Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





Arquivos:





Fale Comigo

28.9.03

 
Lendo, mais uma vez, Chesterton.


O “Santo Tomás de Aquino” escrito pelo imenso (nos dois sentidos deste adjetivo, conforme nota muito bem meu amigo M...) ensaísta inglês é um livro cuja leitura nos proporciona várias alegrias ao mesmo tempo.Isso, creio, só é possível de acontecer com um escritor que foi muito mais que um mero “escrevedor” de livros.
Chesterton é com toda a certeza um “man alive”. Ele escreve como uma criança que precocemente houvesse descoberto a técnica e a arte de escrever, e fizesse dessa descoberta o seu maior brinquedo. Entretanto, isso que poderia sugerir ao leitor pouco avisado a imagem de um autor leviano, um diletante das letras, de fato é uma tentativa minha para ressaltar a radiosa alegria que brota das linhas e das entrelinhas do livro.

Da edição que estou lendo ( Editora : Co-Redentora, Nova Friburgo) consta, logo no início, uma curta porém muito bem escrita biografia do autor de “Ortodoxia”, de “O Homem Eterno”, da biografia de São Francisco de Assis, e de muitos mais livros (mais de oitenta nos deixou ele).

Leio na biografia que o Santo Tomás de G.K.Chesterton foi publicado treze anos após a conversão do escritor ao catolicismo. Mesmo considerando esse intervalo de tempo suficientemente longo é de admirar – e muito – que um homem de letras leigo, isto é, não ordenado padre, não pertencente a uma ordem religiosa, responsável pelo sustento e proteção da mulher com quem se casara, tenha conseguido se aprofundar em tantos aspectos da vida e da obra do santo teólogo medieval e de sempre, tenha compreendido de modo tão claro o papel que Santo Tomás representou em sua remota época.A autora do resumo biográfico (Rosa Clara Elena) cita, bem a propósito, a respeitável opinião do eminente filósofo e medievalista francês Etienne Gilson sobre o livro em pauta. Essa opinião é tão importante que vale a pena transcrevê-la aqui.

“ Chesterton desespera qualquer pessoa. Estudei Santo Tomás a vida inteira, e nunca teria sido capaz de escrever um livro como este[...]. Considero, sem comparação alguma, que é o melhor livro jamais escrito sobre Santo Tomás. Só um gênio poderia fazer algo assim.” ( o elogio de Gilson ainda continua, mas creio que o pequeno trecho transcrito seja suficiente para alertar um leitor sobre o valor da chestertoniana biografia do Doutor Angélico).

Fui informado que meu jovem leitor e amigo C... comprou e está lendo uma outra tradução do livro de Chesterton (uma editada pela EDIOURO, contendo também a biografia de São Francisco de Assis ). Não importa. O principal é que C..., apesar da pouca idade – ou talvez por isso mesmo – fique encorajado a conhecer outras obras do maravilhoso ensaísta. Disse-me meu amigo M... que estaria para sair uma tradução em português do “Ortodoxia”, livro que teria sido escrito quando Chesterton começava seu processo de conversão à Igreja Católica. Fica aí, pois, uma ótima sugestão para você, amigo C...!


Ontem, 27 de setembro, foi o dia de São Vicente de Paulo. Recordação do saudoso tempo em que Ruy foi vicentino, quando então descobriu a maravilhosa obra de Frederico Ozanan. Aproveito para citar um dito de São Vicente colhido no “site” americano www.ewtn.com:
Read some chapter of a devout book....It is very easy and most necessary, for just as you speak to God when at prayer, God speaks to you when you read.
St. Vincent de Paul.



É... Ninguém, nenhum dos meus habituais leitores comentou o “post” de ontem...Sinal evidente de que desagradei a todo mundo. Paciência...





posted by ruy at 3:47 da manhã

27.9.03

 
Um grave problema brasileiro.


Grave problema brasileiro. O que será ?

Seria por acaso a carência de energia elétrica, isso que há muitos anos vem nos obrigando ao incômodo, e algo pouco natural, horário de verão ?

Seriam as dificuldades, as deficiências existentes no ensino, na escolaridade do nosso povo, aquilo que erradamente muitos chamam de “educação” ?

Seria o assustador nível da criminalidade, que vem coagindo milhares de apavoradas pessoas nas grandes cidades a não mais aceitarem convites para comparecer a festas noturnas de casamento, de aniversário e outras ?

Seria o nepotismo ora existente em Brasília, fato pouco divulgado na imprensa mas bem conhecido por funcionários honestos e dedicados que trabalham na capital federal?

Seria, quem sabe, os ocultos malefícios dos transgênicos, produtos que estariam sendo impostos ao consumo público pela ganância de alguns ambiciosos produtores agrícolas?

Bem, tudo acima listado é de fato tema para muita e generalizada preocupação. Ocorre, entretanto, a seguinte circunstância: este “blog”, ainda que seja aberto a leitores de variada cultura religiosa, ainda que aceite tanto mensagens de apoio quanto outras de total desacordo, pretende deixar sempre bem claro a posição deste editor. O Ruy é cristão e segue – ou pelo menos procura fazer isso – a doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana. Por esse motivo, permito-me escrever agora o que a mim está mesmo preocupando.

Existe por todas as regiões deste país, que em sua origem foi batizado como Terra de Santa Cruz, uma imensa carência de padres. O que implica isso? Vamos falar bem claro: essa carência vai tornando cada vez mais difícil acharmos um padre para fazer, com a dignidade completa da liturgia, um batizado; para nos confessarmos; para dar a bênção aos nossos casamentos; para ungir nossos doentes; para encomendar nossas almas nos sepultamentos de nossos corpos e – sobretudo, e com muito maior ênfase – para repetir em nossas missas o milagre da transubstanciação, aquele que nos permite comer o Corpo do Cristo, Nosso Senhor.

Sempre que alguém levanta um problema, manda a boa regra da justiça que esse alguém pelo menos sugira a adequada solução. Ora, se o problema é a carência de padres, onde iremos buscá-los para suprir essa carência?

Bem, para este escriba pelo menos, os padres não vêm do planeta Marte, esse que faz poucos dias passou bem próximo da Terra. Nem tão pouco nos são enviados por outros países, como se fosse um especial produto de importação. E certamente não aparecem de repente do nada, como se fossem uma prodigiosa criação divina. De onde vêm os padres?
Bem, faz uns dois ou três dias, publiquei aqui um “post” falando sobre a idéia do meu amigo Magno a respeito do que ele chama: “o necessário triângulo”. Apliquemos a idéia do Magno na procura da solução para o nosso problema.

Um jovem casal se encontra. Ela é bonita, ele é simpático. Ambos são o que se pode chamar : filhos de boas famílias; famílias honestas, bem comportadas, e mais: não perdem missa aos Domingos. Tudo ótimo ! Um belo dia, depois de um namoro normal – e não aquele que hoje a imprensa chama por esse nome outrora bem romântico - os dois, a moça bonita e o rapaz simpático, resolvem se casar. Ainda tudo ótimo. Mas... Perdoem-me os que não vão gostar da minha pergunta:
- até que ponto, até que nível o Senhor Jesus é importante para cada um daqueles entusiasmados noivos?
Até que ponto Ele, o Deus Encarnado, é o centro de suas vidas? Quando eles tiverem filhos e os enviarem à escola, estarão pensando na possibilidade - pelo menos isso : a possibilidade - de que eles venham a encontrar o mistério da vocação cristã e, ajudados pelo treinamento escolar (já que não cabe à escola educar), tenham mais tarde, quando forem adolescentes, a coragem de escolher a vocação de ser padre ? Ou aquele feliz casal vai cair na rotina de outros milhares de casais semelhantes e desejar para seus meninos exclusivamente uma futura vidinha bem burguesa, bem acomodada, com bastante conforto e segurança?

Sei que vários leitores vão ficar bem aborrecidos comigo. Paciência... Mas convido-os a refletir seriamente neste que é – para mim pelo menos- um grave problema: a carência de padres.


posted by ruy at 7:42 da manhã

26.9.03

 
Reflexões esparsas.


Não é mais possível tapar o sol com a peneira. Vivemos em uma atmosfera cultural em que uma pletora de informações, a todo instante atualizadas, torna quase impossível fazermos reflexões demoradas e eficazes, reflexões que nos tragam uma desejável paz de espírito. Paz verdadeira, e não aquela alardeada nas passeatas algo ridículas insufladas pela rede Globo de televisão.Ora, venho meio quixotescamente tentando, neste “blog”, escrever reflexões que sejam suficientemente longas para expor meu pensamento e curtas o bastante para que a leitura do “post” não canse o leitor. Hoje vou sair da rotina; vou respingar algumas idéias que espero sirvam ao propósito geral do “blog”: ser um pequeno oásis para os amigos, os quais são, como diziam os antigos: “pauca sed bona”.

1)- Aborto- Digam o que disserem seus defensores, é certamente o crime mais covarde, já que a vítima não tem a menor chance de se defender.

2)- Pátria – A velha briga dos nacionalistas contra os internacionalistas vem conseguindo que a imensa maioria das pessoas esteja se esquecendo do que significa realmente este conceito: pátria, e o seu derivado: patriotismo.

3)- Educação – Está aí um ótimo exemplo de uma coisa que muita gente pensa que sabe definir, porém de fato não sabe.

4)- Silêncio – Existe mesmo uma grande necessidade de ambientes menos ruidosos, menos agressivos ao delicado mecanismo da audição. Mas, precisamos também criar dentro de nós mesmos o silêncio interior, talvez bem mais difícil de conseguir que o silêncio físico.

5)- Amizade – Para que ela seja autêntica, a pessoa que se diz nossa amiga precisa saber nos dizer: “não”. Por isso é que os pais bons são “ipso facto” amigos de seus filhos.

6)- Omissões – Talvez não haja pecados cometidos por nós cuja lembrança nos incomode tanto quanto os de omissão; lembrarmos o bem que podíamos ter feito e não fizemos...

7)- Alma – Neste mundo agitado, barulhento e competitivo, quem se lembra que tem uma alma ?

8)- Cinema – Um filme realmente bom é repleto de sutilezas, da primeira até a última cena.Lembrar :o palavrão dito pela vizinha de Melvin Uddal e o casal entrando na prosaica padaria.

9)- “Blogs” - Já disse isto a uma pessoa muito minha amiga: um bom “blog” não deve ser pesado, “bore”.

10)- Saudade –Ali se reúnem, em completa harmonia, a memória sensível e a memória intelectual. Um cão sente falta do dono; mas não tem saudade.


posted by ruy at 12:21 da tarde

25.9.03

 
De volta ao necessário triângulo.


A idéia é antiga e não é minha; é, sim, do meu velho amigo Magno. Entretanto, estou inteiramente de acordo com a opinião dele.

Afirma o Magno que as relações humanas dos mais diversos tipos: entre dois amigos, entre marido e mulher, entre patrão e empregado, entre professor e aluno, entre um cliente e um prestador de serviço etc., quaisquer que sejam esses pares que se comunicam entre si, o relacionamento seria muitíssimo melhor, com muito menos atrito, se houvesse não simplesmente o par, mas, sim, um triângulo formado pelo Cristo e pelas duas pessoas que estão se relacionando. Obviamente, estamos supondo que essas pessoas não só acreditem na invisível presença d'Ele como, e principalmente, estejam dispostas a dar sempre a primazia ao Senhor Jesus em todos os diálogos, discussões, acordos, planejamentos e tomadas de decisão que tiverem de fazer.

Essa proposta do Magno pode parecer fantasiosa, utópica, sonhadora, teórica, ou outro adjetivo que o leitor quiser usar para recusá-la. Mas, para mim pelo menos, é a proposta mais eficaz no que toca à obtenção de uma paz autêntica em todos os nossos humanos relacionamentos.


As envoltórias culturais.


O que segue abaixo também não é idéia minha. É ensinamento que recebi na leitura dos escritos de um homem que, para mim pelo menos, foi uma das luzes mais brilhantes que já iluminou a cultura deste país .

O homem vive, culturalmente falando, sob três envoltórias , isto é , três atmosferas culturais: a telúrica, a política (significando tudo o que se refere ao nosso relacionamento com as outras pessoas ) e a solar.

Na telúrica, que está em primeiro nível, temos os costumes, o folclore, os regionalismos, os trajes típicos, as crendices, as formas de arte primitiva, enfim: tudo aquilo que diz respeito mais à nossa sensibilidade.

Na política, que se eleva sobre a acomodação e a rotina da primeira, estão todos os problemas familiares, políticos propriamente ditos e econômicos. É tudo aquilo que pode nos trazer alegria ou tristeza na convivência em sociedade.

Finalmente, na envoltória solar, temos tudo aquilo que dá sentido aos fazeres e aos agires humano.Essa terceira envoltória.pode ser subdividida em camadas.Elas começam pelo panorama das informações com que diariamente somos enxarcados, umas mais outras menos importantes; seguindo-se o que se chama propriamente a cultura: artes, ciência e filosofia. E por fim, mais alto e mais importante: as idéias e as crenças.

Pois bem, é essa camada mais alta que vai dizer a uma civilização o que é mais relevante, o que é mais necessário, por exemplo: erguer "World Trade Centers" ou pacientemente construir catedrais de pedra. É que vai fixar as nossas prioridades, como por exemplo: Domingo é basicamente dia de ir à missa ou de tomar banho de mar? Conforme muito bem observou o amigo leitor H S..., estamos hoje vivendo em uma sociedade em que famílias inteiras de pessoas batizadas já não se preocupam com a participação naquele Santo Sacrifício Em nossa mais alta envoltória cultural está fazendo falta a luz da Fé.


posted by ruy at 5:28 da manhã

24.9.03

 
Em atenção ao leitor amigo E. G....


O que vou colocar hoje neste post é uma citação, meio longa, de um pequeno grande livro de André Frossard : DEUS EM QUESTÕES. O texto transcrito é parte do capítulo do referido livro intitulado: "A Igreja está superada."
Esclarecemos ao leitor que os títulos dos capítulos dessa obra de Frossard se referem às objeções comumente levantadas pelos descrentes contra o Cristianismo e contra a Igreja. Ora, uma das objeções que se fazem à Igreja é justamente a de afirmar que ela estaria superada. Vejamos o que diz o ilustre pensador francês a respeito do assunto :

Quanto à expressão "viver com o seu tempo", é uma dessas frases feitas que costumam servir-nos para disfarçar uma abdicação moral ou um decaímento da nossa combatividade. Se Cristo tivesse "vivido com o seu tempo", a sua aventura certamente teria terminado de forma menos dolorosa: não teria havido aventura alguma. Em vez de contrariar com violência os preconceitos tradicionais, a sua eloqüência, fluindo majestosamente pelo leito do conformismo, teria encantado o Sinédrio, e Ele acabaria por ser visto, cercado de honrarias, nos coquetéis organizados por Pôncio Pilatos. Em suma, teria entrado na nossa História, e nós jamais teríamos entrado na d'Ele".

Portanto, amigo E. G...., desde o seu começo a mensagem cristã tem sido sempre um desafio proposto aos homens, a começar pelos próprios batizados, neles incluídos os bispos e os padres. Ontem à noite, na homilia de uma missa em ação de graças pelos aniversários de casamento de dois casais, o simpático padre M...- com seu estilo bem franciscano, isto é, bem de acordo com o espírito da milenar OFM - lembrava, aos fiéis presentes naquela bonita igreja de um distante subúrbio, que não é fácil ser católico. Como se ele estivesse dizendo para todos nós que o escutavam: ser católico de fato é, na verdade, ser mesmo um cristão autêntico, um cristão em atos exercidos, e não apenas de boca.

Neste instante lembro uma frase de Chesterton, a mim enviada há poucos dias pelo meu amigo M...(o engenheiro, não o padre celebrante de que falei acima):

" A aventura pode ser louca, mas o aventureiro, para levá-la a cabo, há de ser muito equilibrado".

E como disse Jorge de Lima no Poema do Cristão : sendo a loucura de Deus, é ela que dá a razão das coisas, a ordem, a medida.

E por falar em Chesterton e São Francisco de Assis,...

... mais uma "dica" para você amigo E. G... : existe em português uma edição recente, publicada pela EDIOURO, de um livro contendo, em um único volume, a tradução das biografias de São Francisco e de Santo Tomás de Aquino escritas por Chesterton. Acompanha o livro um CD de canto gregoriano. O livro custa pouco mais de 40 reais. Vale muito mais que isso !



posted by ruy at 3:46 da manhã

23.9.03

 
O mistério da Igreja.


Curiosamente, mesmo entre muitas pessoas que se dizem católicas, sem que nisso haja a menor falta de sinceridade, o mistério da Igreja não é percebido. Se um incrédulo, isto é, um não-católico chegasse de repente diante de uma dessas pessoas desatentas ao referido mistério e passasse a desfiar a pletora de fatos, muitas vezes chocantes, que ocorreram durante mais de vinte séculos enfeando a santa visibilidade da Igreja, fatos que armam um terrível escândalo para o mundo, não sei como seria a exata reação do ouvinte, mas não tenho a menor dúvida de que ele ficaria bem incomodado.

Existe o que se pode chamar um catolicismo de rotina, sem perplexidades, sem angústias.Criam-se certos hábitos - no sentido convencional da palavra, isto é, aquele que corresponde a meras repetições quase mecânicas - que podem ser piedosos (não podemos julgar a intenção de ninguém), mas nos quais um observador mais atento pode notar certa rigidez, certa falta de naturalidade. Penso, por exemplo, na pessoa que, em pé, na posição de leitor junto ao altar, lê em voz alta, para os demais fiéis sentados na igreja, um dos textos da missa e, ao fazê-lo, dá certo colorido à voz, como se fosse o ator que estivesse representando uma cena de teatro ou de telenovela É horrível...

Mas, até mesmo a existência desse tipo de devoção sem profundidade faz parte do mistério da Igreja. Todas as nossas mediocridades e muito mais já estavam antevistas por Aquele que em um remoto dia, na distante Palestina, disse a um intempestivo e rude pescador: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja".
Deus tem um infinito respeito pela liberdade que Ele deu ao homem quando o criou à Sua imagem e semelhança.


Recordação colocada em versos.


Nestes últimos dias tenho tido a grata alegria de me corresponder com um leitor cearense, isto é, do Estado a que me sinto ligado por vários laços afetivos.Pois é, amigo E.W..., você me fez agora tirar do fundo de uma gaveta antiga um poema escrito faz alguns anos. Vai transcrito abaixo para a leitura dos amigos deste blog.


O início do retorno.

Discreto como de costume,
o Anjo tocou-lhe na sensibilidade.
E o moço, que aos 15 já engrossara a voz,
falou firme ao homem da sotaina:
- "Padre, eu quero voltar à Igreja !"

O filho de Santo Inácio,
olhando sereno nos olhos do rapaz,
respondeu apenas:
- " Isso é comum de acontecer".
Como se estivesse dizendo:
- "A porta esteve sempre aberta".

No Sul distante,
uma dor de trigêmeo,
lancinante,
pagava o preço do retorno.


São Pio de Pietrelcina.

Hoje é a festa desse bem moderno santo franciscano.Quem entrar hoje no "site" católico americano:
www.ewtn.com ainda poderá ver a belíssima foto em close de Padre Pio, o estigmatizado.
Uma reflexão dele:
"Be firm in your resolutions; stay in the ship in which I placed you
and let the storm come. Long live Jesus. You will not perish. Walk
the way of the Lord in simplicity; do not torment your spirit. Say the
truth, always the truth."

-- Saint Pio of Pietrelcina.


São Pio de Pietrelcina, rogai por nós !






posted by ruy at 3:40 da manhã

22.9.03

 

O papel da Escola Secundária.


[ Antes de entrar no assunto, devo explicar que os termos "Escola Secundária" neste post se referem aos antigos cursos ginasial e colegial, vistos em conjunto, ou seja: aquele período de estudos inserido entre o velho Grupo Escolar e o curso universitário.]

Aproveitando minha própria "deixa" inserida no post de ontem (Domingo), começo afirmando que faz uns dois ou três anos, depois de ler os excelentes textos de MORTIMER JEROME ADLER - que estão à disposição de qualquer internauta no "site" americano :
www.radicalacademy.com - fiquei convencido dos seguintes pontos:
a)- a educação é um continuado processo de crescimento tríplice: mental, moral e espiritual, que só termina quando a pessoa morre biologicamente, processo esse que só pode se efetivar pelo indivíduo não tutelado, seja essa tutela da família ou de uma escola de qualquer nível, incluindo o chamado "Nível Superior". Enquanto a pessoa não enfrenta sozinha os problemas típicos da profissão, da constituição de uma família, das doenças, das separações dos entes queridos levados pelo natural desgaste físico trazido pela idade, das decisões políticas e várias outras relevantes, enquanto o moço não entra na sua vida própria, sua educação rigorosamente não começou.

Bem a propósito, aquele grande, saudoso engenheiro católico a que me referi em post anterior, dizia esta frase: "no dia em que se forma, o moço é pouco mais que um bobo". Haverá entre os leitores quem, ao ler esta frase ora citada, torça o nariz. Pois bem, no que me toca afirmo isto: o Ruy Maia Freitas no dia em que saiu de sua primeira escola de nível superior era mesmo pouco mais que um bobo. Dali para frente é que começou para mim o sentir o gosto do sal da vida.E digo mais: pena é que na ocasião eu não tenha tido a oportunidade de ter meus olhos bem abertos por um pensador como Adler.

b)- esse mesmo ilustre filósofo americano, de cujos livros infelizmente só três foram traduzidos em nosso país, mostra em seus lúcidos e precisos ensaios, escritos em linguagem bem acessível, que os pais de família cometem um terrível equívoco ao matricularem seus filhos na escola: o equívoco de achar que a função da escola seja apenas a de propiciar uma futura vitória na competição do chamado mercado de trabalho; seja apenas favorecer o futuro ganho de bons salários, conforto e segurança. E que, uma vez obtido o famoso diploma, o "canudo", então missão cumprida : o moço encerrou sua tarefa de aprender.

Ora, isso que Adler critica na sociedade americana, essa mentalidade pequena, sem maiores ideais, que ele passou sua longa e generosa existência neste mundo lutando para mudar, não é um defeito exclusivo de muitas famílias dos EUA. Isso tudo há muito tempo vem ocorrendo também no Brasil.

c)- para desempenhar o seu correto papel, a Escola Secundária - em vez de ser mera ponte para o vestibular, mera ante-sala para a universidade - deveria de fato ser um ambiente em que se fizessem coisas tais como, por exemplo:
- treinar os adolescentes para que sejam capazes de escrever de modo claro, coerente e com bom vocabulário; capazes de ler em voz alta, e compreendendo, poesia de boa qualidade;
- treinar os adolescentes para saberem ouvir e apreciar música do tipo erudito, aprendendo a diferença entre estilos e épocas;
- treinar os adolescentes para que descubram no estudo da história universal não só as misérias, as vilanias, os crimes de que a natureza humana - no estado em que se encontra - é capaz de cometer; mas, também ressaltar os atos de grandeza feitos pelo heróis e pelos santos;
- treinar os adolescentes para saberem participar de modo civilizado das discussões feitas em grupo, de modo que a pessoa do outro, mesmo com opinião contrária à nossa, seja respeitada.

Não vou alongar a lista dos exemplos. Os poucos apresentados creio que sejam suficientes para alertar um leitor que até agora ainda não havia pensado no assunto.E note bem, amigo leitor, a exemplo de Adler, não usei o verbo "educar". Educar-se é uma atividade muitíssimo mais séria do que se costuma pensar.Conforme diz aquele respeitável mestre de tantas gerações: somente adultos podem se educar.


posted by ruy at 10:36 da manhã

 

Powered By Blogger TM