Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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6.7.03

 
Sobre a Fé.


Em geral, nós católicos nos gabamos de ter a melhor doutrina, a melhor tradição, os melhores mestres etc., etc.Tudo isso é verdade, isto é: de fato temos. Porém, poucos, bem poucos de nós paramos para refletir sobre a fé em geral e sobre nossa fé religiosa em especial. O trecho que a seguir vamos, com muita alegria, transcrever é da autoria do grande filósofo alemão Joseph Pieper, que foi justamente chamado : “o filósofo das virtudes”, as três Teologais e as quatro Cardiais.
Para mim pelo menos, é um texto que convém ser lido de vagar, bem de vagar, refletindo linha após linha, com a maior atenção possível. Talvez seja o texto, embora curto, mais importante que já citei no meu blog.


(...) não é raro ocorrer que também no âmbito religioso se tenha por "crer" algo que na realidade é totalmente diferente da fé. E talvez, se engane aí até mesmo aquele que se pretende ser alguém que crê: ele aceita o ensinamento do cristianismo, ou uma parte dele, mas não porque essa doutrina seja testemunhada e afiançada pelo Logos de Deus que se revela, e sim por achar, digamos, imponente a unidade da doutrina, ou porque o fascina a grandiosidade da concepção, ou porque se ajusta às suas próprias especulações sobre o mistério do mundo.

Esse homem, certamente, possuiria o conteúdo da fé cristã e o teria por verdadeiro mas - como certa vez se expressou Tomás de Aquino - alio modo quam per fidem, de outro modo que não o da fé.

E pode ser que enquanto estejam ausentes grandes tribulações de ânimo ele se tenha por um fiel cristão e também seja assim considerado pelos outros. Até o dia em que se dá um conflito, e o que até então era tido por verdadeiro subitamente vem abaixo e termina.

Mas isso que dessa maneira, como se diz, "desmorona", pode ser várias coisas: um modo próprio de filosofia de vida, uma ideologia qualquer do bel-prazer pessoal, respeito pela tradição, gosto pelo conservadorismo; mas nunca fé em sentido estrito.


Domingo.


Hoje é Domingo. A palavra Domingo significa que este dia é o dia do Senhor (a palavra dia em latim é: “dies”, feminina; domênica dies: dia do Senhor). Ora, todos os dias pertencem de fato ao Senhor, porquanto o tempo é uma criatura, ele é criado por Deus. Nós somos co-criados com o tempo. Mas, no sentido religioso do termo, Domingo significa : o dia que devemos reservar para o Senhor, a começar pelo culto religioso, no caso dos católicos: a Missa. Porém, infelizmente, na moderna civilização ocidental tal sentido se perdeu...Por exemplo:qual a autoridade pública (presidente, rei, ditador),em qualquer país do mundo, que se preocupa de fato com tal significado do Domingo ? E o que pensa a maioria das pessoas batizadas a respeito do assunto? Ou não pensa no assunto ? Você, amigo leitor, já pensou seriamente nisso ?


posted by ruy at 4:59 da manhã

5.7.03

 
Os dois progressos.


No século XIX, o físico alemão Rudolf Clausius introduziu na cultura científica do mundo o conceito talvez mais dramático dos que já nos foram propostos: o da entropia crescente do universo, também chamada: a morte térmica do universo. De fato, esse provocante conceito só fez confirmar a milenar experiência do nosso senso comum, a saber: a natureza tende sempre a um desmoronamento. Haja vista o agressivo processo da erosão, minando a topografia, causando seríssimos problemas à agricultura, ao clima etc.
Diante dessa tendência entrópica, erosiva do mundo que nos cerca, o homem, usando sua inteligência, reage, diuturnamente, colocando ordem, restaurando a ordem perdida no ambiente em que vive. O progresso na ciência, na engenharia, na tecnologia, na medicina e demais atividades humanas espelha essa teimosa luta contra a desordem.
Entretanto, essa forma de progresso tem um caráter, digamos, “sociológico”. Envolve a humanidade considerada em conjunto. Vou me referir no post de hoje a dois progressos individuais, conexos à pessoa humana.

Cada um de nós como pessoa pode – e mesmo deve – propor-se dois progressos, ou melhor dizendo: duas direções para progredir. Um progredir na direção da máxima autonomia, e um outro em sentido inverso: na direção da máxima heteronomia.
Quando em criança somos alfabetizados tornando-nos capazes de ler os contos de Grimm, o romance A Ilha do Tesouro, as lendas gregas ou quando já podemos usar sozinhos as instalações sanitárias de um banheiro, estamos começando o percurso na rota da autonomia crescente. Mais tarde, aprendemos a andar de bicicleta sem cair, a fazer complicados cálculos matriciais, a dirigir carro, a escolher uma profissão e a mulher com quem pretendemos nos casar. Tudo isso é um crescente aumento em nossa autonomia. Isso faz parte de nossa vocação humana. O “crescei-vos” do Gênesis inclui esse tipo de progresso.É bom e necessário que ele exista. Se isso não ocorrer, temos sem dúvida uma flagrante anormalidade.
Ora, existe uma outra direção para o nosso progredir, infelizmente muitas vezes ignorada ou, quem sabe, esquecida, e que é a da máxima heteronomia. Antes de continuar, talvez seja bom lembrar um pouco a etimologia da palavra. Nomos. , do grego, significa: lei. Auto quer dizer: próprio; hetero: outro. Portanto, autônomo: o que se rege por si mesmo, por sua própria regra de proceder; heterônomo: o que se rege pela regra de um outro, conforme a lei de um outro.

O progresso espiritual, vamos logo ao ponto, é justamente o que tem que ser feito nesse sentido inverso, que é o de, cada vez mais, nos tornarmos como crianças diante da lei divina, diante do Pai comum. O próprio Cristo, Nosso Senhor, foi quem nos advertiu: “Se não vos tornardes semelhantes às crianças , não entrareis no Reino dos Céus.” Crescer, pois, nessa direção é tornar-se cada vez mais dócil à lei de Deus. Por exemplo: rezar com muito maior confiança filial em Deus !
Esta, entretanto, é a usual realidade: costumamos cuidar com o maior empenho do nosso progredir na direção da autonomia; mas, infelizmente descuidamos da outra direção...Talvez por isso mesmo, Adler, aquele que muito justamente foi em seu país cognominado: “o pedagogo da América”, tenha escrito estas muito sensatas palavras:

- “O corpo não continua a crescer após os primeiros dezoito ou vinte anos de vida. Na verdade, começa a declinar após esse período. Mas, o crescimento mental, moral e espiritual pode e deve continuar por toda a vida.”


Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face – a senhora que soube viver plenamente a infância espiritual, reze por nós para que não sejamos teimosamente adultos diante do Senhor !


posted by ruy at 5:16 da manhã

4.7.03

 
Algumas notícias colhidas na Internet :


- “Parada Gay” de 800.000 pessoas desfila pela ruas de São Paulo;

- 4500 pessoas, de ambos os sexos e diferentes idades posam nuas na Espanha para um fotógrafo que vive tirando fotos desse tipo em diversas partes do mundo;

- cientistas produzem embrião humano hermafrodita;

- mãe tenta matar filhos servindo-lhes comida envenenada.

E enquanto um antigo colega de turma, muito otimista, insiste em afirmar que “ nunca a ‘inteligência individual’ esteve tão brilhante (sic) e que apenas “a ‘inteligência coletiva’(?), isto é, a que é chamada Opinião Pública( sic), é que está confusa”, eu, Ruy Maia Freitas, só me animo a escrever este poema:


Hibernal.


Um vento uivante,
gelado e triste,
sopra de madrugada.
Mais que a confirmação do inverno entrante,
esse vento me lembra,
ao sacudir as vidraças do meu quarto,
a silenciosa, a inevitável,
a trágica entropia do universo,
esse destino que fingimos,
teimosos avestruzes,
desconhecer no mundo.
E enquanto os dias passam,
em meio a absurdas agressões à Lei Natural,
prosseguimos, desesperadamente risonhos,
“na louca disparada prá frente”,
cada vez mais distantes da Casa Paterna.




posted by ruy at 4:26 da manhã

3.7.03

 
O conceito de pessoa.


A inspiração para este post veio de uma demorada conversa que tive hoje de manhã com uma pessoa muito minha amiga. Não vou me referir ao assunto sobre o qual falamos. Fazer isso seria cometer uma certa indiscrição. Apenas deixo registrado aqui meu agradecimento por essa oportunidade que me foi dada para abordar o tema ligado ao título do post.

Os que conhecem os Evangelhos estão a par da resposta que Nosso Senhor Jesus Cristo deu ao doutor da Lei que lhe perguntara o que fazer para possuir a vida eterna : “o que está escrito na lei?” E o próprio perguntador respondeu:
Amarás ao senhor teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo com a ti mesmo.” (Lc. 10, 27)

Sabemos a continuação daquela passagem, quando Jesus conta a belíssima parábola do bom samaritano, para esclarecer ao malicioso doutor da Lei quem era o seu próximo.
Ora, em nossa existência neste mundo temos muitos amores, legítimos, naturais, e mesmo necessários para que a vida seja bem vivida. Temos o amor filial a nossos pais, o amor fraterno a nossos irmãos, a nossos avós e demais parentes. Temos o amor conjugal, centro da vida familiar. Temos o amor à nossa Pátria e aos nossos compatriotas. Todos esses afetos fazem parte da nossa natureza. Entretanto, existe um outro amor cuja essência transcende essa naturalidade dos usuais amores humanos. Referimo-nos ao amor de Caridade.

Lembremos que Jesus Cristo mandou que amássemos nossos inimigos. É um amor que parte da vontade, não da nossa espontânea sensibilidade. É um querer o bem a , e não um emotivo gostar de . Nós não podemos, por exemplo: “gostar de Deus>”Por quê ? Porque Deus é um puro espírito; não pode ser atingido pela nossa sensibilidade. Porém, somos obrigados a amar a Deus, conforme corretamente respondeu o doutor da Lei. O amar a Deus é o submeter nossa vontade à dele. É um amor difícil. Como amar alguém que não vemos, não sentimos, não ouvimos com nossos órgãos sensitivos ? É um amor que usa, que precisa usar a inteligência. Note bem o leitor que escrevemos : a inteligência. Não falamos em cultura, em escolaridade, em conhecimentos teóricos, etc. É um amor de caridade, porque, conforme escreveu o apóstolo São João: Deus é Caridade.

O amor ao próximo que está na Lei também é um amor de caridade. E esse amor caritativo ao nosso próximo vem logo abaixo do amor a Deus.Ora, na resposta do doutor da Lei – correta conforme disse Jesus – está dito: “e ao teu próximo como a ti mesmo.”Assim, como explica Santo Tomás de Aquino, o amor devido ao nosso próximo deve ter como modelo o amor de caridade que devemos ter para conosco mesmo. Este é o fato nuclear: em amor de caridade - frisemos isto: de caridade - nosso primeiro próximo é nossa própria pessoa. E é isso que confere ao conceito de pessoa uma abismal importância. Se eu não valorizo corretamente (veja bem o leitor: corretamente) minha insubstituível e única pessoa, eu não a estou amando com amor de caridade. Posso estar me amando de maneira egoísta, valorizando apenas o que é sensível, muitas vezes prestando homenagem à minha vaidade e ao meu orgulho; posso estar valorizando meu amor-próprio, e não o bom amor caritativo de mim mesmo.
Diziam os sábios da Idade Média: “pessoa é o que há de mais perfeito em toda a natureza”.




posted by ruy at 9:02 da manhã

2.7.03

 
A Morte Corporal..


Estamos tranqüilos em casa. De repente o telefone toca. Atendemos e, de um lugar distante, chega a notícia do falecimento de uma pessoa, de um meio parente nosso. À surpresa inicial seguem-se reflexões diversas. Necessário é ordená-las, para fugir aos cômodos lugares comuns, como por exemplo: “é a lei da vida”, ou : “o normal é isso mesmo: que os velhos vão na frente dos moços.”
Machado de Assis, com certeza o romancista mais inteligente que já viveu neste país, certa vez escreveu isto: “a morte é séria.” Na frase pequena descobrimos a concisão do gênio, a perspicácia do psicólogo sem diploma. Dizem as más línguas que Machado era descrente. Outros, mais prudentes, dizem que ele era, sim, um modelo de civilizada discrição. Não alardeava sua crença. Vejamos, agora a opinião de um crente.
São Bernardo, o grande asceta medieval, o santo que pregou uma Cruzada, o santo por quem muitos católicos não escondem uma forte antipatia, e também o santo que teria escrito a belíssima oração a Nossa Senhora : Memorare ( Lembrai-vos) , São Bernardo certa vez disse, quando morreu um de seus irmãos : “ detesto quando a morte corporal leva um dos nossos.”
Aí estão as opiniões de um leigo moderno e de um monge medieval, ambos inteligentes, ambos sérios executores de seus díspares ofícios. O que poderíamos ousadamente acrescentar ?
No dia em que nascemos, “a indesejada das gentes”, como a chamou o lírico (e hoje tão esquecido) Manuel Bandeira, já estava ao lado do risonho berço, silenciosa e atenta. Ao longo dos anos, caminha conosco. Muitas vezes, no meio de uma guerra distante ou em um violento desastre de carro, fica bem junto de nós, pronta para executar sua triste tarefa, sendo às vezes, em um rápido segundo, impedida pelas mãos d’Aquela que, entre outras invocações como é conhecida, é o Auxílium Christianorum. Porém, vai chegar um dia em que a “indesejada” será inevitável.
Somente a Esperança, com E maiúsculo, dá sentido à morte. A proposta dos espíritas é uma fuga, já que, se sou muitos, então não sou ninguém. Essa fantasiosa multiplicidade ofende nossa dignidade de pessoa , única, responsável e insubstituível, e que, apesar de todos o seus defeitos, apesar de todas a faltas cometidas, é infinitamente amada por Quem a criou.


Memorare.

Lembrai-vos, ó puríssima Virgem, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem a vós recorrido, implorado a vossa proteção, reclamado o vosso socorro, fosse por vós desamparado.
Animado, pois, com esta confiança, como Mãe recorro e de vós me valho; e gemendo sob o peso e meus pecados, me prostro aos vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, o’ Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia, e alcançar o que vos rogo. Amén.



posted by ruy at 6:57 da manhã

1.7.03

 
Corrigindo um equívoco.


Um grande amigo, referindo-se a um post em que falei sobre a “Parada Gay”, interpretou o que ali estava escrito como sendo um comentário político meu. Não! Não foi essa, pelo menos, minha intenção.
Ao me referir à presença solidária de dois notórios, dois importantes políticos brasileiros no citado evento que - antes de qualquer outro acidental aspecto – é um acintoso ultrage à Lei Natural, à lei de Deus inscrita na consciência do homem , o que eu quis ressaltar no post é o abismal afastamento entre a cultura ocidental moderna e a cultura que existiu, por exemplo, na Idade Média . De forma alguma me passou pela cabeça fazer crítica aos dois citados políticos. Eles, coitados, sem saberem disso, são mero produto dessa cultura decadente em que – infelizmente – estamos vivendo...Será que fica muito difícil entender isso ? De resto, os que me conhecem, sabem que não sou muito ligado às fofoquinhas políticas, tão do agrado dos comentaristas de nossos principais jornais.
De passagem : a Internet está noticiando que na Grã-Bretanha está sendo estudado um modo de ser legalizada (sic) a união entre homo-sexuais. Portanto, não é mero assunto da política local.



Sobre o mal do subjetivismo.


Em janeiro de 1989, o pensador francês André Frossard, falecido em 1995 com 80 anos bem vividos (foi da Resistência contra a ocupação alemã, esteve preso em campo de concentração, pertenceu à Academia Francesa),deu ao jornal italiano Avvenire uma entrevista em que identificava as causas da grave crise que ameaça fazer desmoronar o Ocidente, com sua rica e bi-milenar civilização. Vamos transcrever a seguir um trecho daquela entrevista.

Para fazer as pessoas voltarem à Fé, só existe um meio, aliás válido para todos. O primeiro passo é um tratamento de cura pela humildade, isto é, levá-las a abstrair-se de si mesmas para abrir-se ao real, ao que é. Fazer exatamente o contrário do que se vem ensinando nas universidades há mais de duzentos anos. O contrário. O anti-subjetivismo, a objetividade.Crer que existe algo ou alguém que mereça ser conhecido por si mesmo, e não em função do que isto representa para nós. Esse algo ou esse alguém contemplá-lo com olhos abertos, com olhos lavados, com o olhar isento de toda espécie de preconceito, de todo conhecimento artificial, de toda literatura, de qualquer pensamento próprio. Esvaziar-se, tornar-se receptivo, tornar-se um espelho parabólico...e olhar. Então virá. Mas não pode vir senão assim. Por meio da contemplação, ou pelo menos do que um dia se chamou contemplação (...)Contemplar, por exemplo, uma árvore e esperar que ela fale, porque toda a natureza tem alguma coisa para comunicar.Quando, no Gênesis, Deus disse “ Faça-se a luz.”, intentou mandar que as coisas sejam inteligíveis.(...).

Trata-se, pois, simplesmente de ter olhos para o que é, de deixar falar o ser das coisas, o que já não acontece.Toda a civilização moderna parece feita de propósito para impedir ao homem a detença do olhar no que é . A televisão, o cinema, todo esse formigar de imagens desconexas e confusas tornaram impossível uma parada, um olhar atento para as coisas reais. O espírito não tem tempo de se deter um instante,, uma fração de segundo: está tudo organizado para impedir a contemplação que acima me referi(...). Para isso só vejo uma solução : livrar-se do subjetivismo, que tanto mal faz, do subjetivismo que dana, do subjetivismo que há três século, desde Descartes, manda para o inferno as inteligências. O subjetivismo é o próprio demônio”.


posted by ruy at 7:00 da manhã

30.6.03

 
Ainda o gravíssimo problema das drogas.


Ontem, meu amigo Luis Miscow, editor do site Viramundos, me deu duas informações, uma boa e outra bem triste. A boa informação foi sobre como eu deveria fazer para que os arquivos, todos, deste blog voltassem ao normal, isto é : fazer com que as letras que haviam sido substituídas pelo sinal de interrogação (?) ficassem de modo correto ! Portanto,muito obrigado, Luís ! Deu tudo certo, como vc. me ensinou!
A outra informação dada pelo bem informado amigo se refere a uma bonita capital de um Estado sulino, a qual, embora ainda não tenha uma população tão grande (se não me falha a memória, é inferior a 500 mil habitantes ), é chamada (assim me disse o Luís) : “a capital das drogas” no Brasil... Isso me entristeceu bastante. Se for mesmo verdade, é o tipo de situação que não se casa com a beleza, com a simpatia da referida cidade...

Neste instante, muitas pessoas há que, ao saber da notícia provavelmente vão dizer isto : “e daí, Ruy ? Eu não uso drogas, por isso não vou esquentar minha cabeça !”
É, pessoal, só que o Ruy pensa diferente. Fica logo pensando no porquê do fato (supondo seja ele verdadeiro).

A primeira interrogação que me vem à cabeça é a seguinte:
- como será o Bispo daquela cidade ? Será alguém de fato preocupado com a santificação de seu rebanho, ou fica satisfeito se os seus fiéis, se os batizados de sua diocese, forem simplesmente pessoas “bem comportadas”, cidadãos pacatos, tranqüilos, sem a menor angústia espiritual, satisfeitos consigo mesmos, rindo à toa, avessos a reflexões mais sérias, a preocupações que não sejam as de: trabalhar, estudar e ganhar honestamente o pão de cada dia e, obviamente, divertir-se um pouco, porque, afinal, ninguém é de ferro...

Quando muitas vezes bate a insônia, Ruy olha para o teto e fica pensando em tudo isso. E imagina se ele, Ruy, também não tem parte da culpa dessa triste realidade, por tantas omissões dele, praticadas no passado... Ruy, cá entre nós, diga, fale mesmo a verdade: você reza ?



Discurso no cemitério.


Morrera, aos 95 anos bem vividos, um famoso político do interior de Minas. Um amigo do governador foi prcurá-lo no palácio e lhe disse: “Benedito, você terá de fazer um discurso no sepultamento! Afinal, o Fulano era um dos mais antigos membros do nosso Partido !” E logo a convicta resposta: “pode deixar comigo !”
O cemitério estava cheio, incluindo vários jornalistas com suas câmeras gulosas.Lá em um trecho do discurso junto à sepultura, o governador larga esta frase: “Pois é, meus amigos, estamos nos despedindo do nosso companheiro cuja morte prematura tanto nos entristece!” Todos os presentes se entreolharam; em respeito à cerimônia fúnebre, correu pelo espaço um geral e tímido sussurro.
Na saída do cemitério, o orador pergunta ao amigo: “que tal ? o que você achou?” E o amigo contristado: “Benedito, mas você foi logo dizer: morte prematura... Ao que responde, muito ancho, o governador: “não se preocupe; eu sei que a palavra é mesmo premátura, mas ninguém reparou nisso ! ”



posted by ruy at 6:04 da manhã

 

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