Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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29.6.03

 
Parafraseando Adler.


Diz o Aurélio: paráfrase, s.f. Desenvolvimento do texto de um livro ou documento; tradução livre ou desenvolvida. Pois bem, é o que pretendemos fazer no “post” de hoje, a partir de uma entrevista dada por Mortimer Jerome Adler, em 1995, a Max Weismann, sobre o tema: “Somente adultos podem ser educados.”
Essa entrevista pode ser lida completa, no original em inglês, se o leitor entrar no “site” Radical Academy, onde existe uma vasta coleção de textos do grande educador americano.

Logo no início da entrevista, Weismann pede ao entrevistado que explique por que este havia afirmado que escolaridade não é educação, por que elas não são uma mesma coisa.
Adler, em resposta, diz que, antes de atender ao pedido do entrevistador, vai fazer uma afirmação ainda mais provocativa, qual seja: a de que somente adultos podem ser educados.
Comenta que, comumente as pessoas, ao falarem em educação, lembram-se imediatamente no desenvolvimento de suas crianças, de seus filhos, e não de seu próprio desenvolvimento; pensam no aprendizado escolar, não fora da escola. Como conseqüência desse modo de ver, a frase “educação de adultos” é mal compreendida, ou melhor dizendo, ela corresponde ao equívoco de pensar na educação como algo feito basicamente com jovens e na escola, e ao dizer a mesma frase pensamos que ela se correlacione com outras pessoas e não conosco mesmo.

Afirma Adler estar convencido de que a educação de adultos é a substancial e maior parte do processo educativo, e o resto, na melhor hipótese, é somente uma preparação. Aliás, falando sobre a escolaridade, diz ele que a maioria dos educadores mantém sobre ela um ponto de vista errôneo, qual seja a noção de que a finalidade ou propósito das escolas – e aí ele, Adler, inclui todos os níveis da chamada “educação institucional”, desde o jardim de infância até o curso colegial e a universidade – seja o de tornar homens e mulheres educados, estando sua educação terminada quando eles receberem um grau ou um diploma.Neste instante, o sempre sereno educador americano deixa escapar a respeito desse generalizado equívoco este contundente comentário: “nada pode ser mais absurdo ou despropositado.” Aquele ponto de vista corresponde a admitir que pessoas jovens – crianças de vinte ou vinte e dois anos – sejam homens e mulheres educados.

Mais adiante, Adler nos pergunta: o que significa ser criança ? E ele mesmo nos responde : é obviamente a vida humana em um estágio em existe o direito a ser irresponsável até um certo grau. A infância é um período de irresponsabilidade.
A maioria das coisas que nos tornam adultos ou maduros ocorrem depois que deixamos a escola. Aí aparecem o casamento, a paternidade e a maternidade, as doenças de nossos pais, ou dos que dependem de nós, a morte de nossos amigos, as nossas responsabilidades no trabalho ou sociais – enfim: todas as coisas que nos amadurecem. Não podemos nos amadurecer sem passar pelo sofrimento e pela mágoa de um luto. Desse tipo de sofrimento as crianças são poupadas, porém pagam um preço por isso; elas permanecem imaturas, irresponsáveis e sem seriedade, no sentido básico desta palavra.
Tenho que ressaltar isto: mais de uma vez, em seus depoimentos, Adler se recusa a assumir uma atitude, digamos, “demagógica” em relação à infância.


Para não alongar este “post”, voltaremos ao tema em um outro dia. Mas, o que está acima exposto creio que seja suficiente para estimular o interesse de um leitor mais atento.


posted by ruy at 8:03 da manhã

28.6.03

 
Santo Ireneu.


Este blog é “meu”, conforme já escrevi anteriormente: “meu “ entre aspas. Por isso convém que aqui neste “pequeno oásis” haja bem menos da opinião de Ruy e bem mais da sabedoria daqueles que me ensinam. Ora, hoje a Igreja celebra a festa de Santo Ireneu, um dos Padres Apologistas , ou Apologetas, assim chamados, conforme nos lembra Etienne Gilson, porque suas obras principais são apologias da religião cristã.
Para participar dessa comemoração, vou transcrever no post de hoje uma notícia biográfica sobre o grande santo e dois trechos de sua inspirada obra.


Santo Irineu

Santo Irineu nasceu por volta do ano 130/135, provavelmente em Esmirna, na Ásia Menor. Pacificador de nome e de fato, pois o nome "Ireneu" vem do grego e significa pacífico e pacificador, como também significa "paz". Era chamado: Zelador do Testamento de Cristo, tendo vivido na época dilacerada por heresias que colocavam em risco a unidade da Igreja na fé.

Ele aconselhou ao Papa Vítor, respeitosamente a não excomungar as Igrejas da Ásia que não queriam celebrar a Páscoa na mesma data das outras comunidades cristãs. Este homem ponderado se aproximou dos bispos das outras comunidades cristãs para o triunfo da concórdia e da unidade, sobretudo exortando que se mantivessem ancorados na tradição apostólica para combater o racionalismo gnóstico.
Foi discípulo de São Policarpo - que havia conhecido pessoalmente o Apósto São João e outras testemunhas oculares de Jesus - Santo Ireneu foi sem dúvida o escritor cristão mais importante do século II. De seus escritos nos restam intactos os cinco livros do Contra os hereges, nos quais Ireneu aparece não só como o teólogo equilibrado e penetrante da Encarnação redentora, mas também como um dos pastores mais completos que serviram a Igreja.

Foi para Lião onde sucedeu no ano 718, ao nonagenário bispo e mártir, São Fotino, e governou a Igreja de Lião até a morte. Foi uma verdadeira testemunha de fé num período de dura perseguição para a Igreja; seu campo de ação foi muito vasto.Sua morte ocorreu no ano 200.


Sobre a Tradição na Igreja.Mas visto que seria coisa bastante longa elencar, numa obra como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos, refutaremos todos os que de alguma forma (...) se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade. Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos" (Santo Ireneu de Lião, Mártir, + 202 d.C., Contra as Heresias, Livro III, Cap. 3, v. 2).


Sobre a Eucaristia.“Dado que nós seus membros [de Cristo], nos alimentamos de coisas criadas, (as quais, aliás, ele mesmo nos oferece ...), também quis fosse seu sangue o cálice de vinho, extraído da Criação, para com ele robustecer nosso sangue; quis fosse seu corpo o pão, também proveniente da Criação, para com ele robustecer nossos corpos. Se, pois, a mistura do cálice e pão recebem a palavra de Deus tornando-se a Eucaristia do sangue e do corpo de Cristo, pelos quais cresce e se fortifica a substância de nossa carne, como se haverá de negar à carne, assim nutrida com o corpo e sangue de Cristo, e feita membro do seu corpo, a aptidão de receber o dom de Deus, a vida eterna? Assim como a muda da videira, depositada na terra, depois frutifica, e o grão de trigo, caído no solo e destruído, ressurge multiplicado pela ação do Espírito de Deus que tudo sustém; e em seguida pela arte dos homens se fazem dessas coisas vinho e pão, que pela palavra de Deus se tornam a Eucaristia, corpo e sangue de Cristo; assim também nossos corpos, alimentados com a Eucaristia, ao serem depositados na terra e aí destruídos, vão ressurgir um dia para a glória do Pai, quando a palavra de Deus lhes der a ressurreição. O Pai reveste de imortalidade o que é mortal, dá gratuitamente a incorrupção ao que é corruptível, pois o poder de Deus se manifesta na fragilidade.”(Contra as heresias, lv 5, cap. 2, 18,19,20).



Santo Ireneu, rogai por nós!











posted by ruy at 11:50 da manhã

27.6.03

 
RECESSO.


Aviso aos amigos : devido às alterações feitas pelos gerentes do blogger, os meus posts ( e também os de outros bloguistas) estão saindo com o acento agudo e o til substituídos pelo ponto de interrogação ...
Por esse motivo farei um recesso de uns dois dias no Despoina Damale, até que o próprio pessoal do blogger ponha ordem na casa !
Um grande amigo meu (Luís, Editor do site Viramundos) me prometeu ensinar um truque para corrigir o tal problema. Se Deus quiser, logo voltaremos à postagem regular !
Um abraço aos amigos do meu pequeno oásis !


De volta mais rápido que eu esperava!


É gente, "eles" são mesmo organizados! Tudo voltou ao normal, e vcs. podem conferir: corrigiram todas as letras erradas, em todos os posts !
Temos que tirar o chapéu para aquela gente! Que os preconceituosos torçam o nariz, Ruy só tem que dizer palavras de admiração!
Por hoje é só. Amanhã - se Deus quiser - volto a postar normalmente !



O' Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós !



posted by ruy at 5:21 da manhã

26.6.03

 
Ainda a Parada Gay.


Um leitor habitual deste blog, ao ler o título acima, poderá fazer este comentário irônico: “que Parada demorada !...”
De fato, diz um antigo aforismo que não devemos gastar vela com mau defunto. Entretanto, naquele infeliz evento ocorrido em São Paulo é possível destacarmos um pormenor que, para mim pelo menos, tem uma capital importância, a saber: a voluntária presença e a concomitante solidariedade da senhora prefeita desta cidade e do bem conhecido deputado José Genoíno, ambos do PT, que como todos sabem é o partido que está no Poder.

Levando em conta a existência de certo feitio gaiato, zombeteiro, detectável naquela dupla de políticos petistas que foram às ruas para apoiar o “orgulho gay”, talvez não valesse mesmo a pena nos demorarmos nesse tema tão melancólico. Mas, nesse caso há um aspecto que não só convém ser lembrado como também, e principalmente, tem que ser ressaltado.

Quando, ao falar sobre a Idade Média, deixamos manifesta nossa admiração, nosso entusiasmo e nosso respeito por aquela época que os mal informados chamam de “Idade das Trevas” (Gustave Cohen diz com muita felicidade: trevas, sim, da ignorância dos que não conhecem o grande brilho daquela época), quando, repito, fazemos elogios àquele maravilhoso período da história, não estamos ignorando que os homens medievais eram seres humanos iguais a nós, sujeitos, portanto, às mesmas tentações que atormentam nós modernos. Porém, há uma diferença notável entre eles e nós, e que é a seguinte: eles tinham um consenso sobre o que é moralmente certo e o que é moralmente errado. Podemos, sem dúvida, com nossos atuais conhecimentos sobre a estrutura psicológica do ser humano, com nossa moderna medicina psiquiátrica, considerar, por exemplo, duríssima a atitude que eles assumiam diante do ato de alguém atentar contra sua própria existência. Mas, aquela atitude, aparentemente desumana, revela na verdade o profundo respeito que eles tinham pela vida humana, em que pesassem todas as complexas dificuldades, os ásperos desconfortos da época.

Como parte daquele maravilhoso consenso, acontecia que as pessoas investidas de autoridade não imaginavam sequer a hipótese de, usando a posição por elas ocupada, estimular, defender abertamente a prática de um vício, a transgressão de uma lei moral.
Agora veja o contraste, leitor amigo, que é o da presença de duas autoridades dando seu apoio aberto e sorridente a uma Parada organizada (...) em favor de uma anormalidade, de um atentado à Lei Natural ! Pergunto: com que cara um de nós vai afirmar, sem pestanejar, que nossa época é moralmente melhor que a luminosa Idade Média ?


posted by ruy at 11:33 da manhã

 


posted by ruy at 10:38 da manhã

25.6.03

 
Violência cristã.


Por diversas vezes tenho externado minha irritação contra o uso frouxo, digamos logo : covarde, da palavra violência feito pela televisão quando ela noticia os crimes, quando se refere aos bandidos ou ao nível da criminalidade nas principais cidades do país. E digo uso covarde porque ela mesma, a televisão, com sua continuada influência deletéria nos costumes da sociedade, está na origem remota da maioria dos crimes que nos aterrorizam e nos deprimem. Já disse várias vezes: violência para mim é o que ocorre quando um jogador de futebol chuta de propósito o joelho do adversário. Dar um tiro em alguém inocente e desarmado é um crime.
Entretanto, convém lembrar agora que existe o que se pode chamar: a violência cristã. Se abrirmos o Evangelho de São Mateus no capítulo 18, vamos encontrar ali palavras de Nosso Senhor que, ao querer mostrar-nos o quanto é nefando o escândalo, Ele nos diz que é melhor cortarmos nosso próprio pé, nossa própria mão, arrancar nosso próprio olho, antes que darmos um pecado de escândalo. É óbvio que a linguagem usada por Jesus é metafórica; mas, a imagem que Ele usa, sem dúvida alguma, é de uma terrível violência.
Porém, neste ponto convém prestarmos atenção, muita atenção: a violência recomendada é contra nós mesmos: que sejamos violentos contra o nosso ego auto-suficiente e orgulhoso, raiz de tantos desencontros e de tantas lágrimas. E por falar em lágrimas e em violência, lembremo-nos neste instante do grande cristão, católico, que foi Leon Bloy.
Os que conhecem a biografia de Bloy sabem que ele adorava o “esporte” ( o único por ele praticado, segundo sua própria expressão) de sentar pauladas no lombo de seus contemporâneos, principalmente no lombo dos católicos medíocres, fossem eles leigos ou padres. Assim, poder-se-ia dizer que Leon Bloy foi um violento contra os outros. Pode ser. Mas, se de fato ele praticou, durante anos e anos, isso que chamou de “seu esporte favorito”, não convém esquecermos também que o Peregrino do Absoluto viveu praticamente sua vida inteira em uma voluntária e humilde pobreza, muitas vezes miséria, junto com sua fiel mulher Jeanne e seus filhos, um dos quais veio a morrer de fome. Se houve neste mundo um cristão que jamais foi um burguês bem instalado na vida, esse homem foi Leon Bloy.
De suas mais lindas reflexões, gostaria agora de destacar esta:

- desta vida só levamos duas coisas: as lágrimas que choramos e as lágrimas que fizemos os outro chorarem. Queira Deus que, ao chegarmos à Eternidade, as primeiras sejam em muito maior volume que as segundas !

São pontos sobre os quais deveríamos refletir bastante, continuamente, mormente nós católicos, tão “remplis de nous-mêmes” por termos a melhor doutrina, os melhores filósofos, os melhores teólogos, e vai por aí; entretanto, muitas vezes esquecidos de uma coisa muitíssimo importante que é a pessoa do outro...






posted by ruy at 6:17 da manhã

24.6.03

 
Festa de São João Batista.


Neste dia em que se comemora a festa do Precursor, vale a pena lembrar a origem dos nomes das 7 notas do canto, tiradas de um Hino em louvor àquele que foi mais que um profeta.
A nota dó era inicialmente a sílaba ut. O nome si veio depois , correspondendo às iniciais de Sancte Ioannes. Vejamos:



Hino a São João.

(autor: Guido D’arezzo, monge medieval)

Ut queant laxis
Resonare fibris
Mira gestorum
Famuli tuorum
Solve polluti
Labii reatum
Sancte Ioannes !


Traduzindo:

Para que possam
ressoar forte
dos teus feitos (milagres)
com largos cantos.
Apaga os erros
dos lábios manchados,
O’ São João!




Murilo Mendes.


Já publicamos neste blog estes versos do grande poeta católico, de saudosa memória : Murilo Mendes, mineiro de Juiz de Fora, bem brasileiro e bem universal. Mas, é sempre bom recordá-los :

Senhor, minha prece se faz

em termos exatos:

que os maus sejam bons,

e que os bons não sejam chatos !




posted by ruy at 3:40 da tarde

23.6.03

 
Mais um grave sintoma...


Na sexta-feira falamos, de modo meio jocoso, sobre o nudismo, tomando como referência várias notícias recentes colhidas na Internet. No sábado, usando um comentário sereno, mais contido, apontamos o fenômeno do nudismo como um dos sintomas da decadência cultural moderna, como um exemplo da situação deprimente em que se encontra o bom uso, o uso eficaz da inteligência humana em nossos dias. Pois bem, ontem a mesma Internet publicou esta notícia:


SÃO PAULO - Com 21 trios elétricos e o tema "Construindo Políticas Homossexuais", milhares de gays, lésbicas, simpatizantes e bissexuais participam da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. Organizadores do evento, que acontece em sua 7ª edição, esperam cerca de 800 mil participantes.


Esta parada, para mim pelo menos, faz parte da pletora de sintomas daquela decadência cultural a que me referi anteriormente. E me desculpem os amigos, o assunto é tão sério, é tão importante, que vou me deter demoradamente sobre ele.
Comecemos pela palavra tolerância . Refere-se a uma possível atitude nossa diante de um fato em que exista uma conotação moral, podendo ser o fato, por exemplo, uma simples birra de criança contrariada em alguma pretensão legítima porém inoportuna, ou pode ser esse organizado (sic) evento em que 800 mil pessoas caminham pelas ruas de São Paulo para melhor testemunhar seu apoio ao movimento “gay”.

Se a palavra “tolerância” tivesse sempre uma conotação de virtude, as casas de prostituição não seriam denominadas “casas de tolerância”. Ora, no que toca a essa atitude diante de um caso em que é flagrante a existência de grave problema ético, a regra de ouro continua sendo aquela que há, muitos séculos, ditou Santo Agostinho (que em sua mocidade conhecera bem o assunto pecado):
Odiar o pecado, mas amar o pecador.
Na cultura moderna, quase não existe mais o ódio ao erro, ao pecado, salvo quanto às corrupções envolvendo dinheiro, todos os dias noticiadas com enorme ênfase pelas mesmas estações de televisão que passam a semana inteira despejando sobre a população, em sua maioria culturalmente indefesa, o dejeto colorido das novelas medíocres; dos programas de auditório imbecilizantes; das competições idiotas tipo “Big-Brother”; dos noticiários incompletos e/ou tendenciosos; das propagandas comerciais grosseiras e/ou de sentido dúbio, e vai por aí...Ano após ano intoxicadas por esse veneno visual e acústico, as pessoas acabam tolerando praticamente tudo.

Entretanto, seria um tanto injusto debitar somente aos programas de televisão a culpa por essa generalizada perda de uma sensibilidade ética mais apurada.Na minha opinião, há várias causas do fenômeno. Para não me alongar, vou apontar apenas duas origens dele.
A primeira está ligada a um bem antigo equívoco a que várias vezes nos referimos, a saber: a denominação Ministério da Educação dada a um órgão público cuja tarefa é de fato propiciar o ensino, é prover a escolaridade aos cidadãos, pelo menos a escolaridade básica.
Desse equívoco, que data de várias décadas, acabou acontecendo que a maior parte das pessoas ignora que : 1.- a educação é um problema pessoal, não cabendo ao Estado dar palpite sobre o assunto; 2.- somente adultos podem efetivamente educar-se; e 3.- esse continuado e sério processo a que devemos rigorosamente dar o nome de educação só termina no último segundo de nossas vidas. Como disse muito bem Mortimer Jerome Adler, nosso crescimento mental, moral e espiritual pode e deve continuar até o fim da vida. Quando não nos conscientizamos disso, quando nos damos por satisfeitos com a conquista de um diploma de nível superior ou com um título acadêmico, e passamos a viver instalados burguêsmente como se nada mais fosse necessário na vida, nos tornamos cúmplices dessa melancólica depressão cultural do ocidente.

Uma segunda origem (da depressão cultural) a que nos referimos é a que se refere a um equívoco muito mais grave: o de centenas de bispos que deixaram de se preocupar com o crescimento espiritual de suas ovelhas para se dedicarem mais à solução dos famosos “problemas sociais” do país. Lembro-me bem de uma foto, vista em jornal, em que aparecia um bispo, agachado no chão, ajudando um sem-terra a cortar uma cerca de arame farpado, enquanto ele, o bispo, sorria para o fotógrafo...Isso é muito triste.Para cortar uma cerca de arame, convenhamos, não é preciso a ajuda de um bispo. Mas, para incentivar as famílias a serem curiosas, interessadas, por exemplo, sobre como será o Céu, aí sim, precisamos de bispos, e de preferência : santos !




posted by ruy at 4:51 da manhã

 

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