Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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19.10.03

 
Abrindo uma gaveta antiga e uma outra nova.



Adeus ao Halley em 1986.


Agora, pequenina e quase sem brilho,
tua passagem foi discreta,
cumprindo, sem qualquer espalhafato,
a lei elíptica de tua trajetória.

Vejo, no teu distante silêncio,
o contraste com a ruidosa publicidade,
que em torno de ti fizeram,
tão incapaz de propiciar,
ao nosso pobre coração cansado,
as reflexões necessárias.


Modernidades...


De repente, a tatuagem lombar,
grosseira e feia, surge à nossa frente,
quando um torso se inclina e a blusa sobe.
Antigamente,
somente as vacas eram assim marcadas.

Já vai longe o tempo do recato,
em que a mulher guardava o seu mistério,
e o próprio corpo tinha poesia.


Olhar e Ver.


Os olhos, abertos,
nem sempre conseguem ver
o que está bem perto.


Reflexões para este Domingo.


Podemos listar vários pontos que deveriam ser fundamentais em nossa vida, mas infelizmente nós nos distraímos e nos esquecemos deles.Vejamos alguns:
I)- a distinção entre o bom e necessário amor de si próprio, em espírito de verdadeira Caridade, e o amor-próprio, fonte de tantos desencontros e maldades;
II)- a imperiosa necessidade da alegria, aquela que tenha origem na Fé e na Esperança, a alegria de saber que existimos como criaturas de Deus, e fomos por Ele redimidas;
III) - Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e o resto vos será dado por acréscimo”.
Bem, e o que geralmente nós procuramos em primeiro lugar ? Conforto ? Segurança ? “Status” ? Prestígio junto aos poderosos ?












posted by ruy at 6:24 da manhã

18.10.03

 
Tristeza ...


Pois é, anteontem fiquei muito triste. Não, leitor, não foi por causa de um desses fatos que vêm sendo diariamente divulgados pelos diferentes canais da mídia, neles incluída a Internet. Fatos da política nacional ou internacional; fatos do cotidiano aos quais as televisões – a Globo na frente – gostam de se referir chamando-os pelo nome genérico, indefinido e covarde de violência ... Por que não usar a palavra correta : “crime” ?

Então, qual foi a causa da minha tristeza ? Respondo explicando.
Existe neste país um jovem universitário de quem posso afirmar e assinar em baixo o seguinte: é um moço bom, incapaz de fazer mal aos outros, inteligente, de ótima cultura, sensível, dotado de nítida vocação literária em prosa e verso, e que um dia, acordando inspirado, resolveu montar um “site”. Um “site” que fosse aberto a outros moços, universitários como ele ou ainda estudantes nos cursos preparatórios para o vestibular, porém todos com pendor para o ofício de escrever, de redigir ensaios, contos, poemas, e vai por aí. Um “site” limpo, isto é, sem agressividades, sem arrogâncias, sem o uso irrefletido, emocional da linguagem chula, estilos estes infelizmente existentes em alguns pseudo-aprendizes das letras que vagueiam pela “web”.A partir daquela matinal inspiração, o moço poeta lançou o Viramundos .Para quem ainda não andou por ali, aqui está o endereço “do “site” : www.osviramundos.hpg.ig.com.br .

Durante vários meses o Viramundos veio sendo editado pelo seu criador, acolhendo a colaboração generosa e amiga de vários jovens autores, de ambos os sexos, e com o seu Fórum sempre pronto para receber tanto o elogio quanto a crítica dos eventuais leitores. Ora, faz dois dias, Luís António, o Editor (como ele é conhecido pelos demais Viramundos), fez uma comunicação melancólica: a de que, infelizmente,“seu palco (referindo-se especificamente ao seu trabalho de editoria do “site” ) teria que ser fechado”.

Bem, agora vou dizer por que fiquei triste. Esse sumário e melancólico desabafo do Editor veio como conseqüência de uma desconfortável realidade moderna que muitos espíritos superficiais acham “linda de morrer”, qual seja: a bem conhecida: “struggle for life”, essa desumana maneira de existir que os medievais desconheciam. Por causa dessa circunstância, o Editor não está conseguindo mais tempo e nem tranqüilidade para gerir, como gostaria, o seu estimado “site”.

Para aqueles que só acham importante, em termos de atividade intelectual, a realização de uma permanente e vigilante (e justa, sem dúvida alguma) censura dos desmandos dos políticos - sobretudo das ações solertes dos políticos esquerdistas - pode parecer que este nosso “post” de hoje seja pura pieguice. Pois bem, meus bravos cruzados da boa doutrina política, vou lhes dizer o seguinte: pobre mundo ocidental moderno este nosso, em que os moços poetas - premidos por aquela que E.F.Schumacher denominou de: “a louca disparada prá frente” - não estão tendo mais tempo para sonhar !
E foi por isso, meus amigos leitores, que fiquei triste...


Um poema do Editor do Viramundos.


SERENO.

Um dia tranqüilo,
em que até as árvores hibernam.
Quando as maiores angústias rumaram para o sul
e o seu coração de tão leve flutua
no peito;
o maior incidente foi a chaleira
cabriolando doidamente no fogão
(a água insiste em agitar-se).
Vê-se muito e pouco ao mesmo tempo,
os olhos pousam em qualquer lugar:
na beleza pura do silêncio,
na serenidade do segundo beijo...

(Luís Antonio Miscow)



Se Deus quiser, logo o Editor voltará a escrever, para a alegria de todos nós !





posted by ruy at 3:18 da manhã

17.10.03

 
Haja paciência !


[Receio que este “post” vai ser longo, mas é o jeito...E vou editá-lo constrangido, tolhido, porquanto não fica bem dizer em público certas expressões de desagrado. ]

Bem, começo transcrevendo “ipsis litteris” a notícia dada ontem pela Internet. Vejamos:

A Polícia Militar de Lorena (188 km de SP) localizou os corpos de dois romeiros mortos a pauladas. De acordo com a Polícia Civil, um dos homens ficou com o rosto desfigurado devido a violência dos golpes desferidos na cabeça das vítimas.
Os cadáveres estavam na passagem férrea de um viaduto na altura do km 79 da rodovia BR-459, que liga Lorena a Itajubá (MG).


Uma das vítimas era Joaquim dos Reis, 38, de Minas Gerais. O outro romeiro não foi identificado. De acordo com a polícia, os homens estavam sem documentos e carregavam lembranças de Nossa Senhora Aparecida.

Bíblia e documentos.
Segundo o delegado titular de Lorena, Wilson Stevam de Morais, os dois devem ter pernoitado no local para seguir viagem durante o dia.
Segundo Morais, eles estariam fazendo o caminho de retorno para a cidade de origem a pé, pois Reis portava um boletim de ocorrência de extravio de documentos feito no posto policial do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.
Segundo a polícia, havia uma Bíblia e imagens da padroeira na bolsa dos romeiros. Eles carregavam também material para confeccionar bijuterias e miçangas nas mochilas.


Também foram localizadas pela polícia duas passagens rodoviárias de Itajubá (MG) para Lorena, do dia dois deste mês, e outras duas passagens entre Lorena e Aparecida, do dia 13.
A arma usada no crime, um pedaço de madeira, foi encontrada pela polícia ao lado dos corpos.


Sociedade.
De acordo com o padre Joércio Gonçalves, do Santuário Nacional de Aparecida, o crime retrata a estrutura em que se encontra a sociedade brasileira.
"O romeiro vem para cá sem malícia. O romeiro vem atrás de vida e não de morte", afirmou o religioso, comentando que não soube de casos do tipo em anos anteriores.
Segundo Gonçalves, o ato demonstra o grau de violência que atingiu o país. "O romeiro vem pedir uma ajuda para Nossa Senhora Aparecida e acaba encontrando a morte. Isso é um fato lamentável. A vida não é valorizada na sociedade de hoje. Isso se deve ao desespero provocado pela miséria e pela fome", disse o padre.


De acordo com o santuário, a expectativa de visitantes para o próximo final de semana é de cerca de 170 mil pessoas. Como choveu na região na véspera do feriado, muitos romeiros deixaram de visitar a basílica e deverão optar por ir ao local agora.

E agora, amigos leitores, alguns comentários meus.
Atenho-me à atitude do tal padre citado, para mim alguém que talvez não saiba mesmo o que seja realmente ser padre.

“O romeiro vem para cá sem malícia”.
Como é que ele acha que o romeiro deveria ir à Aparecida ? com malícia? Portanto : frase no mínimo imprópria;
“ A vida não é valorizada na sociedade de hoje. Isso se deve ao desespero provocado pela miséria e pela fome” .
Pois é, se o padre queria falar mesmo na desvalorização da vida na sociedade de hoje, perdeu ótima oportunidade ao deixar de condenar, de público, o aborto, o infanticídio, que é defendido até por pessoas que se dizem católicas, inclusive uma freira. Por que essa referência à “miséria e à fome” ? Estaria querendo apoiar a campanha lançada pelo atual Presidente ? Mas, se de fato está interessado nisso, esqueceu-se de ter afirmado, pouco antes, que “em anos anteriores não soube de casos do mesmo tipo”. Ora, anos anteriores, padre, são os anos antes de Lula !

Para não perder tempo vamos ao ponto básico: parece-me que o padre estava mesmo satisfeito com a oportunidade de dar entrevista aos homens da mídia. Não se percebe, na conversa dele com os velhos urubus da desgraça alheia, uma posição, digamos assim, mais religiosa , a ponto de, em certo trecho da notícia, o jornalista escrever: “Segundo Gonçalves”, isto é, para os entrevistadores pouca ou nenhuma diferença existe entre um leigo e um homem que – a rigor – deveria inspirar maior respeito: um PADRE, um homem consagrado a Deus !

Eu ficaria muito contente se, em vez de se comportar como menino satisfeito em aparecer, o sacerdote tivesse convidado os jornalistas a fazerem, junto com ele, uma prece pela alma dos dois humildes romeiros cuja vida foi estupidamente tirada por alguém que nem sabe mais qual seja o quinto mandamento. Mesmo porque os homens que nos deveriam estar ensinando e explicando todos os dez, infelizmente, parecem estar mais interessados, mais preocupados em resolver os famosos “problemas sociais” do Brasil.

Padre, não vou negar que existam em nossa Pátria injustiças sociais. Mas, existe uma injustiça muitíssimo maior e generalizada – e pior: despercebida – que há muito tempo vem ocorrendo em todos os grupamentos humanos deste país, começando pelas nossas famílias, a saber: a injustiça de não darmos a absoluta precedência ao Nosso Pai que está no Céu. O senhor, padre, já teria pensado nisso ?


posted by ruy at 3:50 da manhã

16.10.03

 
Um assunto puxa o outro !


Pois é, o “post” de ontem e mais dois fatos (tendo um deles ocorrido neste fim de semana com uma pessoa muito amiga) fizeram com que eu fosse levado a escrever sobre o tema de hoje. Tomara que o leitor entenda e, mais que isso, seja convencido da verdade que estiver – assim espero - nas palavras que se seguem.

Ensinam-nos os entendidos que a oração pode ser, em geral, classificada em dois tipos gerais: a oração de louvor e a prece, ou oração de pedido. Dom Lourenço de Almeida Prado OSB, naquele estilo bem típico dele – simples, tranqüilo, cheio de sabedoria – diz ainda que mesmo na prece, que em si mesma pareceria menos “nobre” que a oração de louvor, este está discretamente presente já que, ao apresentar a Deus os nossos pedidos, estamos reconhecendo n’Ele o doador de todo os bens. Estamos louvando-O indiretamente. Poderíamos ainda incluir a oração de agradecimento na esfera do louvor.

Pois bem, sem a menor dúvida, a oração mais comum na vida dos cristãos, aí incluídos nós católicos, é a prece. Aliás, o termo “prece” é de uso muito comum entre nossos irmãos separados, que aqui no Brasil gostam de ser chamados “evangélicos”. Milhões de batizados, no mundo inteiro, diariamente dirigem suas preces, suas orações de pedido ao Pai das Luzes. Pedindo o quê ?

Vamos tentar fazer uma pequena lista da matéria constante dos habituais pedidos:
- saúde para alguém da família que esteja bem doente, muitas vezes com doença grave e mortal;
- boa sorte para alguém em certa intervenção cirúrgica a que vai ser submetido, ainda que não seja das mais arriscadas;
- bom desempenho, próprio ou de um parente bem próximo, em alguma prova, de vestibular ou em concurso público;
- colocação em um trabalho para algum chefe de família, em geral moço, que esteja desempregado;
- um recurso financeiro extraordinário para pagar a mensalidade atrasada da casa própria ;
- feliz viagem para quem parte para muito longe, em geral viajando de avião ou em um desconfortável ônibus;
- paz e reconciliação para um casal brigado, em que o marido seja filho ou a mulher seja filha de quem está fazendo a prece;
- bom parto para uma jovem mãe, mormente se for seu primeiro filho.
Não vamos, sem necessidade, aumentar a lista. Ela está de bom tamanho. O importante, neste exato instante, é afirmar isto: somente um grande fariseu diria que tais pedidos não são legítimos! Entretanto...

Releia a lista, por favor, amigo leitor. Note que não está ali, nem no último lugar, um pedido semelhante a um destes:
- que o nosso parente ou nosso amigo X..., homem de pouca ou nenhuma crença, se converta à fé cristã;
- que um dos moços (ou moças) da nossa família seja atraído(a) pela vocação religiosa;
- que o Santo Padre, o Papa João Paulo II, conseguindo suportar o cansaço imposto pela idade e pela doença, mantenha-se firme na Esperança, aquela com É maiúsculo, a mesma em que cada um de nós deve querer se manter (aliás, hoje nosso Papa comemora 25 anos de pontificado, isto é. de seu ofício de fazer a ponte entre o nosso mundo e a Eternidade).
Lembremos, de passagem, que - conforme predissera Santo Ambrósio – foram as constantes lágrimas e persistentes orações de Mônica que conseguiram para seu filho Agostinho a graça da conversão.


Uma oportuníssima reflexão de Santo Agostinho.
[tirada do “site” católico americano www.ewtn.com ]

Now there is a great difference between believing in Christ, and in believing that Jesus is the Christ. For that he was the Christ even the devils believed; but he believes in Christ who both loves Christ, and hopes in Christ.
St. Augustine


Dia 16 de outubro, dia de Santa Edwiges.
Padroeira dos endividados, rogai por nós !


posted by ruy at 3:28 da manhã

15.10.03

 
Voltando a Santo Agostinho.

.
Os leitores mais assíduos devem ter percebido neste “blog”, nestes últimos dias, algumas referências feitas a Santo Agostinho, o grande Doutor da Igreja. Aliás, aproveito a oportunidade para agradecer de público (pessoalmente eu já o havia feito) o presente de meu amigo M....: um livro com uma bela tradução da Homilia do santo bispo de Hipona sobre o Sermão da Montanha, aquele trecho do evangelho em que Nosso Senhor nos fala sobre as Bem-aventuranças e os Bem-aventurados (palavra esta erradamente traduzida, em vários folhetos da missa, por: “felizes”).Pois bem, hoje pretendo voltar ao filho de Santa Mônica.

Acredito que vários leitores devem conhecer Paul Johnson, o jornalista e ensaísta inglês, ou pelo menos quase todos devem conhecer o livro dele, em ótima hora traduzido para o português: “ Tempos Modernos – Dos anos 20 aos anos 80 “ .(já vi nas mãos de um aluno uma edição mais recente, em inglês, na qual o período é alongado até os anos 90). Mas, outros dois livros, pelo menos, do mesmo autor já foram editados em nosso idioma. Um deles é o famoso : “Os Intelectuais” , uma obra em que Paul Johnson desanca vários pensadores e escritores, incluindo a permanente coqueluche da Esquerda : Bertold Brecht . O outro, que tive em minhas mãos, mas, não quis comprar, é um ensaio sobre Santo Agostinho.Por que não o quis comprar ?

Chesterton, o ilustre compatriota de Johnson, escreveu sobre a vida e a obra de dois grandes santos da Igreja: São Francisco de Assis e Santo Tomás de Aquino, livros felizmente traduzidos para o português. Acredito que G KC poderia, se quisesse e tivesse tido tempo de vida para isso, ter escrito também sobre Santo Agostinho. E, com toda a certeza , como bom católico que era, procuraria mostrar, para o leitor ignaro no assunto, o que de mais precioso existe na vida e na obra do santo Doutor que baliza, por assim dizer, o começo da Idade Média. E se, ousadamente, tivesse que fazer alguma crítica ao autor das Confissões, creio que nessa tarefa ingrata continuaria mostrando sua admirável condição de autêntico “gentleman”, na melhor tradição britânica ! Ora, ao folhear o livro de Paul Johnson, pude perceber de imediato uma crítica impiedosa que aparecia, deselegantemente, em algumas páginas da obra.Coloquei-a de volta na estante da livraria e saí..

Ignoro se Paul Johnson tem de fato uma grande bagagem em filosofia e teologia. Pode ser até que tenha. Mas, por que essa birra que ele resolveu ter contra alguém a quem nós cristãos tanto devemos ?

Como não devo alongar este “post”, peço vênia ao leitor para frisar apenas uma das centenas e centenas luminosas reflexões deixadas por escrito por Santo Agostinho e que, na minha opinião pelo menos, infelizmente anda muito esquecida, até em ambientes “soi-disant” católicos:

Domine, feciste nos ad Te; e inquietum est cor nostrum donec requiescat in Te.”

Em vernáculo: “ Senhor, fizeste-nos para Ti ; e inquieto estará nosso coração até que descanse em Ti.”

Bem, pode ser que Mr. Johnson não goste muito de ser inquietado...


Santa Teresa d’Ávila.

Hoje, 15 de outubro, é a festa da espanhola atrevida cujo coração sempre esteve inquieto na Esperança única.



posted by ruy at 5:12 da manhã

14.10.03

 

Ampliando uma invocação, para torná-la bem específica.


Hoje, almoçando com dois colegas professores, notei que eles, tal como eu, estão seriamente preocupados com a situação política deste país.

Há um grande jornalista e brilhante pensador - de quem discordo radicalmente em relação a algumas posições que ele vem assumindo – um escritor que, se outros méritos não possuísse, poderia ser apontado como o intelectual brasileiro que mais nos alertou, em livros, palestras e artigos, sobre o perigo traiçoeiro, tenebroso, nefando das idéias de Gramsci, o famoso comunista italiano que, sem dúvida alguma, foi o mais inteligente dos adeptos da teoria de Marx que já existiram, ou de outras idéias dali derivadas.Acho que Olavo de Carvalho é mesmo quem, há pelo menos uns cinco ou seis anos, fez soar bem alto o alarme para despertar os distraídos.

Paradoxalmente, o que há de mais prático no mundo são as idéias. Para o bem ou para o mal, são elas, juntamente com as crenças, que movem as sociedades humanas. Faz alguns dias, em um dos meus “posts”, referi-me às chamadas “envoltórias culturais”, idéia essa que não é de minha criação. Aprendi-a em um livro escrito pelo pensador que foi uma das maiores inteligências do Brasil.Ressalto: não foi dos maiores talentos (conforme alguém escreveu sobre ele), mas, sim, foi uma das mais luminosas inteligências que já tivemos na Terra de Santa Cruz.

Recapitulando o que já escrevi, o ser humano vive cercado por três envoltórias culturais concêntricas. A primeira é que se pode chamar: a telúrica ; liga-se mais à nossa sensibilidade, a saber: nossas tradições populares, crendices, costumes folclóricos, o saudoso apego ao lugar da nossa infância, e coisas desse tipo. A segunda, subindo, é a chamada: política; ela se define pelos diversos relacionamentos que mantemos na sociedade, desde a confortável (em geral) vida familiar até os mais diversos encontros e desencontros na profissão, nas obrigações de cidadão, na política propriamente dita etc. Finalmente, bem mais acima das outras duas camadas, está a esfera que é a principal, já que por ela é que uma civilização é de fato orientada: a esfera das idéias e das crenças.

Lamentavelmente, com o progressivo crescimento do antropocentrismo a partir do século XIV, o Ocidente se perdeu, ou melhor dizendo: perdeu o bom endereço da Casa Paterna. Podemos fazer eco ao escritor Olavo de Carvalho quando ele aponta, com muita perspicácia, o papel que as idéias de Gramsci acabaram desempenhando na infeliz conjuntura brasileira. Mas, a existência do próprio Antonio Gramsci só pôde acontecer no cenário cultural do mundo quando o antropocentrismo já havia ocupado plenamente a esfera cultural mais alta, quando o homem ocidental, inchado de soberba, já havia resolvido proclamar a morte de Deus.Lá em cima, culturalmente, falando, já não mais existia para os homens as realidades cristãs do Pai e da Mãe. E não me venham dizer, por favor, que foram os marxistas, os comunistas os primeiros a cometer essa blasfêmia, por favor; se não, vou recordar, por exemplo, o crime horrendo cometido no século XVIII, pelos homens que se diziam : iluminados , contra o pobre filho de Maria Antonieta .

Seria maçante citar para o leitor todas as tolices, as burrices, os absurdos e as arbitrariedades que vêm ocorrendo hoje, no Brasil destes últimos meses. O leitor atento às notícias e/ou que venha conversando com parentes e amigos ligados à administração pública sabe muito bem o que anda acontecendo. O que neste momento quero fazer é apenas ampliar uma invocação à Padroeira deste país, a invocação com que terminei meu “post” de ontem:

O’ Senhora Aparecida, protegei este povo ! Intercedei por nós, como outrora fizestes em Caná! Pedi ao vosso Filho que Ele não permita que sejamos colocados em um sombrio regime do tipo “colégio interno". Amén !




posted by ruy at 4:16 da manhã

13.10.03

 

Um excelente texto para inspirar-nos nesta semana que começou ontem.


Graças ao meu amigo M. ..., que andava meio “caladão”, o “post” de hoje será muito melhor, terá para todos nós um valioso sermão do grande Santo Agostinho, antigo e sempre novo ! Muitíssimo obrigado, amigo M... pelo oportuno envio do texto ! (os engenheiros sempre se ajudam !).
Vejamos o sermão :

A COMUNHÃO DO AMOR

Uma vez por todas, fique atento a este princípio: Ama, e faze
o que quiseres! Se calares, cala por amor. Se falares, fala
por amor. Se poupares, poupa por amor. Esteja em teu coração
a raiz do amor; dessa raiz só pode brotar coisa boa... Muitos
se abstêm do vinho, por causa dos irmãos mais fracos e por
causa da liberdade própria. Mas tudo deve ser feito conforme
o amor: o modo de viver, a palavra, a atitude externa, os
gestos. Dê cada um aquilo que tem. Um tem dinheiro: que
alimente os pobres, vista os nus, construa igrejas e faça com
o seu dinheiro todo o bem que puder. Outro possui o dom do
conselho: que seja um guia para o próximo, afugente com luz
amena as sombras da dúvida. Outro, ainda, tem inteligência e
erudição: que sirva do celeiro as iguarias do Senhor e
ofereça as refeições a seus semelhantes, fortaleça os
crentes, reconduza os errantes, vá em busca dos extraviados e
faça tudo o que estiver em seu poder. Também os pobres podem
prestar benefícios. Dificilmente se encontrará alguém que não
possa prestar socorro as ninguém. O último, porém não o
menor, vem nesta palavra do Apóstolo: "Suportai o fardo um do
outro, e assim cumprireis a lei do Cristo".

Se estenderes a mão, mas fechares o coração, nada fizeste.
Mas, se abrires o coração, ainda que nada tenhas a estender a
outrem, Deus aceita a tua esmola. Não é da bolsa que se tira
o amor.

Dar com amor, nunca quer dizer perder. Dar é lucro. Não se
perde o que se dá, mas possui-se ainda mais intensamente. E
assim como não se pode dar amor quando não se tem, só se tem
amor quando se dá. Cresce todas as vezes que se dá, e tanto
mais amor se adquire, quanto mais homens se tornam felizes
por ele. Assim é o amor: só ele conhece o segredo de
enriquecer cada vez mais a si mesmo dando aos outros.


( Sto Agostinho-
Sermões, 271, 47, 170. )


Corrigindo um lapso...


No final do “post” de ontem fiz referência ao evangelho em que aparece o moço interessado em seguir Jesus, mas, ainda apegado às suas riquezas de jovem rico, fica perplexo. Ora, ontem, dia 12 de outubro. nas Igrejas do Brasil, de fato é celebrada a grande festa de Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida, e o evangelho nos conta o episódio das Bodas de Caná. Esse lapso me pesa tanto mais quando me lembro de que o Ruy está hoje vivo - e andando com suas próprias pernas - graças à intercessão d’Aquela cuja basílica se ergue formosa às margens do velho Paraíba do Sul.
Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós !


posted by ruy at 3:41 da manhã

 

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