tempos passados, não muito passados, mas do começo do século [ o século XX] - Jean d’Ormesson – o grande escritor francês nos descreve admiravelmente a história da sua família, que foi uma grande família, muito numerosa. e de grandes propriedades na França. Ele nos diz, de repente “O casamento era uma das chaves do nosso velho universo” e esse casamento era sobretudo seguro porque era uma maneira de encontrar famílias iguais.

O segundo autor que vou citar é um escritor francês que se converteu à fé cristã, dentro da Igreja, de forma miraculosa, conforme ele mesmo conta no livro: “Deus existe – eu o encontrei”. Trata-se de André Frossard, falecido faz poucos anos, em avançada idade. O trecho citado está no livro cuja leitura já recomendei aos leitores deste blog; “Deus em Quetões” (editora QUADRANTE; um livro cujo preço fica muitíssimo abaixo do imenso valor da obra). Vamos lá:

Mais inclinadas que nós ao amor pela sua natureza, as mulheres sabem, sem mesmo precisarem pensar nisso, que não foram feitas para si mesmas; se por acaso a idéia lhes viesse à mente, formulariam a questão de outra maneira [ o trecho é de um capítulo intitulado: “Por que viver ? ”] ; não perguntariam: “Por que viver ? ” , mas “Por quem viver? ” . Nós, os homens , deveríamos seguir-lhes o exemplo...

[Bem, neste momento vai falar o Ruy, meio encabulado na presença desses que têm muito mais sabedoria].
Pois é, o problema que me deixa melancólico é o fato de que, muitas vezes, só com o tempo ( e obviamente com a Graça de Deus) a gente acaba compreendendo aquilo mesmo que o Senhor Jesus disse aos seus discípulos e não aparece registrado em nenhum dos evangelhos. Está citado nos Atos dos Apóstolos, Cap. 20, vs. 35 :
Existe maior felicidade em dar que receber.

E agora, podem me dizer aquela frase maliciosa: “Ele está naquela idade etc, etc...”


Adendo: notícia muito importante e que merece ampla divulgação.

Faz duas noites, estávamos minha mulher e eu assistindo ao “replay” do jogo de vôlei entre o Brasil e a Venezuela (aquele em que derrotamos eles por 3x0 ) quando, em certo momento, o comentarista contou o seguinte fato recente:

Há pouco tempo, Cuba enviou à Itália uma equipe de jogadores de vôlei a fim de fazerem uma excursão-treino e, com isso, melhorar o desempenho do time. Quando acabou a excursão, 10 (dez) jogadores cubanos pediram asilo, naturalizaram-se italianos e ficaram residindo na pátria de Dante e de Santo Tomás de Aquino.
Moços, abram os olhos !


posted by ruy at 1:39 da manhã

19.11.03

 

Uma historieta bem instrutiva.


Sérgio Porto, mais conhecido nas rodas boêmias do seu tempo como “Stanislaw Ponte-Preta, não foi um cronista de primeira grandeza, alguém que pudesse ombrear, por exemplo, com um Rubem Braga, um Fernando Sabino, nem muito menos com um Carlos Drummond de Andrade.Mas deixou escritas algumas historietas bem engraçadas, uma das quais, penso eu, bem instrutiva. Comecemos, pois, hoje com uma paráfrase dessa crônica de Sérgio Porto.

O caso tem como cenário um barzinho perto da Praça Mauá, um modesto ponto de encontro de marinheiros e de mulheres sobre as quais a insensibilidade masculina costuma dizer que têm “vida fácil”. O bar está repleto dos fregueses habituais, que desceram de seus navios para beber e bater um bom papo. De repente, entra impetuosamente pela estreita porta um alto, bem forte, marinheiro alemão e faz, em voz possante e bem grossa, o seguinte desafio:
Não vejo aqui dentro homem capaz de me bater!

Tão logo feito o desafio, sai de uma das mesas um loiro sobrinho de Tio Sam, tripulante de um navio de guerra ancorado no Rio. Vem para perto do alemão com uma posição típica de experimentado boxeador; ensaia uns movimentos de pés e braços, mas, de repente, pimba! O alemão acerta-lhe um tremendo murro e o americano desmaia.

Vem um sueco, espadaúdo e de braços musculosos. Pimba ! O alemão o derruba. Vem um japonês com meneios de caratê, judô ou sei lá de que arte marcial do Oriente. Pimba ! Vai ao chão o filho do Sol Nascente. E assim, um por um, vão caindo os que aceitaram o desafio do alemão.

Ora, eis que lá do canto mais escuro do bar se levanta um marinheiro brasileiro, magrinho, de cor bem morena, e vem com aquela jinga bem característica da velha malandragem carioca. Chega perto, bem perto do Fritz e...pimba! O alemão dá-lhe um pesado soco no alto da cabeça e o nosso herói, desacordado, vai beijar o solo pátrio.

A historieta termina aí. Bem, e a moral do conto? Explica o mesmo Sérgio Porto:
Isto é prá brasileiro acabar com essa velha mania de achar que com jeitinho resolve tudo !

Pois é. O cronista tem razão. Se não vejamos:
- Instituímos um Dia da Consciência Negra . Bem, para melhor comemorar essa data, em vez de escolhermos, por exemplo, um André Rebouças, um José do Patrocínio, um Cruz e Souza, o genial mulato Machado de Assis,ou até mesmo o Edson Arantes do Nascimento, colocamos ali, na Praça Onze, local dos saudosos, ingênuos Carnavais de outrora, uma bizarra pirâmide em homenagem a Zumbi.

Ora, os que conhecem bem a história sabem que Zumbi dos Palmares, escravo fugido, vivia como chefe de quadrilha e tinha escravos às suas ordens. A escravidão era comum na África e eram os próprios negros que vendiam seus inimigos, vencidos nas guerras tribais, aos europeus que os vinham comprar no litoral daquele continente.

- Organizamos um partido cujo nome é essencialmente farisaico: Partido dos Trabalhadores. Um Partido que,. agora no poder, vem freqüentemente mostrando, além da incompetência, uma desunião grotesca entre seus dirigentes. Quanto ao badalado Programa Fome Zero, meses antes da posse do atual Presidente, tal proposta já fora muito bem criticada em um inteligente e sensato editorial do jornal O Estado de São Paulo.

- Estamos teimosamente mantendo o antigo e errado nome Ministério da Educação.Continuamos super-valorizando diplomas e títulos acadêmicos, em paralelo com uma política de ensino que estimula uma pletora de reuniões demoradas, viagens, congressos, seminários, simpósios e sei mais quê, numa agitação contínua em que sobra pouco tempo para a reflexão realmente científica, e onde o silêncio e a discrição – condições para um trabalho intelectual fecundo – nem sempre são encontrados. Quem trabalha em ambiente universitário e tem olhos e ouvidos abertos sabe muito bem disso...

- Inventamos um modo de celebrar a missa dominical que, segundo os inventores, segue a orientação do Concílio Vaticano II .Se tal seguimento fosse autêntico, o próprio papa João Paulo II não teria mostrado sua angustiosa preocupação, registrada – para os bons entendedores - na Carta Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”. A única atenuante no caso brasileiro é o fato de que teríamos basicamente copiado o erro de outros países mais adiantados. Mas, como diz o antigo aforismo: um erro não justifica o outro.

Não vou aumentar a lista dos exemplos. Peço apenas ao leitor que pare e observe, se é que ainda não havia prestado atenção, nas pérolas criadas pelo famoso “jeitinho brasileiro”.


posted by ruy at 9:39 da manhã

18.11.03

 
Retomando o tema.


Em conseqüência do que andei escrevendo neste “blog” nestes últimos dias, acabei sem querer tomando conhecimento de um fato insólito.Esse fato, por sua vez, me levou a retomar o tema dos “posts” anteriores. Porém, antes de chegar ao ponto desejado, creio que valha a pena fazer certa digressão em torno de um outro assunto de não menor importância que esse que deu motivo ao presente “post”.

O dicionário define o cristianismo desta maneira:
O conjunto das religiões cristãs, isto é baseadas nos ensinamentos, na pessoa e na vida de Jesus Cristo: o catolicismo, o protestantismo e religiões ortodoxas orientais.

Ora, as pessoas que prepararam o dicionário tiveram em mente que os leitores dele têm as mais diversas crenças ou não têm religião alguma. Ali está uma definição verdadeira objetiva, isenta, adequada a esse variegado universo de consulentes do mal denominado “pai dos burros” (dizia o saudoso professor Gladstone Chaves de Melo: burro não consulta dicionário; só o inteligente é que faz isso. ).

Bem, e um cristão, mais especificamente um católico, como deve ele ver a sua crença? Deverá ver em sua religião nuclearmente um grandioso conjunto de idéias, de argumentos magnificamente organizados que, por assim dizer, racionalizam sua fé ? (obviamente usando a palavra “racionalizam” cum grano salis ).Ou deverá ver nesse núcleo uma Pessoa, o Filho de Deus encarnado: Nosso Senhor Jesus Cristo ? E, nesta segunda hipótese, quem é Jesus Cristo para mim, o que representa Ele em minha vida? Acho que esta seja uma pergunta fundamental a ser respondida por qualquer cristão.

De fato, nossa vida cristã deveria ser vivida à luz desse relacionamento pessoalíssimo . Não que a doutrina (a católica especificamente) com o seu enorme acervo filosófico e teológico, dando suporte totalmente seguro à moral, não mereça o nosso respeito, o nosso estudo aprofundado, não! Todo esse riquíssimo patrimônio de cultura é relevante, sim; mas, o ponto crucial na vida cristã é o nosso encontro pessoal com o Cristo.

Ora, no Evangelho há uma passagem rica em ensinamentos sobre a importância do relacionamento das pessoas com o Cristo.Refiro-me às bodas de Caná, quando Jesus faz seu primeiro milagre. Costumo pensar que os protestantes, ao lerem aquele trecho da Sagrada Escritura, não prestam nenhuma atenção à solícita e generosa mediação de Nossa Senhora em favor dos noivos, forçando de certo modo seu Filho a mudar o plano original de sua passagem por este mundo.Mas, uma grande parte de nós católicos, por nossa vez, infelizmente, lamentavelmente, não prestamos atenção nestes dois fatos: Jesus vai a uma festa de casamento; Jesus transforma a água em outro líquido, no líquido que alegra o coração do homem.

Uma pessoa misógina ou que tenha decidido a ser totalmente abstêmio, sem querer sequer tomar, de vez em quando, uma modesta cervejinha gelada com seus amigos talvez não seja perfeitamente capaz de avaliar a real importância das bodas de Caná e do papel que Jesus ali representou.

Porém, há mais coisas esquecidas por nós católicos, como por exemplo: o tipo de pessoas que Nosso Senhor faz seus amigos. Vamos ver alguns exemplos: Pedro, o inquieto e precipitado líder dos outros pescadores, o homem que se garganteou de corajoso e depois chorou amargamente sua terrível covardia; Maria Madalena - sem comentários; Dimas, a mais rápida canonização da história, depois de uma vida carregadinha de façanhas que hoje a Rede Globo costuma chamar de “violências”; Agostinho, que pintou e bordou em sua mocidade, fazendo Mônica chorar e rezar durante anos sem parar; Paulo, orgulhoso fariseu, certinho no cumprimento da Lei, honesto mas duro de coração.Vamos parar por aqui. O leitor bem informado conhece bem a história da Igreja.

Citamos todos estes fatos para ressaltar uma realidade nem sempre lembrada por muitos católicos: Deus não nos quer angélicos, sentados olimpicamente distantes sobre silogismos perfeitos.Deus nos ama como homens, com nossas fraquezas, nossas carências, nosso coração da carne, coração capaz de sentir ternura por uma jovem morena e bonita a quem conhecemos em um sereno anoitecer de abril.

Finalmente, estou escrevendo estas reflexões para deixar bem claro isto:
o fato de o Ruy haver escrito dois ou três “posts” claramente a favor do namoro e do noivado vividos com respeito à castidade - um modo, portanto, diferente do que hoje lamentavelmente ocorre entre os casais jovens - não significa que eu queira colocar os moços em regime de gaiola. Para quem é gente de carne e osso e não “soldadinho de chumbo”, a vida cristã pode ser mesmo um equilíbrio difícil de ser mantido. Mas, aquele mesmo homem que foi às bodas de Caná e fez o milagre do vinho foi o mesmo que disse isto :

Vinde a mim todos os que vos achais aflitos sob o fardo e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e aprendei comigo, que sou manso e humilde de coração, e achareis repouso para vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.


Uma reflexão de setuagenário.

Ontem de manhã, escrevendo a uma pessoa muito amiga deste “blog”, eu dizia isto:

As experiências meio ridículas de nossa adolescência fazem parte da pedagogia da vida.
Conforme disse Santo Agostinho (comentando o que escreveu São Paulo em sua epístola aos Romanos,cap.8, vs.28) : Etiam peccata! .

[O "post" de amanhã deverá sair com algum atraso].





posted by ruy at 1:07 da manhã

17.11.03

 

Tolerância.


Vamos começar por aqui: se a tolerância fosse a maior virtude, as casas de prostituição não seriam tradicionalmente chamadas de “casas de tolerância” .

Ora, é bem verdade que o apóstolo São Paulo no capítulo 13 de sua epístola aos Coríntios escreve aquelas palavras de que nós todos nos lembramos – citadas até por leitores não-cristãos da Bíblia, os quais costumam ouvir cantar o galo mas não sabem onde:

A caridade é paciente, é benigna.A caridade não é invejosa; não é temerária, nem se ensoberbece.Não é ambiciosa, nem busca seus próprios interesses.Não se irrita; não suspeita mal.Não folga com a injustiça; mas se alegra com a verdade.Tudo tolera. Tudo crê.Tudo espera. Tudo sofre.

Pois é, o mesmo São Paulo que escreveu tais palavras é o mesmo pregador zeloso que por diversas vezes (inclusive nessa mesma carta aos Coríntios) fala contra o pecado da fornicação, elogia a castidade e aponta o celibato como um estado de vida desejável entre os cristãos.

Sinto ter que voltar ao assunto, mas continuam a aparecer na televisão os conselheiros tipo “amigos de Jó” deitando falação sobre o tema, e isso me faz escrever a respeito do caso doloroso dos jovens assassinados em um lugar ermo do interior paulista. Tudo começa com a tolerância moderna em relação ao convívio dos rapazes e das moças, adolescentes ou recém saídos da adolescência.

Tolera-se tudo: calorosos carinhos em público; beijos demorados sem o menor constrangimento diante das pessoas próximas (nem mesmo o sagrado interior das igrejas é respeitado); piadas de sentido dúbio ou até mesmo com palavras chulas são contadas descontraidamente na presença da própria família.E a tradicional e romântica palavra “namoro”, que no passado significava uma fase – importante - do relacionamento entre um jovem homem e uma jovem mulher, uma fase dirigida para o conhecimento das qualidades e dos defeitos de cada um, essa palavra foi deturpada, passando a significar a vida em comum de um homem e de uma mulher não casados. Aquilo que no passado se dizia: eles estão “ajuntados". Pergunto: é mentira isso tudo que o Ruy está dizendo?

Em um dos itens do meu “post” de ontem propus ao leitor esta pergunta: acomodação ou santidade ?
O falar sobre deveres em relação a um desejável comportamento moralmente correto, relativo às coisas ligadas ao sexo, pode escorregar fácil para o mais boboca moralismo a menos que tomemos como referência uma autêntica visão religiosa, coisa que certamente não podemos esperar encontrar em um programa da Rede Globo, por exemplo E pior, não podemos encontrar em bispos cuja preocupação principal é a famosa “questão social”, é se fazerem receber em Brasília pelo nosso atual brilhante Presidente.
O’ tempora, o’ mores...

Se todos nós não fizermos já nossa opção pela santidade , acabaremos nos tornando esquecidos cúmplices desses infelizes desvios dos moços, desvios que, mesmo não os levando a acampamentos escondidos e perigosos, levam à perda de algo muito mais importante que a própria vida biológica.
Desculpem o mau jeito.
Ruy Maia Freitas.


Aniversário.


Hoje faz aniversário meu amigo K..., velho companheiro de infância. Esse meu amigo, já faz muitos anos, quando éramos ambos bem moços, fez uma coisa extraordinária:
- esqueceu-se do próprio aniversário!

Que Deus abençoe meu amigo K..., e lhe dê neste dia muita paz, junto de sua mulher, seus filhos e netos !





posted by ruy at 1:01 da manhã

 

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