Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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31.8.03

 
A leitura.


Faz dois dias um neto me enviou pela Internet a seguinte mensagem:

Vô, o senhor poderia me explicar um pouco sobre o que foi a Rerum Novarum publicada pelo papa Leão XIII em 1891? O meu livro classificou essa encíclica como uma "Ação socialista da Igreja Católica". Infelizmente não dá para acreditar nesses livros de história, por isso peço que o senhor me ajude. Obrigado.
Um grande abraço,
C...
P.S.: de "brother" para "brother".


Bem, para atender ao pedido de C..., de início indiquei-lhe a leitura do “site” www.encuentra.com , onde ele poderia achar os textos completos (em espanhol) das principais cartas encíclicas de vários papas, entre eles Leão XIII, o autor da “Rerum Novarum”. Depois, para acelerar o desmentido da leviana e tendenciosa classificação feita pelo compêndio que meu neto – infelizmente – é obrigado a usar como aluno de um “cursinho” preparatório para vestibular, citei logo o capítulo onde claramente o papa condena a solução proposta pelos socialistas para o problema social.

Em conseqüência desse diálogo “eletrônico” entre meu neto e eu, comecei a refletir sobre uma importante característica de praticamente quase todas as encíclicas papais. Refiro-me ao tom com que elas são escritas: um estilo ao mesmo tempo sereno e majestático, bem conforme a posição, com o “munus” pastoral que foi entregue pelo Espírito Santo ao sucessor de Pedro. Um modo de escrever que naturalmente convida o leitor a uma leitura sem pressa alguma, atenta e respeitosa, a menos, é claro, que ele, o leitor, já venha envenenado pelo preconceito.

Ora, se é verdade que uma encíclica por sua própria natureza nos leva a uma leitura feita com a máxima atenção, não é menos verdade que um outro tipo de texto, mesmo sem conotação religiosa, só poderá ser eficazmente aproveitado por nós se adotarmos diante dele uma atitude algo semelhante àquela assumida por nós perante o documento eclesial.Nesses outros tipos de textos estão incluídas as obras de entretenimento, em prosa ou em verso, os ensaios sobre os mais diversos assuntos, e obviamente os livros que tratam de temas científicos.

Logo que este “blog” foi inaugurado, fiz alguns comentários sobre um livro de George Steiner traduzido para o português e editado pela editora Record: “Nenhuma paixão desperdiçada”. Trata-se de uma excelente coletânea de ensaios literários escritos por um respeitável autor, homem de larga cultura e não menor sensibilidade. Logo no primeiro ensaio do livro, Steiner faz certos comentários que irei citar agora porquanto se relacionam com o que acima escrevi a respeito da desejável atitude do leitor. Vejamos.

- “Cada livro contém uma aposta, um desafio ao silêncio, que só pode ser vencido quando o livro é aberto novamente”.
- “Aprender de cór, transcrever fielmente, ler com toda a atenção é fazer silêncio dentro do silêncio.Esse tipo de silêncio a esta altura da vida contemporânea na sociedade ocidental tende a tornar-se um luxo.”
- “A arte da leitura precisa reencontrar o seu caminho, ainda que a duras penas. Se falhar, se ‘une lecture bien faite’ passar a ser apenas um artifício do passado, um enorme vazio passará a ocupar nossas vidas”.
Quase no final do capítulo, Steiner cita um comentário escrito por Charles Peguy:
- “ Uma leitura bem feita...nada mais é que a verdadeira, que a autêntica e, acima de tudo, a real culminação do texto, a real culminação da obra”.


posted by ruy at 5:43 da manhã

30.8.03

 
O Erudito.


O Erudito é alguém que sabe em que dia, mês e ano foi criado o Estado de Israel. Conhece a história de todos os acordos diplomáticos, militares e comerciais, firmados entre várias nações, que dizem respeito à existência daquele pequeno porém importantíssimo país do Oriente Médio.Conhece os nomes de todos os líderes, vivos ou já falecidos, que ao longo de mais de meio século vêem dirigindo o povo judaico; e conhece também os nomes dos homens que, nesse mesmo período, têm liderado o povo palestino.

Conhece os detalhes de todos os atentados terroristas que já ocorreram naquela zona de raivosas e encarniçadas batalhas ; é capaz de nos dizer quantas vítimas já morreram em ambos os lados dessa longa e sangrenta luta que diariamente é notícia em todos os jornais e televisões do mundo.

Pode nos contar curiosas indiscrições ou sibilinos comentários de notáveis presidentes e famosos emissários políticos, todos referentes ao drama palestino (ou drama judaico, se o leitor preferir). É sabedor das várias cifras em porcentagens e totais - nisso tudo incluídos os montantes em dólares e em toneladas de petróleo - que medem a repercussão no mundo da existência de Israel e do trágico conflito na Palestina.

Tudo isso o Erudito conhece.Porém, existe um ponto a que o Erudito quase nunca se refere. As coisas se passam como se esse ponto não existisse ou não tivesse para o nosso “expert” a menor importância.Entretanto, é o ponto nuclear do problema.Temos ali, naquela ensolarada região do mundo, em presença uma da outra, duas milenares crenças religiosas, sendo uma bem mais antiga que a outra. Essa mais antiga fala em um Messias, um homem que viria ao mundo para dar ao povo judaico, ao Israel dos Profetas, o seu lugar de honra, sua preeminência na Terra.Ignorar essa crença é quase como perder a justificativa para a existência do altivo Estado que hoje enfrenta os exaltados seguidores de Maomé.

Este aspecto ignorado ou esquecido, de propósito ou não, pelo Erudito, devia interessar sobretudo a cada um de nós que afirmamos acreditar que o Messias já veio. O maior drama dos conflitos modernos, neles incluído o do Oriente Médio, consiste de fato em que os chefes das nações “soi-disant” cristãs talvez não sejam muito convictos da vinda do Messias. Praticamente todos eles agem em suas atividades políticas como se a existência do Salvador fosse apenas uma narrativa fantasiosa, conservada ao longo dos séculos pelas populações ignaras ou supersticiosas.Quando muito, uma lenda que é bom existir porquanto contribui para manter as pessoas bem comportadas. Ou será que o leitor acha mesmo que os nossos Chefes de Estado sejam piedosos crentes em Nosso Senhor Jesus Cristo ? E por falar nisso: a quantas anda a nossa própria crença ? Qual é o significado da pessoa de Jesus Cristo para mim, em minha vida ? Responda , Ruy!


Murilo Mendes.


Em 13 de agosto de 1975, morria em Lisboa Murilo Monteiro Mendes.Nesse espaço de vida de pouco mais de 70 anos, o grande poeta mineiro e universal gerou uma imensa obra poética e também uma grande produção em prosa. Em 1994 a editora Nova Aguilar lançou em formato elegante a obra completa do saudoso poeta católico, ali incluídos, por exemplo, os seguintes livros poéticos : O Visionário / Tempo e eternidade / Os quatro elementos / A Poesia em Pânico / As Metamorfoses / Mundo enigma / /Poesia liberdade, Sonetos brancos / Contemplação de Ouro Preto / Parábola / Siciliana / Tempo espanhol / Convergência.

Disse ali em cima que Murilo Mendes era “universal” e logo depois escrevi: “saudoso poeta católico”.Ora, de fato a palavra “católico” quer mesmo dizer:“universal”. Essa universalidade não significa apenas a geográfica. Seria muito pouco se fosse apenas isso.

O ser católico – e o bom Murilo sabia muito bem disso – é ter uma generosa abertura para o mundo. É ser capaz de ver e ouvir a bondade, a verdade e a beleza onde elas estiverem. É saber escutar com Débussy, nas silenciosas coisas que nos cercam, o som discreto da criadora beleza divina. É perceber ao lado de Machado de Assis o mistério da liberdade humana, capaz dos atos mais vis e também das maiores generosidades. É ter o coração e a inteligência atentos para a presença do Eterno. Mas, tudo isso feito com discrição; com elegância. Sim, com elegância.

Murilo certa vez escreveu:“Deus é tão elegante que não aparece para receber aplausos.Manda os santos em seu lugar.” (in: “O Discípulo de Emaús”.)


Pequena história verdadeira.

Ela estava esperando o primeiro filho.Ele estava nas trincheiras.Veio, viu o menino nascer, chorou, e logo em seguida voltou à luta.


posted by ruy at 3:30 da manhã

29.8.03

 
Martírio de São João Batista.


A bonita igreja matriz da minha cidade natal é dedicada a São João Batista. As paredes do templo são ornadas com grandes vitrais que nos mostram os diversos fatos da vida do Precursor de Jesus Cristo. Entre esses episódios lá está a cena medonha em que a cabeça do santo, ainda sangrenta, vem sobre uma bandeja para ser entregue a Herodíades. Morreu assim João: mártir por ter se recusado a omitir a verdade diante de um poderoso.
"Diante dos reis falarei de vossas prescrições, e não me envergonharei." (Salmo 118, vs. 46).
São João Batista, rogai por nós!



Noturno.


Compassadamente,
sobre o velho toldo,
cai a chuva, mansa e fria,
deste hibernal agosto.

Na rua, agora quieta,
não mais se ouvem carros apressados,
nem buzinas irritadas.

Na sala pequena,
a mulher amada, viajando,
leva de bagagem unicamente um livro.
Está num lugar distante,
numa Europa afastada no espaço e no tempo.



Alguns haicais improvisados.


O pé no chinelo,
o pé guardado no sapato.
Matinal rotina.

A janela aberta :
-silencioso convite
ao olhar cansado.

A mulher sorrindo.
O mundo recém criado.
Não estou mais só.

Cartão pequenino.
Mensagem bem carinhosa.
Alegria imensa.

Saudade da festa.
Repetição na memória.
Novamente moço.



posted by ruy at 3:32 da manhã

28.8.03

 
Uma digressão sobre filmes.


Uma pessoa muito minha amiga falou comigo a respeito de dois ótimos filmes que ambos conhecemos e a que já assistimos Pretendo comentá-los, mas antes vou lembrar agora duas expressões que os antigos costumavam usar em suas conversas e em seus escritos. São elas:
"est modus in rebus , e "cum grano salis". Estas expressões sugerem a sensatez com que devemos tratar de uma discussão, de um problema qualquer que fuja à precisão exigida, por exemplo, no terreno da Matemática ou da Física. Feita esta ressalva, vamos ao tema.

Os filmes a que me refiro são : "O gênio indomável" e "Melhor é impossível" , sendo o primeiro um drama e o segundo uma comédia. É bem provável que os poucos leitores deste blog também já tenham assistido àquelas películas. Não irei, portanto, contar minuciosamente a história, o enredo de cada uma delas. Vou, sim, abordar certo aspecto que se liga, digamos assim, à "filosofia" (entre aspas ) deste blog.

No primeiro dos filmes, isto é, no drama, os personagens principais são um psicólogo maduro que sofre profundamente a dor da viuvez e um rapaz super dotado intelectualmente, capaz de aprender com a maior facilidade qualquer assunto catalogado na pletora dos currículos universitários, ali incluídas a espantosa bioquímica ou a história da literatura, os meandros do Direito ou a matemática mais abstrata.

Ocorrem no filme algumas cenas de violência física e outras de sexo vivido fora do casamento. O rapaz é problemático, irreverente e agressivo. Caberá ao psicólogo mostrar ao moço que a vida é muito mais que o conhecimento intelectual; ensinar-lhe que existe uma outra forma de conhecer que passa através do misterioso coração do homem; e que o verdadeiro afeto é compromisso permanente, e não passageira aventura com alguma bela mulher.O ponto mais dramático desse espinhoso ensino acontece no emocionante diálogo dos dois sentados à beira de um lago: o homem maduro, sofrido, e o moço inquieto e que, apesar de toda a sua brilhante inteligência, sofre a solidão do desamor.O filme termina com a partida do rapaz que, agora em paz consigo mesmo, sai em busca da mulher a quem ele havia magoado, mas a quem de fato ama.

No segundo filme, o papel principal é o de um escritor psicótico; um personagem coadjuvante é um artista, um pintor homossexual . Não ocorre no filme nada de escabroso, e a única cena de nudismo, envolvendo a personagem feminina principal da história, é apresentada de modo bem discreto, dentro do contexto típico de uma pose para pintura. Essa jovem é de fato uma heroína.Provavelmente mãe solteira, vive correndo entre o cansativo trabalho de garçonete e os cuidados com o filho pequeno, doente crônico de bronquite sufocante.Ela é a humilde mulher por quem o escritor se apaixona e a quem ele vai fazer, quase no final do filme, a mais bela declaração de amor que já foi mostrada na tela de um cinema.

Para encurtar este post: nenhum dos dois filmes pode ser classificado como "história edificante", daquelas que só envolvem "pessoas bem comportadas".Contudo, nos dois enredos poderemos descobrir - se formos atentos - um valor essencial que é o da maravilhosa grandeza humana, uma pedra preciosa muitas vezes escondida no meio de circunstâncias prosaicas, em cenários sem beleza, no íntimo de pessoas comuns ou cheias de grandes defeitos. Porém, se formos movidos por um tipo de moral férrea e intolerante, beirando o desumano farisaísmo, passaremos ao largo das essenciais mensagens presentes em cada um desses filmes.


E por falar em amor...


Hoje é o dia em que se comemora o santo e sábio Doutor que entendia muito bem do assunto. Aquele que, depois de uma juventude gasta na corrida atrás de amores fugazes, acabou por se fixar no próprio Amor que "move o Sol e as outras estrelas". E tendo ali se fixado, deixou para nós registrada esta nuclear verdade :
- "Dómine, feciste nos ad Te, et inquietum est cor nostrum donec requiéscat in Te! "

- "Senhor, fizeste-nos para Ti, e inquieto estará nosso coração até que descanse em Ti.!"

Santo Agostinho, rogai por nós !


posted by ruy at 3:29 da manhã

27.8.03

 
Algumas reflexões esparsas.


- Volta e meia aparece nos jornais ou na Internet notícia deste tipo: "foi celebrada hoje missa em homenagem ao falecido senhor Fulano de Tal." Trata-se de um infeliz equívoco. Missa nenhuma homenageia alguém, vivo ou morto. A missa é sempre um sacrifício celebrado em honra do Senhor Deus, com as orações essencialmente dirigidas à Santíssima Trindade. Pedimos na missa de aniversário de morte (7o. dia, 30o. dia ) que Deus tenha piedade da alma do falecido, que ele seja perdoado de suas faltas e levado ao Céu. Ninguém que saiba o que de fato seja a missa vai ali para homenagear a pessoa que morreu.

- O problema do Iraque tem armado um outro tipo de equívoco, qual seja o de olharmos o conflito dos Estados Unidos com aquele país do Oriente Médio em termos puramente "estáticos". Em conseqüência, os observadores são levados a tomar uma de duas cartesianas e simplistas atitudes, quais sejam: ficar a favor ou contra os EUA.Raríssimas serão as pessoas que se lembram da realidade que é o encadeamento histórico, essa interminável corrente que nos liga ao passado e que poderia nos explicar por que o mundo moderno chegou ao angustiante ponto em que estamos.

- Um preconceito é sempre condenável. E ele se torna perigoso quando é guardado por alguém detentor de alguma forma de poder e, por isso mesmo, capaz de influir na vida de uma instituição qualquer. Medidas administrativas criadas sob a inspiração de um preconceito podem modificar respeitáveis e eficazes tradições.Tais modificações, uma vez introduzidas em uma organização, em geral se tornam difíceis de serem desfeitas.É o velho problema da mudança de residência: fácil é desarrumar uma casa; bem mais difícil é arrumá-la em nosso novo destino.

- Cada vez mais me convenço de quanto é sensata a perspectiva de Mortimer Jerome Adler no que toca à educação, entendida essa atividade como um continuado processo de auto aperfeiçoamento tríplice da pessoa humana: mental, moral e espiritual. Um processo pelo qual cada ser humano é o único responsável, e no qual o Estado não tem direito algum de se intrometer. Um processo que somente pode ser realizado por um adulto, ou seja: por aquele que seja capaz, de direito e de fato, de assumir completa responsabilidade por si próprio.

- Acabo de ver na Internet a notícia de que no Canadá médicos vão distribuir legalmente maconha plantada pelo próprio governo. Se tal notícia for mesmo verdadeira, estamos diante de uma indiscutível prova da sombria decadência cultural do Ocidente. Não importa que no Canadá não haja analfabetos, não haja fome, não haja pessoas sem casa para morar. Em que pese ao valor desse eficiente atendimento às necessidades básicas do ser humano, isso não esgota as virtualidades de um homem. Será sempre bom lembramos o que escreveu Saint-Exupéry, no final de seu livro "Terra dos Homens", a respeito do "Mozart assassinado." Será que os políticos que estão no governo canadense já leram esse livro?

- É muito comum o ato de rezar por alguém (a preposição correta é "por", e não "para", como erradamente muitos dizem). Rezar, isto é, pedir a Deus pela saúde de alguém, pedir que alguém consiga um emprego, que possa comprar uma casa para morar etc.Todos são legítimos pedidos, todos podem estar em nossas preces. Mas, pergunto: qual de nós já terá rezado pela conversão de um parente, de um amigo? Qual de nós já terá pedido a Deus que dê a alguém a graça da Fé ?
Ora, isso é o que fez durante anos e anos, chorando muitas lágrimas, Mônica,a mãe de Agostinho. Acabou sendo, pois, duplamente mãe daquele inquieto filho.

Hoje, 27 de agosto- Santa Mônica, rogai por nós !


posted by ruy at 3:56 da manhã

26.8.03

 
Agosto.


Fazem sobre o mês de agosto algumas referências bem pouco amáveis. Por exemplo: "mês do cachorro louco", "mês do desgosto" (esta pelo menos rima...), e vai por aí. Mas, no que toca à liturgia, é de fato um mês privilegiado ! Se não vejamos:

- comecemos pelo dia 6: festa da gloriosa Transfiguração do Senhor. Mais perto do tempo em que o Cristo passou pela Terra viveram: o apóstolo São Bartolomeu (lembrado no dia 24), que em vida recebeu do próprio Jesus um enorme elogio e o diácono São Lourenço (festa no dia 10), ambos mártires;

- no dia 1o. , a figura impressionante de Santo Afonso Maria de Liguori, Doutor da Igreja. E logo no dia 4, a presença de São João Batista Maria Vianney, o Cura d'Ars, padroeiro dos padres, aquele que passava horas e horas no confessionário, ouvindo centenas de penitentes; no dia 19, São João Eudes, padre do século XVII;

- entre os Bem-aventurados lembrados em agosto, temos quatro grandes santos bem medievais, a saber: São Domingos (dia 8), Santa Clara (dia 11), São Bernardo (dia 20) e São Luís, rei de França (dia 25):

- marcando os primórdios do medievo, lá está o nome respeitadíssimo de Santo Agostinho (dia 28), seguindo bem de pertinho sua mãe, Santa Mônica (dia 27), cujas orações e lágrimas contribuíram para a conversão do irrequieto filho ;

- agosto recorda-nos no dia 21 um grande, um imenso Papa: São Pio X, o bravo defensor da Fé católica;

- no dia 23, a ilustre filha da ordem Dominicana: Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina;

- para marcar presença no tumultuado século XX, ambos vítimas da maldade nazista lá estão Santa Teresa Benedita da Cruz -Edith Stein (dia: 9) e São Maximiliano Kolbe (dia 14), mártires;

- por falar em martírio, lá está no dia 29 o de São João Batista, o Precursor ;

- finalmente - e de forma alguma menos importante, muito pelo contrário! - as super luminosas festas dedicadas à Santíssima Virgem, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo: a Assunção de Nossa Senhora (dia 15) e sua coroação como Rainha no Céu (dia 22).

É bem possível que outros santos estejam incluídos no calendário de agosto. Que me perdoem eles o haver eu omitido seus nomes na lista acima feita...Porém, creio que ela seja mais que suficiente para mostrar ao leitor como é feliz o mês de agosto.
"Mês do desgosto" ? De forma alguma !

Todos vós, santos de Agosto, rogai por nós !


posted by ruy at 4:00 da manhã

25.8.03

 
São Luís.


Acho que existe curioso fato no que toca ao modo como muitas pessoas, incluindo aí as de bom nível cultural, como por exemplo os intelectuais, observam, analisam seus próprios países. Parece ocorrer nesse caso uma estranha miopia cujo grau varia em proporção inversa à distância do observador ao país observado.

É bastante comum entre nós brasileiros o referirmo-nos em tom de mofa aos hábitos gastronômicos de Dom João VI, às manias agressivas de Carlota Joaquina, aos lances donjuanescos de Pedro I, ou então comentar em tom magoado o fato de termos sido colonizados pelos rombudos portugueses, eternos personagens de anedotas, e não pelos dinâmicos e progressistas holandeses.Como que para não compensar essas imagens pândegas ou irreverentes, muitos de nós ignoram ou fingem-se de esquecidos dos tenebrosos atos de repressão cometidos pelo governo republicano brasileiro em 1893, por exemplo, contra o pobre barão do Cerro Azul e seus companheiros, covardemente assassinados em certo trecho da estrada de ferro Curitiba – Paranaguá.

Temos, em geral, uma vergonha de nossa história, de nosso passado. Os campeonatos de futebol – e agora de outros esportes – viriam como consolo para a nossa frustração.
Porém a verdade é que nos deveríamos orgulhar – e muito – com o trabalho quase miraculoso que foi o dos portugueses, e depois dos políticos brasileiros que os sucederam, de criar na América do Sul este país gigante, unido por uma só língua, inspirado por uma única fé religiosa. Um país que jamais conheceu uma Guerra de Secessão, como a sofreram os chamados “Estados Unidos”...

Para consolo nosso, os americanos também, em sua maioria, ignoram os fundamentos, as origens filosóficas de seu país, desconhecem a terrível (sem exagero algum neste adjetivo) mediocridade de um Benjamim Franklin, que foi um dos mentores da independência dos EUA. E vários de seus intelectuais, lamentavelmente ignorantes do núcleo do passado americano, têm a petulância de dar opinião sobre o que seja de fato o Brasil. Tornam-se o que se chama : um “brazilianist”. Para mim isso é sinônimo de “palpiteiro”.

Os franceses não se fazem de rogados. Também o povo mais inteligente do planeta não está imune àquela miopia a que acima me referi.
Faz um certo tempo, tive em minhas mãos o grosso volume (a lombada devia ter uns oito centímetros de altura) do livro do historiador Jacques Le Goff sobre São Luís, o rei que governou a França no século XIII . Obviamente, a canonização veio depois da morte do soberano.
Folheei demoradamente o livro. Cheguei a ver, meio perdida no meio daquela floresta de erudição de Monsieur Le Goff, a narrativa de Joinville, que foi, como todos sabem, o grande amigo e “biógrafo” de São Luís. Coloquei de volta o livro na estante da livraria e não o comprei. Saí dali admirando a erudição do autor e, ao mesmo tempo, confirmando para os meus botões melancólicos aquilo que escrevi no início deste post : funciona em geral para as pessoas um estranho tipo de miopia no que tange ao modo de verem sua pátria, de olharem os homens que fizeram sua pátria. Aquela miopia cujo grau é inversamente proporcional à proximidade do observador...


Pedido muito especial.

São Luís, Rei de França, ajude-nos a sermos fiéis ao Cristo Nosso Senhor, com aquela mesma fidelidade e aquela mesma coragem que o senhor possuía e mantinha, fosse nas festas e banquetes da corte, fosse nos rudes terrenos da Cruzada contra os infiéis. Amén.


posted by ruy at 7:38 da manhã

 

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