Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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5.10.03

 
Uma lista para esta leitura Dominical.


[Fugindo um pouco aos “posts” do tipo discursivo, hoje vou publicar uma lista que me passou pela imaginação. Essa lista poderia ser diferente da que está abaixo apresentada; outros poderiam escrevê-la de modo bem melhor. Mas, agora a minha está feita, e espero que os amigos leitores não se desagradem do que vão ler a seguir ...]

Dez coisas fáceis de fazer:

1)- criticar, por exemplo, o presidente Lula ou o presidente Bush (afinal, ambos são bem criticáveis);
2)- escrever sem se preocupar com a correção gramatical e a qualidade da linguagem;
3)- usar a Internet para brincar, para enviar mensagens fúteis (às vezes de muito mau ou até de péssimo gosto);
4)- assistir à televisão todas as noites, durante várias horas;
5)- conversar sem prestar total atenção ao nosso interlocutor;
6)- ficar a manhã do Domingo na cama;
7)- ser levado passivamente pelo modo de agir dos grupos humanos a que se está ligado;
8)- falar sempre sem refletir;
9)- ir à missa aos Domingos como se fosse um hábito meramente mecânico;
10)- acomodar-se ao seu presente estado de vida mental, moral e espiritual.

Dez coisas difíceis de fazer:

1)- procurar na história, no conhecimento do passado humano, o porquê remoto da presente confusa vida política do mundo Ocidental;
2)- redigir sempre, todos os seus textos, com o máximo cuidado, evitando erros gramaticais e incoerências, imprecisões e prolixidez na linguagem;
3)- usar a Internet de modo inteligente, elegante, criativo e benéfico aos demais Internautas;
4)- ligar seu aparelho de TV o menos possível;
5)- dar a máxima atenção ao seu interlocutor, quem quer que ele seja;
6)- levantar-se cedo todos os Domingos, pensando imediatamente isto:
-“ hoje é o dia do Senhor !”;
7)- manter sua independência em relação aos modismos contemporâneos;
8)- examinar com especial cuidado as palavras que vai dizer a alguém;
9)- em qualquer missa a que vá assistir, procurar estar em profundo recolhimento, com a máxima atenção ao Santo Sacrifício do altar. E mais difícil: quaisquer que sejam o padre celebrante e o ambiente (lembrar bem a propósito aquela frase do Papa em sua recente encíclica “Ecclesia de Eucharistia”: Despojado [o mistério eucarístico]de seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. );
10)- querer ser santo.


O maior consolo.


Conforme dizia o professor Gladstone Chaves de Melo, estas são as palavras mais consoladoras que existem. Elas estão no final do capítulo 11 do evangelho segundo São Mateus:
- Vinde a mim todos os que vos achais sobrecarregados pelo fardo e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e aprendei comigo, que sou manso e humilde de coração, e acharei repouso para vossas almas.Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.


posted by ruy at 3:26 da manhã

4.10.03

 
Texto um pouco longo, mas sobre o qual vale a pena meditar.


[ Peço ao leitor paciência para a leitura do que vai abaixo transcrito. É texto recente, mas infelizmente pouco divulgado].

Não há dúvida que a reforma litúrgica do Concílio trouxe grandes vantagens para uma participação mais consciente, ativa e frutuosa dos fiéis no santo sacrifício do altar.Mais ainda, em muitos lugares é dedicado amplo espaço à adoração do Santíssimo Sacramento, tornando-se fonte inesgotável de santidade. A devota participação na procissão eucarística da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo é uma graça do Senhor que anualmente enche de alegria quantos nela participam. E mais sinais positivos de fé e amor eucarísticos se poderiam mencionar.

Infelizmente, junto a estas luzes não faltam sombras. De fato, há lugares onde se verifica um abandono quase completo de adoração eucarística. Em um ou outro contexto eclesial existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica a cerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado de seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que se fundamenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio.
Aqui e ali surgem iniciativas ecumênicas que, embora bem intencionadas, levam a práticas eucarísticas contrárias à disciplina de que a Igreja se serve para exprimir sua fé.

Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambigüidades e reduções.

O trecho que o leitor acabou de ler está na carta encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, enviada à Igreja pelo nosso papa João Paulo II em 17 de abril deste ano, documento este que aborda a Eucaristia na sua relação com a Igreja.

Bem, os documentos pontifícios têm, geralmente, um tom sereno, nobre, elevado, sem prejuízo das firmes verdades que ali estão escritas. Acontece, infelizmente, que em nosso país existe uma péssima tradição do chamado “espírito macunaímico”, ou do “ôba-ôba”, como o leitor preferir. Em português mais formal digamos logo: uma proverbial falta de caráter. Muitos no Brasil terão lido as palavras da encíclica entre risinhos ou sorrisos de superioridade satisfeita consigo mesma. Talvez tenham até comentado: “aquele polonês não nos conhece!” Pois é. Talvez não conheça mesmo. Mas Deus nos conhece muito bem. E é Ele, e não o Papa, quem vai nos pedir contas do que tivermos feito (ou deixado de fazer) neste mundo.


Hoje, sábado, 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis.

Há umas alegres e outras tristes recordações para o Ruy. Que o Pobrezinho não me deixe ser levado pelas tristes, ele que cantou a alegria perfeita !

Vale a pena lembrar agora o testemunho de Simone Weil. Em um de seus escritos, ela fala sobre a visita que fez à capela de Santa Maria dos Anjos, do século XI, onde São Francisco costumava rezar. Ali, segundo Simone Weil mesma nos conta, pela primeira vez na vida sentiu vontade de se ajoelhar: incomparável maravilha de pureza onde São Francisco rezou muitas vezes, alguma coisa mais forte do que eu me obrigou, pela primeira vez na vida, a me pôr de joelhos .
[Obrigado ao meu bom amigo B... por ter me mostrado, no JB, o artigo em que Maria Clara L. Bingemer nos brindou com a lembrança daquele fato.]



posted by ruy at 2:25 da manhã

3.10.03

 
O “colégio interno”.


Acompanhando a esteira da leitura do muito inteligente e não menos oportuno texto da jornalista Dora Kramer intitulado: “Sem causa” (JB de 26/set/03), creio que seja proveitoso fazermos uma digressão sobre um tema que deveria ser assunto constante de nossas preocupações.

Tenho um velho amigo, o R... , que durante seis anos, metade disso como adolescente, foi aluno em regime de internato. Conta meu amigo que a vida ali era bem áspera, cheia de minuciosas, severas exigências, havendo castigos para os estudantes que cometessem até mesmo pequenas falhas disciplinares. Somavam-se ao rigor do ambiente escolar as inevitáveis e pungentes saudades do lar distante.

O fato de existir bom ensino, razoável alimentação e permanente assistência médica não eliminava a incômoda aspereza da vida que os moços tinham na referida escola.

Entretanto, em que pesem às pesadas agruras do internato, todos que ali estudavam tinham, a qualquer instante, a liberdade total de pedir o desligamento do curso. Podiam livremente retornar à vida serena e aconchegante de suas casas.

Bem, feita esta introdução, perguntamos ao leitor deste “blog”: e que dizer de um país cujo povo vive há mais de 40 (quarenta) anos preso em regime de “colégio interno”, e sem esperança (tomara que eu esteja enganado...) de respirar em outra situação melhor ?

E o que mais me machuca, meus amigos, é ver, é ler católicos, inteligentes e cultos, que se mostram indiferentes ao problema, sem nunca fazer qualquer comentário, mesmo indireto (isto é, sem precisar dar o nome aos bois), que traga, ao menos nas entrelinhas, uma caridosa solidariedade ao povo que vive naquele infeliz regime...

Eu ficaria satisfeito se esses mesmos católicos, os que evitam o comentário direto, pelo menos alertassem os moços brasileiros inexperientes sobre o latente perigo de um regime do tipo “colégio interno” em nosso país.


O ponto de vista “estático-cartesiano”


Comecemos por alguns dados geográficos:
-Estados Unidos da América - superfície: aproximadamente 9 milhões de m2;
- população: aproximadamente 260 milhões de pessoas.
- Iraque- -superfície: aproximadamente 430 mil m2;
- população : aproximadamente 23 milhões de pessoas.

Não vamos acrescentar dados sobre efetivos militares nem muito menos sobre o arsenal de cada um destes países, o Ocidental e o do Oriente Médio. Estes últimos são dados que se podem facilmente estimar, sem erro exagerado, a partir das abundantes reportagens que têm sido apresentadas em nossos receptores de TV .

Juntando todos esses números, os mais precisos e os estimados com boa margem de acerto, é facílimo nos posicionarmos com veemência contra o gigante do Norte. Aliás, na longa tradição dos povos - desde a saga de Ulisses até as aventuras de Gulliver, da histórica luta de Davi, armado com sua funda, até as façanhas do alfaiate valentão nos contos de Grimm - sempre os gigantes foram antipatizados.E é justamente essa imediata e simplificadora antipatia, no caso da trágica guerra do Iraque, o ponto de vista que chamo: “estático-cartesiano”.Por quê ?

Houve tempo em que a cultura Ocidental ainda possuía um certo respeito pela história, entendida esta, conforme corretamente a definiu H. I. Marrou , como: “o conhecimento do passado humano”. Hoje, até mesmo nós católicos que, por mais de um motivo, deveríamos acatar esse correto modo de entender a história, deveríamos ter um especial carinho, uma fina sensibilidade para com o conhecimento do passado humano, nos deixamos envolver pela infiltração marxista na cultura. Só temos olhos para o presente e para a ilusória miragem do tal “mundo melhor”, inventado pelos socialistas...

Não fosse por esse infeliz envolvimento, procuraríamos descobrir por que existe no mundo, por exemplo, esse orgulhoso e incômodo país que tem o esquisito nome de “Estados Unidos”; ou ficaríamos curiosos em saber por que já não existe entre o Ocidente e o Oriente um melhor intercâmbio cultural, como aquele que já existiu na milenar Idade Média. Esse outro modo de analisar os fatos da política atual seria, então, o que se pode chamar de: “dinâmico- poético”. Porém, reconheço, é um modo muitíssimo mais trabalhoso de fazer essa necessária análise.E nosso mundo atual é muito apressado...


B M V

( contada hoje de manhã por "seu" Antonio, o motorista do taxi que diariamente transporta a mim e a outros companheiros de trabalho )

Dois amigos se encontram e um deles conta para o outro : "sabe da novidade? O Zeca comprou uma B M V ! " Comenta o segundo: "Não, seu bobo! O nome é B M W ! "
Ao que responde o primeiro:
- "Não ! É B M V mesmo: Brasília Muito Velha !"


posted by ruy at 3:12 da manhã

2.10.03

 
Dois lembretes para os amigos.


Por favor, não deixem de ler isto:
- o "post" do dia 30/set/03 no "blog" Asa de Borboleta, sob o título:
" Braços abertos, mãos espalmadas". Leiam do início ao fim com muita atenção! É um texto oportuníssimo.Na minha opinião, deveria ser divulgado em todas as escolas católicas deste país;

- o livro: "Getúlio e o mar de lama - a verdade sobre 1954", de Gustavo Borges, edição da Lacerda - Editores. Ali, os leitores bem mais novos que o Ruy vão saber a origem remota dos atuais problemas políticos brasileiros. Vão notar o imenso mal que pode resultar para uma nação quando o seu povo, deixando de pensar com a cabeça, passa a usar o coração para analisar os fatos da política.


Puxar para cima !


Infelizmente (pelo menos para mim) muitos de nós católicos, numa justa preocupação com muita coisa errada que vem acontecendo neste agitado mundo moderno, ficamos talvez exageradamente ligados a uma, digamos assim, permanente censura dos costumes. De fato, há muita coisa "out of joints", como diria o infeliz príncipe da Dinamarca. Entretanto...

Seria também oportuno que, paralelamente a esse ingrato trabalho de "censura", fizéssemos também um esforço no sentido de "puxar para cima ! "

Que tal incentivarmos na família, no ambiente de trabalho,nas escolas o gosto pela música de boa qualidade ? Ouvir Debussy, por exemplo, pode despertar nossa atenção para a beleza silenciosa das coisas simples que nos cercam.
Que tal incentivarmos na família, no ambiente de trabalho, nas escolas o gosto pela leitura atenta de bons escritores ? Ler Machado de Assis, por exemplo, pode nos lembrar o mistério da alma humana, com suas boas e más tendências.

Que tal procurarmos divulgar os bons filmes - tão poucos, é verdade - que, apesar de terem suas histórias girando em torno de personagens não moralmente perfeitos, deixam entrever a oculta grandeza humana ? Vejam, por exemplo, o generoso apoio dado pelo problemático e rude Melvin Uddal ao menino pobre castigado pela doença crônica.

Que tal refletirmos atentamente sobre o verdadeiro, o profundo sentido da palavra "educação" ? Seria ótima idéia conversarmos com parentes e amigos sobre a importância de acabar com o velho equívoco dos que confundem escolaridade com educação.

E vai por aí. Há, apesar de tudo, muita coisa boa, verdadeira e bonita neste mundo. Vale a pena estimularmos as pessoas a prestarem atenção nisso.Vamos puxar para cima !

Os Anjos e Nós.


Tem este título um dos livros de Mortimer Jerome Adler traduzido para o português (editora EDIOURO) .
Nessa obra, o notável educador nos dá uma agradável aula sobre esses maravilhosos seres que, na hierarquia da Criação, estão logo acima de nós.

Adler faz, de início, um ótimo retrospecto da presença dos anjos na milenar tradição dos povos. Depois, na parte final do livro, apresenta a doutrina tomista sobre o tema, obviamente ressaltando o ensinamento de Santo Tomás de Aquino. Ali aprendemos como o nosso Anjo da Guarda pode nos "reger", "governar" (conforme pedimos na oração aprendida desde o nosso tempo de criança) sem que nossa liberdade seja cerceada, sem que ela deixe de existir.Que tal divulgar esse pequeno grande livro do insigne pensador americano?
Está aí uma boa sugestão para este dia 2 de outubro, dia em que a Igreja festeja o celestial exército dos nossos protetores !




posted by ruy at 3:16 da manhã

1.10.03

 

Claro, conciso e preciso.

[ O texto que abaixo vai transcrito foi colhido no JB de 26 de setembro de 2003, na coluna mantida pela jornalista Dora Kramer. É preciso ressaltar isto: não é comum aparecer na imprensa reflexões, tão inteligentes e oportunas como estas, escritas com semelhantes clareza, concisão e precisão. Parabéns à jornalista ! ].

Sem causa.

Hoje, quando o presidente da República chegar a Cuba, ficaremos finalmente sabendo qual o motivo da viagem. A visita está cercada de cuidados.
Lula não quer desagradar aos Estados Unidos e, por isso, a diplomacia pediu contenção em manifestações antiamericanas.
Não quer defender os direitos humanos nem a democracia como pressupostos básicos para a convivência entre seres civilizados, para não desagradar a Fidel Castro.
Não se dispõe a se encontrar com dissidentes nem a falar com a oposição, pelo mesmo motivo.
Não pretende dar a visita o caráter pessoal (ainda bem) de um encontro entre velhos amigos.
Não emprestará, já mandou avisar, os ouvidos aos excessos de oratória do anfitrião.
Cuba nada tem a trocar com o Brasil em termos comerciais minimamente favoráveis nem o Brasil está em condições de oferecer ajuda a ninguém sem provocar reação interna contrária.
Todos os senões já foram expostos e ficamos devidamente informados dos não-significados da viagem.
Até agora não se falou de um único motivo para a ida do presidente à ilha de Fidel, a não ser o de conferir ao Brasil a condição de única democracia do mundo a dar aval explícito ao mais longevo ditador do planeta.
Como esforço de diplomacia, seria uma obra de arte, não fosse um elogio ao retrocesso.



Necessária, mas não suficiente.


É curioso como certas características das crenças religiosas permanecem ao longo dos séculos. No caso específico do protestantismo, desde Lutero existe entre os partidários dessa infeliz heresia uma hiper valorização da Fé - que é necessária, sim, sem dúvida alguma - porém, com o esquecimento do papel que tem de ser desempenhado pelas obras, imprescindíveis à nossa santificação.

Faz poucos dias, uma senhora presbiteriana, conversando com uma pessoa muito minha amiga dizia o seguinte: "quem tem fé não sofre de depressão". Pobre irmã separada ! Certamente ela não conhece a história da santa cuja festa a Igreja hoje celebra, santa que, apesar de ter ficado para sempre nomeada por um carinhoso diminutivo, é uma das maiores almas que já passou por este mundo: Tereza de Lisieux, a nossa tão querida Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.

Santa Terezinha, quando estava próxima de sua morte, passou pelo tormento do deserto interior, da secura espiritual, que é talvez a pior forma de depressão que possa existir. Bem a propósito transcrevo, do "site" católico americano www.ewtn.com , uma reflexão da Santa Doutora da Igreja:

The greatest honor God can do a soul is not to give it much, but to ask much of it. ( St. Therese of Lisieux).

Santa Terezinha , rogai por nós !




posted by ruy at 3:18 da manhã

30.9.03

 
Voltando a um dos velhos temas deste "blog".


Quando se fala em desespero, pensamos logo em coisas tais como:choros convulsos ou gritos, ações fora de controle, rostos modificados pela tensão nervosa, olhos arregalados e outras manifestações bem típicas daquele estado de espírito.Entretanto existe na civilização atual uma forma sutil de desespero, um jeito desesperado que não exterioriza esses convencionais sinais visíveis ou audíveis.

Faz poucos dias tentei mostrar a um amigo, leitor dos meus posts, o trágico contraste entre uma cultura que ostenta orgulhosamente as torres do World Trade Center como amostra do que melhor pode realizar e uma desaparecida cultura que erguia sem pressa as torres das catedrais de pedra.Pois é, no Medievo não existiam os antibióticos, a televisão colorida, os super rápidos e confortáveis aviões intercontinentais, a luz elétrica, as eficientes máquinas de editar livros, os nutrientes agrícolas que garantem a produção agrícola na maior parte do tempo, o telefone celular que permite o envio de mensagens ultra rápidas em situações de emergência, etc., etc.Mas, a torre da catedral de pedra testemunhava, diante do mundo, um consenso de Esperança, aquela que dá sentido a todas as lágrimas do sofrido ser humano.E é nisso que eles, os "atrasados" medievais, levam uma gigantesca vantagem sobre nós.
(com um grande abraço ao meu amigo L..., editor do Viramundos).

Perfeição moral e santidade.


Para muita gente, incluindo católicos, estes termos são exatamente sinônimos. Anos atrás, conversando sobre isso com o saudoso professor Gladstone Chaves de Melo, este me falava sobre a canonização mais rápida que já houve na história: a de São Dimas, aquele que depois ficou conhecido como O Bom Ladrão. Pois é, mas até os minutos que antecederam a dramática conversão, a "folha de serviços " de Dimas estava bem carregadinha...

O problema é o seguinte: quem de nós pode garantir que, no último segundo, vai ter uma contrição perfeita ?
Por isso mesmo, os medievais - que não eram nada burros - tinham pavor da morte repentina.


Aprendendo com a "Mestra da Vida".


É comentário banal o dizer que nosso país está passando por uma enorme depressão política. E infelizmente isso é verdade...
Creio que seja importante buscar no passado o porquê da atual situação.Sendo assim, sugiro aos leitores que tenham menos de 60 (sessenta) anos que comprem e leiam este livro:
- " Getúlio e o mar de lama - A verdade sobre 1954 " , autor: Gustavo Borges, Editora: Lacerda - Editores .


E por falar em Gladstone...


Gladstone Chaves de Melo, homem íntegro, chefe de família exemplar, cristão destemido, foi um grande, respeitado filólogo. Em tom meio jocoso ele me dizia isto: chamam o dicionário de "pai dos burros ". Está errado! Quem é burro não consulta o dicionário. Só o inteligente é que faz isso.


posted by ruy at 4:18 da manhã

 



posted by ruy at 4:12 da manhã

29.9.03

 

Mortimer Jerome Adler.


Acho que os escritores que escrevem sobre conceitos, idéias abstratas e princípios filosóficos ou morais em geral revelam-se tanto mais possuidores de sabedoria (não confundam, por favor, com erudição !) quanto mais simples for a linguagem por eles usada para nos ensinar. Obviamente não estou incluindo nesse rol os pseudo-pensadores, tipo Paulo Coelho e semelhantes, desses que abarrotam as estantes das livrarias, principalmente as que estão nos centros comerciais (mais conhecidos como “shoppings”).

Como notável exemplo dos escritores verdadeiramente sábios, com muita alegria cito o nome do grande pensador americano que foi, sem dúvida alguma, Mortimer Jerome Adler, falecido faz poucos tempo, aos 98 anos de idade e em plena lucidez.

É notório o fato de existir entre muitos dos moços deste país um grande empenho em aprender a falar bem o inglês. Isso é, sem dúvida alguma, muito útil, mormente no que toca à procura de empregos com bons salários, visto que as melhores oportunidades aparentemente são oferecidas às pessoas bilíngües.Entretanto, seria bem desejável que houvesse em nossa mocidade universitária um igual empenho em aprender a ler bem e a compreender textos escritos no idioma de Shakespeare, Poe, Robert Louis Stevenson, William Faulkner e tantos outros.

O motivo desta que consideramos desejável proposta é simplesmente colocar nossos estudantes que tenham bom nível de escolaridade em condições de ler, diretamente no original, o que de melhor exista na cultura anglo-saxônica. E aí entram, com justiça, os muitos artigos, palestras e entrevistas de Adler. Eles estão disponíveis no site: www.radicalacademy.com . Vou citar apenas alguns dos títulos:

- “The Great Idea of God ”;
- “On the Mistake of Giving Primacy of the Right over the Good ”;
- “ What is an Idea ? ”;
- “Philosophy’s Past ”;
- “ The Joy of Learning ”;
- “Love in Relation to Needing, Wanting and Liking”;
- “The Question about Man ”;
- “The Nature of Man ”;
- “The Great Idea of Truth ”;
- “The Nature of Natural Law”;
- “Knowledge and Opinion ”;
- “Schooling is not Education ”;
- “Only Adults can be Educated ” ;
- “The Art of Teaching ”;
- “Why Philosophy is Everybody’s Business ”;
- “About Philosophy in Relation to Common Sense ”;
- “How can I Make a Good Life for Myself ? ”;
- “Some Questions about Language ”;
- “On Art ”;
- “Some Thoughts on Beauty ” ;
- “Why Strength of Character is Needed to Lead a Good Life ” ;
- “The Great Idea of Happiness ” .
(Escusez du peu !)

Da vasta bibliografia adleriana, infelizmente somente três livros foram traduzidos para o português:
- “ Como ler um livro” (editora Guanabara);
- “Os Anjos e Nós”. ( editora EDIOURO);
- “A Proposta Paidéia -Um Manifesto Educacional” ( ed. da Universidade de Brasília, na década de 80).
Deste último, citamos a seguinte reflexão:

“A aprendizagem nunca atinge um ponto terminal.Enquanto alguém permanece vivo e com saúde, pode e deve continuar a aprender. O corpo não continua a crescer depois dos primeiros dezoito ou vinte anos de vida. De fato, ele começa a declinar depois disso. Porém, o crescimento mental, moral e espiritual pode continuar e deve continuar a vida inteira”.





posted by ruy at 2:32 da tarde

 

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