Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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14.9.03

 
Pontos para refletir neste Domingo.


Vejamos inicialmente esta notícia dada pela Internet:

Neste sábado, o fotógrafo americano Spencer Tunick - conhecido por fotografar grupos de pessoas nuas em locais públicos pelo mundo - realizou mais uma sessão com 300 voluntários. As fotos foram feitas na Feira de Santa Maria, no norte de Portugal.
Tunick documenta pessoas nuas com fotografias e vídeos desde 1992. O artista esteve no Brasil em abril de 2002. Na ocasião, fotografou mais de mil pessoas nuas no Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo. O fotógrafo conseguiu reunir 7 mil pessoas nuas em Barcelona.Também passou por Buenos Aires, Nova York e Austrália.


Bem, existe um quadro do pintor Frá Angélico, pintado no século XV, em que o notável artista retratou o Cristo crucificado, estando em pé, de um lado e do outro da cruz, as figuras de Nossa Senhora e São João Evangelista. Esse quadro tem para mim dois aspectos particularmente interessantes.

O primeiro deles relaciona-se com a autenticidade do Santo Sudário de Turim. Os que estão a par da impressionante quantidade de informações contidas naquela venerável relíquia sabem que, entre os muitos detalhes informativos, está o relevante fato de que o homem crucificado foi pregado na cruz pelos pulsos (em grego, a palavra que significa pulso é a mesma usada para se referir à mão: kheír, de onde : quiromancia). Ocorre, segundo nos ensinam os anatomistas, que um corpo não pode ser pendurado cravando-se cravos ou pregos nas mãos; elas não agüentariam o peso. Tal suspensão só pode ser feita se os cravos forem enfiados nos pulsos, em um ponto chamado: “espaço de Destot”. Ora, no quadro de Frá Angélico, como em outros mais antigos, Nosso Senhor aparece pendurado pelos cravos enfiados nas mãos. Se, como dizem os negadores da autenticidade do Sudário, este fosse forjado e tivesse sido pintado na Idade Média, o pintor responsável por essa falsificação teria cometido o mesmo erro dos demais artistas da época (Frá Angélico, Giotto e outros).

O outro ponto interessante do citado quadro é o que se liga à nudez do Crucificado. Nosso Senhor aparece ali completamente despido, como de fato deve ter acontecido em sua Paixão.O que nos mostra isso? Simplesmente que os antigos, isto é, os homens do medievo, não tinham o que hoje chamaríamos: “um falso pudor”, um pudor hipócrita. Disse chamaríamos porque – conforme nos mostra a notícia da Internet – em nossos dias ocorre um outro tipo de atitude, também reprovável, que é a do exibicionismo doentio, agressivo, provocador e, para mim pelo menos, sobretudo burro.

Dizem os mal informados que o medieval era sujo, avesso ao banho. Ora, em Paris, na Idade Média, existiram os banhos públicos. “E por que eles terminaram, por que foram proibidos?”, pode perguntar o nosso leitor. Por uma razão bem compreensível: eram mistos, eram ao mesmo tempo usados por homens e mulheres. É fácil de entender o que pode ocorrer quando juntamos materiais sujeitos à combustão natural...

Como ontem falei sobre a Idade Média, ficam aí alguns pontos adicionais, para a reflexão do leitor deste blog, a respeito daquela distante época.


O Papa.


Que podemos dizer sobre o sofrimento físico do nosso Papa, tão visível nas imagens da televisão ou da Internet ? Como pode aquele homem suportar tamanho tormento ? O que se passa em seu íntimo ? Qualquer comentário apressado a respeito deste assunto será sempre leviano.Talvez tenhamos que nos recolher, em silêncio, ao nosso próprio interior, lá onde está Aquele que poderá dar para nós as adequadas respostas àquelas perguntas.



posted by ruy at 12:09 da tarde

13.9.03

 
A Idade Média.


Conforme o que há muitos séculos diz a antiga afirmativa da filosofia aristotélica, repetido pela filosofia tomista: in medio stat virtus”, isto é: “a virtude está no meio”. Explicam-nos os entendidos que esse meio não deve ser confundido com uma espécie de média, uma indefinida terra-de-ninguém, uma confusa mistura de coisas opostas. É de fato, conforme nos ensinam os bons mestres, um meio elevado, longe de dois extremos, à semelhança da crista de uma elevação que separe duas profundas ravinas.

Ora, quando nos propomos a falar ou a escrever sobre a Idade Média há duas posições opostas de que devemos nos afastar se estivermos dispostos a respeitar aquela secular advertência aristotélico-tomista. Uma é a dos que consideram o Medievo como se tivesse sido uma idade sombria, repleta de ignorância e de preconceitos; um tempo em que os homens teriam regredido culturalmente, atemorizados por uma religião desumana pregada por homens prepotentes e fanáticos.No outro extremo, na outra posição: os românticos, para os quais aquele espaço de mil anos de história foi iluminado por uma fé perfeita e todo marcado por galanterias e façanhas heróicas com que homens nobres e valentes costumavam castigar as vilanias e as injustiças.

Neste ponto, um eventual leitor deste blog pode me perguntar: “muito bem Ruy, qual é então a “posição média, qual é o modo certo com que devemos apreciar a Idade Média ? Vou tentar responder a estas perguntas do melhor modo possível.

É fato sabido que os judeus não tiveram vida cômoda no Medievo. Afinal, eles eram o povo que havia crucificado o Salvador, e a sociedade européia em que viviam era praticamente toda cristã. Pois bem, curiosamente, é de um autor judeu de nossa época, Egon Frieddel, que ficaram registrados, em livro por ele escrito, vários elogios aos medievais. Um desses elogios se refere a um certo espírito “infantil”, isto é, um modo ingênuo de encarar a vida, como se ela fosse uma aventura diariamente vivida. Tal atitude dos homens naquela época torna-se talvez menos intrigante quando nos lembramos de que eles não tinham o conforto das inúmeras facilidades que a ciência e a tecnologia moderna nos proporcionam (peço que me dispensem de enumerar essas facilidades); não dispunham dos antibióticos, dos planos de saúde e dos seguros de vida e contra acidentes.

Havia no homem medieval uma consciência de seu valor como pessoa porque, ainda que homem por homem eles não fossem moralmente melhores ou piores que cada um de nós modernos, sua sociedade praticamente inteira admitia que o homem como tal é importante, porquanto a mesma sociedade quase inteira acreditava que o próprio Deus se fizera homem.

Sobre esse sentido do valor que o medieval dava a si próprio, vale a pena ler um belíssimo trecho de uma conferência de Rui Barbosa sobre a Justiça, em que ele conta a famosa passagem do haro (pronunciar : harô) de Ascelino.Vou tornar este post meio longo, mas vale a pena divulgar esse escrito.

Conta Rui Barbosa que Guilherme I da Inglaterra, mortalmente ferido em combate na Normandia, fora levado para ser enterrado na abadia de Saint Etienne, erigida pelo próprio rei em Caen. Passemos a palavra ao meu ilustre xará.

Mas, antes de se recolher a derradeira jazida, quando lhe abriam, entre o coro e o altar, a cova, onde ia baixar o féretro do conquistador, um caso estranho e insólito deteve a santa cerimônia, enchendo os circunstantes de assombro.Da turba dos fiéis saíra à frente um homem, ouvindo-se-lhe da boca o brado legal de apelo à justiça e à lei, haro !, o “aqui d’el rei” daqueles tempos e terras, contra o ato que se estava a consumar.

Tomados, assim, de sobressalto, quedaram todos, encarando no intruso. Era Ascelino, filho de Artur, modesto sujeito, cujo nome esse rasgo imortalizou.

“Clérigos e bispos!” clamou o desassombrado cavalheiro, “o chão em que estais, era o sítio da casa de meu pai. O homem, por quem fazeis preces, no-lo tomou à força, quando simples duque da Normandia, e, com afronta de toda a justiça, por um ato de poderio tirânico,aqui fundou esta abadia.Eu não o vendi, não o empenhei, também o não perdi por sentença, nem lho dei. Reclamo, pois, este terreno, demando a sua restituição, e, em nome de Deus, proíbo que o corpo do esbulhador se cubra com a gleba da minha propriedade, que durma na herança dos meus.”

Estas palavras, ditas de tom de se ouvirem, todos os presentes as escutaram, e o monge Ordericus Vitalis, contemporâneo desses sucessos, as recolheu com escrúpulo na sua História Eclesiástica da Inglaterra e da Normandia.

Ruy Barbosa continua contando que os assistentes conheciam o fato e deram pleno testemunho em favor do prejudicado. Só depois que os prelados indenizaram o dono da terra, pagando-lhe o valor do terreno onde se construíra o templo, foi levantado o impedimento e, então, o corpo do soberano pôde finalmente descer ao sarcófago a ele destinado.

Atente o leitor para este detalhe: o embargante não possuía carteirinha de identidade, nem CPF e nem contava com o patrocínio de um advogado. Era simplesmente Ascelino, um homem da Cristandade medieval.



posted by ruy at 3:40 da manhã

12.9.03

 
Uma transcrição muito oportuna.


Diz antiqüíssimo aforismo que a pressa é a inimiga da perfeição. Ora, se existe hoje em dia um fato que confirma a verdade desse ditado, esse fato é a superficialidade com que as pessoas dão palpite sobre certos assuntos da maior gravidade.

O texto que abaixo vou transcrever ( enviado pelo meu leitor amigo RRP...) é como um oportuno lembrete a muita gente sobre o perigo das leituras apressadas, superficiais; sobre o perigo dos julgamentos preconceituosos.Peço aos demais leitores que divulguem ao máximo o referido texto. Repito: o máximo de divulgação, por favor!Leiam atentamente e depois divulguem. E muito grato ao meu amigo RRP...pelo envio dessa mensagem de tão magna importância !

São Pedro Claver.

São Paulo, 09 de setembro de 2003.

Hoje é dia de São Pedro Claver, o escravo dos escravos. Um belo dia para desfazer mitos e calúnias plantados contra a Igreja de Jesus Cristo pelo discurso dominante na mídia e nas instituições de ensino.

São Pedro Claver nasceu na Catalunha (Espanha), em 1580. Com 22 anos,ingressou na Companhia de Jesus, sendo dirigido por Santo Afonso Rodrigues.
Partiu como missionário para a América, sendo ordenado Sacerdote em Bogotá (atual Colômbia). Compadecido da dolorosa situação em que se encontravam os negros trazidos da África como escravos, decidiu consagrar sua vida ao apostolado entre eles. Obrigou-se mesmo por voto a ser "aethiopum semper servus" ("sempre escravo dos negros"). Cumpriu heroicamente esse voto, por mais de 40 anos. Em meio a uma sociedade escravista, pregava que os negros também eram templos do Espírito Santo.

É comum vermos nos manuais escolares de história dizer-se que a Igreja católica apoiou a escravidão. O que nem sempre temos é o senso crítico de perceber que esses livros foram escritos por homens, e homens que tinham certos interesses e determinadas idéias. Quando vamos a fundo no estudo das coisas, descobrimos que nem sempre a verdade foi o que nos ensinaram.

É verdade que existiam padres que justificavam a escravidão. É verdade que, ordens religiosas, como os franciscanos, possuíram escravos no Brasil. Acontece que não podemos confundir o pensamento da Igreja com qualquer coisa que um padre fale ou faça. Muitas vezes, os padres falam o que dá na cabeça deles. O que a Igreja pensa está nos documentos dos Papas e dos Concílios e nos escritos dos Santos Doutores. Quem quer saber qual é o pensamento da Igreja sobre um assunto vai lá e lê. Em certas circunstâncias, isso é mais seguro que perguntar a um padre.

Hoje em dia também temos padres que defendem e abençoam o aborto, a camisinha, a eutanásia e o sincretismo religioso. Mas é um erro dizer que eles refletem o pensamento da Igreja. Com efeito, o santo padre João Paulo II tem tomado posição bastante firme contra essas coisas. Na segunda-feira retrasada (01/09), eu ouvi com estes meus ouvidos que a terra há de comer, em um Fórum de Bioética promovido pela Câmara Municipal de São Paulo, um sacerdote,o Padre Christian de Paul de Barchifontaine (que não é qualquer um, mas o Reitor do Centro Universitário São Camilo, que foi convidado para representar o pensamento religioso nesse Fórum de Bioética) dizer que não podemos nos opor ao aborto quando a mãe não tem condições de sustentar a criança e não teve acesso aos meios contraceptivos ic!!!). Ele estava representando o pensamento religioso no Fórum, mas aquilo que ele falou não tem nada a ver com a doutrina da Igreja sobre o assunto. Do mesmo modo, não podemos culpar a Igreja de Cristo pelas safadezas que os padres cometeram no tempo da escravidão. Temos que investigar qual era a posição oficial dos Pontífices sobre o assunto.

Já no século XV, o Papa Pio II dirigiu ao Bispo das Ilhas Canárias uma carta na qual censurou e condenou o tráfico dos africanos e a escravização dos indígenas. Nonício do século XVI, o papa Leão X esforçou-se o quanto pôde para que os reis de Portugal e Espanha extirpassem o maldito tráfico de escravos. Paulo III publicou,
com poucos dias de distância, dois diferentes documentos sobre o mesmo tema: dia 28/05/1537, com a Pastorale Officium condenava as teses racistas e afirmava que os indígenas (americanos ou africanos) eram homens, capazes de abraçar a Fé e de salvar-se; não deviam ser escravizados mas convidados à Fé com pregações e exemplo. Cinco dias depois era publicada a Veritas ipsa, na qual Paulo III admoestava:

"os índios e todos os outros povos que no futuro forem conhecidos pelos cristãos, ainda que vivam sem a fé cristã, podem lícita e livremente usar, conquistar e gozar aliberdade e o domínio dos próprios bens e não debem ser escravizados, sendo nulo e sem efeito todo contrato desse gênero."

Os que agissem contra esses decretos pontifícios seriam fulminados de excomunhão (tal como hoje se pune canonicamente o aborto), e o poder de absolvê-los era reservado ao Papa. Os decretos de Paulo III forma confirmados por Urbano VIII (em 1639, documento Comissum nobis) e Bento XIV (1741, doc. Immensa pastorum). Pio VII, por ocasião do Congresso de Viena (1815) fez um apelo aos governantes europeus para que o tráfico de africanos fosse completamente abolido. O apelo para o fim da escravidão foi renovado por Gregório XVI e Leão XIII, o qual, em 1888, presenteou a Princesa Isabel com a Rosa de Ouro, por ter promulgado a lei que abolia a escravidão no Brasil.

Infelizmente, essas coisas não saem nos manuais escolares de História...


Muito obrigado, RRP... !





posted by ruy at 4:03 da manhã

11.9.03

 
O bom amigo.


O que é um bom amigo ? Bem, para mim pelo menos, o bom amigo - entre outras qualidades - é aquele que não diz "sim" ou bate palmas para tudo o que eu diga, escreva ou faça. É alguém que, ao me ver acertar em 90 % de um problema por mim abordado e percebendo que existe uma importante parcela de 10 % sem a qual a solução por mim sugerida pode resultar em "pior a emenda que o soneto", chega perto de mim e diz de coração aberto: "Ruy, meu amigo, você está quase 100 % com a razão, mas, cuidado! Existe um importantíssimo detalhe que meu amigo está esquecendo !"

Parece que tais afirmativas sejam acacianas. E de fato são mesmo.Entretanto, a melancólica experiência da vida me tem mostrado que, muitas vezes, até mesmo pessoas dotadas de brilhante inteligência e de excelente cultura não tomam a necessária cautela que deveriam ter ao tratarem de complexos problemas humanos e, lamentavelmente, não se lembram dessas obviedades referentes ao bom amigo.E por causa desse esquecimento dançam...


Ainda sobre o "ser católico."


O batismo opera em nós uma transformação, digamos, "ontológica". Trata-se de um sacramento, que na linguagem dos doutos é aquilo que age "ex ópere operato." Ou seja: confere caráter indelével. Batizado uma vez, batizado para sempre, seja no Céu (que Deus nos ajude a chegar lá !) ou em um lugar onde "haverá choro e ranger de dentes" ( livrai-nos de cair ali, o' Virgem "auxílio dos cristãos"! ).

Mas, o ser católico, católico no duro, sem embromação, é quase como uma arte. Vai depender do capricho, isto é, do esmero, de cada cristão que tenha sido batizado na Igreja, batizado por aquela que é nossa Mãe e Mestra.

Como católico, devo ser aberto para tudo que seja verdadeiramente bom, verdadeiro e belo existente no mundo. Devo saber sorrir de modo descontraído, desarmado como um menino. Devo ser capaz de acolher com respeito pessoas dos mais diversos tipos de crença.Devo entender que a doutrina que me ensinaram - e que é verdadeira por si própria e não por causa dos brilhantes raciocínios que eu possa fazer sobre ela - essa doutrina é uma das muitas Graças que recebi na vida, isto é: sem mérito algum meu.

E como católico, sobretudo eu deveria, de vez em quando pelo menos, lembrar-me da oração em versos composta pelo genial poeta católico Murilo Mendes:

"Senhor, minhas prece se faz
em termos exatos:
que os maus sejam bons
e os bons não sejam chatos !"



Curiosidade minha : por que muitos de nós católicos não prestamos a devida atenção no fato de Nossa Senhora haver se preocupado, se interessado pelo problema dos noivos que ficaram sem vinho na festa do casamento ? Os protestantes, por sua vez, nunca se lembram da ação intercessora da Virgem ao pedir ajuda a seu Filho.



posted by ruy at 3:34 da manhã

10.9.03

 

Provação, sim ! Crise, não !


Faz poucos dias, meu amigo M..., comentando certo assunto abordado em um dos posts publicados neste blog, fez esta muitíssimo feliz observação: a Igreja está passando por uma grande provação, e não por uma crise. Vale a pena fazer uma digressão a partir dessa oportuna lembrança do meu amigo.

Admitir o uso do termo "crise" faria supor que a Igreja fosse pura e simplesmente uma instituição humana, o que ela não é. Ainda que aos olhos do mundo a Igreja apareça como se fosse apenas um imenso conjunto de pessoas, incluindo entre elas todos os bispos, padres ,religiosos e os leigos católicos comuns, na verdade ela está essencialmente ligada ao divino, está nuclearmente inserida no Eterno, porquanto foi instituída pelo próprio Verbo de Deus encarnado. Entretanto, mesmo sendo por essência ligada ao Eterno, ela pode, à semelhança d'Aquele que a instituiu, passar por grandes provações; jamais passar por crises análogas às que costumam ocorrer com as instituições intrinsecamente humanas. Repito: M... , você foi felicíssimo naquela observação!

Neste exato momento posso adivinhar um provável leitor católico que me faça a seguinte objeção:
"péra aí, Ruy! Você pode estar certo em teoria, mas na prática ...Você mesmo, há uns dois dias transcreveu neste blog a notícia, dada na Internet, a respeito da profanação ocorrida na basílica de Nossa Senhora Aparecida. Você não ignora que um dos assessores mais próximos do atual Presidente - notoriamente apoiado por um partido totalitário - é um homem que se assina "Frei" Betto, o mesmo irrequieto pseudo-religioso que, anos atrás, levou a Fidel Castro uma carta de solidariedade assinada pelo notório cardeal Arns.Você não ignora que há muitos anos vêm ocorrendo dentro de muitas igrejas verdadeiras aberrações de mau gosto e/ou desrespeito durante a celebração do santo sacrifício da missa. Você não ignora que o conhecimento da doutrina católica entre pessoas ditas católicas, e de razoável nível de escolaridade, vai pouco mais além do que aprenderam em suas primeiras aulas de catecismo.Você não ignora isso que listei e muito mais, muitíssimo mais, que vem acontecendo em nosso país e também em outros de tradição católica... (e olhe que não citei o melancólico "affaire" dos padres envolvidos com pedofilia...)

Não amigo leitor. Não ignoro nada do que você lembrou aí em cima. Porém, faço agora meu comentário.

Na minha opinião, um dos grandes problemas da cultura contemporânea (não apenas do Brasil) é o fato de termos aderido, consciente ou inconscientemente, ao culto marxista da História (com H maiúsculo, como eles gostam) entendida esta como uma esotérica personagem voltada para o futuro. O passado - na visão marxista - só tem sentido como etapa da marcha na direção do Estado perfeito. Não importa, por exemplo, que o chefe de uma nação seja medíocre e/ou gaiato, desde que se preste ao subalterno papel de auxiliar dos "grandes iluminados", dos obstinados que dormem sempre sonhando com o futuro longínquo, um futuro telúrico onde a Esperança está ausente.
Nós perdemos a noção do transcendente valor do passado. E quando digo:"nós perdemos", infelizmente incluo neste plural a maioria dos católicos...

Já está longe o dia em que o grande Chesterton escreveu que o homem é o estranho animal que caminha com os pés voltados para a frente e os olhos voltados para trás. Isso que aos desatentos pode soar apenas como um dos muitos paradoxos do genial ensaísta é um modo sutil de nos lembrar a insubstituível utilidade do passado. Vamos aproveitar, pois, a sugestão Chestertoniana : vamos aprender com o passado.

Faz muitos séculos, houve na Cristandade uma terrível heresia : o arianismo. Seus adeptos cresceram em número tão grande que São Jerônimo deixou registrado este sofrido lamento: "o mundo mirou-se e gemeu ao ver que havia ficado todo ariano".
Pois é. Porém, Ário morreu. Os hereges se dispersaram e desapareceram. O grande bispo Santo Atanásio, tão perseguido pelo imperador que apoiara a heresia, teve sua coragem e fidelidade reconhecidas pelos católicos, e a Igreja continuou pelos séculos seguintes. E vai continuar até o fim do tempo, já que ela tem para si a promessa feita pelo próprio Cristo: "as portas do Inferno não prevalecerão".
As atuais provações vão terminar. Não sabemos quando; mas, como diz o salmo : "mil anos são como um dia diante do Senhor".


posted by ruy at 3:32 da manhã

9.9.03

 
Profanação.


Mais uma vez, um organizado desrespeito à basílica de Nossa Senhora Aparecida. Veja o leitor a notícia dada ante ontem (7/set) pela Internet:

O Grito dos Excluídos atingiu seu objetivo de mobilizar a população, provocar o debate e sensibilizar o governo federal para promover mudanças. Está é a avaliação de um dos Coordenadores do Grito dos Excluídos, Ari Aberti. De acordo com ele, 120 mil pessoas participaram na Basílica de Aparecida do Norte, interior de São Paulo, das atividades do movimento, constituído pela Igreja Católica e por entidades sociais, que em todo 7 de setembro protesta contra a exclusão social e contra a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).<

Se o leitor deste post é de fato católico, peço que releia atentamente a notícia acima transcrita. Depois, faça a si próprio esta pergunta: um templo dedicado ao culto religioso, um lugar reservado para os louvores a Deus, Nosso Senhor, seria lugar indicado para protestar contra a ALCA ? Seria lugar adequado para fomentar o ressentimento de pessoas objetiva ou subjetivamente excluídas ? Para onde foi o recolhimento, o piedoso silêncio indispensável para ouvir a palavra do nosso Criador e Salvador ? Pense nisso, amigo leitor...


Pequeno poema escrito por um filho indignado.


Desagravo.

A mão fechada, o rosto enraivecido,
o movimento,
a multidão.
No ensolarado exterior da basílica,
um 7 de setembro revoltoso,
uma profanação organizada.

Porém, quando chegar o fim da tarde,
e o Sol ficar por trás da Mantiqueira,
quando os agitados tiverem partido,
entrarei em vossa casa,
o' Mãe da nossa Esperança,
para ouvir, de joelhos,
em absoluto silêncio,
as palavras essenciais.


(9/set/03)



posted by ruy at 3:16 da manhã

8.9.03

 
Agradecimentos.


Quem escreve com uma teimosa, quase quixotesca, intenção de dar um testemunho, fica sempre à espera de um retorno. Não necessariamente um elogio.Mas, sobretudo, uma palavra amiga e solidária, de alguém que tenha angústias e esperanças semelhantes às do autor. Ruy Maia Freitas não é impassível; ele fica muito alegre quando chegam esses fraternos retornos.Neste instante quero ressaltar três constantes leitores : R..., S.M... e M....

De vez em quando, R... envia um pequeno e muito gentil "relatório" em que analisa vários posts do Despoina Damale, uma análise feita com precisão, concisão e bom gosto.É um excelente "feedback" que recebo neste blog;

Bem recente, S.M....enviou-me uma sugestão quanto à leitura deste livro: "O Primeiro Guerreiro", da autoria de Orlando Paes Filho. Ainda não li o livro, mas S.M....leu e, por isso, me garantiu que se trata de obra bastante séria, primeiro volume de uma série de sete, cujo tema é a cristianização da Inglaterra, aquela grande ilha que outrora foi chamada : "a ilha dos santos."Conforme me disse S.M...., o autor levou 25 anos preparando a obra completa.

Meu amigo M...., aproveitando meu post sobre a China, ou melhor, sobre uma palestra que alguém fez sobre aquele país asiático, fez várias considerações bem pertinentes, transcrevendo-as em duas mensagens a mim enviadas, as quais prometo divulgar neste blog, se Deus quiser. Sugiro aos poucos leitores que releiam, no citado post , três perguntas que fiz "aos meus botões", perguntas que levaram M.... a me enviar as duas mensagens.

Muito obrigado a esses três bons amigos deste blog ! Deus lhes pague !


Vocações.


Em um imenso conjunto de lares deste país, neste exato momento, existem pais zelosos bem preocupados com o futuro dos seus filhos no que toca à profissão que deverão escolher para garantir sua subsistência. É uma preocupação legítima.
Dos milhões de jovens considerados, uns devem ter pendor para a medicina, outros para a engenharia. Uns para a advocacia, outros para a bem moderna arte do analista de sistemas. Uns para a biologia, outros para o sofrido e abnegado ofício do magistério.Não vou estender este post enunciando a quase totalidade das vocações que existem à espera dos que a elas se sintam chamados. Porém, quero sim, preciso sim, me referir a uma esquecida entre as possíveis vocações.

Pois é, em um país de maioria católica, o desejável seria a existência de muitas vocações para o sacerdócio.
Quando se fala sobre isso, as pessoas desconversam. E isso quando o assunto aparece na conversa; porque, em geral, não é assunto "conversável"...
Bem, para não me alongar, vou logo ao ponto nuclear do tema: caro leitor, faça a hipótese de que, de repente, se acabem os padres neste país. Quem irá dizer as palavras essenciais que operam a transubstanciação, esse milagre silencioso que nos permite comer o corpo do Cristo ? Quem nos irá dizer as palavras essenciais que nos entregam o perdão oferecido pela própria misericórdia divina ?

Faça dessa trevosa hipótese motivo para sua demorada reflexão, amigo leitor ! Por favor, pense muito nisso !


Natividade de Nossa Senhora.


Hoje, 08 de setembro, a Igreja festeja em todo o mundo o nascimento da Maria de Nazaré, a imaculada Mãe do Redentor. Para homenageá-la, repasso trecho do Sermão do Nascimento da Mãe de Deus, do Padre Antônio Vieira, composto no séc. XVII:


"Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria?
Vede o para que nasceu. Nasceu para que dEla nascesse Deus.
(...) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;
perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;
perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;
perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;
perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.
Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;
os discordes, para Senhora da Paz;
os desencaminhados, para Senhora da Guia;
os cativos, para Senhora do Livramento;
os cercados, para Senhora da Vitória.
Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;
os navegantes, para Senhora da Boa Viagem;
os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso;
os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte;
os pecadores todos, para Senhora da Graça;
e todos os seus devotos, para Senhora da Glória.
E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e
Mãe de Jesus"


[Muito obrigado aos amigos que me enviaram este belíssimo texto!]






posted by ruy at 3:12 da manhã

 

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