Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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26.10.03

 
Um perigo generalizado, e talvez bem pouco percebido...


Já faz muitos anos, quando os cabelos do Ruy ainda não tinham começado a embranquecer, certo dia encontrei na rua, por acaso, um senhor da minha cidade natal e a quem fazia muitos anos eu não via. Depois de alguns minutos de animado papo comigo, ele me disse esta frase em tom sentencioso:
-“ Ruy, há três coisa perigosas na vida de um homem: jogo, bebida e mulher!

Como havia certa diferença de idade entre mim e o meu interlocutor, fiquei constrangido e não retruquei; porém, para meus botões eu disse baixinho: “pode ser, mas o perigo maior é a ambição de poder”.

Bem, na época o Ruy estava muito influenciado pelos dramáticos acontecimentos políticos que vinham ocorrendo no Brasil desde aquele fatídico 24 de agosto de 1954, quando um ato tresloucado perturbou de modo catastrófico o modo de julgar das pessoas simples deste país (elas, de repente, começaram a usar mais o coração que a cabeça para analisar os fatos políticos).E já havendo, na mesma época, aprendido, com os bem informados e mais sensatos, o significado do eminente conceito de Bem Comum , eu já sabia o imenso perigo que está por traz da ambição de poder.

Hoje, passados mais de 30 anos daquele encontro com o meu conterrâneo, continuo achando que a ambição de poder seja de fato um enorme perigo. Entretanto, com a chegada dos cabelos brancos veio-me a intuição de que existe um outro perigo, sutil, generalizado, mesmo porque nem todos na sociedade podem ficar em posição sequer de pensar em atingir uma forma ou outra de poder (político, militar, administrativo, eclesiástico,etc).Há uma situação em que qualquer um de nós, ao atingir uma idade mais madura, pode se encontrar: a de ser um bem sucedido . Não necessariamente rico ou poderoso; mas simplesmente: bem sucedido. E por que isso implicaria um latente perigo? Vejamos o porquê.

Todos nós temos nossa escala de valores, temos nossas matrizes de comportamento, nossas crenças. Pois bem, suponhamos uma pessoa que chegue a ser muito bem sucedida na vida. Pergunto : como vai ela, em princípio, admitir, aceitar a hipótese de que suas idéias, seu modo de analisar o mundo e a vida sejam errados ? Na maioria das vezes, provavelmente essa pessoa pensará isto: “comigo deu tudo certo; então, por que eu deveria estar errado?”

Entretanto, no Evangelho, o Senhor nos adverte:
- “de que serve ao homem ganhar o mundo se vier a perder a sua alma? ”
Bem, obviamente, os não-cristãos certamente não vão ficar muito preocupados com essa advertência...


O silêncio.


Já faz muitos anos, em minha adolescência, tive um professor de inglês que era um chestertoniano, na forma física e na sabedoria. Naquela época eu nem imaginava quem fosse Chesterton, e acho que também não sabia avaliar a sabedoria do meu velho professor. Guardei de suas aulas algumas frases interessantes, entre elas esta que agora transcrevo sem dizer o nome do autor porque este, infelizmente, esqueci:

“Silence is the perfect herald of joy”.


posted by ruy at 2:20 da manhã

25.10.03

 
Educação.


Em nossos dias é bastante comum a existência de pessoas que, tendo ultrapassado os 60 anos com razoável saúde e com uma situação financeira que lhes propicia certa comodidade, dedicam-se hoje à realização de várias atividades que são conhecidas como “próprias da terceira idade” , a saber: ir regularmente ao teatro (sem importar o tipo /ou a qualidade da peça), participar de excursões mais ou menos animadas (ou agitadas), freqüentar cursos de duração rápida denominados de “atualização cultural”, praticar hidroginástica, aprender a operar com o computador para se distrair na Internet etc.

As pessoas a que me estou referindo em geral fizeram seu curso secundário em uma época distante, quando o ensino era muito mais sério e exigente, razão pela qual sabem tanto conversar com desembaraço, expressando-se de modo claro e bem concatenado, quanto são capazes de redigir em bom português. Resumindo: dentro dos habituais padrões de julgamento na sociedade contemporânea, trata-se de homens e mulheres atualizados e que, com muito garbo, participam do que se entende comumente como: “educação de adultos”.

Ora, bastam cinco ou dez minutos de conversa com essas pessoas para percebermos que, infelizmente , elas se deixaram envolver por um dos habituais modismos de nossa época; uma época cuja cultura laicizada e secularizada propõe aos homens uma vida plena de fazeres cujo somatório prende a tal ponto nossa atenção que acaba sobrando muito pouco tempo para refletirmos na incômoda e inevitável realidade da morte.

Quando o sensato Mortimer Jerome Adler se refere à educação - e, ao fazê-lo, diz muito bem que somente adultos podem se educar -, ele pensa sobretudo no bom uso da inteligência pela pessoa autônoma , isto é, não mais tutelada pela família ou por uma escola seja de que nível for.
Ele vê o processo educativo como um crescimento tríplice: mental, moral e espiritual.
Em termos práticos, demos alguns exemplos.Uma coisa é ir ao teatro porque a peça e os atores são realmente bons; outra coisa é ir ao teatro porque toda gente da “terceira idade” vai. Uma coisa é fazer a leitura sistemática, crítica de um livro que nos obrigue a pensar: outra coisa é ler regularmente os “best-sellers” do momento para não ficar desatualizado.Uma coisa é criticar os fatos da política analisando-os sob uma perspectiva em que o autêntico Bem Comum seja lembrado ou, pelo menos, vislumbrado; outra coisa é ficar apenas repetindo os chavões moralistas e/ou as anedotas que giram em torno das tolices e dos desmandos de nossos políticos.Uma coisa é procurar assistir à missa com o espírito recolhido, atento ao mistério ali celebrado; outra coisa é ir sempre à igreja porque outros idosos – perdão: “terceira idade” - têm o bom costume de ali comparecer.


Os povos do mundo e seus governantes.


Existe um antigo lugar comum que afirma o seguinte: cada povo tem o governo que merece . Está aí uma frase que sempre me incomodou. Por quê? Porque, para mim pelo menos, ela representa uma enorme, uma injusta meia-verdade, decorrente de uma análise superficial da realidade política, uma análise que sistematicamente deixa de considerar a história.

Já escrevi várias vezes neste “blog” – peço desculpas aos que ficarem aborrecidos com essa repetição – que a partir do século XIV o Ocidente veio cada vez mais vivendo sob a nefasta influência do antropocentrismo . Ora, um nos malefícios dessa condição cultural tem sido a onipresença sombria e silenciosa do Estado moderno, percebida apenas por um pequeno grupo de observadores atentos. Junte-se a este fato os atuais laicismo e secularismo e eu pergunto: como podem as pessoas comuns, coitadas, que formam a imensa maioria das populações, se libertarem do jugo desse monstro frio e voraz que é o Estado moderno?
E note bem amigo leitor: não estou me referindo apenas aos regimes onde não existem eleições livres.




posted by ruy at 10:48 da manhã

24.10.03

 

Três possíveis atitudes diante da política internacional.


Há muitos anos convivo carinhosamente com o tema do “post” de hoje, já tendo escrito sobre o assunto, já faz muito tempo, um artigo de algumas páginas. Para mim pelo menos, é um tema de enorme relevância, apesar do fato de muitos homens, já maduros e de bom nível de escolaridade, ficarem ao largo, sem jamais pararem para refletir sobre os pontos que em seguida vou abordar.


Diante da política internacional, creio que somente três atitudes sejam possíveis, a saber:
- a do nacionalista, a do internacionalista e a do patriota. Um leitor meio ou bastante gaiato poderia acrescentar: a posição do “oportunista”, aquele que não está disposto a se definir, preferindo ficar sobre o muro, observando de que lado sopra o vento, para não perder seu conforto e sua segurança, uma atitude bem compreensível em um mundo onde vai ficando cada vez mais difícil achar a virtude da coragem (e, por favor, não me falem sobre os alpinistas ou os navegadores solitários em alto mar ; estou falando na coragem moral ).

O nacionalista é alguém que ama, e ama com muito amor, o país em que nasceu. Deseja que sua terra progrida, que seus compatriotas tenham uma vida feliz, sem miséria, sem problemas de saúde, de escolaridade e de habitação. Deseja ainda que as Forças Armadas de seu país sejam formadas por combatentes bem treinados, bem equipados em armamento, e habilidosos no uso dos diversos tipos de materiais usados na guerra moderna. Gosta quando o time de futebol de seu país ganha o campeonato mundial, ou quando um cientista que ali nasceu e ali trabalhou consegue merecida reputação entre os sábios dos demais países.
Bem, em paralelo com esses desejos e gostos, o nacionalista sente uma alegria muito grande quando um outro país - que ele julga rival e potencial inimigo do seu – fracassa, sofre uma agressão, justa ou injusta, passa por um sério problema financeiro. Acha, o nacionalista, que qualquer acordo, não importa com qual país seja feito, que possa trazer materiais benefícios para o seu próprio país é perfeitamente legítimo, não cabendo fazer nenhuma crítica. Vale tudo para obter o desenvolvimento de sua terra. E mais: tem sempre os olhos complacentes para os defeitos de seu povo e sempre procura ressaltar os defeitos dos outros povos, aliás sempre potenciais inimigos e, por isso mesmo, devendo ser vistos com sagaz desconfiança.

O internacionalista, com justo motivo aborrecido com tantas e sangrentas guerras que têm trazido pavorosos sofrimentos para a maioria das populações do planeta, acredita piamente que a única solução para evitarmos em um futuro, a média ou longa distância, a ocorrência de semelhantes desgraças, seria adotarmos na Terra um governo mundial, constituído por um colegiado de homens cultos, honestos desprendidos, uma equipe sempre pronta a cuidar da produção e distribuição de alimentos para que não haja mais a tenebrosa fome endêmica em lugar nenhum. E cuidando também, com muito carinho, para que a população do planeta não cresça perigosamente e, assim, venha atrapalhar esse generoso regime do “tudo para todos”. Pensa o internacionalista: “por que não tornar livre, por exemplo, o aborto? Quanta economia poderia ser feita, sobrando mais comida, por exemplo, para as criancinhas da África”(é mais fácil ter pena da criança distante, genérica, sem nome, do que do pobre feto humano, indefeso no ventre de alguma senhora muito próxima de nós) .
A velha ONU, tão maldosamente xingada por certos nacionalistas exaltados, poderia, quem sabe?, ser o embrião desse tão sonhado bondoso governo apátrida.
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Por fim, vamos ao patriota.
O patriota é alguém que ama, e ama com muito amor, o país em que nasceu. Deseja que sua terra progrida, que seus compatriotas tenham uma vida feliz, sem miséria, sem problemas de saúde, de escolaridade e de habitação. Deseja ainda que as Forças Armadas de seu país sejam formadas por combatentes bem treinados, bem equipados em armamento, e habilidosos no uso dos diversos tipos de materiais usados na guerra moderna. Gosta quando o time de futebol de seu país ganha o campeonato mundial, ou quando um cientista que ali nasceu e ali trabalhou consegue merecida reputação entre os sábios dos demais países.

Se o leitor prestou bem atenção, viu que o trecho anterior é igualzinho, letra por letra, ao trecho inicial do que escrevemos mais acima sobre o nacionalista. Entretanto, agora começam as diferenças. O patriota é alguém que, além de amar a sua pátria, compreende perfeitamente que outros povos possam – e devam – amar suas respectivas pátrias. Sabe, o patriota, que um campeonato mundial de futebol não deve ser pretexto mesquinho é fútil para agredir, no gramado ou fora dele, o jogador de um país adversário. Sabe que a guerra é sempre uma crueldade a evitar, mas, nem por isso justifica-se o pacifismo desfibrado e covarde. Sabe que existem acordos internacionais que não devem ser feitos porquanto, ainda que tragam vantagens para o nosso país, ao mesmo tempo podem prestigiar governos injustos em outras pátrias, cooperando desse modo com a manutenção da referida injustiça. Sabe que o conceito de pátria está inserido na Lei Natural. Sabe que não é lícito, não é moralmente certo dizer, por exemplo, isto: “Bem feito, castigo para os americanos aquele atentado dos fanáticos que usaram aviões de passageiros para destruir as duas torres”. E vai por aí.

Bem, para resumir vou logo ao ponto. Vai ficando cada vez mais difícil encontrar na sociedade humana a desejável figura do patriota . Em uma cultura que se tornou antropocêntrica, os fundamentos, as condições necessárias para que exista um amor verdadeiro – entre pessoas e entre nações - vão ficando cada vez mais ignorados ou esquecidos. E isso, meus amigos, é muitíssimo triste...

Perdoem-me o longo tamanho deste “post” .


posted by ruy at 3:40 da manhã

23.10.03

 
Aprendendo com Chesterton.

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[ A idéia deste “post” veio após a leitura da mensagem de uma pessoa muito amiga do “blog” Despoina Damale. Obrigado, A.M. ! ]

Todos que têm conhecimento da vida e da obra de Gilbert Keith Chesterton estão cansados de saber que o brilhante ensaísta inglês não foi um filósofo. Talvez nem tenha sido o que se costuma chamar de: “um grande pensador”. Aliás, é bem provável que Chesterton fizesse uma careta, ou aprontasse alguma brincadeira irreverente se alguém se atrevesse a designá-lo desse modo. Filósofos foram com toda a certeza: Descartes, Kant e Hegel, por exemplo. E os bem informados sabem muito bem quantos erros estes três “grandes pensadores” cometeram e, tendo-os cometido, como se tornaram responsáveis pela terrível bagunça da cultura ocidental moderna.

Esta introdução pretende alertar o leitor para algo que deveria ser óbvio, a saber : ainda que etimologicamente filósofo queira dizer “o amigo da sabedoria” , nem sempre tais amigos estão muito próximos de sua amiga.

Faz alguns dias, meu amigo e leitor M., referindo-se à atual conjuntura da Igreja (embora essencialmente ligada ao Eterno, ela vive no tempo) dizia muito bem: “o que está ocorrendo com a Igreja não é uma crise ; é uma provação ”. Como bom católico, M. sabe distinguir uma coisa da outra. Mas, para os que não entendem o mistério da Igreja – – ela seria uma instituição simplesmente humana como as demais existentes no mundo e, nesse caso, sujeita a crises, mais ou menos graves, mais ou menos demoradas. [Coloquei a palavra mistério em itálico para lembrar ao leitor não acostumado com a sutileza que se trata do sentido ontológico do termo, e não o convencional, dos romances policiais ou dos esoterismos tão em moda ] .

Bem, até aqui menos mal. Entretanto, infelizmente existem certos críticos que vão além dessa equiparação incabível.Não satisfeitos com isso, eles declaram, com uma tranqüilidade olímpica, a morte da Igreja: “a Igreja morreu”. Neste momento vale a pena ouvir a opinião do grande Chesterton, grande no tamanho físico e grande na sabedoria. Vejamos:

"(...)A Igreja parecia velha na época, como parece agora; e alguns até pensavam que ela estava morrendo, como muitos pensam hoje. Na verdade, a ortodoxia não estava morta, mas talvez tivesse perdido a eficácia; alguns começavam até a considerá-la ineficaz. Os trovadores do movimento provençal já se orientavam, ou desviavam, para as fantasias orientais e para o paradoxo do pessimismo, que sempre chegam aos europeus como algo novo quando sua própria sanidade parece deteriorada. É bem provável que, transcorridos todos estes séculos de desalentadora guerra externa e de rigoroso ascetismo interno, a ortodoxia oficial parecesse deteriorada. O frescor e a liberdade dos primeiros cristãos pareciam, então como agora, uma Idade de Ouro perdida e quase pré-histórica. Roma ainda era mais racional do que qualquer outra coisa; A Igreja era mesmo a mais sábia, porém é provável que tenha se mostrado mais desgastada. A metafísica incoerente que se disseminara a partir da Ásia talvez parecesse então algo mais audacioso e atraente. Sonhos se acumulavam como nuvens negras sobre o sul da França para se precipitar como numa tempestade de maldições e de guerra civil. Só havia luz na grande planície ao redor de Roma, mas a luz era fraca e a planície achatada; e nada movia o ar parado e o silêncio imemorial ao redor da cidade sagrada."

O trecho acima transcrito pertence à biografia de São Francisco de Assis, escrita por Chesterton, com aquele seu estilo cheio de autêntica beleza (“a irmã gêmea da Verdade”, conforme muito bem escreveu Olavo Bilac ), e o que é mais importante : com as suas idéias cheias de sabedoria.
Embora G.K.C. esteja descrevendo um cenário do século XIII, um leitor bem atento consegue ver que, “mutatis mutandis ” , o texto pode ser aplicado perfeitamente aos nossos dias.


O que é ser cristão ?


Infelizmente há muitas pessoas que ainda pensam que ser cristão seja simplesmente ter honestidade, bom comportamento, espírito crítico em relação aos diversos tipos de erros que nos rodeiam etc. Muitos políticos acham que a “função” da Igreja seja exatamente esta: gerar bons cidadãos para a sociedade. Ora, na missa de hoje (23/out) é citado um trecho do evangelho segundo São Lucas, capítulo 12, versículos 49 a 53, em que lemos as seguintes palavras do Cristo:

Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso? Mas devo ser batizado num batismo; e quanto anseio até que ele se cumpra !
Julgais que vim trazer a paz à terra ? Não, digo-vos, mas separação. Pois de ora em diante haverá numa mesma casa cinco pessoas divididas, três contra duas e duas contra três; estarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra.


Obviamente, o Senhor não está operando pessoalmente essa divisão, Ele não deseja a divisão.Porém, Ele é a causa disso. Diante d’Ele temos que fazer nossa escolha. E isto é o que está fazendo mais falta em nossos dias !


posted by ruy at 2:57 da manhã

22.10.03

 
Uma digressão em torno de Santa Terezinha.


Este “post” foi inspirado por um texto a mim enviado anteontem, via Internet, por um amigo leitor deste “blog” (muito obrigado, amigo A...!).Um texto cujo assunto nada tem a ver com aquela santa e que foi redigido por alguém que muito provavelmente pouco está se incomodando com a existência dos santos, ainda mais sabendo ele que tais pessoas, os santos, assim foram “catalogados” por uma instituição pela qual o mesmo autor talvez não tenha muito apreço.

Quando Therèze Martin, cujo nome religioso era Tereza do Menino Jesus e da Sagrada Face, morreu em seu convento carmelita de Lisieux, uma das freiras fez este comentário:
- “ esta não vai deixar história”. Este comentário nos mostra que até mesmo um católico pode estar eventualmente alheio a certas realidades que exigem um outro tipo de olhar, um modo de ver que vá muito além das aparências.

Não pretendo neste “post” dar aos leitores muitas informações sobre Santa Terezinha, mesmo porque não conheço bem sua maravilhosa biografia. Mas vale a pena lembrar neste instante pelo menos dois fatos conexos à “petite Therèze “.O primeiro diz respeito à milagrosa conversão de um condenado à morte, o criminoso Pranzini, poucos minutos antes de ser executado, um perverso bandido a quem Tereza se referiu dizendo que ele havia dado em vida :“ quelques mauvais pas...” (o julgamento feito pelos santos é muito diferente do nosso...)

O outro fato corresponde ao “papel”, digamos assim, desempenhado por Santa Terezinha na Igreja: padroeira das missões. Este é um dos muitos paradoxos da instituição que incomoda os espíritos cartesianos a quem, infelizmente, falta um pouco de senso poético – aquele que transbordava em Chesterton – para enxergar certas realidades. O interessante é isto mesmo: que uma freirinha que viveu, dos 13 aos 24 anos de idade, enclausurada em um convento seja invocada como auxílio aos homens e mulheres que se espalham pelo mundo, numa vida bastante ativa, para difundir o cristianismo.

E agora façamos o enlace com o assunto que motivou este “post”.
Todo leitor bem informado está sabendo - graças ao trabalho constante de vários escritores, jornalistas, internautas e outros mais – sabendo que nosso país está passando por uma fase extremamente preocupante, ou pelo menos preocupante para as pessoas que não desejam viver em regime de “colégio interno”, e/ou não desejam tal tipo de vida para seus filhos e netos. Ora, existe uma pletora de alarmes, diários ou periódicos, que vem sendo dados com a melhor das intenções sem dúvida alguma, porém que estão nos conduzindo a um paroxismo, a um medo pânico diante das sombrias perspectivas que se esboçam no horizonte político de nossa Pátria.Não passa um dia sequer sem que circulem pela Internet mensagens aterrorizantes. Surge, portanto, a pergunta bem pragmática : o que devemos fazer ? Xingar de tudo quanto é jeito a cambada que se apossou do poder ? Estimular um movimento de revolta nacional ? O que nos sugerem as teimosas e repetitivas Cassandras que todos já conhecemos muito bem por meio da leitura dos jornais e do acesso à Internet ?
E agora, lembrando aquela famosa historieta do ratinho palpiteiro, caberia perguntarmos: “quem vai pendurar a sineta no pescoço da gato? ”

Este “blog” é lido comumente por leitores católicos. Meus poucos e bons amigos, diante de tantas ameaças à nossa liberdade, diante desse quadro político tão sombrio, quem sabe se não esteja mesmo na hora de pedirmos – e pedirmos em oração continuada e fervorosa - que Deus nos proteja. Que a padroeira do Brasil, a Senhora Aparecida, nos ajude a ficarmos livres. Livres como pessoas , e não livres como bichos aperfeiçoados vivendo em um medíocre regime de “colégio interno”.
E que Santa Terezinha nos ensine a confiarmos no poder da oração !.


posted by ruy at 2:34 da manhã

21.10.03

 
Bem Comum.


Mais uma vez um leitor amigo, desta vez o R. P., me envia uma cordial mensagem e, sem querer, traz uma oportuníssima “munição” (com perdão dos pacifistas...) para este “blog”. No “post” de ontem, fiz referência à expressão : Bem Comum , que de vez em quando é usada por um ou outro político, por um ou outro jornalista, mas que, infelizmente, muita gente já não sabe mais definir. Entretanto, houve um tempo, de saudosa memória, neste país, em que muitos conheciam o significado de tão relevante conceito. O atual generalizado desconhecimento dele é bem uma amostra da sombria depressão cultural em que vivemos...Vou, pois , transcrever um trecho da mensagem de R. P. em que podemos ler a definição de Bem Comum :

Bem Comum- definição.
Quanto ao Bem Comum, ninguém sabe mais o que é isso -- nem o pessoal que é católico "de verdade". Parece que ninguém consegue enxergar a profundidade da definição do santo padre João XXIII: "o conjunto de condições que permitem e favorecem o desenvolvimento integral da pessoa humana." Dirigindo-se ao desenvolvimento integral da pessoa humana, o Bem Comum não diz respeito somente aos bens do corpo, mas principalmente à vida do espírito, pela qual o homem é especificamente homem. Ou seja, o Bem Comum é aquele conjunto de condições que permitem e favorecem que as pessoas levem uma vida de virtude e sabedoria, que possam cultivar a vida do espírito até a excelência, isto é, a santidade. Infelizmente, a "atual conjuntura" nos obriga mais à urgente denúncia dos abusos concretos que estão ocorrendo, do que à reflexão sobre os princípios do direito público cristão, ainda que esta exceda incomparavelmente em importância.


Leitor amigo, releia, por favor, com a máxima atenção, o trecho em itálico acima transcrito.A definição está perfeita !
Um detalhe muito importante: note, leitor, que tal definição pouco interessa aos diversos tipos de socialistas, dos mais brandos aos mais empedernidos, seja nas ditaduras bem conhecidas, seja na mui democrática Suécia, porquanto, para esse pessoal da Esquerda, o ser humano precisa apenas ter a barriga suficientemente cheia, escolaridade razoável e saúde boa para trabalhar e atender ao que a sociedade necessita. Para esses eternos sonhadores do tal “mundo melhor”, “Bem Comum” (entre aspas) significaria apenas a soma dos bens individuais dos homens que integram a sociedade humana. É um bem telúrico, onde a Esperança está ausente.


Um adendo conexo ao “post” de ontem.


Ontem eu me referi à Igreja, obviamente a católica. Ora, a definição de Bem Comum acima apresentada é a que foi divulgada pelo papa João XXIII. Porém, aquele pontífice a rigor não inventou moda. Ele foi colher no distante passado, na melhor tradição que remonta a Santo Tomás de Aquino e outros pensadores ligados à chamada Filosofia Perene, as notas que dão consistência ao notável conceito. Que pensem bastante nisso aquelas pessoas que têm preconceitos - e pior - e os divulgam contra nossa Mãe e Mestra !

E muito obrigado, meu caro R.P. !


posted by ruy at 2:23 da manhã

20.10.03

 

Vamos logo ao ponto !


Peço que me desculpem, mas vou dizer o que há muito está entalado na minha garganta.

Sem dúvida alguma, é lícito, é justo e necessário que haja da parte de muitos cristãos, a começar pelos católicos, um permanente trabalho de vigilância e censura em relação a vários fatos que estão ocorrendo em nosso país. Nesses fatos incluímos, primeiramente, certos atentados contra a Lei Natural - aquela que Deus gravou no coração do homem-, tais como: a defesa aberta dos chamados "direitos" dos homossexuais e a impiedosa defesa do infanticídio (mais conhecido como "aborto"); e, além desses atentados, os irritantes erros políticos que vêm sendo cometidos pelos homens que chegaram ao poder, sejam os erros tolos e públicos cometidos pelo Presidente de direito, sejam os erros perigosos e camuflados que se ocultam nas manhosas manobras do Presidente de fato, aquele que, faz pouco tempo, abraçou chorando o "ditador mais longevo do planeta".


Repito: é lícito, é justo e necessário desancar todos esses desvios da normalidade e esses ataques ao Bem Comum (aliás, pergunto: quem hoje em dia sabe definir corretamente o que seja isso: Bem Comum ?). Porém, para mim, Ruy Maia Freitas, as coisas só vão melhorar no dia em que os bispos (entenda-se: os católicos ; os outros "bispos" são uns exploradores da ignorância generalizada das pessoas simples, ignorância essa conseqüente da decadência cultural no Brasil ), no dia em que os bispos orientarem - com bastante coragem - seus padres para que digam, com todos os ff's e rr's , aos católicos o seguinte:
- o cristão precisa ser SANTO, e não simplesmente ser alguém honesto, bonzinho e simpático para os outros, piedoso, bem comportado, e coisas desse tipo. Usando a frase medieval para resumir a desejável orientação dos pastores (e lembrando, a palavra bispo quer dizer : pastor) : Dieu premier servi ! "


O problema - muitíssimo mais sério do que todos esses continuamente abordados, nos jornais, na Internet etc. por pessoas (católicas ou não) que escrevem com as melhores intenções - é a dificuldade de achar um (um só!) bispo que tenha peito para sair da rotina, do lugar comum, e botar a boca no trombone, dizendo claramente :
- VAMOS TODOS SER SANTOS !
Chega de querer agradar os acomodados.


A Igreja.


Para mim, Ruy Maia Freitas, a Igreja é minha Mãe. Ora, qualquer pessoa normal não gosta que falem mal de sua mãe, que digam, por exemplo, que nossa mãe morreu quando, de fato, ela está bem viva !

O Evangelho é duma clareza meridiana:
" As portas do Inferno não prevalecerão contra ela"
Quem disse isto foi a própria Sabedoria encarnada, o Cristo, Nosso Senhor, a quem devemos amorosa obediência.
Por favor: RESPEITEM MINHA MÃE !
E é só por hoje.





posted by ruy at 8:59 da manhã

 

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