Despoina Damale

Um pequeno oásis para os amigos





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15.6.03

 
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, neste Domingo da Santíssima Trindade e em todos os outros Domingos !



A questão da santidade.


Um dos aspectos mais intrigantes do Cristianismo – obviamente supondo que ele seja de fato conhecido por quem o esteja analisando – é o que concerne à santidade.
Para muitas pessoas, incluindo até pessoas de formação religiosa católica, a essência da santidade estaria na perfeição moral, ou melhor dizendo: estaria em uma permanente, constante, continuada ausência de falhas morais, de pecados, para dizer a palavra mais adequada neste instante. E por que a mais adequada? Porque o que caracteriza o pecado é ser ele uma falha no cumprimento da Lei Divina. Então, voltando ao ponto da questão proposta neste blog, para muitos existe uma completa equivalência entre santidade e comportamento moral constantemente irrepreensível. Existe tal equivalência?
Se a memória não me engana, foi Santo Agostinho quem certa vez afirmou que a perfeição neste mundo não consiste tanto em já ser santo mas, sim , estar sempre na procura da santidade. Convenhamos, em meio às complexas, muitas vezes difíceis, circunstâncias em que transcorre nossa vida neste mundo, essa busca da santidade não é fácil... Sem o auxílio da Graça, sem a ajuda de Deus, tudo o que fizermos será ineficaz. E neste instante como é bom lembrar o significado da palavra “eficácia” !
Se fôssemos escolher agora uma pequena frase que melhor traduzisse para nós a essência da santidade, citaríamos o lema medieval : “Dieu premier servi !” : “Deus o primeiro a ser servido, Deus em primeiro lugar!”
Foi essa assumida, desejada precedência que, há muitos séculos, fez o jovem filho de um bem sucedido comerciante italiano abandonar a segurança e a riqueza da casa paterna para se tornar um pobrezinho de Deus; que no século XIX fez uma adolescente francesa deixar o carinho e o conforto de sua casa para ingressar na vida áspera do Carmelo, onde morreria aos 24 anos depois de passar seus dias de mocidade em permanente espírito de oração. Foi essa mesma precedência que fez Charles de Foucauld deixar seu título de nobreza, abandonar uma vida de “playboy”, para recolher-se ao ermo de um deserto, onde viria a ser martirizado pelos muçulmanos.



O caso do mendigo.


O rapaz resolveu ir ao cinema com a namorada, levando a irmã dele como companhia. Na volta, vindo a pé pela rua, os três se depararam com um mendigo de pés descalços que lhes pediu esmola. As mocinhas já se preparavam para dar algum dinheiro ao pedinte quando o moço as impediu, meio contrariado. Quando chegaram os três em casa, foi uma choradeira imediata das duas meninas, a irmã e a namorada, lágrimas e mais lágrimas de compaixão pelo mendigo. Quanto mais se lembravam, mais choravam. Aí o rapaz não se conteve e se abriu em voz meio exaltada: “Gente, parem com isso! Todo dia na cidade, quando vou trabalhar, encontro dezenas de casos parecidos! Para não me angustiar, fecho os olhos e as mãos !Agora vocês duas estão me fazendo ficar com remorso...”


posted by ruy at 6:17 da manhã

14.6.03

 

A liberdade humana.


A toda hora, todos os dias, em casa ou no trabalho, em intervalos de solenidades ou em reuniões bem descontraídas, ouvimos comentários sobre fatos da política nacional ou internacional. Nesses comentários são feitas críticas, umas severas, outras jocosas, do comportamento ético dos políticos, das autoridades, dos empresários etc.E a quase totalidade dessas críticas é procedente, é justa, é mesmo: oportuna e necessária. Entretanto há um ponto de capital importância, subjacente ao direito de fazer a crítica, que permanece esquecido pela maior parte das pessoas que estão a criticar. Ou, se por acaso for discretamente lembrado, essa lembrança não se faz com a atenção que seria desejável.Vejamos por que fiz esta observação.
Em geral, quando se fala em liberdade, a primeira idéia que surge na mente de todos nós é a da liberdade “externa”, é a que se liga aos chamados Direitos do Homem (os mal denominados Direitos Humanos): direito de ir e vir, de votar em quem quiser, de escolher a escola que ache que seja a melhor para seus filhos, de criticar os atos políticos, etc. Porém, o que dá consistência às nossas críticas aos políticos, e até mesmo à nossa revolta diante do nível da criminalidade nestes agitados dias, é a liberdade intrínseca, aquela com que fomos criados por Deus. É ela que nos torna responsáveis por nossos atos, qualificando-nos como inocentes ou culpados. Portanto, é ela que justifica a existência do nosso direito de fazer críticas e de colocar o bandido na prisão. É ela que confere dignidade aos Direitos do Homem.
Mas, pergunto: quem, hoje em dia, costuma refletir seriamente nestas verdades?


Senso de humor e vulgaridades.


Lamentável o equívoco das pessoas que se julgam muito bem humoradas porque falam com total desembaraço sobre assunto ligado a sexo. Uma boa conversa em família de repente pode descambar para uma inoportuna, uma desagradável vulgaridade...
Diziam os antigos: “in medio stat virtus”: “a virtude está no meio.” No que toca ao assunto em pauta (sexo) essa prudente recomendação nos manda ficar distantes, ao mesmo tempo, do moralismo hipócrita e da irreverência zombeteira.
Ensinam-nos os sábios que esse “estar no meio” dito no antigo aforismo latino não é um tirar a “média aritmética”, mas, sim, é um permanecer na crista de uma montanha que separa dois abismos. É um meio elevado.Não é, pois, uma posição cômoda. Requer nossa inteligência e nossa sensibilidade. Em resumo: exige de nós a verdadeira prudência.


Um dito bem a propósito.


Em uma das aulas de alemão que tive faz alguns anos, aprendi este dito: “Geduld ist eine wichtig Eigenschaft” , isto é: “A paciência é uma importante virtude (ou : qualidade).”
Que Deus ajude o Ruy a ser paciente!


posted by ruy at 6:06 da manhã

13.6.03

 
Experiência de hospital.


As horas passadas em uma cama de hospital em geral passam lentas, não lentas demais porque as regulares entradas das enfermeiras e copeiras no quarto quebram a eventual monotonia. De qualquer forma, a forçada tranqüilidade do ambiente permite-nos fazer oportunas reflexões. Uma delas é quanto ao poder do Estado. Ele pode, por exemplo, construir hospitais espaçosos e bem equipados com o que haja de mais moderno na tecnologia de tratamento hospitalar. Pode suprir tais hospitais com um suficiente efetivo de médicos e enfermeiros competentes. Porém, não pode obrigar que médicos e enfermeiros sejam atenciosos, sinceramente atenciosos, com os pacientes. É curioso como tantas pessoas não prestam a devida atenção nessa sutil demonstração prática da importância da afetividade na vida humana. Todos os regimes modernos – capitalistas ou socialistas, ditatoriais ou com eleições livres - passam ao largo dessa realidade que, para o Estado, talvez seja apenas um detalhe bem pouco significativo. Para o Estado o que interessa mesmo é a categoria da quantidade. A qualidade é avaliada pelas estatísticas.



Na esfera do ensino.


No que toca à escolaridade ocorre equívoco semelhante ao que nos referimos ao falar na saúde das pessoas e seu atendimento médico em hospitais. O Estado pode construir uma enorme quantidade de escolas, para todos os níveis de ensino, e pode mesmo supri-las com modernos e eficientes meios auxiliares de apoio didático e com um suficiente efetivo de professores bem treinados na técnica de ministrar uma aula. Porém, o Estado não pode educar ninguém, mesmo porque quem se educa é a própria pessoa. Nem está interessado em fazer com que as famílias entendam que existe uma essencial diferença entre escolaridade e educação.



Problemas universais.


Os esquecimentos e equívocos a que nos referimos nos itens anteriores deste “post” são universais. Tanto ocorrem, por exemplo, no enorme país que tem o curioso nome de Estados Unidos quanto são detectados na gigantesca China; tanto aconteciam, por exemplo, no passado governo Fernando Henrique quanto acontecem no atual governo Lula. São mazelas da civilização moderna, as mesmas melancólicas mazelas que, gerando o tédio na sociedade sem a Esperança (com E maiúsculo), abrem o caminho para o tenebroso consumo das drogas...


posted by ruy at 8:02 da manhã

12.6.03

 

De volta ! Graças a deus, Ruy está de volta! Muito obrigado pelas orações dos amigos!Já estou em casa, em bom ritmo de convalescença.



Mensagem especial para algumas certas pessoas muito inteligentes, muito honestas e muito bem intencionadas, mas infelizmente equivocadas.


Meus amigos – permitam-me chamá-los assim – sei que vocês devem ter o hábito de ler os Evangelhos. Sei também que lá nos Santos Livros vocês certamente já terão lido o “Magnificat”, a belíssima oração da Virgem. E, no “Magnificat”, vocês devem com certeza, ter lido esta declaração de Maria:

“... e por isso, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc.Cap. 1, vs.48).

Agora, pergunto com todo respeito a vocês, meus amigos:
- ao longo destes vinte séculos decorridos, em qual instituição mais se verificou a realização plena daquela profética afirmativa ? Em qual instituição foram escritos mais livros e compostos mais poemas e canções de louvor à Virgem ? E diga-se bem a propósito: tais louvores, quando feitos, saíram da boca de pobres e ricos, de iletrados e sábios, de crianças e adultos! Vocês, que são pessoas não só inteligentes como também muito bem informadas, vão me responder com honestidade que tal instituição sempre foi e continua sendo a Igreja Católica !
Uma das orações mais antigas escritas em louvor de Maria é a do “Memorare” (“Lembrai-vos”) que teria sido composta por São Bernardo, um santo bem típico da Idade Média:

-Lembrai-vos, o’ puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm a vós recorrido, implorado a vossa proteção, reclamado o vosso socorro, fosse por vós desamparado.
Animado, pois, com esta confiança, como mãe recorro e de vós me valho e, gemendo com o peso dos meus pecados, me prostro aos vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, o’ Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e alcançar o que vos rogo.Amen.

E mais, um dos cantos mais belos do Gregoriano é justamente o medieval Salve Regina, um canto onde a piedade autêntica se manifesta em tom forte e rico em esperança, muito longe de qualquer pieguice. Esse canto há muitos séculos é cantado não apenas nos mosteiros beneditinos, que são, por assim dizer, os “experts” nesse tipo de melodia religiosa, mas em todos os ambientes católicos fiéis às tradições da Igreja. Pena que o Ruy não tenha como colocar neste “blog” uma boa reprodução do Salve Regina, para ser ouvido no computador !



posted by ruy at 10:39 da manhã

9.6.03

 
De volta ao tema da alegria.


Não adianta, meus amigos leitores. Volta e meia retorno à questão básica, a saber: o essencial papel da alegria em nossa vida.
Há uma importantíssima passagem no Evangelho em que Nosso Senhor diz a seus discípulos : “Se não vos fizerdes semelhantes às crianças não entrareis no Reino de Deus.” (Mc.-cap.10- vs.15).Ora, todos sabemos que as crianças normais são espontaneamente alegres. E nós adultos? Como deve ser nossa alegria? Deve ser do tipo infantil: descuidada, ingênua, natural, muitas vezes irresponsável ? Ou deve nossa alegria passar pelo caminho meio ou bastante trabalhoso do bom uso, do uso consciente da inteligência?
Um enorme perigo neste instante em que se fala no bom uso da inteligência é o de fazer uma lamentável confusão entre o que seja usar a inteligência de modo sereno e prudente, e o ser um intelectual super-consciente de seus conhecimentos e de sua grande capacidade de raciocínio, uma auto-suficiência que regra geral descamba para a vaidade pomposa e vazia ou, pior, para o orgulho sombrio que afasta de um pseudo mestre as pessoas sensatas.
O bom uso da inteligência deveria sempre levar-nos a uma atitude de docilidade diante do real, diante das pequenas coisas, das coisas comuns que estão bem perto de nós, em silêncio, esperando nosso olhar de simpatia. É muito comum passarem pela Internet certas mensagens bem intencionadas que nos recomendam, por exemplo, que agradeçamos sempre ao Criador pela existência do sol, das flores, das águas de um riacho, e coisas semelhantes. Não serei eu que vá dizer que não se faça esse agradecimento. Porém, digo que, mesmo sem sair do nosso quarto, que pode ser mesmo um quarto modesto, sem janela para o sol brilhante, sem vista para flores coloridas e árvores sacudidas pela brisa da tarde, mesmo nesse ambiente tão acanhado, tão prosaico, poderemos abrir os olhos de um modo não rotineiro, de um modo poético, no sentido lato desta palavra.. No sentido lato, sim, porque, afinal, nem todos nascemos com a vocação para o “ofício do verso”, como a chamou Jorge Luis Borges.
Hoje, mais do que nunca, está em moda a bajulação dos “pobres”. E, paralelamente, há muita gente que não gosta de ser classificada como pobre. De um lado e do outro estamos esquecidos da lição que nos foi ensinada há mais de vinte séculos, a mesma lição que um certo dia, em um recanto da Itália, o filho de um bem sucedido comerciante resolveu pôr em prática. Aquele mesmo jovem italiano, que tanta celeuma provocou com sua excêntrica mudança de costumes, tornou-se modelo da boa alegria.Ele não foi um intelectual, como viria a ser, por exemplo, um São Boaventura, o franciscano grande amigo de Santo Tomás, mas a decisão que ele tomou foi pensada, teve racionais motivos.Saiu da rotina, sem dúvida alguma, mas seu impulso teve razões fortíssimas; não foi irracional, não desprezou o uso da inteligência. O toque sutil da Graça teve a resposta do homem, animal que pensa.
Agora um detalhe muito importante e pouco lembrado. Muitos depois quiseram imitar o “pobrezinho”, com uma imitação desordenada, quase fanática. Não fosse nossa Mãe - tantas vezes caluniada pelo zelo que tem para conosco - não fosse nossa Mãe, a Igreja, aqueles agitados imitadores teriam provocado uma enorme bagunça na obra de arte feita pelo grande santo.



Elegância internacional


Hoje de manhã, uma atilada professora, conversando com alguns colegas de faculdade, referia-se ao que ela chamou de “elegância da imprensa internacional”, por haver esta deixado de fazer gracejos em torno da proposta feita pelo nosso Presidente ao G-8, qual seja: a de que os fabricantes de armas passassem a pagar uma taxa sobre seus lucros, taxa essa que seria usada em benefício dos países pobres.
Qualquer pessoa que se interesse mesmo pelo bem dos pobres e conheça a velha “regra de 3” entenderá o ponto de vista da professora.


Recesso: Ruy vai passar por uma pequena (espero) cirurgia. Deve ficar “off” alguns dias.


posted by ruy at 7:48 da manhã

 

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