Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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22.6.03

 
Tomás Morus


Os nossos irmãos separados talvez vivam no que seria um “cristianismo solitário”, já que não conseguem chamar Nossa Senhora de Mãe e nem podem dedicar amizade aos nossos irmãos, os santos. Ora, quase todo católico tem um santo pelo qual, por um motivo ou outro, ele possui um carinho todo especial. O Ruy não foge à regra. Hoje é dia de Santo Tomás Morus por quem tenho um especial xodó! Por isso, vou falar um pouco sobre ele. Quem quiser ler um ótimo resumo biográfico sobre esse grande santo inglês do século XVI, deve procurar o pequeno livro da editora QUADRANTE, uma acessível edição de bolso, escrito com uma elegância condigna com a nobreza daquele que em vida foi Sir Thomas More.
A maioria das pessoas só ouviu falar em Morus como autor do clássico livro Utopia, nome que acabou se transformando em substantivo comum, muitas vezes usado em tom depreciativo. Santo Tomás Morus foi aquela pessoa que Ruy Maia Freitas gostaria de ser. Foi um homem culto, conhecendo bem, além dos principais idiomas de seu tempo, o latim e o grego. Gostava de conversas inteligentes, nunca se dispondo a bajular os poderosos nem muito menos a tratar com demagogia os menos afortunados. Foi um bom filho, bom marido, bom pai, bom sogro e bom avô. Não era metido a herói, porém soube enfrentar sua morte trágica com um corajoso bom humor, aquele bom humor britânico que, no século XX, viria dar enorme fama ao seu compatriota Chesterton.

Santo Tomás Morus, rogai por nós, sobretudo para que saibamos ser – como o senhor sempre foi – um santo bem humorado !



A Santo Tomás Morus.


Saber, erudição e amor à arte
em ti cresceram desde a mocidade,
e logo a fama veio consagrar-te
em toda aquela antiga Cristandade.

Porém ao escolher a melhor parte,
mas sem fugir à vida em sociedade,
de ti mesmo, fiel, quiseste dar-te
ao serviço maior da Caridade.

Não foste seduzido nem um pouco
pelo poder.Nem jamais se fez mouco
o teu ouvido à voz dos pequeninos.

Por fim, amando a Cristo e à Sua Igreja,
soubeste enfrentar, dura peleja,
de um louco rei, os tristes desatinos.


(escrito no Rio, em 12 de novembro de 1991).



posted by ruy at 5:22 da manhã

21.6.03

 
Um adendo muito necessário !


No meu post de ontem, creio que, no afã de usar uma boa retórica, talvez eu não tenha sido muito feliz, no instante em que escrevi isto: “em princípio, as mulheres menos recatadas são as mais burras.” Convém agora usar estilo mais sóbrio. Vejamos.
O pudor – masculino ou feminino, não importa – é a reverência ao mistério do sexo. Ora, sempre que veneramos o mistério, qualquer mistério ( no sentido ontológico desta palavra) , estamos usando eficazmente nossa inteligência.
O grave problema da cultura moderna está em que ela se afastou dessa reverência ao mistério das coisas. Hoje estamos com uma pletora de informações e conhecimentos sobre tudo o que nos rodeia, mas perdemos a capacidade de contemplar...



Ainda “reflexões hospitalares”


Quando estamos baixados a um hospital, temos de maneira berrante a demonstração de duas realidades essenciais da vida humana, duas limitações que os anjos não têm:
a)- nossa permanente e silenciosa fragilidade;
b)- nossa dependência dos outros.
Alguém me disse lá no hospital: “Deus se vale desses fatos para obrigar a gente a dar uma parada e refletir.”


Democracia e democratismo
Sem querer entrar no agitado dia a dia dos fatos políticos, no miudinho das notícias, podemos ir logo dizendo isto: o mundo moderno usa e abusa do termo democracia, mas de fato o que existe em todas as nações – infelizmente – é mesmo a oclocracia ...O povo, coitado, participa quase sem culpa desse logro bem arquitetado... A partir do século XVIII, os Iluministas vieram, pouco a pouco, colocando todas as nações do mundo dentro dessa sombria forma de regime político, origem de tantas ambições mesquinhas, tantas discussões pomposas e ineficazes e, muitas vezes, gerando sangrentos conflitos (por exemplo: a Guerra da Secessão nos EUA, e as diversas lutas fratricidas ocorridas em nosso país após sua Independência, principalmente as que ocorreram depois da Proclamação da República...).
Os atilados comentaristas que, em suas colunas cativas nos principais jornais do Brasil, discorrem, muitas vezes com brilho, sobre as diárias fofoquinhas políticas ficam sempre na superfície dos fatos, razão pela qual torna-se, para mim pelo menos, pura perda de tempo a leitura desses senhores e senhoras...
[oclocracia – corresponde ao inglês “mobocracy”. e significa: governo da populaça, da multidão ].


Uma fina observação.


Uma senhora muito minha amiga, referindo-se às duas pessoas que estão à frente do governo do Estado do Rio de Janeiro, fez esta oportuna observação: “eles estão brincando de governar !”
(Comento: mas, o que se poderia esperar de uma “inha” e de um “inho” ? )


posted by ruy at 7:34 da manhã

20.6.03

 
Nudismo.


Como Ruy não costuma ler jornais nem ver o noticiário das televisões, as notícias sobre os fatos abaixo citados foram colhidas na Internet.
No auge das campanhas contra a guerra do Iraque, setecentas mulheres australianas formando com seus corpos , em espaço aberto, um enorme coração e frases pacifistas, posaram completamente nuas diante das câmeras dos fotógrafos e da televisão.
Faz poucos dias, sem nenhum motivo de protesto, quatro mil e quinhentos espanhóis, de ambos os sexos e de várias idades, livremente posaram nus para serem fotografados por um sujeito que adora fazer fotos desse tipo (triste é que este fato tenha ocorrido na terra de Santa Tereza D’Ávila e de Santo Inácio de Loyola, no país de Cervantes e Ortega y Gasset ).
Também há poucos dias, a mesma Internet noticiou que na Flórida, EUA, estavam ocorrendo vários acampamentos de nudismo, incluindo neles a presença de adolescentes e crianças.
Bem, diante desses fatos, podem ocorrer certas previsíveis reações, como, por exemplo, a da pessoa que, tomando conhecimento deles, dá logo em seguida um sorriso malicioso, ou de outra pessoa que, fechando o rosto, exclama: “Que pouca vergonha!”
Quanto ao Ruy, como reage ele? Bem, para mim tais fatos só fazem confirmar minha opinião sobre a lamentável situação em que vem vivendo a inteligência humana nestes dois últimos séculos: o XX e o XXI.
Olavo Bilac escreveu um belo verso em que diz: “a beleza, irmã gêmea da verdade...”. Ora, parodiando Bilac, direi: “O nudismo, irmão gêmeo da burrice”. Ou. dando um exemplo bem específico: em princípio, quanto mais uma mulher for desinibida em exibir-se publicamente, com pouca ou nenhuma roupa, mais burra é”. E o inverso também é verdadeiro: “em princípio, quanto mais recatada for uma mulher, mais inteligente é”.
E quanto ao homem ? Convenhamos, independente dos aspectos morais do problema : nudismo masculino, antes de mais nada, é uma demonstração de total mau gosto !



O Céu.


Vamos citar uma opinião de Julian Marías, um dos filósofos mais sensatos e mais simpáticos de nossos dias, que foi aluno do grande de Espanha Ortega y Gasset. O muito polêmico escritor Olavo de Carvalho costuma dizer que Marías é o discípulo que ultrapassou o mestre.
Pois bem, em seu excelente livro : “A Felicidade Humana”, Julian Marías em certo ponto diz o seguinte:
- “ Creio que a conexão entre esta vida e a outra é absolutamente essencial, e é a condição para que essa vida esperada seja efetivamente nossa .Na maneira habitual de apresentar a crença religiosa, e inclusive na prática da vida religiosa da maioria dos cristãos, essa conexão desaparece e fica reduzida ao cumprimento de certas condições abstratas, genéricas, que nada têm a ver com o conteúdo projetivo de nossa vida, da vida de cada um de nós, que é a que será, assim esperamos, perdurável.”
( in: “ A Felicidade Humana”, página 117; tradução: Diva Ribeiro de Toledo Piza; editora Livraria Duas Cidades, 1989).

Em outro trecho do mesmo livro, Marías sugere que os pregadores deveriam despertar nos fiéis a curiosidade sobre como será o Céu.


posted by ruy at 1:00 da tarde

19.6.03

 
A “missa em latim”.


Parece mesmo que é verdade : a antiga missa pré conciliar, mal denominada : “missa em latim”, vai ser reativada. Isso é uma ótima notícia. Por quê ? Vejamos.
Instituída por São Pio V no século XVI, a missa tradicional, com sua beleza serena, sua seqüência bem disciplinada, e com as orações fixas rezadas em latim, sempre proporcionou naturalmente melhores condições para a reflexão e o recolhimento, mais condizentes com o que a missa é de fato, a saber: a celebração incruenta do sacrifício da cruz (para que o leitor não se levante agora e vá ao dicionário, incruento quer dizer: em que não há derramamento de sangue). E mais: recolhimento adequado à contemplação do mistério da Eucaristia, o mistério da transubstanciação.
A missa tradicional começa com a oração de dois belos salmos, em um dos quais o padre celebrante diz: “Introibo ad altare Dei, ad Deum qui laetificat juventutem meam”. Em vernáculo: “Subirei ao altar de Deus, ao Deus que alegra a minha juventude”. Agora, pense com atenção, caro leitor. Imagine a missa sendo celebrada por um padre velhinho, de cabelos brancos, e ele falando: “a minha juventude”. Dirá um leitor desatento: como pode esse padre dizer essas palavras referindo-se a si próprio ? Ora, respondo, a juventude de que fala o salmista é a do espírito, a principal.Quantas pessoas não existem que são biologicamente moças, porém envelhecidas pela descrença generalizada (e não necessariamente apenas a descrença religiosa), a mesma descrença que gera o cinismo, o deboche, a vulgaridade nas conversas, e pode até mesmo gerar o tédio, o portal dos vícios, inclusive o das drogas. Quanto mais cínica for uma pessoa, mais envelhecida será em seu espírito. Seus sorrisos, quando existirem, serão enviesados, terão a marca melancólica da zombaria silenciosa e oculta.
A missa tradicional sempre – ou quase sempre – termina com a leitura do começo do Evangelho segundo São João, em cuja frase inicial são lidas as solenes palavras: “In principio erat Verbum...” - “No princípio era o Verbo...”
Hoje muitos têm trocado a palavra original Verbum, muito mais rica em significado teológico, pela vulgar tradução do latim : “palavra” ( “word”’, “parole”, “parola”, “palabra”, “Wort”, etc., sim, porque os novidadeirismos não ocorrem somente no Brasil...).
Um detalhe interessante. Na missa tradicional, celebrada em latim, há instantes em que o padre vira-se para os fieis e nos diz: “Dominus vobiscum” , isto é: “O Senhor esteja convosco”; ao que os presentes respondem: “E cum spirito tuo” , “E com o teu espírito”. É o normal. Quando nos dizem: “boa noite” ou “bom dia”, respondemos de igual forma, desejando o mesmo para quem nos cumprimenta. Pois bem, na missa moderna, quando o padre diz em vernáculo: “O Senhor esteja convosco”, os novidadeiros colocaram: “Ele está no meio de nós”, como se estivéssemos respondendo ao celebrante : “Hei, meu chapa, você chegou atrasado !”
(quando o Ruy vai à missa celebrada em português, naquele instante ele responde, bem baixinho para não causar escândalo: “esteja com o senhor também, padre”. ).



Hoje: Festa de Corpus Christi. Não haveria melhor dia para falar na beleza devida ao culto !



posted by ruy at 7:26 da manhã

18.6.03

 
A tentação mais perigosa.


O assunto deste post vai ser bem desagradável, mas tenho de escrevê-lo.
Se lermos com bastante atenção as páginas do Evangelho, poderemos ver quais as pessoas com quem Nosso Senhor não tinha o que poderíamos chamar de: “um bom relacionamento”. Sem dúvida alguma, todos nós – católicos ou não católicos – sabemos que tais pessoas eram os fariseus.
O fariseu era um “certinho”; procurava fazer tudo o que a Lei mandava: jejuns, dízimos, comparecimento aos cultos etc.
Mas, faltava-lhe o principal: ser gente, ser pequeno diante de Deus, ser compassivo com os que erram. Aquela cena do encontro do fariseu e do publicano no templo é uma das mais impressionantes que Nosso Senhor criou para melhor nos ensinar qual é a coisa mais necessária.
Tudo o que o fariseu dizia era verdade. Ele era mesmo honesto. Ele não estava mentindo quando se afirmava cumpridor da Lei. Mas, ele se sentia satisfeito consigo próprio, como se suas virtudes fossem fruto exclusivo de seu esforço, e não conseqüência primeira da Graça. E, pior, não sabia ver com olhos de misericórdia o problema do outro.
São decorridos mais de dois mil anos. Passam-se os séculos e a gente olha aquelas cenas vividas na longínqua Palestina como se fossem mero conteúdo de uma narrativa, com muito pouco a ver conosco. Caímos na rotina, deixamos de refletir sobre o mistério da fé, sobre o mistério do Cristianismo. Como o cenário mudou, como os aspectos exteriores do culto mudaram, de repente nos descuidamos e não nos damos conta de que qualquer um de nós pode reeditar aquele fariseu, com outra roupa, com outro sotaque... Mormente se de fato estivermos equipados com a melhor doutrina, com a melhor filosofia, com a melhor teologia. Tudo bem; temos o que há de melhor. E daí ? Como isso, esse melhor, chegou às nossas mãos, à nossa inteligência ?
O’ gente, vamos pensar em Santa Maria Madalena, em Santo Agostinho, no próprio São Pedro ! Que seria deles se não fosse a misteriosa misericórdia divina ?
Notem que teimosamente o Ruy, volta e meia, usa a palavra mistério. Ela para mim é fundamental. Por isso é que me cansam, me aborrecem essas críticas (justas em sua maioria ) que se repetem em certos ambientes de gente inteligente, culta e honesta, críticas feitas aos políticos principalmente, mas também dirigidas a outros tipos de pessoas igualmente criticáveis. Tais críticas me cansam porque rarissimamente vejo feita, em paralelo, a necessária referência a uma ordem, a um núcleo de verdades sem as quais essas críticas - para mim pelo menos - não passam de um certo tipo de moralismo, um pouco mais maquilado que os habituais usados pela mídia, frívola e inconseqüente.
Alguém, neste instante, vai me perguntar maliciosamente: “espera aí, Ruy! Você não faz crítica ?”
Respondo: faço, sim.Mas, ai de mim, volta e meia me dou conta de que não fui caridoso ou, no mínimo, não fui paciente com o irmão talvez um pouco mais imperfeito que eu...( aliás, Deus é quem sabe dessas diferenças).
Este é um assunto incômodo, reconheço. Mas, creio que seja bem mais importante que o de ficar horas e horas tratando da política nacional ou internacional.



posted by ruy at 12:59 da tarde

17.6.03

 

Gratidão


Uma senhora muito simpática e muito minha amiga, há vários anos, costuma dizer que a gratidão para ela é uma virtude importantíssima. Haja vista que, depois de ter lido há muito tempo o romance de Dickens : “Grandes Esperanças”, até hoje minha amiga guarda um xodó enorme por esse livro, justamente porque a trama da história gira, sem dúvida alguma, em torno do reconhecimento de um dos personagens pelo benefício recebido de um garoto, que é o herói do romance.
Ora, o que vou fazer aqui agora é agradecer.
Os que já o conhecem, sabem muito bem que o Alexandre Soares Silva “joga duro”. É alguém assumidamente irreverente, muitas vezes contundente, provável razão pela qual muitas pessoas mais sensíveis não conseguem manter com ele um intercâmbio sem arrepios. Pois é. Ele é assim mesmo. Entretanto, é necessário ver outros aspectos.
Alexandre não faz concessão nenhuma ao mau gosto, à empulhação, à bagunça oficializada.
Lembro-me de um poema que ele publicou no blog (quando tinha o outro endereço) em que satirizava certa dupla de homens públicos que se ligaram ao atual governo, tão logo ele assumiu o Poder. A sátira pegava pesado, ia aos finalmente. Um jovem amigo meu, ao ler o poema, comentou: “podem até processá-lo!”. É claro que o Alexandre sabia disso! Ele é bastante inteligente e enxerga bem a realidade do mundo. Mas, mesmo assim, escreveu e publicou o poema no blog.
Na parte que me toca, a existência deste blog Despoina só veio a se efetivar graças não só ao firme incentivo desse poeta que vive na megalópoles paulista, como também às muitas explicações que me deu, jejuno que sou nos segredos da Internet. Porém, ainda há mais. Volta e meia, Alexandre, com a costumeira generosidade, me passa via rede ótimas dicas, me apresenta novos blogs que por mim mesmo eu não saberia existirem. Faz elogios aos poemas desse teimoso aprendiz de poeta que é o Ruy.Recebo esses elogios bem encabulado, porque são proferidos ( desculpem a palavra imponente) por um poeta de fato, alguém que é capaz de fazer versos rimados no idioma de Chesterton.
Agradecer é um ato muito pessoal, já que a pessoa que o faz é quem melhor sabe os motivos dele. Porém, não custa comunicar aos amigos o cumprimento desse dever de justiça !



Algumas trovas que estavam no baú.


Um sorriso silencioso
tem efeito mais fecundo
na reforma deste mundo
que um discurso grandioso.


É verdade minha gente,
nosso viver é um sonhar,
a morte vem simplesmente
um curto sonho acabar.


As vezes, parando eu penso:
-Conservar os dois quem há de ?
Dos mais velhos o bom senso,
e a força da mocidade !


O tamanho não dá prova
não faz nenhum documento,
a simples pequena trova
guarda tanto sentimento !


Em fuga passam-se os anos
fogem também os dias;
levam minhas alegrias,
deixam os meus desenganos...



posted by ruy at 5:39 da tarde

16.6.03

 
Um equívoco muito sério.


Faz poucos dias, alguém me contou que um irmão separado (termos bem mais caridosos que a antipática palavra “protestante”) dizia que, entre as várias restrições que fazia à Igreja Católica (para mim, simplesmente a Igreja), estava o fato de ali existirem estas duas duras exigências: a obrigação do celibato dos padres e a proibição do uso dos anticoncepcionais. Bem, como este blog é “meu”, vou usá-lo para dar uma resposta pessoal ao irmão em Cristo.
Primeiro, é preciso com toda lealdade não esconder as reais e ásperas dificuldades muitas vezes geradas por aquelas exigências. Negar tais dificuldades, repetindo velho lugar comum, seria tapar o sol com a peneira...Seria enfadonho, agora, dar exemplos das miríades de concretas situações incômodas em que o cumprir as mesmas citadas exigências pode se tornar uma terrível tortura psicológica para as pessoas a elas sujeitas.
Ocorre na verdade um fato infelizmente, melancolicamente esquecido por milhões de cristãos, sejam eles católicos ou não, a saber: o Cristianismo não se constituiu ao longo dos séculos com a finalidade de proporcionar ao homem uma vida mansa neste mundo.Aliás, antes de continuar, lembremo-nos – católicos e não-católicos – daquelas palavras do Senhor Jesus:
“Buscai, pois, primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas ser-vos-ão dadas de acréscimo.” (Mt 6, 33)
Faz algum tempo, em uma reunião familiar, certa pessoa, em tom auto-suficiente, afirmava com ar de sabe-tudo que as igrejas medievais tinham seus tetos elevados para que a Igreja melhor pudesse manter os fiéis amedrontados, submissos. Se aquela pessoa fosse realmente alguém bem informado sobre a vida na Idade Média, saberia, por exemplo, que os humildes operários que construíam as enormes catedrais de pedra faziam greve, paravam de trabalhar quando o bispo do local atrasava o pagamento de seus salários.Não eram, pois, meros fiéis apavorados, mirrando-se de medo diante da autoridade religiosa. A grandeza das catedrais de pedra tinha por finalidade, sim, assinalar, de modo bem visível, aquela prevalência de que nos falou Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Eis agora a raiz do problema: a nossa civilização ocidental que já foi uma Cristandade, que sabia reconhecer aquela hierarquia fundamental na existência humana, hoje está confusa: perdeu o endereço da Casa Paterna. Culpam-se os Estados Unidos, culpa-se o Lula; culpa-se a poluição ambiental e a prevista escassez do petróleo. Projetam-se longas viagens para conhecer Marte e outros planetas, mas esquece-se de explorar a fundo o próprio coração do homem, conforme escreveu Drummond em um de seus mais lindos poemas !
Por tudo isso, meu irmão em Cristo, aquelas exigências que tanto o escandalizam deveriam ser olhadas, como dizia Spinoza, “sub spécie aeternitatis”, sob o ponto de vista da Eternidade!
É só o que lhe posso dizer...


O Domingo.


(Ruy Maia Freitas).


Antes que a vela, aberta pelo vento,
arraste o barco para o mar inquieto;
antes que o ponta pé, forte, direto,
coloque a bola em pleno movimento;


antes que o caminhar, rápido ou lento,
faça o matinal, lúdico trajeto;
antes, enfim, que faças o projeto
de conseguir um bom divertimento,


neste claro Domingo ensolarado,
senta-te um pouco e pensa, calmamente,
por que este dia é assim denominado.


É o dia do Senhor, precisamente.
Por isso deve ser santificado.
É o dia do Senhor, venha Ele à frente!



(15/jun/03)



posted by ruy at 6:32 da manhã

 

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