Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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12.7.03

 
Excerto de uma entrevista concedida por Mortimer J. Adler.

[O que vai abaixo transcrito é um trecho de uma importante entrevista concedida por Mortimer Jerome Adler a Max Weismann em 1995. Para economizar espaço, onde a frase for precedida por um W, refere-se à pergunta de Weismann; a resposta de Adler será precedida pela letra A.
Pedimos desculpas ao leitor pela má qualidade da nossa tradução...]



W.-O que você quer dizer por “um bom uso do lazer?”

A-De novo estou usando uma palavra “lazer” que geralmente é mal compreendida em nosso país, se não em todo o mundo, em nossos dias. Tal como a frase “educação de adultos” é uma frase infeliz porque a maioria das pessoas pensa que a educação seja algo que se faz com as crianças na escola, do mesmo modo a palavra “lazer” é uma palavra infeliz, certamente para a maioria dos americanos, porque pelo termo “lazer” a maioria de nós entende como tempo livre – o tempo que se pode matar, o tempo que se pode aproveitar de qualquer jeito porque sobrou do tempo necessário para o trabalho e para o sono. O tempo de lazer. como a maioria dos americanos pensam sobre ele, é tempo de diversão ou passatempo, tempo para ser gasto, para ser ocupado com vários tipos de atividades sem importância. Em termos dessa concepção, a educação liberal não tem nenhum significado. Seria melhor fecharmos todas as escolas.

Deixe-me dar-lhe outra concepção do lazer. A vida humana é dividida em quatro partes básicas, e não três. Falemos primeiro do trabalho. O trabalho é a parte da vida que consiste nas atividades que todos devemos realizar, se tivermos algum auto-respeito, a fim de ganhar e merecer nossa subsistência. O sono é a parte da vida que é gasta para nos recuperarmos da fadiga do trabalho. Neste sentido, não merece dormir quem não trabalha. O jogo ou a recreação ou o divertimento está no mesmo nível que o sono. Não são o mesmo que o sono, porém não são melhores que ele.

Pensemos por um momento na palavra “recreação”. As atividades de recreação parece existirem para re-criar nossas energias, recuperando-nos da fadiga, eliminando o desgaste que surge do trabalho. Assim, como o sono, tais atividades surgem por causa do trabalho.

Sobra um conjunto de atividades por meio das quais podemos cumprir nossa obrigação de adquirir toda excelência humana que possa adornar um homem. Essas – e elas não são diversões de forma alguma – são as atividades do lazer. São intrinsecamente atividades boas, por causa das quais tudo mais é feito – por causa das quais trabalhamos para ganhar a vida.

A educação não existe para ganharmos a vida. Os pais e professores americanos por muitos anos têm pensado diferente sobre isso, infelizmente.A maioria dos pais americanos mandam seus filhos à escola a fim de ajudá-los a progredir no mundo – vencendo as demais pessoas, vencendo a concorrência de seu próximo. Pensam na escola como um lugar onde se aprende como conseguir uma vida melhor – “melhor” somente no sentido de mais dinheiro.

Esse não é o significado da escola nem da educação. Ninguém tem que ir à escola para ganhar a vida. Nossos antepassados não foram. Talvez precisemos da escola para treinar os homens para as profissões que de fato precisam de estudo, mas não para as tarefas comuns de uma sociedade industrial. As tarefas básicas de uma sociedade industrial podem ser aprendidas no emprego. Não há necessidade de treinamento vocacional nas escolas.

W.- Então, se bem entendi o que você está dizendo, precisamos ir à escola não para aprender como ganhar a vida, mas a fim de aprender como usar a vida que mais tarde iremos ganhar pelo nosso trabalho – aprender como nos ocuparmos humanamente, para viver bem nossas horas de lazer, e não desperdiçá-las ou procurar nos divertir ao ponto de nos distrair ou enfadar.

A.- Precisamente, precisamos aprender a fazer bem aquilo a que somos chamados a fazer como atuantes morais e políticos, e fazer bem o que devemos fazer para o cultivo de nossas mentes. Tais são as finalidades da educação liberal.


[Mais adiante nesta mesma entrevista, Adler apresenta, de modo firme e bem claro, sua idéia de que isso que ele chama: “educação liberal”, que de fato significa: a formação de homens capazes de usar dignamente sua inteligência, deve estar acessível a todos os alunos, independente de sua condição social e do brilho de suas mentes. Esse generalizado acesso é condição, segundo Adler, para a existência de uma democracia autêntica.]


posted by ruy at 2:54 da tarde

11.7.03

 
Dia de festa !


Hoje, 11 de julho, é um dia de festa ! Mas, com certeza o leitor, e com ele a maior parte das pessoas, não ouvirá, nas ruas e praças, foguetórios ou bandas de música, não verá bandeiras coloridas sacudidas pelo povo entusiasmado. Será um evento discreto, bem de acordo com a pessoa em cuja homenagem a festa é celebrada. Estamos nos referindo a São Bento, Pai dos monges do Ocidente, patrono da Europa, conforme foi declarado em 1964 pelo papa Paulo VI, falando em nome da Igreja.

Seria uma atrevida pretensão minha querer registrar nos acanhados limites deste “post” uma explanação completa sobre o papel civilizador que os mosteiros beneditinos representaram na história dos povos europeus, após o desmoronamento do Império Romano. Ao leitor que deseje ler um lúcido e acessível ensaio a respeito do assunto, recomendamos o livro: “São Bento – O Eterno no tempo”, de Dom Lourenço de Almeida Prado OSB, edições Lumen Christi , 1994. Mas, para que não deixemos passar em branco um dado numérico, atendendo assim à curiosidade de um leitor mais apressado, informamos que cerca de três oitavos, isto é, quase a metade das cidades francesas têm origem na ação fecunda de um mosteiro beneditino. (ver livro recomendado, página 43)

Ora, o aspecto mais importante a ressaltar nessa influência civilizadora dos mosteiros medievais é este: ela ocorreu por um misterioso transbordamento.Não foi planejada, nem sequer imaginada. Tudo se passou como se aqueles monges, que viviam, segundo lhes mandava a Regra do santo fundador da Ordem, apenas preocupados com o “Ora et Labora” – reza e trabalha – tudo se passou como se eles tivessem cumprido, confiando plenamente nela, a forte recomendação de Nosso Senhor:
“Não vos preocupeis com o que haveis de comer, beber ou vestir. Vosso Pai sabe que tendes necessidade de tudo isso. Buscai, pois, primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas ser-vos-ão dadas de acréscimo.”(Mt, cap. 6).


Quando nos lembramos dessa maravilhosa realidade histórica, à qual as atuais nações européias devem o que há de melhor em suas características, mais nos entristecemos ao ver, entre nós modernos, em particular no Brasil, bispos, padres e leigos católicos engajados na construção de um quimérico “mundo melhor”, tendo por modelo um tipo ou outro de regime socialista, nos moldes de um grande “colégio interno, fazendo tudo o que o mestre mandar” ...


Oração.

Deus eterno e poderoso, Vós distinguistes vosso servo Bento com muitas e preciosas graças. Fazei que nós, seguindo seu exemplo, possamos sempre merecer a sua proteção, e no Céu participar de sua glória. Amen.


posted by ruy at 4:28 da manhã

10.7.03

 
Algumas reflexões desconexas (ou com tênues conexões...).


(I)- Quando o assunto tem implicações morais, envolvendo bastante a vida de pessoas, conhecidas por mim ou não, as decisões impulsivas sempre são perigosas.O certo é fazer como São Paulo, perguntando com total disponibilidade : “Que quereis que eu faça, Senhor” ?


(II)- Muito me aborreço (e às vezes me enraiveço...) quando leio na Internet notícias como a recente, a de que a CNBB , isto é, a entidade que supostamente representa os bispos deste país, foi ao Presidente para cobrar presteza nas chamadas:“reformas sociais”. A melancólica impressão que me fica é a de que esses pastores se esqueceram de sua específica tarefa, a saber: a de conduzir suas ovelhas de volta à Casa do Pai. Pois, se eles não se preocuparem com esse retorno, quem vai cuidar disso? Senhores bispos, por favor, deixem essas andanças palacianas para os leigos!


(III) – De repente, uma antiga e bonita melodia popular americana, por acaso ouvida na Internet, nos leva rapidamente ao passado, a uma época em que nossa fé era ingênua, embora sincera e verdadeira. O tema da música nada tem de especificamente religioso. Mas, ela nos lembra nossa história pessoal, uma esquecida aventura iniciada no dia do nosso batismo.


(IV)- Muitos já escreveram sobre isso, mas é sempre bom repetir. Em geral a mulher sabe amar, isto é, percebe melhor que o amor é doação generosa, é um pensar no problema do outro. O homem, nós homens, somos mais lerdos.Com o tempo – se o orgulho não atrapalhar - vamos entendendo mesmo que amar é querer o bem a quem se ama, o bem para o outro.


(V)- O bom apreciador da arte, qualquer modalidade de arte, usa ao mesmo tempo a sensibilidade e a inteligência. Percebe, conhece curiosos liames escondidos aos olhos e ouvidos que não foram alertados, treinados (esta palavra pode soar meio áspera, mas é ela mesma: treinados) para captar integralmente a beleza, o significado da obra de arte.Esse treinamento deveria ser feito na escola secundária, porém esta infelizmente virou mera ponte para o vestibular...


(VI)- Quanto mais leio Mortimer Jerome Adler, mais me admiro da espantosa facilidade com que ele é capaz de nos ensinar muitas verdades cujo conhecimento é essencial para vivermos melhor como seres humanos, tanto mais admirável quando sabemos que aquele que foi chamado o “pedagogo da América” não tinha diploma algum! Pena que muitos de nós sejamos arredios à leitura direta de textos em inglês...


(VII)- Um sonho: que as famílias, cada família rezasse junta. Não se trata de carolice, mas, sim, de uma questão de justiça: dar ao Cristo a devida prioridade. E, ao mesmo tempo, esconjurar o grande Inimigo de todos nós.


posted by ruy at 4:30 da manhã

9.7.03

 
A linguagem da sabedoria.


Por várias vezes passam diante dos meus olhos textos que abordam temas supostamente religiosos em que brilhantes autores mostram uma impressionante erudição, quase sempre usada como sutil apoio à exposição das idéias, das opiniões de quem redigiu. É um direito, sem dúvida, de quem escreve usar tal recurso retórico. O problema, porém, se arma no que se refere aos reais objetivos desejados pelo autor, objetivos esses que serão atingidos se o leitor não estiver prevenido quanto à importante distinção que deve ser feita entre sabedoria e erudição.
Vamos citar um texto em que podemos perceber a ausência de brilhantes recursos estilísticos, ausência de erudição; o autor vai direto ao ponto básico do tema que expõe. Usa frases simples, acessíveis ao leitor comum. Deixa, por assim dizer, que a verdade fale por si mesma. Trata-se de um trecho de uma homilia de Dom Lourenço de Almeida Prado OSB, publicada no livro: “NA PROCURA DE DEUS (Reflexões e Sermões)”, editora AGIR, 1992. Escreve Dom Lourenço:

Estamos continuando, neste domingo, a leitura do capítulo V de São Mateus, que nos coloca, mais uma vez, na atmosfera iluminada do Sermão da Montanha, assim envolvidos, como protagonistas e como espectadores, na nova visão do mundo e dos seus valores, que o Cristo veio trazer à terra.
Novos dados, novas aproximações – a lei, a um tempo imutável e sumamente ágil, o nosso comportamento diante da possível injúria – querem conduzir-nos a que procuremos ser o sal da terra e a luz do mundo, a fim de que venhamos a ser portadores e testemunhas da salvação e da claridade, um novo modo de discernir e avaliar os valores , tantas vezes escondidos, que são o sentido mais profundo e verdadeiro da peregrinação do homem sobre a terra.
O pobre pode continuar a ser pobre mas, sem que lhe mude a aparência, é um bem-aventurado; o que chora o é também sem que lhe cessem as lágrimas; os mansos e os perseguidos podem continuar a trazer na face as marcas do sofrimento, mas já participam da misteriosa condição de bem-aventurados. O Cristo, falando do monte, não quer tirar os homens da luta do mundo, não promete ao perseguido a felicidade de deixar de sê-lo, mas revela o mistério da vida humana e a glória escondida no sofrimento e na dor.
O nosso vocabulário espiritual conservou esta palavra bem-aventurado, que alguns tradutores querem apresentar como sinônimo de feliz.Mas não é bem assim. Não seria verdade afirmar que o pobre é feliz, que os que choram e são perseguidos também o sejam. São verdadeiramente sofredores e seus sofrimentos não são meramente aparentes. O Cristo não lhes disse que iriam deixar de chorar ou de serem perseguidos.O mistério é precisamente este: a alegria no fundo do sofrimento. São bem-aventurados porque trazem, escondido no interior da própria vida, um princípio transfigurante de alegria, uma fonte ainda não aflorada de alegria, que os olhos cristãos e, sobretudo, os olhos de Deus vêem antes que apareça ao olhar comum. A vida escondida com Cristo em Deus, de que nos fala São Paulo (Cf. Cl 3,3).



[releia, amigo leitor, e note o timbre sóbrio e sereno da sabedoria].



posted by ruy at 4:56 da manhã

8.7.03

 
Um generalizado e prejudicial equívoco.


Faz poucos dias enviei a vários amigos, antigos colegas de faculdade, cópias de alguns ótimos textos de MORTIMER JEROME ADLER, o grande educador americano. Um ou outro dos amigos que receberam, depois de ler, me respondeu agradecendo a remessa e dando sua opinião a respeito do assunto (tratava-se da idéia – certíssima - de Adler sobre a diferença entre escolaridade e educação). Os restantes destinatários disseram que haviam ficado meio atrapalhados com a leitura dos textos porque estes estavam escritos em inglês, o idioma do autor, e eles não tinham tempo de consultar o dicionário...

Refletindo sobre esse fato, de repente me acudiu a idéia de que vimos em nosso país cometendo um enorme equívoco no que toca ao aprendizado da língua inglesa. Já faz alguma dezenas de anos que vêm proliferando no Brasil os chamados “cursinhos de inglês”, uns de muito boa qualidade – justiça seja feita – outros de valor discutível. Bem, qualquer que seja a qualidade desses cursos, eles se destinam a um tipo de ensino que bem pouca contribuição traz para o progresso que desejaríamos ter para nosso povo, um progresso abrangente, que inclua não apenas o crescimento pragmático, material, telúrico, mas, sobretudo, o crescimento das pessoas como tais, isto é: seres inteligentes, livres, responsáveis, capazes de apreciar valores, com olhos bem abertos para a verdade, a bondade e a beleza.

Eça de Queiroz, o ilustre escritor português do século XIX, costumava dizer que um homem só tem obrigação de pronunciar bem seu próprio idioma. Se pararmos para pensar, de cabeça bem fria, teremos que dar razão ao compatriota de Camões. Entretanto, um leitor mais apressado, neste instante, vai me interromper dizendo em voz alta :
- “Péra aí, Ruy ! Caia na real, homem! Será que você não sabe que as grandes oportunidades de emprego hoje em dia existem somente para quem conhece bem um idioma estrangeiro, e de preferência o inglês, que é a língua universal ?”
Calma leitor amigo ! Sei disso tudo. Mas, sei também que os melhores empregos, os que podem oferecer os melhores salários, são minoria, e é natural que assim seja. Arma-se, pois, como é típico na moderna e competitiva sociedade informatizada (ou outro adjetivo interessante que queiram dar a ela), uma luta silenciosa, uns disputando contra os outros, em busca da tão procurada vaga, esse virtual ouro em pó de nossa época. A grande maioria vai ter mesmo que se contentar com as sobras, isto é os empregos mais modestos e menos exigentes quanto ao perfil dos candidatos...E agora, esses que sobraram, pergunto: devem mergulhar no oceano escuro da amargura, do ressentimento ? Há duas respostas possíveis a esta pergunta sibilina.Vejamos.
Se o moço (a moça) tiver sido alertado(a) para o real objetivo do que se deve chamar “educação”, saberá que a vida tem uma permanente possibilidade de crescimento interior. Saberá que o conhecimento da língua inglesa (por exemplo), a capacidade de ler no original o pensamento de bons escritores - pensadores, poetas, romancistas, americanos ou ingleses - poderá trazer ao leitor das obras desses autores uma preciosa colaboração para seu enriquecimento mental, moral e espiritual. Mas, se o mesmo moço (moça) não for capaz de perceber aquela possibilidade, então talvez fique mesmo tentado(a) a dar o triste mergulho a que acima nos referimos ...

Como pequenina colaboração para que diminua o número de moços frustrados, minha proposta é a seguinte: mantenham-se no Brasil os cursos (os bons) de inglês, sim, mas que eles se dediquem muito mais ao ensino da leitura e da tradução do idioma de Shakespeare.Isso trará muito maior benefício aos alunos e ao nosso próprio país !


posted by ruy at 4:19 da manhã

7.7.03

 
Um esclarecimento.


No post de ontem fiz citação de um trecho do texto de Joseph Pieper intitulado: “Crer, Esperar e Amar”, em tradução feita pelo Professor Luis Jean Lauand, da USP. Outros textos do grande filósofo alemão poderão ser lidos no ótimo “site”:
www.hottopos.com


Santidade ou um excelente “bom comportamento” ?


Por que o pescoço da girafa é tão comprido , ou melhor perguntando: por que existe no reino animal um quadrúpede com tal tipo de pescoço? Por que existe no mundo um fenômeno a que chamamos de: Lei da Gravidade ? O que é o tempo ? O que é a vida ? Por que a morte nos incomoda ? O que é de fato o homem ? Poderíamos fazer uma enorme lista de perguntas desse tipo. Porém, estas poucas pretendem chamar a atenção do leitor para o fato de que vivemos rodeados de mistérios. A simples definição, por exemplo, de um modesto triângulo, o polígono convexo mais simples que existe, não esgota o mistério triangulíneo dessa figura geométrica.

Ora, o cristianismo é essencialmente um mistério, infinitamente mais provocador que qualquer um dos comuns mistérios que nos cercam se for observado na amplidão de todos os seus aspectos, a saber: um notável fato histórico que transformou a civilização, uma doutrina religiosa em que se incluem severas exigências morais, uma maravilhosa proposta de vida perdurável e , sobretudo, uma pergunta inquietante, desafiadora : “quem é Jesus Cristo para nós ?” Aliás, a pergunta é eminentemente pessoal; a rigor ela deve ser feita deste modo: “ quem é Jesus Cristo para mim?” Ou posta em outros termos: “que papel representa Jesus Cristo de fato em minha vida ?”

Houve na história uma época em que esta desafiadora pergunta não se fazia porquanto a existência de um consenso a tornava desnecessária. Durante cerca de mil anos, os homens que construíam sem pressa as grandes catedrais de pedra testemunhavam com aquele seu engenho e arte – e aqui estas duas palavras podem ser literalmente entendidas - testemunhavam uma crença comum, uma esperança comum e uma caridade, apesar de tantas vezes imperfeita, também comum. Os reis podiam ser santos ou cheios de vícios, generosos ou prepotentes, mas sabiam que existia um Rei muitíssimo mais poderoso que eles, diante de Quem, um dia, todos, poderosos ou simples homens do povo, deveriam comparecer para serem julgados.
Hoje os tempos são outros.Os homens que governam as nações estão pouco se lixando para considerações como estas que estamos fazendo neste post, e, mesmo entre os povos que são, digamos assim, “estatisticamente” cristãos, as pessoas, infelizmente, vivem, em geral, um cristianismo “atenuado”, substituído por uma forma de excelente “bom comportamento”. Ainda ontem falávamos no Domingo, no significado religioso do Domingo. Vai ficando cada vez mais difícil aceitar, viver esse significado, tanto mais por que, até mesmo na homilias dominicais, os pregadores muitas vezes se esquecem disto: mais que um legítimo e necessário zelo com o comportamento ético de seus ouvintes, estes deveriam ser, por eles pregadores, estimulados a se admirarem, a se entusiasmarem com o misterioso desafio da Fé e, inspirados, motivados por essa crença, dispostos a enfrentar a grande aventura de se tornarem santos !


posted by ruy at 3:40 da manhã

 

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